IDG

A Irmandade Druídica Galaica (IDG) é uma associação religiosa sem fins lucrativos formada por Caminhantes (membros) da tradição druídica galega. A IDG está registada oficialmente com o Ministério da Justiça espanhol com o número 022549 e conta, portanto, com atribuições e protecção legal. Do mesmo modo, está também registada com a Agência Tributária.

A Irmandade oferece acovilho a crentes druídicos, assim como a celebração conjunta de rituais e observância do calendário céltico em comunidade. Aliás, a Irmandade oferece serviços religiosos e conselho a petição do Clã.

A Irmandade Druídica Galaica partilha os princípios gerais da Druidaria expressados por outras comunidades druídicas no mundo, mas com uma ênfase especial na tradição própria e legado céltico galego, que acreditamos ser cerne do Celtismo Atlântico. Existe, de facto, uma continuidade nas crenças, folclore e carácter galego que pode ser rastreada até os tempos da velha Civilização Céltica Galaica. Deste jeito, a Irmandade presta muita atenção à precisão histórica e evidências documentais existentes, aprendendo cada dia segundo critérios objectivos. Assim e todo, a visão da Druidaria da IDG adapta-se ao tempo contemporâneo para evitar anacronismos e fazer esta crença druídica relevante às pessoas de hoje em dia, tendo em conta que esta é, afinal, uma associação religiosa onde são feitas interpretações religiosas.

Porém, a Irmandade Druídica Galaica não copia outros modelos de Druidaria nem outras tradições ou escolas, nem fai reconstruções arbitrárias. A IDG procura primeiro nas expressões religiosas, espirituais, culturais e filosóficas autóctones do velho território galaico os referentes para os seus ritos, práticas, valores e crenças actuais. Só quando estas fontes originais estão incompletas ou simplesmente desaparecidas, acode-se ao entorno geográfico-cultural imediato, é dizer, à Céltia da Europa Atlântica e, se preciso, à grande Céltia Pan-Europeia.

Dito isto, a IDG considera este caminho válido para os seus membros e entende que tem significado pleno na Galiza actual, o chamado Norte de Portugal e demais zonas de cultura galaica, o qual não implica que outras vias druídicas não poidam ser perfeitamente legítimas para diversos indivíduos ou colectivos, ou que não possa haver um fluído e amigável diálogo e relacionamento. Noutras palavras, entende-se esta como uma visão desde e para esses territórios da antiga Callaecia, nem melhor nem pior, mas que simplesmente afunde as suas raizeiras nuns referentes e numa espiritualidade já bem familiar para nós. Desejamos sempre, isso sim, que a nossa experiência e trabalho possa ser de utilidade para quem nos quiser ler ou conversar connosco em qualquer parte.

 

O que a IDG não é:

– A IDG não é uma simples associação cultural ou grupo que segue só uma filosofia ou determinado estilo de vida. Além doutras considerações, a IDG é principalmente um associação religiosa organizada – para nós a Druidaria é uma religião (no sentido mais amplo da palavra) – que evidentemente toma com total seriedade os aspectos espirituais e transcendentes. Temos normas e princípios onde não vale o “tudo vale”.

– A IDG não é um grupo “secreto” ou “misterioso”. A IDG realiza actos públicos e abertos (muitas vezes colaborando com outros grupos não-religiosos), onde é possível falar connosco livremente assim como contactar-nos por meios electrónicos. As pessoas podem solicitar a sua entrada ou saída da nossa associação à vontade, tal e como fica explicado nos nossos estatutos. O que sim somos é pouc*s e humildes, e talvez por isso não temos mais presença social, junto com o facto de não fazermos proselitismo.

– A IDG não é uma organização passiva ou contemplativa porque a Druidaria não é assim, nunca o foi, ao estar sempre vencelhada aos interesses e dignidade do seu Povo, da sua Comunidade. A nossa implicação é com a defesa do que consideramos correcto (os Nove Compromissos Druídicos), sempre mediante métodos pacíficos mas activos (através das Nove Virtudes). Valorizamos uma atitude construtiva e envolvida na melhora do nosso mundo, não a mera teoria ou debates sem mais transcendência.

– A IDG não é uma entidade com fins lucrativos. O dinheiro ou recursos que poidam ser angariados são utilizados única e exclusivamente para a manutenção da própria entidade, tentando garantir a sua viabilidade futura. Se houver algum tipo de extra este é dedicado a obras sociais ou planos a longo prazo. Todos os fundos são conseguidos por via de doações voluntárias ou venda de material, nunca mediante quotas fixas, dinheiro público ou subvenções.

