Assim foi a visita do Francesco Benozzo

Como muitos e muita saberedes, o 30 de Junho foi um dia histórico para nós, pois tivemos a honra de partilhar umha intensa jornada com o ilustre académico, músico e poeta (candidato a Prémio Nobel de Literatura) Francesco Benozzo.

Além desse evento específico, nos dias que partilhamos com o Francesco pudemos desfrutar mais umha vez da sua simpatia, humanidade e sabedoria. Foi um prazer recebe-lo e acompanhá-lo na visita a alguns dos lugares mais emblemáticos desta, muito possivelmente, mais velha parte da Atlantis da que fala.

Imos deixando por cá, entom, o áudio completo da palestra do Prof. Benozzo, intitulada “Os celtas atlânticos da Galiza e o mito da Atlântida: evidência científica para umha velha lenda?” e posterior debate (com desculpas pola pobre qualidade quando se fala desde o público).

Aguardamos poder subir o vídeo completo do seu magnífico e sentido concerto em harpa em breve… 😉

Novamente, um enorme agradecimento às perto de 50 pessoas que, entre umha cousa e outra, estivéstedes na tarde dum sábado de verám participando connosco com a vossa presença, debate, ideias e emoçons. Abofé que ninguém esquecerá esse dia facilmente!

Grande obrigado tamém a toda a boa gente do Centro Social GorgullónA.V. Eduardo Pondal pola disponibilidade e todas as facilidades; assim é tudo muito fácil 🙂

We proudly present the audio of the talkThe Atlantic Galician Celts and the myth of Atlantis: scientific evidence for an ancient legend?‘ by Prof. Francesco Benozzo, in English, with an introduction and translations into Galician.

For more information about him and this special event do not miss this (bilingual) interview.

Francesco Benozzo olha as mágicas Ilhas Cíes na sua visita ao antergo santuário do Facho de Donom.

 

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Entrevista: Benozzo, celtas e… Bowie – Interview: Benozzo, celts and… Bowie

[scroll down for English version] O Professor Francesco Benozzo (Módena, Itália, 1969) visita a Galiza este 30 de Junho para umha muito especial jornada de palestra e concerto na cidade de Ponte Vedra.

Apesar de ser a sua obra poética a base principal para as suas quatro nominaçons consecutivas a Prémio Nobel de Literatura, desta vez o Benozzo mostrará as suas facetas de reconhecido académico e músico aclamado.

Apresentamos agora umha entrevista para ir conhecendo mais o pensamento deste catedrático da Universidade de Bologna, intelectual anarquista e implacável buscador da beleza, tal e como o David Bowie que homenageia.

 

  • A palavra “Atlântida” aparece no título da sua palestra. Nom é isto um simples conto, um mito, um produto da imaginaçom?

Muitos exemplos de diferentes contextos mostram claramente que, desde umha perspectiva etno-filológica, deveríamos ser capazes de considerar qualquer documento como umha pista preciosa na reconstruçom dum sistema de percepçons, e tamém considerar a maneira na que o nosso cérebro foi moldado e “educado” para poder criar imagens e conexons entre elas.

O mito da Atlântida é um “relato”, claro, e precisamente por isso é que é um elemento realmente precioso no que eu chamo discurso científico, particularmente um filológico. Estou convencido da ideia de que os celtas provenhem da Galiza e Norte de Portugal e, como tais, forom assim identificados nas primeiras fontes escritas como os construtores da grande cultura megalítica atlântica. Isto, por sua vez, pode dar resposta (umha das possíveis respostas) à enigmática história da Atlântida narrada por Platom, mas nom só por ele.

O território de Ponte Vedra, por exemplo, guarda fragmentos de informaçom inesperados e decisivos do mito da Atlântida, indicando que este relato tamén lida com a história.

 

  • Com que confiança podemos acudir aos mitos na pesquisa e estudo da pré-história? Som realmente válidos?

Há muitos estudos de caso (poderia citar aqui a minha investigaçom sobre nomes de dialectos e lendas de megálitos nos países celtas) onde a existência dumha lenda ou conto dum antigo mito apoia as conclusons dos arqueólogos, e vice-versa.

Mas para mim, antes de mais nada, é importante mudarmos a nossa ideia estratigráfica dos mitos como pertencentes a umha cosmogonia, seguidos por lendas e depois por contos de fadas. De facto, há umha continuidade ininterrupta que nos permite considerar os etno-textos de hoje como pertencentes a um estrato ainda mais arcaico que os registos escritos de mitos ancestrais. Este é o ponto crucial da filologia moderna entendida como etno-filologia, que afecta assim tamém o nível linguístico de forma decisiva.

 

  • Você tem identificado a Galiza e Norte de Portugal – a velha Callaecia – como o berce da cultura celta. Quando é que podemos começar a falar dos e das celtas como umha cultura bem definida?

