A defesa da língua

A IDG soma-se à convocatória de manifestação popular pelo galego, convocada por diversos colectivos para o 27 de Janeiro.

A IDG soma-se não só a este evento, senão que tem participado e participará em eventos similares, de forma oficial ou a título privado dos e das suas Caminhantes. Isto não é nada estranho pois, de facto, a IDG tem como um dos seus principais deveres e prioridades a protecção da Terra Galaica; é dizer, a defesa contra todo ataque e agressão sofrida, directa ou indirectamente, física ou virtualmente, literalmente sobre a Terra ou sobre o seu património material e imaterial, onde se encontra a língua, tristemente em risco de desaparição por causas alheias aos galegos e galegas de nação.

É a nossa língua um veículo secular de identificação colectiva e o elemento em torno ao qual vira grande parte da nossa identidade como Povo. É assim mesmo quando o nosso território original mantém-se artificialmente dividido, separando-nos e criando uma falsa (por subjectiva) sensação de afastamento. Eis então um dos motivos pelos quais a IDG apoia em concreto o denominado ‘Bloco Laranja‘ ou ‘reintegracionista‘ no 27-J, além das óbvias razões filológicas. Print

A Druidaria não é uma religião contemplativa ou passiva, ainda que alguém assim mal o pudera perceber por não ser agressiva na sua presença ou difusão (está-nos estritamente proibido, por exemplo, o proselitismo). Longe disso, o compromisso dum Druida ou Druidesa ou qualquer Caminhante é com o seu Clã, com a sua defesa integral, sempre com Honorabilidade e Justiça. A Druidaria não anula vontades nem individualidades, antes o contrário, o Clã é a união de indivíduos livres e determinados, com ideias e convicções fortes e meditadas, mas que são capazes de pôr essas virtudes ao serviço da Comunidade. Hoje, e perante a realidade actual, o Clã da IDG revela-se como a Galiza toda, a Treba Mór de todas nós.

A IDG não acocha a sua relação íntima e profunda com a Galiza, embora considere os valores da Druidaria de interesse para todos os povos do mundo. Assim, a IDG parte dos princípios de actuação local, de identificação com a cultura autóctone, do orgulho pelo labor próprio, pois só conhecendo em profundidade as suas origens pode uma pessoa entender como interpreta o mundo que lhe rodeia e relacionar-se conscientemente com ele. 

Dos Nove Compromissos Druídicos apelamos logo nesta ocasião ao:

– Compromisso com as Raízes.

– Compromisso com a Liberdade.

– Compromisso com a Independência.

– Compromisso com o Conhecimento.

– Compromisso com a Verdade.

Por tudo isto, a IDG fica vigilante às agressões contra o Povo Galego, provenham de onde provenham, internas ou externas, sejam em forma de desfeita ambiental, violência física ou estrutural, destruição patrimonial ou etnocídio cultural.

Por tudo isto, a IDG adere de forma unilateral e autónoma o manifesto do ‘Bloco Laranja e está, e estará, em todos quantos frontes for possível na defesa da Terra, dentro dos preceitos da Druidaria.

Este texto e o manifesto unitário do Bloco Laranja > aqui < (*.pdf, 227kb),

ou “continue reading” para aceder ao manifesto em linha

Reproduz-se a continuação o manifesto do ‘Bloco Laranja‘:

Podemos motivar, podemos somar, mas é preciso virar o rumo

O espanhol, que já era a língua praticamente única das cidades galegas mais povoadas, também se tornou a língua ambiental de um grande número das nossas vilas médias e até pequenas nos últimos anos. Nestas circunstâncias, também ficaram muito reduzidas as pessoas que têm algum tipo de contacto com a nossa língua. Sabia-se que ia acontecer e aconteceu, de maneira que algo tem que estar a falhar. Como tantas outras cousas na nossa sociedade, o movimento normalizador necessita de novos ares, de um novo rumo que não jogue todas as cartas à acção institucional e à vitimização de sermos língua minorizada. A situação da língua é delicada, mas nós pensamos que é possível voltar a conectar com a sociedade, voltar a motivar, voltar a somar.

As sociedades actuais e os comportamentos linguísticos delas são tão complexos que dificilmente se podem induzir ou alterar apenas através da acção institucional. Tampouco o ensino, nem que fosse maioritariamente em galego, asseguraria grandes avanços por ele só. Temos muitos exemplos de que esse rumo não dá os frutos que esperávamos. Muito menos ainda, claro, quando a estratégia consiste simplesmente em ficar à espera dessa situação. Guiarmos noutra direcção não nos instalaria repentinamente na situação oposta. Ora bem, parece claro que continuarmos a bater nas mesmas teclas, a de estar à espera de um ambiente ideológico propício e a de limitar os recursos que pomos ao dispor do processo normalizador, não gera a motivação social pelo galego que desejaríamos.

Os colectivos reintegracionistas que hoje nos reunimos no Bloco Laranja entendemos que, sem renunciarmos a utilizar o ensino e as instituições públicas em prol da nossa língua quando estivermos em condições de o fazer, também devemos somar outro tipo de vontades e recursos à margem daquelas. Parece-nos o modo mais interessante de devolver ao movimento normalizador o entusiasmo de que actualmente carece e que julgamos imprescindível para conectar com a sociedade. Um novo rumo em que cada pessoa poda pôr o seu grau de areia para que o galego volte a ser, para além da língua que as pessoas identificam com o uso ritual institucional, uma língua de ambientação social. Por isso queremos animar-te a trabalhar connosco:

  1. Na promoção de espaços físicos de socialização em galego e pelo galego em todas as comarcas do País.
  2. Na promoção de redes cooperativas de ensino em galego e pelo galego em que o galego não seja apenas a língua da docência, senão o projecto que aglutine toda a comunidade educativa: direcção, docentes, crianças, nais e pais.
  3. No aproveitamento de recursos lusófonos em todos os âmbitos em que seja possível, fazendo do intercâmbio com os outros países de fala galega a aposta cultural fundamental do movimento normalizador até se criarem condições mais favoráveis para a cooperação linguística com os estados de língua portuguesa.

São medidas simples que já se verificaram eficazes noutros países, porque não basta fazermos campanhas de promoção do galego: devemos fazer do galego uma opção interessante para as pessoas e para isso temos que ter em conta as pessoas.

Galiza, 27 de Janeiro de 2013

Assinam ou apoiam este manifesto (não exaustivo e sem ordem particular):

Fundaçom Artábria (Trasancos), AGIR (nacional), A.C. Amigas da Cultura (Ponte Vedra), Academia Galega da Língua Portuguesa (nacional), C.S. Arredista (Compostela), A.C. A Velha na Horta (Baixo Minho), BRIGA (nacional), C.C. Buril (Burela), Diário Liberdade (nacional), Gentalha do Pichel (Compostela), C.S. Gomes Gaioso (Corunha), Irmandade Druídica Galaica (nacional), C.S. Lume (Vigo), NÓS-Unidade Popular (nacional), Partido da Terra (nacional), S.C.D. Condado (Condado), Colectivo Terra (Pontedeume), C.S. Fuscalho (Baixo Minho), C.S. Revolta (Vigo), Semente (Compostela), C.S. Aguilhoar (Ginzo de Límia), Assembleia de Mulheres do Condado (Condado), Instituto Galego de Estudos Célticos (nacional), Galiza Livre (nacional), Associaçom de Montanha Augas Limpas (nacional). Et alii.

Baixar todos estes textos > aqui < (*.pdf, 227kb)

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