Alguém morreu para estarmos aqui

Cartaz: Paco Boluda, para umha ediçom anterior.

[Republicamos um texto, com modificaçons, lembrando umha data especial na nossa história] No estudo e recuperaçom da nossa religiom nativa e história antiga muitas vezes encontramos com o problema das fontes ou referências originais. Às vezes é pola mesma natureza da transmissom do conhecimento na nossa tradiçom, às vezes pola ocultaçom intencionada a maos de terceiras pessoas, às vezes pola simples destruiçom dessas fontes e dados. Às vezes é um bocado tudo.

Sabemos que houve umha infeliz quebra nessa transmissom directa da nossa tradiçom, embora sim ficara bem viva a nível folclórico e popular, plenamente integrada em inúmeros aspectos da cultura e psicologia galaica actual. Desconfiade, contudo, de quem pretenda afirmar umha linhagem ininterrupta; isso nunca vai ser certo.

Desde a IDG termamos na procura de vias de investigaçom e interpelaçom sérias na redescoberta da nossa história e herdança, reconstruindo o possível e interpolando o necessário, mas evitando fantasias e autocomplacências. É, por definiçom, um trabalho muito lento e complicado, mas abofé gratificante.

Assim, é certo que tamém encontramos agradáveis surpresas, como um pedaço de informaçom aqui ou acolá que ajuda a conhecermos melhor os nossos Devanceiros e Devanceiras. É o caso do facto que podemos comemorar hoje 9 de Junho, quando teve lugar há 2154 anos (no 137 AEC) a grande batalha de proporçons formidáveis – onde o Povo Galaico luitou até a morte pola sua liberdade contra as tropas do Império Romano na foz do rio Douro, lá na cidade de Cale (actual Porto).

Esta efeméride perfeitamente documentada acaba por desmontar falsos mitos como a alegada falta de unidade ou desorganizaçom galaica, como se esta terra tivera sido tam só um lugar selvagem e individualista prestes a ser “civilizado”. Antes o contrário, eis aqui mais um exemplo da já sabida conexom e inter-relacionamento entre as diferentes tribos galaicas, lusitanas e, até, diferentes povos célticos da Europa Ocidental.

As crónicas falam de 50.000 mortos, 6.000 prisioneiros, da valentia galaica mas tamém da inteligência e astúcia romana… Tem que ser, pois foram escritas polo invasor e os exageros sempre ficam épicos, mas os números e a mensagem que transmitem nom eram cativos.

Em qualquer caso, esse foi o dia que marcou o princípio do fim dumha época, mas com certeza foi tamém um momento fulcral na história quando as nossas ancestrais ensinaram-nos com o seu sacrifício tingido de sangue quanto é que importa esta Terra e tudo o que há nela, e até que ponto estavam dispostas a defendê-la.

Depois chegaria o Dia do Medúlio – 115 anos mais tarde (nalguma altura do 22 AEC); geraçons de resistência – se calhar um momento ainda mais simbólico mas de localizaçom incerta. Foi quando “com sangue quente e [vermelha] /  mercamos o direito / à livre honrada chouça” (R. Cabanillas, En pe!, 1917). Mas isso é umha outra história…

Honra aos Heróis e Heroínas, gentes sem as quais hoje nom estaríamos cá nem saberíamos o que sabemos. Honra a Bandua e Cosso, que lá estava activo e presente lutando do nosso lado nas suas duas formas, e por ajudar-nos a lembrar agora.

PD. A Honra é um elemento fundamental da Druidaria.

 

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One thought on “Alguém morreu para estarmos aqui

  1. Non foi ningún paseio militar a romanización da Gallaecia. Ás lexións romanas levoulhes todo un século. Naquela altura, os nosos devanceiros Anfiloquios, Aobriguenses, Aebisocios, Nobisocios, Aquiflavienses, Aquicilenos, Anfilocos, albións, Ártabros ou Arrotebras, Bracarebses ou Brácaros, Bíbalos, Brigantes ou Brigantinos, Bedios, Coelernos ou Celerinos, Calaicos ou galaicos ou gallaecos (xenéricos) , Cilenos, Cóporos, Célticos (xenérico) , Cibarcos, equesios, egovarros, Grovios (que non de Ogrove) , interámnicos, Iadóns, Limios, lubenos, Luancos, Lapatiacos, Lémaros, Helenos (nada que ver con gregos) , jadóns, Nemétalos, Nerios, Orníacos, Presamarcos, Querquernos, Selacios, Seurbos, Superlamaricos, Tamaganos, Turudoros, Zoelas…engordaron co seu sangue os mil ríos da Gallaecia no dicir dos principais historiadores do Imperio: Orosio, ovidio e Floro.
    Viva Galiza Ceibe.

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