Os celtas eram os pescadores da fachada atlântica do Paleolítico tardio e do Mesolítico. Como mostrei em muitos estudos, estamos obrigados a datar a sua etno-gênese por volta de 15.000 anos atrás, no mínimo. Um grande número de elementos do léxico celta só pode ser explicado de maneira plausível dentro dessa estrutura pré-histórica.

 

  • Muitos ligam a cultura celta exclusivamente à língua e, portanto, neglicenciam outros aspectos que definem umha cultura como as crenças e cosmovisom, humor e psicologia, leis e costumes, paisagem cultural e apropriaçom do território, etc.
    Seguindo este razoamento, essas mesmas vozes afirmam que nunca existiu umha verdadeira “cultura celta” ou “civilizaçom” como tal, tam só umha colecçom de línguas inter-relacionadas nalguns territórios vizinhos e vagamente conectados.
    Que é o que pensa disso?

Conheço o problema, mas este é um tipo de linguística que nas últimas décadas, depois dos anos gloriosos quando forneceu amplos conhecimentos sobre diferentes culturas, esqueceu considerar que as línguas som só umha parte – mesmo se frequentemente a mais importante – do que agora chamamos “cultura” (desde umha perspectiva antropológica).

Seica muitos colegas, depois de ficarem “bêbados” com tantos cocktails baseados em teorias laríngeas, abstracçons algébricas e outros combinados tóxicos, esquecerom que por trás das línguas que estudamos havia e há pessoas vivas, e que por trás dos registos escritos e elitistas documentados em fontes antigas havia línguas faladas, transmitidas oralmente, possivelmente desde há milhons de anos.

 

  • Além do seu perfil académico, teremos a fortuna de desfrutar dos seus talentos musicais que já lhe trouxerom fama arredor do mundo. Há aqui umha pergunta obrigada entom: Por quê Bowie?

Porque ele representa dalgum jeito o oposto do que eu represento. Comecei a escrever um livro sobre ele que passeninhamente virou numha confrontaçom com a sua ideia de arte, poesia e o papel dos artistas nas culturas contemporâneas. Contudo, isto como que acabou por transformar-se numha de reflexom autobiográfica sobre a minha poesia e música.

Nunca fora um grande fã do Bowie, mas estudando as suas obras entendi que o que mais me atrai da sua arte é a sua busca obsessiva da beleza. Percebo-o como umha espécie de cavaleiro errante entregado à utopia, em contraste com as derivas da arte contemporânea cara mundos distópicos e percepçons distópicas do mundo.

 

  • Pode falar-nos sobre o processo de adaptar o Bowie a harpa céltica?

Houvo algumhas dificuldades técnicas. Por exemplo, as harpas célticas e bárdicas som instrumentos diatónicos, sem semitons nem meias-notas. Os arranjos e melodias do Bowie muitas vezes lidam exactamente com essas partes intersticiais do espaço musical. Isto significa que tivem que “secar” – se é que posso usar esse verbo – as suas cançons, tentando trabalhar etimologicamente nalguns casos, e depois traze-las outra vez ao seu possível “esquelete essencial”.

Mais do que umha adaptaçom eu diria que foi, e continua sendo, um diálogo.

 

  • Que descobriu nesta nova exploraçom da sua música que nom soubera antes?

Como comentei, nom sabia muito dele antes (e isso mesmo motivou o meu interesse nele). Mas tenho que admitir que, depois de ouvi-lo, estudar as suas entrevistas, ler grande parte das monografias escritas sobre ele, e depois de ter escrito eu um livro sobre ele e gravado um CD inspirado nas suas cançons, sei menos sobre ele do que sabia antes.

A sua arte é ampla e complexa e ainda representa um grande mistério para mim, talvez ainda mais irresolúvel que o mistério da Atlântida.

 

  • Tem explicado no passado como é que se vê a você mesmo como poeta, músico e académico tudo em um só. Como é de importante para umha pessoa tentar nom ser confinada a umha “categoria” de por vida?

Esta possibilidade é, talvez, a definiçom da própria vida. Acho que todos e todas nos percebemos dentro desta possibilidade aberta e irredutível de agirmos constante e simultaneamente (e entom sermos) diferentes aspectos do que somos. Esta é a única definiçom aceitável de unidade e de ser individual.
Cuido que é crucial olhar para nós mesmos numha perspectiva diferente – e às vezes a partir da perspectiva exatamente oposta – daquela na que vivemos. Lugares, pessoas e indivíduos só vivem dentro doutros lugares, pessoas e indivíduos, nunca ressonância contínua e criativa que dá sentido às cousas.

 

Em verdade nom o sei. Mas a minha verdadeira esperança seria encontrar o Sr. David Bowie enquanto falo sobre a Atlântica, e descobrir o mítico continente perdido enquanto canto e toco as suas cançons.

