O trabalho da Seitura e a pausa necessária

Lugus. Desenho em aquarela por R. Cochón.

A Seitura, um trabalho agrícola que tradicionalmente começa a partir do 25 de Julho, indica-nos claramente o início da época da ‘Assembleia de Lugus’ (Lugnasad), do luminoso e poderoso protector das criadoras e inventoras, das agricultoras,  de aqueles e aquelas que podem fazer surgir algo que antes nom existia, do que coloca ordem no caos e defende os pactos e promessas feitas.

É em definitiva o tempo da primeira sega, motivo de ledícia geral, depois da esforçada guarda de Brigantia e Bel e todo o nosso trabalho acumulado. É a quarta e última grande celebraçom religiosa do ano a seguir o Entroido e os Maios, quando o Magusto reserva-se para o futuro e ainda aproveita-se o verám. Fecha-se a Roda do Ano na data simbólica do 1 de Agosto.

Este ano, aliás, a Seitura foi anunciada já por um espectacular evento astronómico no dia 27.

Por fim se pode reunir o Clã em grande festejo para celebrar a luz no esplendor do verám, a colheita dos frutos da Terra que ham de nos alimentar quando o frio vier. Mais umha promessa é cumprida da mao de Lugus, pois a Natureza nunca falha à sua cita. Façamos nós um esforço por estarmos à altura.

É um tempo para reflectirmos sobre o acadado nas nossas vidas e de como foi feito, pensarmos nos nossos planos e estratégias passadas, sabendo que deveremos sementar de novo grao e ideias mais cedo do que tarde. É altura, tamém, de fixar todo o bom conseguido até o de agora – apresentado da mao de Lugus – de estarmos satisfeitas pelo bom e tomar consciência do desejo de mudança do mau.

Nestas datas unem-se as famílias e os amigos, celebram-se casamentos, brinca-se e há música, arte e competiçons desportivas, actividades todas das que Lugus é patrom. A Comunidade trabalha junta nessa colheita sempre com um sorriso entre troula e esmorga, arredor dumha mesa ou dançando baixo o céu, sem nunca esquecer retornar à Terra parte do que ela nos dá.

Façamos pois reflexom sobre quem somos e onde estamos, onde queríamos chegar e aonde queremos ir. Aproveitemos os intres de calma e sossego que nos garante Lugus e a sua eloquente e positiva sabedoria. Pensemos em nós mas nom só como indivíduos, senom como parte desse Clã que necessariamente avançará connosco e nós com ele.

Outro ano já virá mais à frente, mas agora toca alçarmos a vista e desfrutar da cálida beleza da vida. O Deus que outorga essa energia toda está presente no seu apogeu; todos e todas nós somos a sua Assembleia e Povo, e esta é a sua festa. Nom desrespeitemos o nosso contrato com Ele.

 

Hei de ir à tua seitura

Hei de ir à tua segada

Hei de ir à tua seitura

Que a minha vai-che acabada

* * *

Segador que bem segas
na erva boa
que para segar na má
o tempo che sobra.

Aí venhem os segadores
em busca dos seus amores
depois de segar e segar
na erva.

 

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De casamentos, ritos e espectáculos

Ao longo do tempo, a IDG tem recebido petiçons para a celebraçom de “casamentos celtas”. Na maior parte das vezes isto é feito com um interesse honesto, tentando marcar umha ocasiom especial com um detalhe de respeito perante o nosso legado cultural. Contudo, a celebraçom de “bodas celtas” parece estar na moda a maneira de espectáculo ou divertimento, despojado em grande medida do seu significado real (mesmo adaptando ao S. XXI) e, por suposto, religioso.

Claddagh
O símbolo de Claddagh, normalmente apresentado num anel, representa o amor, lealdade e amizade. É um presente muito frequente entre desposantes ou simplesmente entre amigos muito chegados. As suas origens conhecidas o situam em Galway (Irlanda), zona de forte conexom galaica.

Alarmam-nos detalhes já nom só em relaçom ao aguardado rigor histórico, onde poderiam se debater algumas interpretaçons, senom a cousas mais concretas como meros interesses económicos, a ingenuidade de quem pensa estar em presença dum autêntico druida ou druidesa ou a contradiçons enormes, como supostos ritos patrocinados por umha associaçom de caçadores.

Explicando um bocado estes aspectos, desde a IDG considera-se que todo rito a serviço do Clã deve ser gratuito (além de despesas óbvias), ou que um druida ou druidesa que se chame tal deve ser alguém aclamado polo seu próprio Clã, com umha filiaçom demonstrável e/ou reconhecido por ordens druídicas reputadas. Igualmente, todas as entidades druídicas oficiais do Estado (e nom só) barram da prática da Druidaria no seu seio a quem se dedicar à chamada “caça desportiva”, medida que a IDG tamém adere, com o que resulta bem estranho que alegadas celebraçons druídicas contem com esse tipo de patrocínios. Por último, indicar que o Lugnasad (Seitura) deve começar com o calor do mês de Agosto, umha das épocas de casamentos, nom quase trinta dias depois…

Fica tudo na boa se os supostos oficiantes e participantes som conscientes destas consideraçons e entendem e anunciam a tal festa como simplesmente isso, um teatro sem mais, mas que ninguém se iluda: nom é Druidaria e portanto nom deveriam comerciar nem com os seus nomes, nem com as suas deidades, nem com parte da sua parafernália. Nom deveriam enganar a quem sim possa acreditar que tal escenificaçom teatral é religiom a sério.

Temos que indicar, mais umha vez, que a IDG é ante todo umha agrupaçom religiosa, nom um simples grupo de recriaçom histórica ou associaçom cultural. Por isso, e com todo respeito, a IDG só pode ajudar a organizar tais ritos se as pessoas forem Caminhantes druídicas demonstráveis ou, no seu caso, pessoas que aceitaram os preceitos da Druidaria e se formaram nela, entendendo o que um casamento significa, ou se mesmo é aconselhável ou necessário; na maior parte dos casos nom é, devido à carga patriarcal de influência cristá que enchoupa tudo na nossa sociedade actual e que demora ser eliminada.

 

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