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Pitões, cenário de Maios por sexto ano

Nos Maios, Pitões! Por sexto ano consecutivo as Jornadas Galaico-Portuguesas serão o ponto de encontro, debate e celebração da nossa cultura ancestral durante, precisamente, a segunda grande época do calendário Druídico.

Vinde o fim de semana do 13 e 14 de Maio a Pitões das Júnias (Montalegre, Gerês) para desfrutardes do convívio, actividades e palestras de primeiro nível (ver programa completo embaixo).

De facto – como no ano passado – contaremos com a presença do famoso investigador Prof. Francesco Benozzo, considerado um dos melhores especialistas em harpa céltica e duas vezes candidato ao Prémio Nobel de Literatura. Além disso, teremos também a honra de dar as boas-vindas por primeira vez ao Druida /|\ Adgnatios, da Assembleia da Tradição Druídica Lusitana, que falará sobre ética céltica.

O evento é organizado pela amiga A.C. Desperta do Teu Sono, Junta de Freguesia de Pitões das Júnias e Concelho de Montalegre, entre outros, com colaboração e apoio de várias outras entidades onde se inclui a Irmandade Druídica Galaica. Aliás, esta será uma boa oportunidade de encontro para todas aquelas pessoas interessadas em estabelecer um contacto “real” com a IDG. Será a primeira presença pública da IDG desde o passado Magusto.

Programa completo:

  • Sábado 13 de Maio

1º Painel: Apresenta Maria Dovigo
10:00 – Apresentação das Jornadas
10:30 – Íria-Friné Rivera: “Celtismo: o amanhecer da estética moderna galega”
11:30 – Joám Evans: “Ogham: apontamentos sobre uma escrita galaica”
12:30 – Francesco Benozzo: Apresentação do livro “Speaking Australopithecus. A new theory on the origins of the human languages” (F. Benozzo & Marcel Otte) [em inglês com tradução ao português]

13:30 – Almoço

2º Painel: Apresenta Maria Dovigo
16:30 – Joaquim Palma Pinto: “Ética Espiritual Celta: valores intemporais para tempos atuais”
17:30 – Mesa redonda e debate aberto: “A utilidade do Celtismo na Galiza e Norte de Portugal”
20:00 – Concerto: “Uma viagem atlântica. Música desde as fronteiras célticas”, a cargo de Francesco Benozzo (voz, harpa céltica e harpa bárdica)

22:00 – Churrascada popular

  • Domingo 14 de Maio

10:00 – Visita à aldeia desabitada de Juris (castro habitado até a bem entrada a Idade Média) e ao Carvalhal de Porto da Laja (antigo nemetão céltico)
13:00 – Clausura
14:00 – Comida de Irmandade

  • Participantes:

Sra. Doutora Maria Dovigo, Academia Galega da Língua Portuguesa
Sra. Dra. Íria-Friné Rivera, Universidade da Corunha
Sr. Dr. Joám Evans, Academia Galega da Língua Portuguesa
Prof. Doutor Francesco Benozzo, Universidade de Bolonha / Candidato a Prémio Nobel
Sr. Doutor Joaquim Palma Pinto, Centro de Estudos de Filosofia (UCP) / ATDL

NOTA: Recomenda-se a reserva rápida de lugares para dormidas e refeições em Pitões, já que pelo tamanho da aldeia a oferta turística é limitada.

ACTUALIZAÇÃO IMPORTANTE para viajantes desde a Galiza Norte: Vamos lá ter as melhores jornadas por enquanto apesar da “visita papal” Aguardamos-vos em Pitões mas tende em conta uns pequenos ajustes pois a maioria de passos fronteiriços direção sul estarão fechados até sábado noite.
Ficam abertos – com controlos – os dous principais via autoestrada (Tui/Valença do Minho e Verim/Vila Verde – ver gráfico). A opção com mais quilómetros mas mais rápida (pelo tipo e estado das estradas) e aceder via Verim/Vila Verde (A24) e desviar depois sentido Montalegre-Pitões das Júnias.
Estamos, contudo, à espera de confirmação da GNR local sobre informação do passo em Tourém, que facilitaria muito o acesso a Pitões.
Em todo caso, adaptade as vossas rotas e tempos de viagem e lembrade portar sempre um documento identificativo oficial e documentação do carro em ordem (nomeadamente a “carta verde”, fornecida gratuitamente pelas companhias asseguradoras).
Paciência 🙂 O líder católico irá a Fátima, mas os responsáveis da Druidaria Galaica e Lusitana estão em Pitões!