[English version] Professor Francesco Benozzo (Modena, Italy, 1969) is visiting Galicia on 30th June for a very special event encompassing a talk and a concert in the city of Pontevedra.

Although his four consecutive Nobel Prize for Literature nominations are mainly based on his poetic production, on this occasion he will present his talents as the acclaimed musician and respected academic he is.

Find below an interview to better know the thought of this Professor at the University of Bologna, anarchist intellectual and relentless seeker of beauty, just like the David Bowie he honours.

 

  • The word “Atlantis” features in the title of your talk. Is that not just a tale, a myth, a product of imagination?

A lot of examples from different contexts clearly show that – in an ethno-philological perspective – we should be able to consider any kind of document as a precious clue in the reconstruction of a system of perceptions, and also consider the way in which our brain has been shaped and “educated” in order to create images and connections among them.

The Atlantis myth is a “story”, of course, and just because of that it is a really precious element for what I call a scientific discourse, particularly a philological one. I am persuaded by the idea that the Celts do come from Galicia and North Portugal and, as such, were also identified in the earliest written sources as the builders of the great megalithic Atlantic Culture. This, in turn, can give an answer (one of the possible answers) to the enigmatic story of Atlantis as narrated by Plato, but not only by him.

The territory of Pontevedra, for example, guards unexpected and decisive fragments of information of the myth of Atlantis, indicating that this story also deals with history.

 

  • How reliable can myths be in the actual research and study of pre-history? Are they valid at all?

There are many case studies (I could quote here my research on dialect names and the legends of megaliths in the Celtic countries) where the existence of a legend or the tale of an ancient myth give evidence to the conclusions reached by archaeologists, and vice-versa.

But for me, first of all, it is important to change our stratigraphic idea of myths as ancient tales belonging to a cosmogony, followed by legends and then by fairytales. Actually, there is an uninterrupted continuity that allows us to consider today’s ethno-texts as even more archaic strata than the written records of ancient myths. This is a crucial point of modern philology understood as ethno-philology, thus most definitely affecting the linguistic level as well.

 

  • You have identified Galicia and North Portugal – the old Callaecia – as the cradle of Celtic culture. When can we actually start talking about Celts as a well-defined culture?

The Celts were the late-Paleolithic and Mesolithic fishermen of the Atlantic façade. As I have shown in many studies, we are obliged to date their ethno-genesis at about 15,000 years ago, at least. A great number of elements of the Celtic lexicon can only be plausibly explained within this prehistoric framework.

 

  • Many link Celtic culture exclusively to language, thus neglecting other aspects which define a culture such as beliefs and worldview, humour and psychology, law and customs, cultural landscape and appropriation of the territory, etc.
    Following this reasoning, those same voices claim that there never was a proper “Celtic culture” or “civilisation” as such, just a collection of related languages in some neighbouring and loosely connected territories, both in the past and today.
    What do you think of that?

I know the problem, but this is a kind of linguistics which in the last decades, after the glorious years when it brought a lot of knowledge about different cultures, has forgotten to consider that languages are only a part – even if often the most important – of what we now call “culture” (from an anthropological perspective).

It seems that many colleagues, after getting “drunk” from too many cocktails based on laryngeal theories, algebraic abstractions and other toxic mixes, have forgotten that behind the languages we study there were and there are living people, and that behind the written and elitarian records documented in ancient sources there were spoken languages, orally transmitted, possibly since millions of years ago.

 

  • Other than your academic side, we will be lucky enough to enjoy your musical talents which have brought you fame around the world. Yet, there is a compulsory question here: Why Bowie?

Because he represents in some ways the opposite of what I represent. I started writing a book about him which slowly became a confrontation with his idea of art, poetry and the role of artists in contemporary cultures. Incidentally, this also sort of became an autobiographic reflection about my poetry and my music.

I had never been a big fan of Bowie, but by studying his works I understood that what attracts me the most in his art is his obsessive search for beauty. I perceive him as some kind of knight errant devoted to utopia, in contrast with the drifts of contemporary art towards dystopic worlds and perceptions of the world.

 

  • Can you tell us about the process of adapting Bowie to Celtic harp?

There were some technical difficulties. For example, Celtic and Bardic harps are diatonic instruments, without semitones and half-notes. Bowie’s arrangements and melodies very often deal exactly with these interstitial parts of the musical space instead. This means I had to “dry up” – if I can use that verb – his songs, trying to work etymologically in some cases, and then bringing them back to their possible “essential skeleton”.

More than an adaptation I would say it was, and continues to be, a dialogue.

 

  • What did you discover in this new exploration of his music that you didn’t know before?

