O perigo dos argalheiros. Cuidado com o ‘celtismo de feira’

Hai pouco tempo foi-nos remetido um perfil dumha auto-denominada “primera Hermandad celta en Galicia” [sic], algo sobre o qual os nossos clássicos do século XIX e princípios do XX seguramente teriam algo a comentar.

Após umhas simples verificaçons desta tal “Cueva de Lobos – Hermandad Celta” que parece operar desde a cidade de Compostela, observamos umha série de problemas muito graves.

Antes de mais nada, desejamos clarificar que nom entramos nem entraremos nunca na liberdade de todo indivíduo a crer no que queira e fazer com o seu tempo e dinheiro o que considere.
Igualmente, nunca tivemos nem teremos problemas com grupos meramente recriacionistas ou actores profissionais que assim se definam de forma inequívoca, pois nom se estám adjudicando umha categoria que nom lhes pertence levando a terceiras pessoas a umha possível confusom.

Mas devemos, precisamente pola obriga dos nossos próprios princípios, fazer notar que:

O título de “sacerdote celta” (conhecido como Druida, pois ser “sacerdote celta” é, por definiçom, ser Druida/Druidesa) deve responder a umha iniciaçom através dumha ordem reconhecida ou a um eventual reconhecimento externo por parte doutras ordens já bem estabelecidas e de trajetória clara.
Quer dizer, igual que alguém nom pode afirmar-se sacerdote católico ou monge budista só polo seu capricho, tampouco tem validade proclamar-se “sacerdote celta” sem mais.
Assim as ordens, irmandades ou grupos druídicos sérios podem, logicamente, organizar obradoiros, cursos ou actividades regradas na ajuda ao auto-sustentamento da comunidade, mas sempre sem fins lucrativos e sem enganos.
Tamém é altamente questionável a utilizaçom do termo “Hermandad” neste contexto religioso e espiritual, quando se trata dum evidente esquema unipessoal, sem estrutura nem validaçom por parte doutras organizaçons.

Criticamos energicamente, logo, o fraudulento uso do título de “sacerdote” em relaçom à nossa religiom (celta) por parte de um indivíduo para o seu negócio privativo.

Além disto, umha vez esta pessoa se define como “sacerdote celta”, demonstra a sua ignorância completa sobre as crenças e tradiçom celta pois (a maneira de exemplo e tomando como referência alguns dos seus pontos):

– Nom hai nada na Druidaria (‘Druidismo’ – sistema de crenças celtas ou religiom celta) que justifique o uso da palavra “chaman” ou “chamanismo” [sic], muito menos em território galaico, como se fai neste perfil a modo de reclamo.
– As runas som de cultura germânica, nom celta. Nom tenhem absolutamente nada a ver com a Druidaria ou com a Galiza, igual que o moderno “tarot” que tamém se oferece como serviço de adivinhaçom.
– A Druidaria, as crenças celtas tradicionais, nom contemplam os “quatro elementos” (a Wicca Céltica sim, mas tampouco é Druidaria, como os e as Wiccanas bem sabem).
De facto, como é habitual nestes casos de pessoas com escassa ou nula formaçom, confunde e mistura sem sentido conceitos e ideias da Wicca, Asatrú (Odinismo) e Druidaria, apelando ao “paganismo” (termo nele mesmo polémico) num ‘vale tudo’ caótico.

Aliás, existem inúmeros erros terminológicos e históricos, como identificar a Gália com o conjunto de terras celtas, atrapalhar-se com a cronologia e geografia da cultura celta, misturar celtismo e Druidaria com conceitos alheios como por exemplo o karma e darma orientais, confundir e revirar totalmente a cosmovisom céltica e, no geral, apelar a umha pseudo-filosofia New Age simplista que nom tem absolutamente nada a ver com a Druidaria.

Igualmente, os comentários de teor ético e moral produzidos nos textos e vídeos pouco encaixe tenhem com a Druidaria em geral (mesmo com as visons mais ecléticas), sem entrarmos sequer em juízos de valor que seriam extremamente duros.

A lista de incorreçons é simplesmente abismal. Em verdade, poderiam-se analisar negativamente quase todos os elementos presentes nesse perfil um a um.

Infelizmente isto nom é a primeira vez que acontece. Estamos já afeitas a determinadas personagens de características similares que umha e outra vez rapinam entre as esperanças da gente oferecendo beiçons a maos-cheias e mágicas soluçons rápidas num contexto totalmente fantasioso. É a farsa do ‘mercadeio esotérico’. Veja-se >aqui< um caso de tantos.

Isto tudo nom o di só a IDG(*) senom muitas outras ordens internacionais perfeitamente regularizadas que observam os mesmos estritos critérios.