Gostas da IDG? Tu podes ajudar a que este trabalho continue – Do you like the IDG? You can help us continuing our work 🙂

Alvorada da Terra, no equinócio de Primavera

Não é estranho

O animal desta época, a Lebre, não o é por casualidade. Símbolo de fertilidade, é a encarregada de cuidar do ovo (fruto do ventre – i mbolg) pois Brigantia começa já a ficar cansa…

Esta manhã o Sol detém-se sobre as nossas cabeças, toma fôlegos por um intre na sua viagem enquanto equilibra luzes e trevas. Às 11:29 (norte do Minho; 10:29 no sul) tem lugar o Equinócio de Primavera, quando depois de finalmente alcançar à escuridão na sua corrida, o dia dura tanto como a noite.

É o que muitos e muitas denominam Alban Eilir, “A Luz da Terra”, Mean Earraigh, “Meia Primavera”, ou Alban Talamonos, “O Amencer da Terra”; Ostara nos cultos germânicos e wiccanos, o início do ano astrológico para outros. Nos chamamos-lhe A (Festa da) Alvorada da Terra.

É um dos quatro grandes eventos astronómicos que intercalam as quatro grandes celebrações completando a Roda do Ano.

Continuamos assim o caminho indicado no Entroido (Imbolc). Vai resultando evidente que a chegada dos Maios (Beltaine) e imparável. A natureza cumpre os seus ciclos mais uma vez, por muito que muitos teimem em ignorá-la e daná-la. Por fim vai agromando a vida por toda parte; é óbvio e palpável. Activa-se a fertilidade e maravilhamos-nos de como a planta sabe quando tem que medrar, quando tem que sair do ovo protegido por uma lebre, simbolismo do que significavam os frutos “no ventre” (i mbolg) da Deusa Brigantia, que não parou de sorrir desde o Entroido.

Renovam-se desta forma as intenções do Entroido: continua a preparação, cuidado e sementado da terra, mas esta já reverdesce. Pode-se pôr outra vez a casa em ordem e continuarmos a limpeza, também interior, porque com esta luz podemos ver melhor todo recanto escuro, em toda parte, e não deixarmos nada sem arranjar.

Bom Equinócio de Primavera então. Recebide a acougante Alban Eilir num agarimoso abraço. Empregade bem o tempo da Mean Earraigh. Espreguiçade-vos com o Alban Talamonos. Acordade com a terra.

 

Dizem que não falam as plantas, nem as fontes, nem os pássaros,

nem a onda com os seus rumores, nem com o seu brilho os astros,

dizem-no, mas não é certo, pois sempre quando eu passo,

de mim murmuram exclamam:

Aí vai a tola sonhando

com a eterna primavera da vida e dos campos

e já bem cedo, bem cedo, terá os cabelos canos,

e vê tremendo, aterecida, que cobre a giada o prado.

 

Hai brancas na minha cabeça, hai nos prados giada,

mas eu prossigo sonhando, pobre, incurável sonâmbula

com a eterna primavera da vida que se apaga

e a perene frescura dos campos e as almas,

ainda que os uns esgotam-se e ainda que as outras abrassam.

 

Astros e fontes e flores, não murmuredes dos meus sonhos,

sem eles, como admirarvos nem como viver sem eles?

(Rosalia de Castro, 1884)

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O milho está apanhado… Feliz Magusto e Ano Novo!

A IDG abriu-se ao mundo no Magusto de 2011. Esta é uma imagem da nossa primeira celebração pública desta época, no primeiro Roteiro da Pantalha organizado pela querida A.C. Amigas da Cultura.

A IDG abriu-se ao mundo no Magusto de 2011. Eis uma imagem da nossa primeira celebração pública desta época, no I Roteiro da Pantalha organizado pela querida A.C. Amigas da Cultura.

Na mágica noite do dia de hoje inauguramos o Ano Novo celta. No trânsito do 31 de Outubro ao 1 de Novembro é já popular em muitas partes do mundo celebrar uma festividade eminentemente Druídica, a mais especial de todas.

Bem-vindos e bem-vindas à Noite de Magusto e o seu cheiro a castanha assada, dos sorridentes Calacús, dos Defuntos que nos falam, do gaélico Samhain ou mesmo de Halloween para que toda a gente entenda.