As mentioned, I didn’t know much about him before (and that did trigger my interest in him eventually). But I have to admit that, after listening to him, studying his interviews, reading the most part of monographies written about him, and after writing myself a book about him and recording a CD inspired by his songs, I know less about him than I knew before.

His art is wide and complex and it still represents a great mystery to me, maybe even more unsolvable than the mystery of Atlantis.

 

  • You have explained in the past how you see yourself as being a poet, musician and academic all rolled into one. How important is it for a person to try and not be pigeon-holed in one “category” for life?

This possibility is, maybe, a definition of life itself. I think that everyone perceives himself/herself inside this open-framed and irreducible possibility of constantly and simultaneously acting (and then being) different aspects of what she/he is. This is the only acceptable definition of unity and of individual being.

I find that it is crucial to look at ourselves in a different perspective – and sometimes from the exact opposite perspective – from the one where we are living. Places, people and individuals only live inside other places, people and individuals, in a continuous and creative resonance which gives sense to things.

 

I don’t really know. But my real hope would be to find Mr. David Bowie while talking about Atlantis, and to discover the mythical lost continent while singing and playing his songs.

 

por/by XMP

És umha boa selvagem? Are you a good savage?

Reconstruçom artística da entrada a um castro celta galaico – Artistic reconstruction of the entrance to a Galician Celtic castro (settlement) / Fonte-Source: Paco Boluda

Talvez tenhas lido o que diziam os romanos sobre este Povo, ou visto algum filme ou série de televisom saída da imaginaçom de alguém… mas realmente circula muito mito sobre os nossos Devanceiros e Devanceiras. Imos tentar cobrir alguns 😉

Perhaps you’ve read what the Romans said about this People, or seen some film or TV series coming from someone’s imagination, but there really are plenty of clichés circulating about our Ancestors. Let’s try cover some 😉

 

Equívocos comuns sobre as antigas celtas
Baixa este texto em galego aqui: *.pdf, 1 Mb.

Common misconceptions about the ancient Celts
Download this text in English here: *.pdf, 1 Mb.

 

1. “As celtas eram bárbaras”

Forom em verdade umha grande civilizaçom que perdurou durante séculos.
Organizadas numha rede descentralizada mas perfeitamente funcional, construírom as primeiras grandes estradas europeias (depois reutilizadas polos romanos) e estabelecerom prósperas rotas de comércio marítimo.
Podem ser vistas como o povo mais “progressista” do seu tempo, onde as mulheres tinham os mesmos direitos que os homens, incluindo a propriedade da terra, divórcio, liderança política ou religiosa, etc. Tinham, de facto, um sistema legal e instituiçons comuns perfeitamente estabelecidas.
Moravam em assentamentos confortáveis, com saunas e casas decoradas com cores alegres. Homens e mulheres gostavam de vestir roupas finas e sofisticadas, assim como levarem jóias lindamente detalhadas. O seu trabalho em metal era da primeira classe, demonstrando umha habilidade extrema e familiaridade com a geometria avançada.
Eram excelentes poetas e músicos, bem versadas no conhecimento das matemáticas, astronomia e filosofia (reconhecido pelos gregos), um conhecimento que era partilhado pela Kéltia toda (a totalidade do mundo céltico)

Possível coloraçom dumha Pedra Formosa, umha entrada a umha sauna celta galaica – Possible colouring of a Pedra Formosa, an entrance to a Galician Celtic sauna / Fonte-Source: Paco Boluda

1. “The Celts were barbarians”

They were in fact a great civilisation that lasted for centuries.
Organised in a decentralised but perfectly functional network, they built the first major European roads (later reused by the Romans) and established flourishing sea-trade routes.
They can be seen as the most “progressive” People of their time, where women had the same rights as men, including the right to own land, divorce, become leaders, warriors, religious figures, etc. In fact, they had a well-established common legal system and institutions.
They lived in comfortable settlements, with saunas and houses decorated in lively colours. They liked to dress in fine and sophisticated clothes too, as well as wearing beautifully detailed jewelry. Their metalworks were second to none, demonstrating extreme skillfulness and familiarity with advanced geometry.
They were superb poets and musicians, well versed in the knowledge of mathematics, astronomy and philosophy (as stated by the Greeks), a knowledge which was shared all over Keltia (the whole of the Celtic world).

 

2. “Estavam sedentas de sangue e permanentemente em guerra”

Eram basicamente agricultoras e comerciantes.
Estavam realmente bem preparadas para a guerra, no caso de precisarem de se defender (especialmente porque tendiam a viver em comunidades relativamente pequenas), mas as evidências indicam que preferiam estabelecer conexons amigáveis e abrir vias de comunicaçom.
Nalgumhas ocasions podiam surgir conflitos em relaçom a roubos de gado e outras brigas menores entre indivíduos ou bandas, mas a guerra a grande escala entre celtas era rara e muitas vezes apaziguada por esforços diplomáticos. As competiçons desportivas e duelos pessoais “heróicos” eram utilizados frequentemente como mecanismos de resoluçom de disputas.
Por certo, nom corriam despidas como tolas e tolos à batalha. Tinham espadas, escudos, lanças, capacetes e armaduras de jeito. As guerreiras e guerreiros profissionais estavam organizados e usavam hierarquias. Dizia-se que eram muito valentes, isso sim, no limite da temeridade, mas nom eram lunáticos.

