Archive for the ‘Eventos’ Category

Para um Magusto onde comece a esperança. Feliz Ano Novo Celta!

Prévia do derradeiro banquete de Magusto público da IDG (2016). Honra à Casa Florinda que sempre tão bem e tão generosamente nos acolheu.

Na mágica noite do dia de hoje inauguramos o Ano Novo celta. No trânsito do 31 de Outubro ao 1 de Novembro é já popular em muitas partes do mundo celebrar uma festividade eminentemente Druídica, a mais especial de todas.

Bem-vindos e bem-vindas à Noite de Magusto e o seu cheiro a castanha assada, dos sorridentes Calacús, dos Defuntos que nos falam, do gaélico Samhain ou mesmo de Halloween para que toda a gente entenda.

É a noite quando acabam de abrir de vez as portas do Além (Sídhe) para durante esta temporada podermos finalmente comunicar sem eivas com os que não estão. É o intre concreto e simbólico que marca o fim do ano e o começo dum novo, celebrando-se com uma grande festa onde partilhamos risos, alegria e comida com os nossos Devanceiros e Devanceiras. São, em definitiva, os momentos mais importantes do ano para quem anda os vieiros da Druidaria.

A Roda do Ano completa uma volta inteira, marcando já sem dúvidas a entrada cara o Inverno. Adeus Samos, olá Giamos. É o muito merecido descanso da Terra e a satisfação de termos não só superado mais um ano, senão de estarmos celebrando em comunidade a boa disposição e coragem para seja o que for vem a seguir, sem importar o rigor da estação.

E que boa falta fai esta celebração desta vez, quando vimos de passar uns episódios tão duros na nossa Terra, quando tudo à nossa volta parece ter ficado de patas para o ar…

Deixemos pois que tome Bandua as suas chaves e abra as cancelas do Além, deixando passo a Berobreo e os seus. Longe já do esplendor da luz de Lugus (que morre e dorme placidamente guardado pelo mesmo Bandua) ou da regeneração de Brigantia e posterior apoteose de Bel, é agora decididamente a quenda da Cale (Cailleach) senhora da nossa Terra – completando não só o ciclo de celebrações e deidades do nosso calendário sagrado, senão também o seu próprio. Não olha mais desde um canto, mas sim adquire o protagonismo todo quando, precisamente, deixa de ser nova e linda, quando chega ao seu aparente fim e vira velha e sábia. Será ela, a também senhora da noite, quem facilite o trânsito entre o Aquém e o Além junto de Bandua e Berobreo; será ela quem tome conta das bestas por uma temporada; será ela a que de repente cessará de lembrar-nos a perda que pode supor o passo do tempo para fazer ver que em verdade o que havia era construção, mudança, avanço, com o exemplo da sua própria e pessoal regeneração.

A Cale trabalha agora a Terra com o seu sacho até passado o próximo solstício. E com tanta trabalheira haverá quem pense que está a destroçar, mas realmente remexe o necessário para sementarmos quando chegue a nossa vez. Deixará por uma ocasião de rosmar das outras Deidades para estender o seu saio aconchegante sobre o Cosmos todo.

Estes dias a Galiza está em festa. Não há cidade, vila ou aldeia que não festeje e honre as suas Devanceiras e Devanceiros. Não há recuncho do País que não cheire a castanha assada (alimento favorito no Além, como o leite) e a gente pense no Magusto. Não há lugar onde não fique acesa uma candeia. Não há crianças que não sintam que é noite de troula e vaiam “pedir o pão” (O Migalho) pelas portas. Não há janela sem calacú, as “cabeças cortadas” que protegem o lar. Trespassam-se limiares, assim que ninguém esqueça deixar a sua oferenda de leite na porta da casa para Irusan e os seus, e tomar um chisco de pão ao cruzá-la para fora.

Hoje caem os muros etéreos e seica para-se o tempo. O mar entre mundos vira regato, quase ao alcance da simples vista. Ficamos logo nas mãos da Cale, na companhia dos amigos corvo e gato e baixo o abeiro do teixo, aconchegando-nos ao pé do purificador lume faladoiro do novo ano.