É a noite quando acabam de abrir de vez as portas do Além (Sídhe) para durante esta temporada podermos finalmente comunicar sem eivas com os que não estão. É o intre concreto e simbólico que marca o fim do ano e o começo dum novo, celebrando-se com uma grande festa onde partilhamos risos, alegria e comida com os nossos Devanceiros e Devanceiras. São, em definitiva, os momentos mais importantes do ano para quem anda os vieiros da Druidaria.

A Roda do Ano completa uma volta inteira, marcando já sem dúvidas a entrada cara o Inverno. Adeus Samos, olá Giamos. É o merecido descanso da Terra e a satisfação de termos não só superado mais um ano, senão de estarmos celebrando em comunidade a boa disposição e coragem para seja o que for vem a seguir, sem importar o rigor da estação. Que chova! O milho já está apanhado.

Toma Bandua as suas chaves e abre as cancelas do Além, deixando passo a Berobreo e os seus. Longe já do esplendor da luz de Lugus (que morre e dorme placidamente guardado pelo mesmo Bandua) ou da regeneração de Brigantia e posterior apoteose de Bel, é agora decididamente a quenda da Cailleach – senhora da nossa Terra – completando não só o ciclo de celebrações e deidades do nosso calendário sagrado, senão também o seu próprio. Não olha mais desde um canto, mas sim adquire o protagonismo todo quando, precisamente, deixa de ser nova e linda, quando chega ao seu aparente fim e vira velha e sábia. Será ela, a também senhora da noite, quem facilite o trânsito entre o Aquém e o Além junto de Bandua e Berobreo; será ela quem tome conta das bestas por uma temporada; será ela a que de repente cessará de lembrar-nos a perda que pode supor o passo do tempo para fazer ver que em verdade o que havia era construção, mudança, avanço, com o exemplo da sua própria e pessoal regeneração.

A Cailleach trabalha agora a Terra com o seu sacho até passado o próximo solstício. E com tanta trabalheira haverá quem pense que está a destroçar, mas realmente remexe o necessário para sementarmos quando chegue a nossa vez. Deixará por uma ocasião de rosmar das outras Deidades para estender o seu saio aconchegante sobre o Cosmos todo.

Estes dias a Galiza está em festa. Não há cidade, vila ou aldeia que não festeje e honre as suas Devanceiras e Devanceiros. Não há recuncho do País que não cheire a castanha assada (alimento favorito no Além, como o leite) e a gente pense no Magusto. Não há lugar onde não fique acesa uma candeia. Não há crianças que não sintam que é noite de troula e vaiam “pedir o pão” (O Migalho) pelas portas. Não há janela sem calacú, as “cabeças cortadas” que protegem o lar. Trespassam-se limiares, assim que ninguém esqueça deixar a sua oferenda de leite na porta da casa para Irusan e os seus, e tomar um chisco de pão ao cruzá-la para fora.

Hoje caem os muros etéreos e seica para-se o tempo. O mar entre mundos vira regato, quase ao alcance da simples vista. Ficamos logo nas mãos da Cailleach, na companhia dos amigos corvo e gato e baixo o abeiro do teixo, aconchegando-nos ao pé do purificador lume faladoiro do novo ano.

É tempo de Druidaria. Mais do que nunca esta é a nossa festa rachada.

Feliz Magusto! Bom Ano Novo a todos e a todas! Nós abofé que estaremos celebrando! (para um seguimento da noite consultade o perfil aberto em Twitter da IDG – não é preciso ter conta para ver – onde irão aparecendo informações e fotografias do Roteiro da Pantalha).

Comida de Magusto. Deixade castanhas e leite nas portas e nos cruzamentos. Haverá quem os aproveite bem...

Comida de Magusto. Deixade castanhas e leite (sem lactosa 😉 ) nas portas e nos cruzamentos. Haverá quem os aproveite bem e guardem esses lugares por nós… Mas cuidado, esta noite é precisamente o único momento quando não se podem apanhar as castanhas!

PD. Convidamos à atenta leitura desde artigo, muito detalhado e bem documentado, e ainda deste outro, explicando e exemplificando como esta celebração continua viva em múltiplas e variadas formas, mas sempre com o mesmo sentimento profundamente druídico. Recomendamos, aliás, completar com este outro, também de interesse. Ainda, para quem poida ler em inglês, um texto explicando o relacionamento entre Magusto-Samhain-Halloween.

 

[in English] Magosto, Magusto, Samhain, Halloween… different names for the same period of time which begins with the first scent of roasted chestnuts.