Torque de Xanceda, Galiza (detalhe) – Torc of Xanceda, Galicia (detail), circa 200-50 BCE / Fonte-Source: Património Nacional Galego

2. “The Celts were bloodthirsty and constantly at war”

They were mostly farmers and traders.
They were indeed well prepared for war, in case they needed to defend themselves (specially since they tended to live in relatively small communities), but evidence mounts as to they preferred to establish friendly connections and open communication routes.
Conflict could arise on occasion in relation to cattle raiding and other forms of minor fighting between individuals or bands, but full scale war among Celts was rare and often appeased by diplomatic efforts. Sporting competitions and “heroic” personal duels were frequently used to resolve disputes.
By the way, they didn’t run naked like crazy into battle either. They had proper swords, shields, spears, helmets and armours. Professional warriors were organised and used ranks. They were said to be quite corageous though, on the verge of fearless, but they were not lunatics.

 

O Calendário de Coligny, a evidência mais importante dum calendário celta galo – The Coligny Calendar, the most important evidence of a Celtic-Gaulish calendar / Fonte-Source: Wikipedia

3. “Eram ágrafas. Nom sabiam escrever”

O historiador grego Diodoro da Sicília (S. I AEC) menciona como as celtas “lançavam cartas escritas” às piras funerárias como forma de enviarem umhas palavras finais às falecidas. Sim sabiam o que era a escrita.
Dito isto, a escrita provavelmente era considerada sagrada, secreta ou ambas, usada só para questons de importância.
Os escritos celtas, tomaram a forma que for, tiverom que ser escassos e, portanto, perdidos para sempre já que seguramente estavam feitos em materiais perecíveis.
Contudo, ficam anotaçons e registos do seu vasto conhecimento matemático e astronómico, mantido dalgumha forma, como demonstra o Calendário de Coligny por exemplo.
Além disso, a apariçom relativamente repentina da escritura Ogham na Irlanda por volta do S. IV da nossa era indica que este alfabeto derivou doutro ainda desconhecido, evidenciando que a escrita era conhecida nas línguas celtas mas que foi nessa altura quando o seu uso foi “permitido” em forma de gravados na pedra indicando nomes pessoais, limites de propriedades, etc.

3. “The Celts did not write”

Greek historian Diodorus of Sicily (1stC BCE) mentions how the Celts “threw written letters” into the funerary pyres as a way of sending final words to the dead. So they knew what writing was.
Having said that, writing was probably considered sacred, secret, or both, used only for rather important issues. Celtic writings, whatever form they took, had to be very scarce and thus lost forever as they were probably made in perishable material.
Then again, annotations had to be made and records of their vast mathematical and astronomical knowledge had to be kept somehow, as illustrated in the Coligny Calendar for example.
Furthermore, the relatively sudden apparition of Ogham writing in Ireland around the 4thC of our era indicates that this alphabet arose from another (unknown) scrip, evidencing that writing was known in Celtic languages but it was at that stage when it was “allowed” to take form in stone engravings indicating personal names, property limits, etc.

 

Estamos compreendendo em profundidade a origem e evoluçom das celtas – We are gaining a deeper understanding on the origins and evolution of the Celts / Fonte-Source: Cunliffe (2010)

4. “As celtas vinherom da Europa central”

As celtas som indígenas da Europa Atlântica.
O velho ‘Modelo das Invasons’ – segundo o qual povos Indo-Europeus assentarom na Europa central e depois emigrarom para outras partes do continente, dando assim origem às que seriam conhecidas como celtas – está desacreditado. Parecia lógico e foi útil no seu momento como teoria de trabalho, mas a investigaçom actual vai apoiando a visom das ‘Celtas do Oeste’.
As lendas celtas já nos contavam isso, e agora cada vez mais estudos arqueológicos, linguísticos e genéticos ilustram como a etnogénese das celtas foi um processo gradual que ocorreu na franja litoral sul e oeste da Europa Atlântica.
Em verdade, segundo o Paradigma da Continuidade Paleolítica (PCP), a cultura celta nasceu por volta da área da Galiza e Norte de Portugal actuais (a velha Galécia).