Concluímos dizendo novamente que qualquer pessoa pode acreditar e fazer o que estime mais oportuno mas, como foi apontado, é o nosso imperativo expor estas informaçons e partilhar a nossa visom.

Felicitamos a este indivíduo, isso sim, polo seu aparente cuidado e carinho polos animais. Seja dito, pois o justo tamém é justo.

Saúde.

(*) A Irmandade Druídica Galaica (IDG) é o primeiro e único grupo druídico oficialmente legalizado perante notário e no Registo de Entidades Religiosas do Ministério de Justiça espanhol (no. 022549) e Agência Tributária em território galego.
No Estado Espanhol, só duas outras ordens druídicas figuram no R.E.R., nomeadamente a Hermandad Druida Dun Ailline e a Orden Druida Fintan, ambas na Catalunha.

NOTA (11 de Março 2019): Esta mensagem foi colocada primeiramente no perfil de Facebook da chamada “Cueva de Lobos” para poder favorecer umha reflexom pública. Porém, foi eliminada sem contriçom poucas horas depois, o que decidiu a esta IDG a reproduzi-la agora por outros meios. É infortunado, mas tem que ser feito.
(Tamém houvo umha resposta defensiva posterior pola sua parte no nosso perfil que foi eliminada poucas horas depois, apesar de mesmo termo-la respondido.)

NOTA 2 (12 Março 2019): Desde a emisom formal do comunicado e apoio doutras entidades, “Cueva de Lobos” já se desculpou, dalgumha maneira, no nosso perfil de Facebook e retirou toda referência “celta” no seu perfil, incluída a segunda parte do nome (“Hermandad Celta“).

NOTA 3, final (16 Março 2019): Agradecemos os comunicados de apoio emitidos polas outras duas ordens Druídicas legalizadas no Estado, HDDA e ODF, e ainda a tamém oficialmente inscrita no Registo de Entidades Religiosas “Religión Wicca Celtíbera“. Um grande bem haja!

Detalhe da publicidade do auto-denominado, e nom reconhecido, “sacerdote celta” 😦 (agora eliminada)
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Comunicado conjunto de Ordens e Irmandades

Desde a IDG tinha-se alertado para o uso nom só desrespeitoso da nossa religiom, mas para o especialmente preocupante uso crematístico da mesma. Se daquela vez aconteceu no nosso país, é agora a quenda dumha “feira esotérica internacional” na Catalunha. Se daquela vez recibemos o apoio e simpatia de Ordens e Irmandades amigas, desta agimos conjuntamente expressando o nosso rejeitamento formal. logos

Assim, as quatro Ordens e Irmandades do Estado Espanhol acordamos e assinamos um comunicado unitário que pode ser baixado em formato pdf >aqui<, e que transcrevemos a continuaçom na íntegra no nosso idioma:

 

<< A Asociación Religiosa Druida Fintan, de Tradiçom Druídica Reconstrucionista Gala e com número de Registo 2127-SG/A; a Hermandad Druida Dun Ailline, de Tradiçom Druídica Reconstrucionista Irlandesa e com número de Registo 2854-SG/A; a Irmandade Druídica Galaica, de Tradiçom Druídica Reconstrucionista Galaica e em trâmites de legalizaçom, e a Orden Druida Mogor, de Tradiçom Druídica Britânica e tamém em trâmites de legalizaçom, perante o evento lúdico “Casamento Celta Druídico”, a se celebrar em Barcelona os próximos dias 28, 29 e 30 de Novembro [2014] dentro da “Feria Esotérica Magic Internacional”, manifestam de maneira rotunda o seu profundo rejeitamento do que consideram a banalizaçom dumha Cerimónia Religiosa própria da nossa Confissom.

É por isto que a totalidade das Ordens e Irmandades de Crença Druídica do Estado Espanhol (legalizadas e em processo de legalizaçom) e em representaçom, em definitiva, de todos e todas as nossas crentes, que conformam a Comunidade Druídica, acordamos o seguinte comunicado conjunto:

“A Comunidade de Crentes Druídicos do Estado Espanhol sente-se profundamente indignada polo que considera umha notável falta de respeito cara as nossas crenças e cerimónias por parte da organizaçom da Feria Esotérica Magic Internacional.

Consideramos que o rito que denominam “Uniom de Maos”, é dizer, os Esponsais Druídicos, é umha Cerimónia Religiosa e, como tal, só tem sentido dentro da dita crença. Ninguém organiza esponsais católicos, protestantes, evangelistas, judeus, islâmicos, etc como umha simples manifestaçom lúdica, contudo sim som realizados supostos casamentos druídicos sem se considerar sequer o concurso ou parecer das instituiçons religiosas próprias da dita crença. Mais umha vez, constatamos que as religions minoritárias que nom formam parte do establishment que fornece o ‘Notório Arraigo’ som ignoradas nos seus mais elementares direitos.