É tempo de Druidaria. Mais do que nunca esta é a nossa festa rachada.

Feliz Magusto! Bom Ano Novo a todos e a todas!

PD. Neste ano a IDG não celebra actos públicos como vinha sendo habitual. A observância será estritamente interna e não existirá actualização via Twitter do transcorrer da noite como noutras ocasiões.

Comida de Magusto. Deixade castanhas e leite nas portas e nos cruzamentos. Haverá quem os aproveite bem...

Comida de Magusto. Deixade castanhas e leite (sem lactosa 😉 ) nas portas e nos cruzamentos. Haverá quem os aproveite bem e guardem esses lugares por nós… Mas cuidado, esta noite é precisamente o único momento quando não se podem apanhar as castanhas!

Convidamos à atenta leitura desde artigo, muito detalhado e bem documentado, e ainda deste outro, explicando e exemplificando como esta celebração continua viva em múltiplas e variadas formas, mas sempre com o mesmo sentimento profundamente druídico. Recomendamos, aliás, completar com este outro, também de interesse. Ainda, para quem poida ler em inglês, um texto explicando o relacionamento entre Magusto-Samhain-Halloween. Disponibilizamos, aliás, um recurso educativo para gente moça.

 

[in English] Magosto, Magusto, Samhain, Halloween… different names for the same period of time which begins with the first scent of roasted chestnuts.

On the ‘Night of the Pumpkins’ or ‘Night of the Dead’ (October 31st – 1st November), as we call it in Galicia, an ancient Celtic festival is celebrated around the world.

Despite the twists and turns of history, we know well that this is a magical time – the most important of the year – as we celebrate the end of a cycle with a grand feast, cherishing the memory of the Ancestors, all those to whom we owe living as we live, knowing what we know, being who we are.

So get ready for winter! Now that the barns are full and we are certain that we’ll spend it in good company. Let the Land take a rest, for the next thing will be the return of light and Spring.

Have a nice one and Happy New Celtic Year!

Click here< to read more about the Magusto/Samhain/Halloween in English, or >here< to know more about the IDG.

 

Gostas da IDG? Tu podes ajudar a que este trabalho continue – Do you like the IDG? You can help us continuing our work 🙂

Anúncios

Ataque à Callaecia.

Um resto dos fogos. Fonte: Galiza ContraInfo.

[scroll down for English version]

A nossa terra foi mais uma vez vítima dum ataque terrorista abominável. Desde as Astúrias até Ferrol, Ourense, Vigo e Aveiro, costa e interior, ardeu a Callaecia toda.

Segundo dados oficiais, na Galiza 35.500 hectares foram calcinados no fim de semana, mais uns 12.600 nos dias anteriores, é dizer, um total de 48.100 (uma superfície superior ao tamanho dum país como Andorra). Em todo o território de Portugal foram mais de 200.000 só nas primeiras duas semanas de Outubro (o tamanho dum país como o Luxemburgo).

Com mais de 30 pessoas mortas a norte e sul do Minho, o velho mas conhecido padrão repete-se: quando as condições são favoráveis o lume aparece, sempre, aparentemente planificado em linhas de centos de quilómetros. Quem comete o crime fisicamente conta com toda a informação e toda a infra-estrutura necessária, mas além disso conta com saber-se impune, amparado por uns poderes beneficiários a meio e longo prazo do ecocídio.

Na verdade, existem factores complexos, acidentes genuínos e até imitadores. Contudo, a escala e simultaneidade não podem ser explicadas por simples tolos pirómanos isolados como as autoridades querem-nos fazer crer. De facto, não é só que as leis, acções e respostas oficiais sejam insuficientes ou mal planificadas, mas que historicamente favoreceram essas situações.

Agora, à destruição da Natureza, à morte directa de vida vegetal e animal, vai suceder uma degradação do chão e dos ciclos da terra, com consequências gravíssimas para o modo de vida de inúmeras famílias que, também, podem ter perdido as suas casas, as suas aldeias, a paisagem, refúgio e acougo da sua vida.