4. “The Celts came from Central Europe

The Celts are indigenous to Atlantic Europe.
The old ‘Invasion Model’ – according to which Indo-European peoples settled in Central Europe and then migrated to other parts of the continent thus giving origin to what would be known as the Celts – has been debunked. It was logical and useful in its time as a working theory, but current research increasingly favours the so-called ‘Celtic from the West’ view.
Celtic legends already told us so, and now increasing archaeological, linguistic and genetic studies illustrate how the ethnogenesis of the Celts was a gradual process that took place on the south and western fringe of Atlantic Europe.
Actually, according to the Paleolithic Continuity Paradigm (PCP), Celtic culture was born around the area of today’s Galicia and Northern Portugal.

 

5. “As celtas praticavam sacrifícios humanos e a escravidom”

Simplesmente nom há suficientes evidências disto, apesar do que digam os romanos.
Os sacrifícios humanos eram provavelmente confundidos com execuçons, que podiam tomar umha aparência ritual dada a gravidade da situaçom. Por exemplo, os galos faziam isto cada cinco anos, dando portanto a falsa impressom de um grupo de pessoas estar sendo sacrificado por algumha razom. Em qualquer caso, as execuçons eram raras e induzidas antes de nada polo crime mais grave: negar-se a defender a própria tribo se esta for atacada.
Igualmente, para entendermos o assunto da “escravidom” devemos tomar em consideraçom que a Lei Celta nom estava baseada no castigo mas sim na restauraçom. Portanto, umha falta ou crime tinha sempre que ser retribuído proporcionalmente da maneira mais directa. Por exemplo, um assassinato podia ser retribuído tornando-se em servo da família do falecido. Entom, a “escravidom” nas antigas sociedades celtas deve ser vista mais como umha pena em vez dumha instituiçom.

5. “The Celts practised human sacrifices and slavery”

There is simply not enough evidence for this, despite of what the Romans said.
Human sacrifices were probably mistaken for executions, which could take a ritual appearance given the gravity of the situation. For instance, Gauls conducted those once every five years, hence giving the false impression that a group of people was being ritually sacrificed for whatever reason. In any case, executions were rare and primarily induced by the most serious crime: failing to defend one’s tribe if attacked.
Likewise, in order to understand the “slavery” issue we must take into consideration that Celtic Law was not based on punishment but rather on restoration. Therefore, a fault or a crime always had to be repaid proportionally in the most direct manner. For example, a murder might be repaid by becoming a servant for the family of the deceased. Then, “slavery” in old Celtic societies must be seen more like a penalty rather than an institution.

 

6. “As celtas tocavam a gaita”

Grandes trombetas e chifres sim, percussom tamém, e harpas a eito, mas nom gaitas de fole.
Em verdade, nom há mençom de gaitas até bastante mais tarde no tempo. Supostamente forom introduzidas por vez primeira na Europa pelos romanos no S. I EC, mas mesmo isso é incerto e nom podemos encontrar mais mençons até o século IX. As gaitas galegas aparecem documentadas sem dúvidas a partir do XIII e as escocesas desde o XVI.
A gaita e instrumentos similares som bastante comuns arredor do mundo, assim que nom tenhem muito de exclusivo. Nom obstante, estám já totalmente integradas no folclore e estética céltica moderna. Nom tem mal, soam bem e som lindas.

6. “The Celts played bagpipes”

Big trumpets and horns, yes, percussion too, and definitely harps, but not bagpipes.
In truth, there is no mention to bagpipes until much later in time. They were allegedly first introduced in Europe by the Romans in 1stC CE, but even that is uncertain and no further mentions can be found until the 9thC. Galician bagpipes are unequivocally documented from the mid 13thC and Scottish from the 16thC.
Bagpipes and similar instruments are quite common around the world, so there’s nothing exclusive about them. Nonetheless, they have been fully incorporated into modern Celtic folklore and visuals. No harm there, they sound and look nice.

 

Druidas modernos fazem cousas glamorosas como… decorarem o salom para a ceia do Magusto! – Modern Druids do glamorous things like… setting up the hall for the Magusto (Celtic New Year) dinner! / Fonte-Source: IDG (2014)

7. “As Druidesas eram seres místicos com poderes mágicos”