 

Organização

A IDG distingue os e as Crentes em geral, um corpo de Caminhantes (membros oficiais da IDG), e ainda depois três possíveis títulos: o Bardo, que é um título honorífico, e dous graus religiosos como são Ovate (iniciado/a) e Durvate (Druida/Druidesa).

Os e as Crentes druídicos em geral não têm que dar o seu nome para nada nem se alistarem em rem. Esse ou essa podes ser tu, lendo estas linhas, e a IDG tentará sempre te estender os seus serviços e ajuda de forma desinteressada. O conjunto de todos e todas as crentes druídicas galaicas é o que denominamos a Treba Mor (Grande Tribo) ou Comunidade.

A Caminhante é uma pessoa que entra a formar parte da estrutura da IDG. É alguém que vai um passo além, adquirindo um decidido compromisso pessoal e prático – mãos à obra – na ajuda diária à IDG. A Caminhante respeita, aceita e defende os princípios druídicos, assim como as normas e organização da IDG. A união de todos e todas as Caminhantes é o Clã Mor (Grande Clã).

Para mais informação detalhada em como virar Caminhante veja-se o apartado de filiação.

Como é óbvio, não é preciso ser Caminhante para ser simplesmente crente da Druidaria ou crente na linha representada pela IDG.

Por outra banda, Bardo é uma pessoa detentora da memória, conhecedora da história, lendas e realidades, música e poesia. É uma grande comunicadora, guardiã e transmissora do saber da Treba Mor. A Bardo não oficia rituais religiosos nem toma decisões, mas a sua palavra é sempre válida e ouvida. É a conselheira dos Druidas e Druidesas. Bardo é um título honorário que pode ser dado tanto a Crentes, Caminhantes ou Ovates, assim como a pessoas cuja relevante contribuição à Druidaria, à IDG ou aos princípios e fins que defende a fagam digna de tal distinção.

Dentro das categorias estritamente religiosas, Ovate é o primeiro chanço no ordenamento druídico. A Ovate é uma estudante activa da Druidaria que pode aspirar ser Druida ou Druidesa. A Ovate pode assistir a Bardos e Druidas e ajudar na organização e ritos da Irmandade. A Ovate deve ganhar o direito a usar tal nome.

A Druidesa / O Druida –  Durvate ou Durbede – é a figura que pode oficiar ou designar oficiante, atender os ritos sacerdotais e serviços demandados, resolver disputas e tirar dúvidas, aconselhar sobre questões de crença, marcar o calendário e interpretar sinais. A Durvate não é escolhida pelos Deuses nem é a sua única voz, nem é infalível, mas é alguém reconhecida pelo Clã e ratificada pelo Conselho Druídico como pessoa de sabedoria. O conjunto de Durvates formam o Conselho Druídico Galaico.

As Durvates, e por tanto a Irmandade, dividem-se em jurisdições territoriais ou Trebas. Cada Treba tem uma Durvate Treba ou responsável máxima, coordenadora das outras Durvates nesse lugar. A coordenadora de todas as Trebas, líder do Conselho Druídico e por tanto da Irmandade, é a Durvate Mor (Arqui-Druidesa/Druida).

 

Ficha da IDG, seguindo o modelo internacional para Ordens e Grupos Druídicos:

Localização: Galiza. Âmbito de acção da denominada “comunidade autónoma galega”, zonas limítrofes orientais de cultura e fala galega e Norte de Portugal (até o Mondego).

Presença web: http://www.durvate.org e alternativamente em http://www.facebook.com/Durvate, http://twitter.com/Durvate e http://ask.fm/durvate. Existe também um canal de Youtube.

Fundação: 11 Novembro 2011.

Linha: Druidaria Galaica (Atlântico-Europeia), reconstrucionista adaptada.

Ênfase em: Aspecto espiritual e social. Ritos e serviços. Normalização e dignificação das nossas crenças. Defesa do património, cultura e tradições galaicas.

Idiomas: Galego-Português como idioma por defeito e único para liturgia. Inglês e espanhol para comunicados esporádicos e relações exteriores.

Símbolos principais: Awen com tríscele galaico no topo girando de Oeste a Este. De preferência com raios verdes e aspas azuis.

Textos de referência: Estudos sobre a religião galaica antiga. Textos sobre a história, etnografia, geografia e sociologia da Europa Atlântica.

Condições de admissão: Ser Crente da Druidaria Galaica, aceitar as normas da IDG, completar um formulário e passar um período de prova (consideração de “Caminhante”).

Cerimónias: As quatro principais do calendário céltico: Magusto (Samhain), Entroido (Imbolc), Maios (Beltaine) e Seitura (Lugnasad). Equinócios e solstícios discricionais. Ritos passagem e serviços religiosos a petição do Clã. As cerimónias podem ser universais (membros e não membros da IDG), gerais (membros da IDG) ou privadas (só Durvates e convites directos).