Aí nascerão eucaliptos, espécie pirófita daninha para o nosso ambiente que prospera nessas áreas queimadas, espécie que medrou como nunca ajudada por esses incêndios e incentivos económicos desde a implantação das indústrias pasteiras em Ponte Vedra e Aveiro. A relação não é casual.

Arderam jóias do nosso património natural a mantenta, que também é o nosso património cultural, pois a Callaecia não se entende sem a sua Natureza, nem física nem humanamente. Os milhares que ontem saímos às ruas em protesto bem entendemos isso.

Os responsáveis de isto tudo são, então, inimigos da Callaecia, e portanto assim serão tratados.

Para mais insulto, lembramos que hoje dia 17 foi aprovada uma nova lei na Galiza que facilitará a instalação de grandes operações industriais, incluídas de minaria, mesmo em espaços protegidos. Mais que nunca, a manifestação nacional agendada para o domingo 22 toma ainda mais relevância e encorajamos a todos e todas a assistirdes maciçamente.

Pode que os inimigos continuem influindo os centros de poder e decisão, mas vão ter sempre a resposta digna e orgulhosa do Povo consciente e soberano. E abofé, os tempos serão chegados quando o pacto entre as Deidades, Terra e Ser Humano será renovado. Trabalharemos também para isso.

PD. A IDG tem entre os seus objectivos estatutários a defesa íntegra da Natureza e da Galiza/Callaecia, assim como o princípio de Responsabilidade é um dos eixos fundamentais da ética céltica. Se o líder de turno, o responsável do cuidado da terra, é passivo nas suas funções ou mesmo activamente nocivo com as suas acções, esse responsável não pode ser válido e deve ser combatido e substituído.

Lembramos aliás que a Druidaria não é um algo abstracto. Não é uma religião passiva ou contemplativa, nunca o foi, ao estar sempre vencelhada a uma comunidade, a um Povo, aos seus interesses e dignidade. Valorizamos a atitude de “mãos à obra” na melhora do nosso mundo, não a mera teoria ou debates sem mais transcendência.

Domingo 22 Outubro, 12h, tod*s a Compostela. Difunde com #LeiDepredacionGaliza

[in English]

Attack on Callaecia

Our land has been once again the victim of an abominable terrorist attack. From Asturias to Ferrol, Ourense, Vigo and Aveiro, seaside and inland, the whole Callaecia burned.

According to official figures, 35,500 hectares were calcined during the weekend, plus some 12,600 in previous days. That is to say, a total of 48,100 (an area larger than a country like Andorra). In the entire territory of Portugal they were 200,000 in the first two weeks of October alone (the size of a country like Luxembourg).

With more than 30 dead to the north and south of river Minho, the old but well-known pattern repeats itself: when the conditions are favorable wildfires appear, always, planned in lines of hundreds of kilometers. Those who physically commit this crime apparently have all the information and all the necessary infrastructure. But they also feel untouchable, backed by the medium and long-term beneficiaries of the ecocide.

Indeed, there are complex factors, genuine accidents and even copycats. However, the sheer scale and simultaneity in the origin of the wildfires cannot be explained solely by isolated pyromaniac fools, as the authorities want us to believe. In fact, it is not simply that their official laws, actions and responses are insufficient or poorly planned, but rather they have favoured such situations historically.

Now, to the destruction of Nature, to the direct death of plants and animal life, degradation of the soil and cycles of the land with follow, with grave consequences for the way of life of countless families which may also have lost their homes, villages, the landscape, the refuge and beauty of their lives.

Eucalyptus trees will thrive in these burned areas. This is a pyrophyte species, pernicious for our environment, that has expanded like never before since the apparition of paper-mills in Ponte Vedra and Aveiro and their associated economic incentives. The connection is not accidental.

True jewels of our natural heritage have been destroyed, and that also implies a loss for our cultural heritage, because Callaecia cannot be understood without Her Nature, neither physically nor humanly. The thousands of people who took to the streets yesterday in protest understand this well.

Those responsible for this situation are, then, enemies of Callaecia, and they shall be treated as such.

To add insult to injury, a new law has been passed in Galicia today. This new law will facilitate the installation of large industrial operations, including mining, even in protected areas. More than ever, the national demonstration scheduled for Sunday 22nd becomes even more relevant and we encourage everyone who can to attend.

The enemies may have influence over the centres of power and decision, but they will always be faced with the proud and noble response of the sovereign and conscious People. And surely, they day will come when the covenant between Deities, Land and Human Being will be renewed. We will also work for this.

PS. The IDG lists the integral defense of Nature and Galicia/Callaecia among its statutory objectives. Likewise, the principle of Responsibility is one of the fundamental foundations of Celtic ethics. If the current leaders, the official ‘protectors of the land’, are passive in their duties or even actively harmful with their actions, those leaders cannot be considered valid and must be fought and replaced.

Lest we forget that Druidry is not an abstract issue. It is not a passive or contemplative religion, it never has been, as it is intrinsically linked to a community, to a People, to its interests and dignity. We value a “hands on” attitude in the improvement of our world, not just mere theory or debates without further transcendence.

A Terra que nos sustenta

[republicação] Celebramos outro ano o Dia Nacional da Galiza, o Dia da Pátria, o Dia de Todas e Todos Nós, a simbólica celebração da Terra que nos acovilha, sustenta e dá sentido, a que nos ensinou a estar no mundo.

Hoje unimos-nos à louvança do cenário único onde os nossos devanceiros e devanceiras viraram galegos e galegas. Hoje honramos – é preceito da Druidaria – a quem nos precedeu para podermos estar aqui agora e sermos quem somos.

Hoje celebramos o bom da Terra e da nossa cultura e identidade, e reforçamos a nossa vontade em erradicar tudo aquilo que lhe aflige e dana, com uma soa voz.

Muito especialmente, dos Nove Compromissos presentes na nossa religião hoje o Compromisso com as Raízes, com a Liberdade e com a Independência revelam-se fulcrais em múltiplos sentidos. Fai-se, aliás, um chamamento especial a galegos e galegas em relação a um dos princípios básicos da IDG, que é o da defesa da Terra, pois os tempos que vivemos vem como continua a perigar a sua essência, e a do nosso Povo.

Chega então o momento de enchermos as ruas, fachendosos de nós, cantando o nosso amor pelos “bons e generosos” e nojo pelos “imbecis e escuros”, construindo a berros se for preciso.

Hoje não pode faltar uma insígnia do País em cada casa, em cada recanto, como símbolo comunitário de união e determinação do mais grande Clã.

Sintamos no abeiro da Deusa Cale a ligação em sagrado pacto à espinha do Dragão. Celebremos!

Bom Dia da Galiza!

“Hoje as campás de Compostela anunciam uma festa étnica, filha, talvez, dum culto panteísta, anterior ao cristianismo, que tem por altar a Terra Nai, alçada simbolicamente no Pico Sacro; por cobertura o fanal imenso do Universo; e por candeeiro votivo, o Sol ardente de Julho” (A.D.R. Castelao, Alba de Glória, 1948)

 

NOTA: Esta celebração não-religiosa é de cumprimento voluntário para Caminhantes não-galegos/as mas sim de observância para galegos/as. Iniciados/as na IDG têm deveres específicos para este Dia.

 

Gostas da IDG? Tu podes ajudar a que este trabalho continue – Do you like the IDG? You can help us continuing our work 🙂

Pitões, cenário de Maios por sexto ano

Nos Maios, Pitões! Por sexto ano consecutivo as Jornadas Galaico-Portuguesas serão o ponto de encontro, debate e celebração da nossa cultura ancestral durante, precisamente, a segunda grande época do calendário Druídico.

Vinde o fim de semana do 13 e 14 de Maio a Pitões das Júnias (Montalegre, Gerês) para desfrutardes do convívio, actividades e palestras de primeiro nível (ver programa completo embaixo).

De facto – como no ano passado – contaremos com a presença do famoso investigador Prof. Francesco Benozzo, considerado um dos melhores especialistas em harpa céltica e duas vezes candidato ao Prémio Nobel de Literatura. Além disso, teremos também a honra de dar as boas-vindas por primeira vez ao Druida /|\ Adgnatios, da Assembleia da Tradição Druídica Lusitana, que falará sobre ética céltica.

O evento é organizado pela amiga A.C. Desperta do Teu Sono, Junta de Freguesia de Pitões das Júnias e Concelho de Montalegre, entre outros, com colaboração e apoio de várias outras entidades onde se inclui a Irmandade Druídica Galaica. Aliás, esta será uma boa oportunidade de encontro para todas aquelas pessoas interessadas em estabelecer um contacto “real” com a IDG. Será a primeira presença pública da IDG desde o passado Magusto.

Programa completo:

  • Sábado 13 de Maio

1º Painel: Apresenta Maria Dovigo
10:00 – Apresentação das Jornadas
10:30 – Íria-Friné Rivera: “Celtismo: o amanhecer da estética moderna galega”
11:30 – Joám Evans: “Ogham: apontamentos sobre uma escrita galaica”
12:30 – Francesco Benozzo: Apresentação do livro “Speaking Australopithecus. A new theory on the origins of the human languages” (F. Benozzo & Marcel Otte) [em inglês com tradução ao português]

13:30 – Almoço

2º Painel: Apresenta Maria Dovigo
16:30 – Joaquim Palma Pinto: “Ética Espiritual Celta: valores intemporais para tempos atuais”
17:30 – Mesa redonda e debate aberto: “A utilidade do Celtismo na Galiza e Norte de Portugal”
20:00 – Concerto: “Uma viagem atlântica. Música desde as fronteiras célticas”, a cargo de Francesco Benozzo (voz, harpa céltica e harpa bárdica)

22:00 – Churrascada popular

  • Domingo 14 de Maio

10:00 – Visita à aldeia desabitada de Juris (castro habitado até a bem entrada a Idade Média) e ao Carvalhal de Porto da Laja (antigo nemetão céltico)
13:00 – Clausura
14:00 – Comida de Irmandade

  • Participantes:

Sra. Doutora Maria Dovigo, Academia Galega da Língua Portuguesa
Sra. Dra. Íria-Friné Rivera, Universidade da Corunha
Sr. Dr. Joám Evans, Academia Galega da Língua Portuguesa
Prof. Doutor Francesco Benozzo, Universidade de Bolonha / Candidato a Prémio Nobel
Sr. Doutor Joaquim Palma Pinto, Centro de Estudos de Filosofia (UCP) / ATDL

NOTA: Recomenda-se a reserva rápida de lugares para dormidas e refeições em Pitões, já que pelo tamanho da aldeia a oferta turística é limitada.

ACTUALIZAÇÃO IMPORTANTE para viajantes desde a Galiza Norte: Vamos lá ter as melhores jornadas por enquanto apesar da “visita papal” Aguardamos-vos em Pitões mas tende em conta uns pequenos ajustes pois a maioria de passos fronteiriços direção sul estarão fechados até sábado noite.
Ficam abertos – com controlos – os dous principais via autoestrada (Tui/Valença do Minho e Verim/Vila Verde – ver gráfico). A opção com mais quilómetros mas mais rápida (pelo tipo e estado das estradas) e aceder via Verim/Vila Verde (A24) e desviar depois sentido Montalegre-Pitões das Júnias.
Estamos, contudo, à espera de confirmação da GNR local sobre informação do passo em Tourém, que facilitaria muito o acesso a Pitões.
Em todo caso, adaptade as vossas rotas e tempos de viagem e lembrade portar sempre um documento identificativo oficial e documentação do carro em ordem (nomeadamente a “carta verde”, fornecida gratuitamente pelas companhias asseguradoras).
Paciência 🙂 O líder católico irá a Fátima, mas os responsáveis da Druidaria Galaica e Lusitana estão em Pitões!

Gostas da IDG? Tu podes ajudar a que este trabalho continue – Do you like the IDG? You can help us continuing our work 🙂

Alvorada da Terra, no equinócio de Primavera

Não é estranho

O animal desta época, a Lebre, não o é por casualidade. Símbolo de fertilidade, é a encarregada de cuidar do ovo (fruto do ventre – i mbolg) pois Brigantia começa já a ficar cansa…

Esta manhã o Sol detém-se sobre as nossas cabeças, toma fôlegos por um intre na sua viagem enquanto equilibra luzes e trevas. Às 11:29 (norte do Minho; 10:29 no sul) tem lugar o Equinócio de Primavera, quando depois de finalmente alcançar à escuridão na sua corrida, o dia dura tanto como a noite.