E tamém cavalgavam unicórnios. Vai ser que nom…
As celtas nom eram umha sociedade ideal e perfeita, como é representado muitas vezes nalgumhas narrativas absurdas de inspiraçom ‘New Age’. Tinham as suas falhas, os seus contratempos e as suas contradiçons, como toda a gente. O mesmo é aplicável aos seus líderes, que obviamente eram humanos.
Ainda assim, a sua elite intelectual, os Druidas e Druidesas, eram altamente respeitadas e consideradas por cima do resto em termos de reputaçom. Imaginemos umha combinaçom de médico, juiz, sacerdote, diplomata, artista, cientista e professor… Um Druida representaria isso tudo para um celta.
A sua formaçom e treino eram excepcionalmente rigorosos, e a sua autoridade derivava tanto dos seus enormes conhecimentos como da sua vocaçom de serviço: umha Druidesa trabalhava para a sua comunidade, para ajudar e guiar a outros, e pola preservaçom geral da sua cultura e crenças. Na maioria das vezes, até os reis e rainhas tinham que consultar com um Druida antes de tomarem qualquer decisom importante.
Eram umha instituiçom pan-Céltica nelas mesmas. De facto, eram obrigadas a viajar e visitar outras terras celtas na sua etapa formativa, sendo-lhes sempre garantida passagem livre e segura. Nom podiam receber dano.
É fácil pois ver por que eram tam reverenciadas nos tempos de antes, como eram temidas polos romanos (Júlio César considerava-as o inimigo “real” por trás dos guerreiros) e como impressionarom os filósofos gregos.

PS. Este é tamém o motivo polo que nós na IDG consideramos que o título de “Druida” (Durvate) nom pode ser usado de forma despreocupada – é umha palavra muito grande! – e deve ser ganhado em base a umha dedicaçom e estudo demonstráveis, além dum reconhecimento por parte dos seus pares e da sua comunidade.

7. “The Druids were mystical beings with magic powers”

And they rode unicorns too. Not.
The Celts were not a perfect ideal society, as it is often portrayed in some naive New-Age-ish narratives. They had their flaws, their setbacks and their contradictions, like anybody else. Same applies to their leaders, who were obviously human.
Still, their intellectual elite, the Druids, were highly respected and were considered to be a cut above the rest in terms of reputation. Let’s imagine the combination of a doctor, a judge, a priest, a diplomat, an artist, a scientist and a teacher… A Druid would represent all that for a Celt.
Their education and training was beyond rigorous and their authority derived from both their enormous knowledge and from their vow of service: a Druid worked for his or her community, to help and guide others, and for the overall preservation of their culture and beliefs. More often than not, a King or Queen had to consult a Druid before taking any important decision.
They were a pan-Celtic institution in themselves; as a matter of fact they were obliged to travel and visit other Celtic lands in their formative years and were always allowed free safe passage. No harm could be done to them.
Thus it is easy to see why they were so revered back in the day, how they were feared by the Romans (Julius Caesar considered them the “real” enemy behind the Celtic warriors) and how they impressed the Greek philosophers.

PS. This is also why we at the IDG consider that the title “Druid” (Durvate) cannot be used lightly – it is a very big word! – and must be earned based on demonstrated dedication and study, plus peer and community recognition.

 

O herói irlandês Cú Chulainn portando o seu amante Ferdiad depois de o matar ao “enfiar um arma secreta no seu ânus” – Irish hero Cú Chulainn carrying his lover Ferdiad after killing him by “thrusting a secret weapon up his anus” / Fonte-Source: Wikipedia – E. Wallcousins (1905)

8. “As celtas eram nativas europeias e portanto umha cultura ‘tradicional’ e ‘branca’”

Parvadas.
Quem pretenda ligar as celtas a noçons torcidas como “supremacia branca”, “conservadorismo” e similares realmente nom tem nem a menor ideia do que está a falar.
As celtas eram similares fisicamente porque misturavam-se em base a umha óbvia proximidade geográfica, mas ainda assim apresentavam diversidade interna e certamente eram um povo imensamente prático.
A cultura celta nom tinha problema em assimilar peculiaridades de outros se isto significava umha melhora. Como comerciantes gostavam de importar novos bens e ferramentas, tamém novas ideias se estas eram consideradas vantajosas.
Nom existem indicaçons onde discriminaram a ninguém só pola sua mera aparência. Antes o contrário, a Hospitalidade (acolher o visitante ou o estranho que vem em paz) é umha peça fundamental da ética céltica; considera-se um dos pilares do bom comportamento social celta.
Igualmente, a sua visom do matrimónio, família e sexo (incluindo práticas homossexuais e bissexuais) nada tem a ver com o que hoje em dia é entendido como “tradicional”.
A beatice moderna certamente os teria surpreendido, quase tanto como surpreendiam no seu momento às – em comparaçom – atrasadas sociedades gregas e romanas, sem entrar a falar das cristãs…

8. “The Celts were native Europeans, therefore a ‘traditional’ and ‘white’ culture”

