Solstício de Inverno

A Roda do Ano leva-nos mais uma vez até o Solstício de Inverno no passo do 21 ao 22 de Dezembro, uma das quatro festividades menores contempladas na Druidaria que incluem solstícios e equinócios e à parte das quatro grandes celebrações religiosas. Teimosamente a natureza demonstra que não há súbitos fins nem mais confusão da que nós queiramos formar. Antes o contrário, nos rigores do duro inverno, na noite mais longa e o dia mais curto, reparamos em que a partir de agora a luz só pode triunfar; é o lento retorno do Sol. Parece que o tempo voara desde o Magusto e já queremos alviscar o brilho de Bel nas folhas de acivro e visco branco, embora ainda estar algo longe.

Aliás, algumas outras tradições druídicas celebram esta noite mais longa do ano como sinal do eventual regresso de Bel, simbolizando a sobrevivência sobre as trevas e passeninha chegada da luz. É o enraizamento e gestação durante três dias do Infante Sol (logo Dagda) a partir do Ventre Materno, a escuridão da Deusa Dana. São as datas da Modranecht ou Matronucta (a ‘Noite Nai’), também do Meán Geimhridh (‘Meio Inverno’) e Lá an Dreoilín (‘Dia da Carriça’), o dia no que em Éire este pássaro é “caçado”, guardado e depois libertado como sinal de continuidade, da passagem definitiva do ano anteior, pois canta sem parar tanto no verão como no inverno sem interrupção. A Roda gira, a vida continua. 

Seja dito, outrossim, que trânsitos como o Solstício de Inverno são datas de extrema importância na tradição germânica (festividade de Yule) e na religião Wicca, mesmo no calendário chinês (o Dong Zhi, ou “chegada do Inverno”), entre outras no mundo. Na Europa outras religiões também empregaram e adaptaram a posteriori estas datas como marca do trânsito cara a um período de maior esplendor.

Arredor destas datas os e as Caminhantes podemos nos reunir com a nossa gente, família ou Clã, na confiança de que o futuro sempre há acabar por destruir os gelos da fria temporada. O Solstício astronómico é hoje à tardinha, mas as celebrações continuam por três ou mais dias. É a época do Apalpador, que virá trazer alegria e diversão às crianças. Queima-se o facho e manifesta-se a Coca ou Tarasca numa piscadela cúmplice, deixando-se “comer” em forma de doce.

Bom Solstício de Inverno. Boa Modranecht. Cálido e refulgente Meán Geimhridh. Que corra a raposa e que cante a carriça!

apalpador_galego

(clicar na imagem para face-la mais grande)

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