É o que muitos e muitas denominam Alban Eilir, “A Luz da Terra”, Mean Earraigh, “Meia Primavera”, ou Alban Talamonos, “O Amencer da Terra”; Ostara nos cultos germânicos e wiccanos, o início do ano astrológico para outros. Nos chamamos-lhe A (Festa da) Alvorada da Terra.

É um dos quatro grandes eventos astronómicos que intercalam as quatro grandes celebrações completando a Roda do Ano.

Continuamos assim o caminho indicado no Entroido (Imbolc). Vai resultando evidente que a chegada dos Maios (Beltaine) e imparável. A natureza cumpre os seus ciclos mais uma vez, por muito que muitos teimem em ignorá-la e daná-la. Por fim vai agromando a vida por toda parte; é óbvio e palpável. Activa-se a fertilidade e maravilhamos-nos de como a planta sabe quando tem que medrar, quando tem que sair do ovo protegido por uma lebre, simbolismo do que significavam os frutos “no ventre” (i mbolg) da Deusa Brigantia, que não parou de sorrir desde o Entroido.

Renovam-se desta forma as intenções do Entroido: continua a preparação, cuidado e sementado da terra, mas esta já reverdesce. Pode-se pôr outra vez a casa em ordem e continuarmos a limpeza, também interior, porque com esta luz podemos ver melhor todo recanto escuro, em toda parte, e não deixarmos nada sem arranjar.

Bom Equinócio de Primavera então. Recebide a acougante Alban Eilir num agarimoso abraço. Empregade bem o tempo da Mean Earraigh. Espreguiçade-vos com o Alban Talamonos. Acordade com a terra.

 

Dizem que não falam as plantas, nem as fontes, nem os pássaros,

nem a onda com os seus rumores, nem com o seu brilho os astros,

dizem-no, mas não é certo, pois sempre quando eu passo,

de mim murmuram exclamam:

Aí vai a tola sonhando

com a eterna primavera da vida e dos campos

e já bem cedo, bem cedo, terá os cabelos canos,

e vê tremendo, aterecida, que cobre a giada o prado.

 

Hai brancas na minha cabeça, hai nos prados giada,

mas eu prossigo sonhando, pobre, incurável sonâmbula

com a eterna primavera da vida que se apaga

e a perene frescura dos campos e as almas,

ainda que os uns esgotam-se e ainda que as outras abrassam.

 

Astros e fontes e flores, não murmuredes dos meus sonhos,

sem eles, como admirarvos nem como viver sem eles?

(Rosalia de Castro, 1884)

pagan_easter

O milho está apanhado… Feliz Magusto e Ano Novo!

A IDG abriu-se ao mundo no Magusto de 2011. Esta é uma imagem da nossa primeira celebração pública desta época, no primeiro Roteiro da Pantalha organizado pela querida A.C. Amigas da Cultura.

A IDG abriu-se ao mundo no Magusto de 2011. Eis uma imagem da nossa primeira celebração pública desta época, no I Roteiro da Pantalha organizado pela querida A.C. Amigas da Cultura.

Na mágica noite do dia de hoje inauguramos o Ano Novo celta. No trânsito do 31 de Outubro ao 1 de Novembro é já popular em muitas partes do mundo celebrar uma festividade eminentemente Druídica, a mais especial de todas.

Bem-vindos e bem-vindas à Noite de Magusto e o seu cheiro a castanha assada, dos sorridentes Calacús, dos Defuntos que nos falam, do gaélico Samhain ou mesmo de Halloween para que toda a gente entenda.

É a noite quando acabam de abrir de vez as portas do Além (Sídhe) para durante esta temporada podermos finalmente comunicar sem eivas com os que não estão. É o intre concreto e simbólico que marca o fim do ano e o começo dum novo, celebrando-se com uma grande festa onde partilhamos risos, alegria e comida com os nossos Devanceiros e Devanceiras. São, em definitiva, os momentos mais importantes do ano para quem anda os vieiros da Druidaria.

A Roda do Ano completa uma volta inteira, marcando já sem dúvidas a entrada cara o Inverno. Adeus Samos, olá Giamos. É o merecido descanso da Terra e a satisfação de termos não só superado mais um ano, senão de estarmos celebrando em comunidade a boa disposição e coragem para seja o que for vem a seguir, sem importar o rigor da estação. Que chova! O milho já está apanhado.

Toma Bandua as suas chaves e abre as cancelas do Além, deixando passo a Berobreo e os seus. Longe já do esplendor da luz de Lugus (que morre e dorme placidamente guardado pelo mesmo Bandua) ou da regeneração de Brigantia e posterior apoteose de Bel, é agora decididamente a quenda da Cailleach – senhora da nossa Terra – completando não só o ciclo de celebrações e deidades do nosso calendário sagrado, senão também o seu próprio. Não olha mais desde um canto, mas sim adquire o protagonismo todo quando, precisamente, deixa de ser nova e linda, quando chega ao seu aparente fim e vira velha e sábia. Será ela, a também senhora da noite, quem facilite o trânsito entre o Aquém e o Além junto de Bandua e Berobreo; será ela quem tome conta das bestas por uma temporada; será ela a que de repente cessará de lembrar-nos a perda que pode supor o passo do tempo para fazer ver que em verdade o que havia era construção, mudança, avanço, com o exemplo da sua própria e pessoal regeneração.

A Cailleach trabalha agora a Terra com o seu sacho até passado o próximo solstício. E com tanta trabalheira haverá quem pense que está a destroçar, mas realmente remexe o necessário para sementarmos quando chegue a nossa vez. Deixará por uma ocasião de rosmar das outras Deidades para estender o seu saio aconchegante sobre o Cosmos todo.

Estes dias a Galiza está em festa. Não há cidade, vila ou aldeia que não festeje e honre as suas Devanceiras e Devanceiros. Não há recuncho do País que não cheire a castanha assada (alimento favorito no Além, como o leite) e a gente pense no Magusto. Não há lugar onde não fique acesa uma candeia. Não há crianças que não sintam que é noite de troula e vaiam “pedir o pão” (O Migalho) pelas portas. Não há janela sem calacú, as “cabeças cortadas” que protegem o lar. Trespassam-se limiares, assim que ninguém esqueça deixar a sua oferenda de leite na porta da casa para Irusan e os seus, e tomar um chisco de pão ao cruzá-la para fora.

Hoje caem os muros etéreos e seica para-se o tempo. O mar entre mundos vira regato, quase ao alcance da simples vista. Ficamos logo nas mãos da Cailleach, na companhia dos amigos corvo e gato e baixo o abeiro do teixo, aconchegando-nos ao pé do purificador lume faladoiro do novo ano.

É tempo de Druidaria. Mais do que nunca esta é a nossa festa rachada.

Feliz Magusto! Bom Ano Novo a todos e a todas! Nós abofé que estaremos celebrando! (para um seguimento da noite consultade o perfil aberto em Twitter da IDG – não é preciso ter conta para ver – onde irão aparecendo informações e fotografias do Roteiro da Pantalha).

Comida de Magusto. Deixade castanhas e leite nas portas e nos cruzamentos. Haverá quem os aproveite bem...

Comida de Magusto. Deixade castanhas e leite (sem lactosa 😉 ) nas portas e nos cruzamentos. Haverá quem os aproveite bem e guardem esses lugares por nós… Mas cuidado, esta noite é precisamente o único momento quando não se podem apanhar as castanhas!

PD. Convidamos à atenta leitura desde artigo, muito detalhado e bem documentado, e ainda deste outro, explicando e exemplificando como esta celebração continua viva em múltiplas e variadas formas, mas sempre com o mesmo sentimento profundamente druídico. Recomendamos, aliás, completar com este outro, também de interesse. Ainda, para quem poida ler em inglês, um texto explicando o relacionamento entre Magusto-Samhain-Halloween.

 

[in English] Magosto, Magusto, Samhain, Halloween… different names for the same period of time which begins with the first scent of roasted chestnuts.