On the ‘Night of the Pumpkins’ or ‘Night of the Dead’ (October 31st-1st November) – as we call it in Galicia – an ancient Celtic festival is celebrated around the world.

Despite the twists and turns of history, we know well that this is a magical time – the most important of the year – as we celebrate the end of a cycle with a grand feast, cherishing the memory of the Ancestors, all those to whom we owe living as we live, knowing what we know, being who we are.

So get ready for winter! now that the barns are full and we are certain that we’ll spend it in good company. Let the Earth take a rest, for the next thing will be the return of light and Spring.

Have a nice one and Happy New Celtic Year!

>Click here< to read more about the Magusto/Samhain/Halloween in English, or >here< to know more about the IDG.

Cheiro de castanha, aviso de Magusto

Castanha, alimento do Além

Castanha, alimento do Além

Já cheiramos as primeiras castanhas assadas nas ruas, e isso só poder significar que chega o momento mais emblemático da nossa religião: a época do Magusto, a Noite dos Calacús, de Samhain (que alguns chamam de Halloween), a noite dedicada aos nossos Devanceiros e Devanceiras, quando abrem as portas do Além e fecha-se o ciclo do ano.

Esta é uma festa da tradição Druídica celebrada por muitos milhões de pessoas em todo o mundo como data popular. Desta vez, nós festejaremos também a aparição pública da IDG há 5 anos, no Magusto de 2011.

Começaremos no serão do 31 de Outubro com o VI Roteiro da Pantalha, seguido do já tradicional banquete de fim de ano celta e posterior convívio e sessão de contacontos (ver actualização das actividades dos dias 1 e 12 no final deste texto).

A Pantalha deste ano sairá do centro da vila de Cerdedo (Terra de Montes) às 20h30, para depois do roteiro enfiarmos de carro até a aldeia de Pedre, a uns escassos 4 km. Como sempre, o roteiro nocturno é gratuito e de livre assistência, mas lembrade que a ceia (22h30) e dormidas na Casa Florinda de Pedre sim têm custo e que as vagas são bastante limitadas, requerendo-se reserva prévia directamente com a Florinda. É muito importante também trazer calçado ajeitado e boa iluminação, pois o percurso será às escuras e pode que as condições climáticas não estejam do nosso favor.

Este é um evento que sempre tem para nós um importante valor simbólico e emocional além do obviamente religioso, pois foi poucos dias depois da primeira edição da Pantalha quando nasceu a IDG, a poucos metros do local de reunião habitual em Pedre. A tradição do Roteiro da Pantalha – começada pela querida A.C. Amigas da Culturaé continuada agora pelo colectivo Capitán Gosende, uma festa reivindicativa onde a IDG gosta de prestar o seu apoio. Ver >aqui< fotografias da edição anterior.

Aproveitade pois para celebrardes a magia da Nossa Terra entre amigos e amigas, entre pessoas afins. É um momento ideal para uma pausa, para a reconexão e confraternização, para conhecerdes também a gente da Irmandade.

Importante: Estas actividades têm carácter cultural e celebratório mas não estritamente religioso. Para interessadas/os em ritos religiosos será preciso contactar directamente e com antecedência com a IDG (idg @ durvate.org). O Durvate Mór estará presente nos actos do dia 31. Um texto de teor religioso será publicado neste mesmo espaço nesse dia 31.

vipantalha

pitoes_celta_2016ACTUALIZAÇÃO (22 Out): Como em edições anteriores, a associação amiga Desperta do Teu Sono (DTS) co-organiza actividades de Magusto para os dias 1 e 12 de Novembro, que contam com o total apoio da IDG e onde membros regulares da mesma estarão presentes.

Nomeadamente, o dia 1 de manhã terá lugar o II Roteiro de Anumão, uma visita às terras da Deusa Anu na Serra do Gerês. No serão do dia 12, a Junta de Freguesia de Pitões das Júnias (Montalegre) organiza o III Magusto Celta, conjuntamente com o DTS. Visitade as ligações indicadas para toda a informação logística e outros detalhes.

Nota: Estes eventos são de livre assistência e de carácter festivo-popular, cultural e celebratório, não estritamente religioso.

A Terra que nos sustenta

Celebramos outro ano o Dia Nacional da Galiza, o Dia da Pátria, o Dia de Todas e Todos Nós, a simbólica celebração da Terra que nos acovilha, sustenta e dá sentido, a que nos ensinou a estar no mundo.