Manifestamos que é lamentável que se tomem as crenças minoritárias como propiciatórias para extravagâncias e negócios, dado que o facto de alguém participar em ritos pouco comuns, atraídos pelo seu arcaísmo, o seu mistério ou a sua vistosidade deixa bons dividendos aos seus organizadores.

Umha boda, seja da crença que for, é um acto religioso próprio dumha crença que deve oficiar um sacerdote ou sacerdotisa ordenada de dita crença sob as estruturas organizativas da tal crença (no nosso caso, das Ordens ou Irmandades Druídicas). Isso nom pode escapar do entendimento de ninguém. É por isso que a Comunidade de Crentes Druídicos quer deixar bem claros certos aspectos:

1. Os Esponsais Druídicos, como toda Cerimónia Religiosa ou Espiritual, deve se realizar polos Sacerdotes Consagrados e reconhecidos para o culto polas Associaçons Religiosas de dita crença que estám reconhecidas no Registo de Entidades Religiosas do Ministério de Justiça do Estado Espanhol.

2. O oficiante da pseudo-cerimónia nom é um sacerdote druida ordenado e está fora de toda linha druídica regular. Nom está reconhecido em nengum país e nom pode apresentar nengumha credencial como sacerdote druida consagrado por nengumha Ordem europeia.

3. O facto certo de nom todas as Ordens no seu seio contemplarem o Druidismo como religiom estruturada, e o manterem como espiritualidade, nom implica por isso que nom devam observar-se ou terem-se em conta as observaçons expostas no primeiro ponto.

4. Nom podemos interpretar o nomeado evento como uma representaçom de carácter recreacionista já que em nengum momento é aclarado por parta da organizaçom da Magic Internacional que a actuaçom proposta nom tem nenhum tipo de validade sacramental e que os oficiantes nom tenhem nenhum tipo de qualificaçom sacerdotal, é dizer, nom é um druida consagrado. Cremos que isso tudo no seu conjunto provoca umha grande confusom na gente, e achamos que a organizaçom brinca com dita ambiguidade, já que dar a entender às pessoas interessadas que participam numha autêntica cerimónia religiosa é muito conveniente em termos empresariais.

Em consequência, manifestamos a nossa mais clara repulsa perante as “unions” agendadas para o evento Magic Internacional já que as mesmas constituem umha grave ofensa para o sentimento religioso de muitas pessoas que tenhem no Druidismo as suas crenças espirituais.”

Em Vacarisses [Catalunha], 19 de Novembro 2014.

Asociación Religiosa Druida Fintan – Nº 2127-SG/A R.E.R

Hermandad Druida Dun Ailline Nº 2854-SG/A R.E.R

Irmandade Druídica Galaica – em trâmites de legalizaçom

Orden Druida Mogor – em trâmites de legalizaçom >>

O original (em espanhol) foi publicado primeiro >aqui<.

Que Íccona Loiminna o espalhe como quiser e melhor entender /|\

– – –

Actualizaçom 28 Novembro

Este comunicado provocou a resposta dos organizadores, que foi publicada nesta ligaçom (em espanhol; parte laranja).

Desde a IDG, enviamos um correio-e precisando a nossa postura que achamos encerra pola nossa parte este capítulo. Foi como segue (parte central traduzida ao nosso idioma):

<<1. A IDG nom tem intençom de perseguir a ninguém em particular, senom indicar algo que ao nosso ver é oferecido sob um epígrafe enganoso (“casamento celta druídico” / “uniom de maos”) e sob uma focagem que consideramos muito desafortunada (“actividade lúdica” numha feira “esotérica”). Figemos exactamente o mesmo este passado Agosto a respeito dumhas denominadas “bodas celtas” massivas.

2. Consideramos que existe um fim crematístico pois é umha actividade englobada num evento comercial de rango superior que se beneficia da sua inclusom. Isso, para nós, invalida por completo qualquer rito supostamente religioso, sem entrar sequer em se alguém particular – que nem conhecemos – cobra ou paga, o qual tornaria ainda mais grave o assunto.

3. Aceitaríamos sem maior problema umha conversa sobre Druidaria e a nossa forma de vê-la (ainda que nunca queremos fazer nada que semelhe proselitismo), mas duvidamos de o factor distância o permitir. Evidentemente, nunca seria num meio de comunicaçom polos condicionantes que estes imponhem; teria que se realizar num foro ajeitado com calma e tempo, e deveria sempre contar com quantos mais interessados/as melhor.

4. Obviamente, estamos no nosso direito de expressarmos a nossa opiniom livremente, igual que Vc a sua, assim como qualquer pessoa que nos ler ou ouvir está no seu direito de nos fazer caso ou tudo o contrário. Simplesmente, que cada um/a tire as suas conclusons.>>