On the ‘Night of the Pumpkins’ or ‘Night of the Dead’ (October 31st-1st November) – as we call it in Galicia – an ancient Celtic festival is celebrated around the world.

Despite the twists and turns of history, we know well that this is a magical time – the most important of the year – as we celebrate the end of a cycle with a grand feast, cherishing the memory of the Ancestors, all those to whom we owe living as we live, knowing what we know, being who we are.

So get ready for winter! now that the barns are full and we are certain that we’ll spend it in good company. Let the Earth take a rest, for the next thing will be the return of light and Spring.

Have a nice one and Happy New Celtic Year!

>Click here< to read more about the Magusto/Samhain/Halloween in English, or >here< to know more about the IDG.

Cheiro de castanha, aviso de Magusto

Castanha, alimento do Além

Castanha, alimento do Além

Já cheiramos as primeiras castanhas assadas nas ruas, e isso só poder significar que chega o momento mais emblemático da nossa religião: a época do Magusto, a Noite dos Calacús, de Samhain (que alguns chamam de Halloween), a noite dedicada aos nossos Devanceiros e Devanceiras, quando abrem as portas do Além e fecha-se o ciclo do ano.

Esta é uma festa da tradição Druídica celebrada por muitos milhões de pessoas em todo o mundo como data popular. Desta vez, nós festejaremos também a aparição pública da IDG há 5 anos, no Magusto de 2011.

Começaremos no serão do 31 de Outubro com o VI Roteiro da Pantalha, seguido do já tradicional banquete de fim de ano celta e posterior convívio e sessão de contacontos (ver actualização das actividades dos dias 1 e 12 no final deste texto).

A Pantalha deste ano sairá do centro da vila de Cerdedo (Terra de Montes) às 20h30, para depois do roteiro enfiarmos de carro até a aldeia de Pedre, a uns escassos 4 km. Como sempre, o roteiro nocturno é gratuito e de livre assistência, mas lembrade que a ceia (22h30) e dormidas na Casa Florinda de Pedre sim têm custo e que as vagas são bastante limitadas, requerendo-se reserva prévia directamente com a Florinda. É muito importante também trazer calçado ajeitado e boa iluminação, pois o percurso será às escuras e pode que as condições climáticas não estejam do nosso favor.

Este é um evento que sempre tem para nós um importante valor simbólico e emocional além do obviamente religioso, pois foi poucos dias depois da primeira edição da Pantalha quando nasceu a IDG, a poucos metros do local de reunião habitual em Pedre. A tradição do Roteiro da Pantalha – começada pela querida A.C. Amigas da Culturaé continuada agora pelo colectivo Capitán Gosende, uma festa reivindicativa onde a IDG gosta de prestar o seu apoio. Ver >aqui< fotografias da edição anterior.

Aproveitade pois para celebrardes a magia da Nossa Terra entre amigos e amigas, entre pessoas afins. É um momento ideal para uma pausa, para a reconexão e confraternização, para conhecerdes também a gente da Irmandade.

Importante: Estas actividades têm carácter cultural e celebratório mas não estritamente religioso. Para interessadas/os em ritos religiosos será preciso contactar directamente e com antecedência com a IDG (idg @ durvate.org). O Durvate Mór estará presente nos actos do dia 31. Um texto de teor religioso será publicado neste mesmo espaço nesse dia 31.

vipantalha

pitoes_celta_2016ACTUALIZAÇÃO (22 Out): Como em edições anteriores, a associação amiga Desperta do Teu Sono (DTS) co-organiza actividades de Magusto para os dias 1 e 12 de Novembro, que contam com o total apoio da IDG e onde membros regulares da mesma estarão presentes.

Nomeadamente, o dia 1 de manhã terá lugar o II Roteiro de Anumão, uma visita às terras da Deusa Anu na Serra do Gerês. No serão do dia 12, a Junta de Freguesia de Pitões das Júnias (Montalegre) organiza o III Magusto Celta, conjuntamente com o DTS. Visitade as ligações indicadas para toda a informação logística e outros detalhes.

Nota: Estes eventos são de livre assistência e de carácter festivo-popular, cultural e celebratório, não estritamente religioso.