Hoje unimos-nos à louvança do cenário único onde os nossos devanceiros e devanceiras viraram galegos e galegas. Hoje honramos – é preceito da Druidaria – a quem nos precedeu para podermos estar aqui agora e sermos quem somos.

Hoje celebramos o bom da Terra e da nossa cultura e identidade, e reforçamos a nossa vontade em erradicar tudo aquilo que lhe aflige e dana, com uma soa voz.

Muito especialmente, dos Nove Compromissos presentes na nossa religião hoje o Compromisso com as Raízes, com a Liberdade e com a Independência revelam-se fulcrais em múltiplos sentidos. Fai-se, aliás, um chamamento especial a galegos e galegas em relação a um dos princípios básicos da IDG, que é o da defesa da Terra, pois os tempos que vivemos vem como continua a perigar a sua essência, e a do nosso Povo.

Chega então o momento de enchermos as ruas, fachendosos de nós, cantando o nosso amor pelos “bons e generosos” e nojo pelos “imbecis e escuros”, construindo a berros se for preciso.

Hoje não pode faltar uma insígnia do País em cada casa, em cada recanto, como símbolo comunitário de união e determinação do mais grande Clã.

Sintamos no abeiro da Cailleach a ligação em sagrado pacto à espinha do Dragão. Celebremos!

Bom dia da Galiza!

“Hoje as campás de Compostela anunciam uma festa étnica, filha, talvez, dum culto panteísta, anterior ao cristianismo, que tem por altar a Terra Nai, alçada simbolicamente no Pico Sacro; por cobertura o fanal imenso do Universo; e por candeeiro votivo, o Sol ardente de Julho” (A.D.R. Castelao, Alba de Glória, 1948)

 

NOTA: Esta celebração não-religiosa é de cumprimento voluntário para Caminhantes não-galegos/as mas sim de observância para galegos/as. Iniciados/as na IDG têm deveres específicos para este Dia.

Um evento único na nossa terra

V JornadasGalegoPortuguesasDefinitivo

Clicar na imagem para alargar e ver detalhes.

[Actualização: Uma vez passadas as Jornadas, cá está uma crónica da mão dos amigos e amigas do DTS (12/04/16)]

Só faltam uns dias para as V Jornadas das Letras Galego-Portuguesas (2-3 Abril) que, como no ano passado, contam com o apoio e colaboração da IDG.

Numa nova edição organizada pelo colectivo amigo Desperta do Teu Sono, a Junta de Freguesia de Pitões das Júnias e outros (ver imagem), teremos a imensa fortuna de contar com o Prof. Francesco Benozzo (entrevista a não perder na ligação), um dos grandes investigadores internacionais da nossa Terra e cultura e candidato a Prémio Nobel, além doutros participantes de muito alto nível.

Aliás, esta será uma boa oportunidade de encontro para todas aquelas pessoas interessadas em estabelecer um contacto “real” com a IDG, seja por vontade de mais informação ou por considerarem um possível ingresso na Irmandade, o qual requer sempre um contacto pessoal nalguma altura. Será a primeira presença pública da IDG desde o passado Magusto.

Reproduzimos pois o programa completo deste evento totalmente aberto e gratuito, para desfrute de quem quiser e puder passar por Pitões das Júnias este próximo fim de semana, sem mais:

 

Sábado 2 Abril

10h Abertura, com o Sr Dr. Orlando Alves (Presidente da Câmara de Montalegre), a Sra Dra. Lúcia Jorge (Presidente da Junta de Freguesia de Pitões) e o Sr Dr. José Barbosa (A.C. Desperta do Teu Sono).

10h30 Sr Dr. Marcial Tenreiro (Univ. da Corunha): A lança na água e a espada na pedra. Rito e território entre germanos e celtas.

11h15 Sr Dr. Marcos Celeiro (A.C. O Iríbio): A evolução da ‘Cruz Celta’ até o dia de hoje.

12h Sessão de perguntas e debate, moderado pela Sra Doutora Maria Dovigo (Academia Galega da Língua Portuguesa).

16h30 Prof. Doutor Francesco Benozzo (Univ. de Bolonha, Itália): Uma paisagem atlântica pré-histórica. Etno-génese e etno-filologia paleo-mesolítica das tradições galegas e portuguesas. [esta intervenção será em inglês com tradução simultânea]

17h15 Sessão de perguntas e debate (Maria Dovigo).

18h30 Actuação musical: 2naFronteira +convidados.