Nonsense.
Those pretending to link the Celts to twisted notions such as “white power”, “conservatism” and the likes really don’t have the faintest idea about what they are talking about.
The Celts were ethnically similar basically because they would mingle with each other due to obvious geographical proximity, but they still showed internal diversity and certainly were an immensely practical People.
Celtic culture had no problem assimilating traits of others if that meant an improvement. As traders, they liked to import new goods and tools, same with new ideas if they were deemed beneficial.
No record exists where they’d ostracise anyone based solely on appearance. On the contrary, Hospitality (welcoming the visitor or the stranger who comes in peace) is a fundamental piece of Celtic ethics; it is considered one of the cornerstones of proper social Celtic behaviour.
Likewise, their vision on marriage, family and sex (including homosexual and bisexual practices) has nothing to do with what today is understood as “traditional”.
Modern bigotry would have certainly shocked them, as much as Celtic values did shock the socially backward – in comparison – Roman and Greek societies, let alone Christians…

 

9. “Os nós celtas som genuinamente celtas”

Toda a gente, bom, quase toda a gente, gosta da arte celta.
A arte é provavelmente um dos legados mais duradouros das Celtas, embora muita gente ligue automaticamente a arte celta com o famoso nó celta. Porém, parte do que hoje percebemos como arte celta pode ter outras influências. Os nós celtas tal como os conhecemos seica tomarom essa forma específica nos primórdios da Idade Média. Contudo, parece que as proporçons e gosto polos padrons geométricos venhem dos tempos antigos. Dalgumha forma, os nós celtas podem ser umha evoluçom da arte original, misturados com símbolos usados realmente pelas primeiras celtas.

9. “Celtic knots are genuinely Celtic”

Everybody, well, almost everybody, likes Celtic art.
Artwork is probably one of the most enduring legacies of the Celts, although many automatically link Celtic art to the famous Celtic knot. However, part of what we perceive as Celtic art today may have other influences. Celtic knots as we know them seem to have taken that specific form around the early middle ages. Yet, it looks like the proportions and taste for geometrical patterns do come from ancient times. In a way, Celtic knots might be an evolution of the original artwork, mixed with symbols used by the actual first Celts.

Elaboraçom e reconstruçom de antigas decoraçons celtas galegas, com base em restos arqueológicos reais – Elaboration and reconstruction of early Celtic-Galician decorations based on actual archaeological remains / Fonte-Source: Paco Boluda

 

10. “Eu sou celta porque…”

Falo umha língua celta? Venho dum país celta? Alguém da minha família veio? Sou alta e loira e tenho olhos azuis? Pode ser. Pode que nom.
A cultura é algo complexo, assim como é-o a identidade cultural. Umha cultura viva está composta de elementos chave como língua, literatura e folclore, mas tamém de cousas nom tam óbvias como o padrom de assentamento (como usamos e modelamos o espaço ao nosso redor), percepçons sociais e pessoais do tal espaço, história partilhada, leis (postura sobre o que é justo/injusto, legal/ilegal, adequado/impróprio), humor, características psicológicas, cosmovisom, crenças, etc. E por suposto a auto-identificaçom.
Em resumo, ser celta no S. XXI e tomar consciência desse legado ancestral – todos esses elementos combinados – e perseverar em mantê-lo vivo. Ser celta implica, entom, estudar, aprender, respeitar esse passado, mas tamém mentalizar-se para viver essa identidade dumha forma educada e razoável, adaptada aos tempos que vivemos.
Assim pois, nom te confies se tens herança celta, pois ainda deves apreciar e cultivar todos os aspectos nomeados. E não penses que nom és celta por não teres herança directa… talvez compreendas o que verdadeiramente significa ser celta melhor que o resto de nós!
Oh, a maioria das celtas nem eram tam altas e tinham cabelo escuro. Nom caias em estereótipos físicos parvos, nom funcionam agora e nom funcionavam daquela.

‘Domínio Celta Moderno’ – ‘Modern Celtic Realm’ / Fonte-Source: National Geographic (2006)

10. “I am a Celt because…”

I speak a Celtic language? I come from one of the Celtic countries? Someone in my family did? I’m tall and blonde and have blue eyes? Maybe. Maybe not.
Culture is a complex affair, and so is cultural identity. A live culture is made up of a number of key elements such as language, literature and folklore, but also by not so obvious things such as the settlement pattern (how you use and shape the space around you), personal and social perceptions of said space, shared history, laws (stance on what is fair/unfair, legal/illegal, proper/improper), psychological traits, humour, worldview, spiritual beliefs, etc. And of course self-identification.
In short, being a Celt in the 21stC is gaining awareness of that ancient heritage – all those elements combined – and persevering in keeping it alive. Being a Celt implies, then, studying, learning, respecting that past, but also getting in the right mindset to live that identity in an educated and reasonable manner, adapted to the times we live in.
So don’t take your Celtic heritage for granted in case you already have it because you still have to cherish and cultivate all the mentioned aspects. And don’t think you’re not a Celt because you have no direct heritage… maybe you do get what being a Celt truly is better than the rest of us!
Oh, most Celts were not that tall and did have dark hair. Don’t fall for silly physical stereotypes, they don’t work now and they didn’t back then either.

 

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