Uma grandiosa entrada na Primavera

A primavera entra da mão do eclipse.

Este ano a Primavera entra da mão dum eclipse solar.

Hoje o Sol detém-se sobre as nossas cabeças, toma fôlegos por um intre na sua viagem enquanto equilibra luzes e trevas. Este ano pode que lhe custe um bocado mais, por causa de um sempre espectacular eclipse solar, onde a Galiza será um dos melhores lugares da Europa continental para o observar. E ainda, nas horas de entrada oficial da Primavera, veremos uma “Super Lua“, com o qual desfrutaremos de três fantásticos eventos astronómicos em poucas horas.

Contudo, depois de finalmente alcançar à escuridão na sua corrida, hoje o dia dura tanto como a noite e a noite como o dia: é o equinócio da Primavera, o que muitos e muitas denominam Alban Eilir, “A Luz da Terra”, Mean Earraigh, “Meia Primavera”, ou Alban Talamonos, “O Amencer da Terra”; Ostara nos cultos germânicos e wiccanos, o início do ano astrológico para outros.

É um dos quatro grandes eventos astronómicos que intercalam as quatro grandes celebrações para completar a Roda do Ano.

Continuamos assim o caminho indicado no Entroido (Imbolc). Vai resultando evidente que a chegada dos Maios (Beltaine) e imparável. A natureza cumpre os seus ciclos mais uma vez, por muito que muitos teimem em ignorá-la e daná-la. Por fim vai agromando a vida por toda parte; é óbvio e palpável. Activa-se a fertilidade e maravilhamos-nos de como a planta sabe quando tem que medrar, quando tem que sair do ovo protegido por uma lebre, simbolismo do que significavam os frutos “no ventre” (i mbolg) da Deusa Brigantia, que não parou de sorrir desde o Entroido, e continua.

Renovam-se então as intenções do Entroido: continua a preparação, cuidado e sementado da terra, mas esta já reverdece. Pode-se pôr outra vez a casa em ordem e continuarmos a limpeza, também interior, porque com esta luz podemos ver melhor todo recanto escuro, em toda parte, e não deixarmos nem um canto sem arranjar.

Bom Equinócio da Primavera. Recebide a acougante Alban Eilir num agarimoso abraço. Empregade bem o tempo da Mean Earraigh. Espreguiçade-vos com o Alban Talamonos.

 

Dizem que não falam as plantas, nem as fontes, nem os pássaros,

nem a onda com os seus rumores, nem com o seu brilho os astros,

dizem-no, mas não é certo, pois sempre quando eu passo,

de mim murmuram exclamam:

Aí vai a tola sonhando

com a eterna primavera da vida e dos campos

e já bem cedo, bem cedo, terá os cabelos canos,

e vê tremendo, aterecida, que cobre a giada o prado.

 

Hai brancas na minha cabeça, hai nos prados giada,

mas eu prossigo sonhando, pobre, incurável sonâmbula

com a eterna primavera da vida que se apaga

e a perene frescura dos campos e as almas,

ainda que os uns esgotam-se e ainda que as outras abrassam.

 

Astros e fontes e flores, não murmuredes dos meus sonhos,

sem eles, como admirarvos nem como viver sem eles?

(Rosalia de Castro, 1884)

A Terra veste as cores da Primavera.  Foto: S. Lourenço Sueiro.

A Terra veste as cores da Primavera.
Foto: S. Lourenço Sueiro.

2 responses to this post.

  1. Para mim é sempre o começo do ano.

    Responder

    • Pois parece!😉 Embora o ano celta comece realmente com o Magusto (Samahin; em Novembro), a definitiva volta à vida da Natureza enche qualquer pessoa com alegria e energia. Desfruta!🙂

      Responder

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