20h Jantar/Churrasco popular.

22h Programa Erasmus: “Adventure of Reading”, Folião e Gaiteiros de Pitões

 

Domingo 3 Abril

10h Sr Graciliano Barros: Ourivesaria e arte céltica no S. XXI no NO peninsular.

10h45 Prof. Doutor José Rodrigues (Univ. Lusíada Porto): A raiz celta dos ordálios medievais.

11h15 Debate e conclusões (Lúcia Jorge e Maria Dovigo).

13h30 Encerramento das Jornadas.

16h Visita comentada a Pitões das Júnias: EcoMuseu, Mosteiro e Cascata (a pé).

 

[Actualização: Uma vez passadas as Jornadas, cá está uma crónica da mão dos amigos e amigas do DTS (12/04/16)]

Uma Primavera de actividades

Não é estranho

O animal desta época, a Lebre, não o é por casualidade. Símbolo de fertilidade, é a encarregada de cuidar do ovo (fruto do ventre – i mbolg) pois Brigantia começa já a ficar cansa…

Entre hoje e amanhã o Sol detém-se sobre as nossas cabeças, toma fôlegos por um intre na sua viagem enquanto equilibra luzes e trevas. Esta madrugada terá lugar o Equinócio de Primavera, quando depois de finalmente alcançar à escuridão na sua corrida, o dia dura tanto como a noite.

É o que muitos e muitas denominam Alban Eilir, “A Luz da Terra”, Mean Earraigh, “Meia Primavera”, ou Alban Talamonos, “O Amencer da Terra”; Ostara nos cultos germânicos e wiccanos, o início do ano astrológico para outros.

É um dos quatro grandes eventos astronómicos que intercalam as quatro grandes celebrações para completar a Roda do Ano.

Continuamos assim o caminho indicado no Entroido (Imbolc). Vai resultando evidente que a chegada dos Maios (Beltaine) e imparável. A natureza cumpre os seus ciclos mais uma vez, por muito que muitos teimem em ignorá-la e daná-la. Por fim vai agromando a vida por toda parte; é óbvio e palpável. Activa-se a fertilidade e maravilhamos-nos de como a planta sabe quando tem que medrar, quando tem que sair do ovo protegido por uma lebre, simbolismo do que significavam os frutos “no ventre” (i mbolg) da Deusa Brigantia, que não parou de sorrir desde o Entroido.

Renovam-se desta forma as intenções do Entroido: continua a preparação, cuidado e sementado da terra, mas esta já reverdesce. Pode-se pôr outra vez a casa em ordem e continuarmos a limpeza, também interior, porque com esta luz podemos ver melhor todo recanto escuro, em toda parte, e não deixarmos nada sem arranjar.

Assim, queremos aproveitar este tempo para construirmos em colectivo, sementar ideias, abrir portas. Em breve a IDG estará apoiando e participando nas V Jornadas Galego-Portuguesas (2 e 3 de Abril), onde teremos a fortuna de aprendermos sobre as nossas origens mais antigas e o Celtismo – a cultura da nossa religião – da mão duma figura mundial nestes temas, o candidato a Prémio Nobel de Literatura Prof. Francesco Benozzo, entre outros convidados e convidadas de prestígio.

Bom Equinócio de Primavera então. Aguardamos ver-vos nas Jornadas na linda localidade de Pitões das Júnias (Montalegre, na raia galego-portuguesa). Recebide a acougante Alban Eilir num agarimoso abraço. Empregade bem o tempo da Mean Earraigh. Espreguiçade-vos com o Alban Talamonos.

 

Dizem que não falam as plantas, nem as fontes, nem os pássaros,

nem a onda com os seus rumores, nem com o seu brilho os astros,

dizem-no, mas não é certo, pois sempre quando eu passo,

de mim murmuram exclamam:

Aí vai a tola sonhando

com a eterna primavera da vida e dos campos

e já bem cedo, bem cedo, terá os cabelos canos,

e vê tremendo, aterecida, que cobre a giada o prado.

 

Hai brancas na minha cabeça, hai nos prados giada,

mas eu prossigo sonhando, pobre, incurável sonâmbula

com a eterna primavera da vida que se apaga

e a perene frescura dos campos e as almas,

ainda que os uns esgotam-se e ainda que as outras abrassam.

 

Astros e fontes e flores, não murmuredes dos meus sonhos,

sem eles, como admirarvos nem como viver sem eles?

(Rosalia de Castro, 1884)

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