No Equinócio de Outono alumeiam as fachas

Arde facha, que é a tua hora.

Como na Primavera, chega nesta madrugada um novo equilíbrio perfeito entre dia e noite, entre luz e escuridom, ainda que desta vez marca-se o lento trânsito cara a metade escura do ano (fica perto o passo de Samos a Giamos).

É o Mabon, o Alban Elfed, a Noite do Caçador (quando o Sol é finalmente alcançado antes dum novo renascer), o Lar da Colheita. Em definitiva, o Equinócio de Outono: mais um passo na Roda do Ano marcando umha das festividades menores da Druidaria.

Após a grande celebraçom da plenitude da colheita na Seitura (Lugnasad), revisa-se agora a finalizaçom dessa colheita farturenta, festeja-se o seu cuidado armazenamento para esta nova jeira que pode ser longa e dura, mas que encaramos com optimismo e gratitude polo já conquistado e tudo o bom acumulado. Estamos prestes, pois, a caminhar cara o ano novo que há chegar na festa do Magusto (Samain) em poucas semanas.

Talvez antecipando a chegada dessa grande noite, a tradiçom galaica celebra este equinócio com o lume da chamada Festa das Fachas (ou Queima dos Fachós), outrora popular em todo o País e que oxalá pudera voltar sê-lo. Assim, desde há milénios pega-se fogo a uns fachos de pôla de castinheiro contra a meia noite, enquanto soa a gaita e prepara-se a comida e a bebida, como em toda boa celebraçom galega.

Com esta despedida, Lugus cai e começa o seu descanso, e nós acougamos com ele. Cale fica avisada. A Cale antes fisicamente esplendorosa declina aparentemente em aspecto, mas oferece graças à sua crescente experiência o seu sábio conselho a quem saber perguntar. Ela será agora quem nos aconchegue do seu próprio frio, vento, neve e chuvas. A aparência de vigor era nela um velo cobrindo o fragor da sua temporária juventude. Mas agora muda, agora toma lentamente o seu poder real.

Atençom, isso sim, pois é tamém época de juízos e recapitulaçons. Temos que estar preparados e preparadas de agora endiante para aturar os dias frios e as verdades que serám desveladas no Magusto através das mensagens dos nossos seres queridos. É na escuridom quando melhor se pode albiscar a luz.

Celebremos entom a previsom feita no passado para o goze do presente e a confiança no futuro.

Vem onde nós o Outono

Dacavalo do ar;

nos caminhos da fraga

os ouriços já abrem.

Sinto-o chegar contente

da eterna viagem

enredando entre as folhas

estreando friagem

(A.M. Fdes.)

O evento astronómico – ligeiramente mutável cada ano – será às 02h54 a norte do Minho, 01h54 a sul, do domingo 23 de Setembro.

Um dragom flamejante na noite galega? Tudo correcto!

 

Gostas da IDG? Tu podes ajudar a que este trabalho continue – Do you like the IDG? You can help us continuing our work 🙂

Anúncios

O trabalho da Seitura e a pausa necessária

Lugus. Desenho em aquarela por R. Cochón.

A Seitura, um trabalho agrícola que tradicionalmente começa a partir do 25 de Julho, indica-nos claramente o início da época da ‘Assembleia de Lugus’ (Lugnasad), do luminoso e poderoso protector das criadoras e inventoras, das agricultoras,  de aqueles e aquelas que podem fazer surgir algo que antes nom existia, do que coloca ordem no caos e defende os pactos e promessas feitas.

É em definitiva o tempo da primeira sega, motivo de ledícia geral, depois da esforçada guarda de Brigantia e Bel e todo o nosso trabalho acumulado. É a quarta e última grande celebraçom religiosa do ano a seguir o Entroido e os Maios, quando o Magusto reserva-se para o futuro e ainda aproveita-se o verám. Fecha-se a Roda do Ano na data simbólica do 1 de Agosto.

Este ano, aliás, a Seitura foi anunciada já por um espectacular evento astronómico no dia 27.

Por fim se pode reunir o Clã em grande festejo para celebrar a luz no esplendor do verám, a colheita dos frutos da Terra que ham de nos alimentar quando o frio vier. Mais umha promessa é cumprida da mao de Lugus, pois a Natureza nunca falha à sua cita. Façamos nós um esforço por estarmos à altura.

É um tempo para reflectirmos sobre o acadado nas nossas vidas e de como foi feito, pensarmos nos nossos planos e estratégias passadas, sabendo que deveremos sementar de novo grao e ideias mais cedo do que tarde. É altura, tamém, de fixar todo o bom conseguido até o de agora – apresentado da mao de Lugus – de estarmos satisfeitas pelo bom e tomar consciência do desejo de mudança do mau.

Nestas datas unem-se as famílias e os amigos, celebram-se casamentos, brinca-se e há música, arte e competiçons desportivas, actividades todas das que Lugus é patrom. A Comunidade trabalha junta nessa colheita sempre com um sorriso entre troula e esmorga, arredor dumha mesa ou dançando baixo o céu, sem nunca esquecer retornar à Terra parte do que ela nos dá.

Façamos pois reflexom sobre quem somos e onde estamos, onde queríamos chegar e aonde queremos ir. Aproveitemos os intres de calma e sossego que nos garante Lugus e a sua eloquente e positiva sabedoria. Pensemos em nós mas nom só como indivíduos, senom como parte desse Clã que necessariamente avançará connosco e nós com ele.

Outro ano já virá mais à frente, mas agora toca alçarmos a vista e desfrutar da cálida beleza da vida. O Deus que outorga essa energia toda está presente no seu apogeu; todos e todas nós somos a sua Assembleia e Povo, e esta é a sua festa. Nom desrespeitemos o nosso contrato com Ele.

 

Hei de ir à tua seitura

Hei de ir à tua segada

Hei de ir à tua seitura

Que a minha vai-che acabada

* * *

Segador que bem segas
na erva boa
que para segar na má
o tempo che sobra.

Aí venhem os segadores
em busca dos seus amores
depois de segar e segar
na erva.

 

Gostas da IDG? Tu podes ajudar a que este trabalho continue – Do you like the IDG? You can help us continuing our work 🙂

Nom perturbemos a Natureza

Nestas datas de verám muitos e muitas de nós gostamos de interagir ainda mais com a Natureza, seja mediante passeios de montanha ou banhos na praia, desfrutando de tudo o bom que tem para dar este mundo no que vivemos. Normalmente fazemos isto aproveitando as jornadas de férias bem seja por prazer, por saúde, por instinto, ou pola forte chamada que toda pessoa Druidista sente cara a nossa fonte de inspiraçom primordial e foco de reverência central que é esse mundo natural.

Contudo, é imprescindível sabermos estar na Natureza, sendo cientes que nada nela devemos perturbar, danar nem sujar. Antes o contrário, como Druidistas devemos protege-la e cuidá-la ao máximo das nossas possibilidades. Assim, devemos estudar e compreender como funcionam os ciclos naturais, os ecosistemas que visitamos, os hábitos e ritmos dos animais… É umha actividade fascinante nela mesma que, tamém, contribui decisivamente à nossa experiência espiritual profunda, pois poderemos interiorizar de forma efectiva a realidade do nosso redor.

Por isto é importante repetir que nós somos Natureza e a Natureza está em nós, e com isto assimilar que as plantas e árvores, animais grandes e pequenos, montanhas, rochas, praias ou o mar, rios e lagos, nom estám aí só para o nosso mero divertimento senom que som parte de nós e nós parte deles. Nomeadamente, os animais som os nossos iguais e nom existem “para nós” ou para “o nosso uso”, umha ideia totalmente errónea mas por desgraça firmemente ancorada nos ensinamentos derivados do cristianismo cultural no que a maioria de nós foi educada.

Como especificamos na nossa secçom de Perguntas Frequentes – FAQ, os animais nom-humanos som os nossos companheiros de vida, seres doutras espécies com quem nos relacionamos e estabelecemos, de facto, vínculos emocionais. Deixando agora de lado interpretaçons simbólico-religiosas, criam-se com eles e arredor deles umha série de dinâmicas que estám sempre sob escrutínio moral e ético pois as suas condiçons de vida, a sua própria vida, está nas nossas mans. Somos responsáveis por eles assim como somos responsáveis polo cuidado de todo elemento natural ou ser inocente que, sem opçom, pode se ver afetado polas nossas acçons “inteligentes”.

Deste jeito, lembramos novamente que a IDG subscreve a Declaraçom Universal dos Direitos Animais e que mantém umha política de tolerância zero em relaçom ao maltrato animal. Aliás, a prática de “desportos” com participaçom animal ou a chamada caça e pesca “desportiva” é incompatível com a pertença à IDG.

A premissa realmente é muito simples: deixa os bichos estar; se gostas deles, cuida deles, nom os amoles.

Seguindo esta linha de pensamento abrimos aqui um ponto de reflexom totalmente lógico que tamém figura no nosso FAQ: como seres conscientes e sensíveis que som a pergunta é se podem ser utilizados como fonte de alimento. Isto pode ser respondido com outras perguntas: precisamos realmente de animais como fonte de alimento hoje em dia na nossa sociedade? Temos direito a dispor das vidas doutros seres que nengum mal nos figeram à nossa vontade? Em base a quê? A resposta é, acreditamos, negativa em todos os casos.

Persevera-se no uso e consumo de animais por puro egoísmo ou comodidade – ou por um mero ganho económico (nomeadamente o lobby da caça na nossa terra e a indústria da carne, só interessada no seu próprio benefício) – forçando-os no processo a um sofrimento brutal inegável e amplamente demonstrado. Tal comportamento é ilógico e cruel nas nossas coordenadas sociais e históricas actuais.

A escolha é pessoal, porém encorajamos a toda pessoa Druidista a pensar, informar-se com rigor e explorar as múltiplas opçons do vegetarianismo ou o veganismo como alternativas a possíveis conflitos éticos.

Polo demais… boas férias! Desfrutade da Natureza, cuidade-a, cuidade-vos  🙂

Gostas da IDG? Tu podes ajudar a que este trabalho continue – Do you like the IDG? You can help us continuing our work 🙂