Frequência: Anual para as celebrações de calendário. Discricional para serviços religiosos a petição do Clã.

Graus de iniciação: Sim. Três principais (Ovate, Bardo, Durvate) e subníveis para cada um.

Carácter sacerdotal: Sim.

Rito de iniciação: Sim, nas ordenações de Ovates e Durvates. Discricional nos Bardos.

Iniciação da mulher: Sim. Não há distinções entre mulheres e homens.

Atribuição dum nome iniciático: Não requerido (voluntário).

Promessas: Sim, na iniciação de qualquer um dos graus.

Vestidos cerimoniais: Sim, nomeadamente para Durvates. Roupas em branco, azul ou verde são recomendadas para Bardos e Ovates em cerimonias formais. Os Durvates devem ter, de não ser por motivos médicos ou naturais, cabelo comprido como mínimo por debaixo das orelhas.

Ensinamento: Sim. Na rede e por escrito, mas o ensinamento presencial é essencial.

Publicações: Não sistemáticas nem regulares.

Cerimonias familiares: Sim, a petição dos Crentes e após formalização com estes.

Incompatibilidades: Estar adscrito/a de maneira voluntária ou ser membro activo/a duma outra religião ou movimento espiritual não druídico, reconhecido ou não. Usar a associação à IDG para fins de promoção pessoal ou proselitismo. Atentar contra os Direitos Fundamentais do Ser Humano e/ou Direitos Fundamentais dos Animais. Dedicar-se à caça como actividade lúdica ou desportiva. Ser membro dos corpos e forças de segurança do Estado Espanhol. Desonrar ou atentar contra a cultura, povo e Terra Galaica.

 

Relações exteriores

A IDG reconhece – e é reconhecida numa rede de reciprocidade amigável – outros grupos e organizações druídicas, apesar das possíveis diferenças de tradição ou culto, respeitando em todo momento a independência e peculiaridades de cada uma. Assim, a IDG aplica os seguintes pontos básicos no estabelecimento de relações com outros grupos druídicos sérios:

– Atitude aberta e honesta em relação às tradições célticas nativas. É dizer, grupos envolvidos na pesquisa, estudo, práctica e ensino do património e espiritualidade exclusivamente céltica.

– Não-mercantilismo. É dizer, só grupos e organizações sem fins lucrativos, sem interesse de promoção pessoal ou mediática.

– Grupos não-racistas, não-sexistas, não-fanáticos. É dizer, grupos com uma presença pública clara e respeitável (ver aqui o nosso “Aviso de Intolerância”).

– Contra o maltrato animal e solidamente ligados ao ambientalismo. É dizer, grupos que situem a Natureza num lugar central e visível da sua ética e filosofia.

Alguns deste grupos amigos encontram-se no apartado de ligações de Druidaria Amiga (coluna na parte direita desta página).

9 responses to this post.

  1. Posted by Paulo da Rocha on 31/01/2015 at 22:32

    Ainda bem que existe algo assim. Parabéns, parabéns, parabéns!

    Responder

    • Obrigad*s Paulo 🙂 Somos humildes, mas tentamos fazer as coisas o melhor que sabemos e vamos aprendendo no caminho. O mais importante é que as pessoas entre em contacto entre elas e falem livremente. Esse, talvez, é o nosso principal objectivo, poder ser um ponto de encontro para a gente que acredita nisto que dizemos.

      Responder

  2. Posted by rulian lopes martins on 04/09/2015 at 01:12

    queria saber mais

    Responder

  3. Posted by rulian lopes martins on 04/09/2015 at 14:26

    duas pessoas q se dizem videntes ja me falaram sobre ovates, e isso me intrigou, por isso queria saber mais

    Responder

    • Olá,
      A palavra ovate tem tido diferentes significados ao longo da história. Para algumas pessoas ovate era um tipo ou especialização de Druida na antiguidade, nomeadamente aqueles/as com capacidade de “verem além”. Contudo, desde os começos da época contemporânea da Druidaria (S.XVIII), a palavra ovate ficou associada a um grau iniciático, prévio ao de Druida. Assim, na IDG, ovate é o primeiro nível de iniciação, por sua vez dividido em três sub-níveis; só depois de completado este processo uma pessoa pode chegar a ser Durvate (Druida/Druidesa) na nossa organização.
      PD. Não faz falta ser vidente para saber isto 😉

      Responder

  4. Posted by Ada Camões on 10/09/2015 at 21:34

    não tinha ccunhecimento algum sobre ovates ou druidas, mas recentemente após uma situação na qual me vi envolvida fiquei bastante curiosa sobre o assunto,gostaria de saber onde posso encontrar artigos ou livro sobre a sua história

    Responder

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: