Feliz Magusto. Bom Ano Novo

Senhora Cailleach no seu terceiro passo: nem moça nem adulta, mas velha (rosmona e sábia), apoiada no seu sacho e vestindo o seu saio quando abrem as portas do Além, começa o ano e vai frio, vento e chuva.

É a Noite de Magusto, de Samain, dos Calacús, chegou o Samónios. A noite quando acabam de abrir de vez as portas do Além (Sídhe) para durante três dias podermos finalmente comunicar sem eivas com os/as que não estão graças aos corvos da deusa Reua, que voam alegres e a vontade. É o intre concreto e simbólico que marca o fim do ano e o começo dum novo, celebrando-se tanto religiosamente como com uma grande festa onde o que importa é rir e ficar ledo. Entre hoje e amanhã são, em definitiva, os momentos mais importantes do ano para os/as Caminhantes do Druidismo.

A Roda do Ano completa uma volta inteira, marcando já sem dúvidas a entrada cara o Inverno. É o merecido descanso da Terra e a satisfação de termos não só superado mais um ano, senão de encontrar-mo-nos celebrando em Comunidade a boa disposição e coragem para seja o que for vem a seguir, sem importar o rigor da estação.

Toma Bandua as suas chaves e abre as cancelas do Além, deixando passo a Berobreo e os seus. Longe já do esplendor da luz de Lug (que morre e dorme placidamente guardado pela mesma Bandua), ou da regeneração de Brigantia e posterior apoteose de Bel, é a quenda da Cailleach – senhora da nossa Terra – completando não só o ciclo de celebrações e deidades do nosso calendário sagrado, senão também o seu próprio. Não olha mais desde um canto, mas adquire todo o protagonismo quando, precisamente, deixa de ser nova e linda, quando chega ao seu aparente fim, o fim do ano, e vira em velha mas sábia. Será ela, a também senhora da noite, a que facilite o trânsito entre aqui e o Além junto a Bandua e Berobreo; será ela quem tome conta das bestas por uma temporada; será ela a que de repente cesará de lembrar-nos a perda que pode supor o passo do tempo para fazer ver que em verdade o que havia era construção, mudança, avanço, com o exemplo da sua própria e pessoal regeneração.

A Cailleach trabalha agora a Terra com o seu sacho até passado o próximo solstício, e haverá quem pense que está a destroçar, mas realmente remexe o necessário para sementarmos quando chegue a nossa vez. Deixará por uma ocasião de rosmar das outras deidades para, como autêntica nai, estender o seu saio aconchegante sobre o Cosmos todo.

Estes dias a Galiza está em festa. Não há cidade, vila ou aldeia que não festeje e honre os/as seus/suas devanceiros/as. Não há recuncho do País que não cheire a castanha assada e a gente pense no Magusto. Não há lugar onde não fique acesa uma candeia. Não há janela sem calacú. Não há crianças que não sintam que é noite de troula.

Hoje caem os etéreos muros e seica para-se o tempo. Ficamos logo nas mãos da Cailleach, na companhia do amigo corvo e baixo o abeiro do teixo.

É tempo de Druidaria; mais do que nunca esta é a nossa festa rachada.

Feliz Magusto! Bom Ano Novo a todos e a todas! Nós abofé que estaremos celebrando.

 

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