Comunicado conjunto de Ordens e Irmandades

Desde a IDG tinha-se alertado para o uso não só desrespeitoso da nossa religião, mas para o especialmente preocupante uso crematístico da mesma. Se daquela vez aconteceu no nosso país, é agora a quenda duma “feira esotérica internacional” na Catalunha. Se daquela vez recibemos o apoio e simpatia de Ordens e Irmandades amigas, desta agimos conjuntamente expressando o nosso rejeitamento formal. logos

Assim, as quatro Ordens e Irmandades do Estado Espanhol acordamos e assinamos um comunicado unitário que pode ser baixado em formato pdf >aqui<, e que transcrevemos a continuação na íntegra no nosso idioma:

 

<< A Asociación Religiosa Druida Fintan, de Tradição Druídica Reconstrucionista Gala e com número de Registo 2127-SG/A; a Hermandad Druida Dun Ailline, de Tradição Druídica Reconstrucionista Irlandesa e com número de Registo 2854-SG/A; a Irmandade Druídica Galaica, de Tradição Druídica Reconstrucionista Galaica e em trâmites de legalização, e a Orden Druida Mogor, de Tradição Druídica Britânica e também em trâmites de legalização, perante o evento lúdico “Casamento Celta Druídico”, a se celebrar em Barcelona os próximos dias 28, 29 e 30 de Novembro [2014 ]dentro da “Feria Esotérica Magic Internacional”, manifestam de maneira rotunda o seu profundo rejeitamento do que consideram a banalização duma Cerimónia Religiosa própria da nossa Confissão.

É por isto que a totalidade das Ordens e Irmandades de Crença Druídica do Estado Espanhol (legalizadas e em processo de legalização) e em representação, em definitiva, de todos e todas as nossas crentes, que conformam a Comunidade Druídica, acordamos o seguinte comunicado conjunto:

“A Comunidade de Crentes Druídicos do Estado Espanhol sente-se profundamente indignada pelo que considera uma notável falta de respeito cara as nossas crenças e cerimónias por parte da organização da Feria Esotérica Magic Internacional.

Consideramos que o rito que denominam “União de Mãos”, é dizer, os Esponsais Druídicos, é uma Cerimónia Religiosa e, como tal, só tem sentido dentro da dita crença. Ninguém organiza esponsais católicos, protestantes, evangelistas, judeus, islâmicos, etc como uma simples manifestação lúdica, contudo sim são realizados supostos casamentos druídicos sem se considerar sequer o concurso ou parecer das instituições religiosas próprias da dita crença. Mais uma vez, constatamos que as religiões minoritárias que não formam parte do establishment que fornece o ‘Notório Arraigo’ são ignoradas nos seus mais elementares direitos.

Manifestamos que é lamentável que se tomem as crenças minoritárias como propiciatórias para extravagâncias e negócios, dado que o facto de alguém participar em ritos pouco comuns, atraídos pelo seu arcaísmo, o seu mistério ou a sua vistosidade deixa bons dividendos aos seus organizadores.

Uma boda, seja da crença que for, é um acto religioso próprio duma crença que deve oficiar um sacerdote ou sacerdotisa ordenada de dita crença sob as estruturas organizativas da tal crença (no nosso caso, das Ordens ou Irmandades Druídicas). Isso não pode escapar do entendimento de ninguém. É por isso que a Comunidade de Crentes Druídicos quer deixar bem claros certos aspectos:

1. Os Esponsais Druídicos, como toda Cerimónia Religiosa ou Espiritual, deve se realizar pelos Sacerdotes Consagrados e reconhecidos para o culto pelas Associações Religiosas de dita crença que estão reconhecidas no Registo de Entidades Religiosas do Ministério de Justiça do Estado Espanhol.

2. O oficiante da pseudo-cerimónia não é um sacerdote druida ordenado e está fora de toda linha druídica regular. Não está reconhecido em nenhum país e não pode apresentar nenhuma credencial como sacerdote druida consagrado por nenhuma Ordem europeia.

3. O facto certo de não todas as Ordens no seu seio contemplarem o Druidismo como religião estruturada, e o manterem como espiritualidade, não implica por isso que não devam observar-se ou terem-se em conta as observações expostas no primeiro ponto.

4. Não podemos interpretar o nomeado evento como uma representação de carácter recreacionista já que em nenhum momento é aclarado por parta da organização da Magic Internacional que a actuação proposta não tem nenhum tipo de validade sacramental e que os oficiantes não têm nenhum tipo de qualificação sacerdotal, é dizer, não é um druida consagrado. Cremos que isso tudo no seu conjunto provoca uma grande confusão na gente, e achamos que a organização brinca com dita ambiguidade, já que dar a entender às pessoas interessadas que participam numa autêntica cerimónia religiosa é muito conveniente em termos empresariais.

Em consequência, manifestamos a nossa mais clara repulsa perante as “uniões” agendadas para o evento Magic Internacional já que as mesmas constituem uma grave ofensa para o sentimento religioso de muitas pessoas que têm no Druidismo as suas crenças espirituais.”

Em Vacarisses [Catalunha], 19 de Novembro 2014.

Asociación Religiosa Druida Fintan – Nº 2127-SG/A R.E.R

Hermandad Druida Dun Ailline Nº 2854-SG/A R.E.R

Irmandade Druídica Galaica – em trâmites de legalização

Orden Druida Mogor – em trâmites de legalização >>

O original (em espanhol) foi publicado primeiro >aqui<.

Que Íccona Loiminna o espalhe como quiser e melhor entender /|\

– – –

Actualização 28 Novembro

Este comunicado provocou a resposta dos organizadores, que foi publicada nesta ligação (em espanhol; parte laranja).

Desde a IDG, enviamos um correio-e precisando a nossa postura que achamos encerra pela nossa parte este capítulo. Foi como segue (parte central traduzida ao nosso idioma):

<<1. A IDG não tem intenção de perseguir a ninguém em particular, senão indicar algo que ao nosso ver é oferecido sob um epígrafe enganoso (“casamento celta druídico” / “união de mãos”) e sob uma focagem que consideramos muito desafortunada (“actividade lúdica” numa feira “esotérica”). Figemos exactamente o mesmo este passado Agosto a respeito dumas denominadas “bodas celtas” massivas.

2. Consideramos que existe um fim crematístico pois é uma actividade englobada num evento comercial de rango superior que se beneficia da sua inclusão. Isso, para nós, invalida por completo qualquer rito supostamente religioso, sem entrar sequer em se alguém particular – que nem conhecemos – cobra ou paga, o qual tornaria ainda mais grave o assunto.

3. Aceitaríamos sem maior problema uma conversa sobre Druidaria e a nossa forma de vê-la (ainda que nunca queremos fazer nada que semelhe proselitismo), mas duvidamos de o factor distância o permitir. Evidentemente, nunca seria num meio de comunicação pelos condicionantes que estes impõem; teria que se realizar num foro ajeitado com calma e tempo, e deveria sempre contar com quantos mais interessados/as melhor.

4. Obviamente, estamos no nosso direito de expressarmos a nossa opinião livremente, igual que Vc a sua, assim como qualquer pessoa que nos ler ou ouvir está no seu direito de nos fazer caso ou tudo o contrário. Simplesmente, que cada um/a tire as suas conclusões.>>

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