Aí vem o Maio!

Os “tótemes vegetais” dos Maios, representando a Natureza, sempre alegres e imaginativos, misturando tradiçom ancestral e modernidade numha linha – aqui sim – sem quebras.

Os Maios (Beltaine) som chegados. A terceira grande celebraçom religiosa do ano a seguir o Magusto (Samhain) e o Entroido (Imbolc) começa esta noite, no passo do 30 de Abril ao 1 de Maio.

Venhem aí os Lumes de Bel (Bel-tené) – o Formoso, o Belo, o Luminoso – e assoma a cabeça a Coca do Val, sabendo que chega já de forma definitiva a consagraçom da Primavera (tradicionalmente era, de facto, o começo do Verám).

Este ano, aliás, teremos a fortuna de nos encontrar mais umha vez na já sétima ediçom das Jornadas Galaico-Portuguesas (dias 26 e 27 em Pitões das Júnias, Montalegre).

Nom é casual que seja precisamente agora, neste mês, quando proliferam por todo o País tantas “festas da primavera”, já que tratamos com umha autêntica festividade cujos ecos perduram na nossa terra desde o Neolítico.

Como o Magusto (Samhain), os Maios suponhem um trânsito, o outro fito da divisom da Roda do Ano em duas partes, onde a mudança esta vez acontece desde a metade escura do ano cara a luminosa, de Giamos a Samos. Retoma o lume guardado por Druidas e Druidesas o seu simbolismo fulcral, leva-se o gado até ele para a sua purificaçom e saltam homens e mulheres por riba na procura da fertilidade. Regressam a casa depois dum duro inverno fora os moços do Cório (como os irlandeses Fianna), para celebrarem estas datas com o resto do seu Clã.

Se na Seitura (Lugnasad) preparamos-nos com lume à futura chegada da escuridom, aqui chamamos definitivamente à luz que nom para de caminhar cara nós. Invoca-se o bem-estar, os gromos e o calor no rito de Alumiar o Pam, para que a Natureza nom se esqueça de nós e dos nossos esforços:

Alumeia o pam
Alumeia-o bem
Alumeia o pam
para o ano que vem

Alumeia o pai
cada gram um toledám
Alumeia o filho
cada gram um pam de trigo
Alumeia a nai
cada gram um toledám
Alumeia a filha
cada gram um pam de trigo

Como na Seitura, é tamém bom momento para casamentos e unions, para desfrutar da sexualidade. É o grande festival da fecundidade, do esplendor da natureza, da fartura, das crianças. É umha festa de reconstruçom e renovaçom. Assim, elabora-se o Maio, umha figura inteiramente vegetal – se calhar com algum ovo que a Lebre já cedeu a pedido de Brigantia depois do equinócio  – que representa e centraliza a Natureza, ou umha árvore se se quer, que será passeada por moços e moças; mesmo pode-se vestir umha criança como tal. É a árvore, pois, que indica a chegada sem falho da vida e da luz durante meio ano, em torno à qual todas e todos cantam e dançam em círculos enquanto o Cório bate as suas espadas junto da Coca, espinha do Mundo:

Ergue-te Maio
que tanto dormiche
que passou o Inverno
e tu nom o viche

De acordo com a tradiçom galaica celebramos os Maios desde a noite do 30 de Abril, quando (de forma simbólica) apanhavam-se frutos da terra nos campos alumiados por fachos cujas cinzas serviam depois de adubo, até o significativo dia 1 de Maio. Apanham-se ainda as gestas que ham guardar as casas (e veículos) desde o abrente do dia 1, umha vez colocadas nas portas de forma bem visível. Depois da juntança de luita da manhã tentaremos percorrer o caminho cara um santuário natural para acabarmos de confecionar o Maio, acender os lumes, jantar e, em definitiva, desfrutar da alegre proteçom de Bel que, anovado, viaja arredor do Sol no seu carro de cavalos. Temos ainda a ajuda de Nábia nos nossos cânticos com o repenique das suas águas, precisas para limpar as feridas. A tríade fecha-se com a Deusa Íccona Loimina – embora sempre com um pensamento de agradecimento para Brigantia – por se tiver a bem ajudar na abertura de novos caminhos, Ela que sabe e pode protegê-lo.

Os Maios som umha dessas celebraçons populares que mostram à perfeiçom a continuidade duns costumes e crenças desde a mais remota antiguidade até dia de hoje. Pode que perderam parte do seu significado original e outros foram acrescentados, pode que a maioria da gente nom saiba o que está a suceder realmente, mas a tradiçom tem estas cousas: o fundo perdura, apesar de todas as tentativas de o ocultar ou deturpar.

Bel está presente, a Natureza está presente, o “axis mundi” está presente, os Córios estám presentes e rodam no sentido da vida, a fertilidade e a alegria estám presentes, o sentimento de melhora e proteçom está presente, e milhares contemplam isto tudo e participam nas ruas da Galécia do século XXI. Estamos no mundo e, como sempre figemos, cantamos e dançamos.

Amanhã (1 de Maio) é dia de presença nas ruas, por justiça e por festa. Amanhã o País inteiro tinge-se de cor num berro senlheiro. E para quem nom conhecera esta festa, eis umha introduçom… 😉

As datas de culto, aliás, estendem-se até o dia três e a época dos Maios durante o mês todo, mas neste caso som actividades principalmente pessoais e privadas.

Beltaine, os Lumes de Bel, umha grande e alegre festa em todas as terras célticas

 

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