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Maios e encontros, sob os Lumes de Bel

Os “tótemes vegetais” dos Maios, representando a Natureza, sempre alegres e imaginativos, misturando tradição ancestral e modernidade numa linha – aqui sim – sem quebras.

Os Maios (Beltaine) são chegados. A terceira grande celebração religiosa do ano a seguir o Magusto (Samhain) e o Entroido (Imbolc) começa esta noite, no passo do 30 de Abril ao 1 de Maio.

Vêm aí os Lumes de Bel (Bel-tené) – o formoso, o belo, o luminoso – e assoma a cabeça a Tarasca do Val, sabendo que chega já de forma definitiva a consagração da Primavera (tradicionalmente era, de facto, o começo do Verão).

Este ano, aliás, teremos a fortuna de nos encontrar mais uma vez na já sexta edição das Jornadas Galaico-Portuguesas (dias 13 e 14 em Pitões das Júnias, Montalegre).

Não é casual que seja precisamente agora, neste mês, quando proliferam por todo o País tantas “festas da primavera”, já que tratamos com uma autêntica festividade cujos ecos perduram na nossa terra desde o Neolítico.

Como o Magusto (Samhain), os Maios supõem um trânsito, o outro fito da divisão da Roda do Ano em duas partes, onde a mudança esta vez acontece desde a metade escura do ano cara a luminosa, de Giamos a Samos. Retoma o lume guardado por Druidas e Druidesas o seu simbolismo fulcral, leva-se o gado até ele para a sua purificação e saltam homens e mulheres por riba na procura da fertilidade. Regressam a casa depois dum duro inverno fora os moços do Cório (como os irlandeses Fianna), para celebrarem estas datas com o resto do seu Clã.

Se na Seitura (Lugnasad) preparamos-nos com lume à futura chegada da escuridão, aqui chamamos definitivamente à luz que não para de caminhar cara nós. Invoca-se o bem-estar, os gromos e o calor no rito de Alumiar o Pão, para que a Natureza não se esqueça de nós e dos nossos esforços:

Alumia o pão
Alumia-o bem
Alumia o pão
para o ano que vem

Alumia o pai
cada grão um tolodão
Alumia o filho
cada grão um pão de trigo
Alumia a nai
cada grão um tolodão
Alumia a filha
cada grão um pão de trigo

Como na Seitura, é também bom momento para casamentos e uniões, para desfrutar da sexualidade. É o grande festival da fecundidade, do esplendor da natureza, da fartura, das crianças. É uma festa de reconstrução e renovação. Assim, elabora-se o Maio, uma figura inteiramente vegetal – se calhar com algum ovo que a Lebre já cedeu a pedido de Brigantia depois do equinócio  – que representa e centraliza a Natureza, ou uma árvore se se quer, que será passeada por moços e moças; mesmo pode-se vestir uma criança como tal. É a árvore, pois, que indica a chegada sem falho da vida e da luz durante meio ano, em torno à qual todas e todos cantam e dançam em círculos enquanto o Cório bate as suas espadas junto da Tarasca, espinha do Mundo:

Ergue-te Maio
que tanto dormi-che
que passou o Inverno
e ti não o vi-che

De acordo com a tradição galaica celebramos os Maios desde a noite do 30 de Abril, quando (de forma simbólica) apanhavam-se frutos da terra nos campos alumiados por fachos, cujas cinzas serviam depois de adubo, até o significativo dia 1 de Maio. Apanham-se ainda as giestas que hão guardar as casas (e veículos) desde o abrente do dia 1, uma vez colocadas nas portas de forma bem visível. Depois da juntança de luta da manhã tentaremos percorrer o caminho cara um santuário natural para acabarmos de confeccionar o Maio, acender os lumes, jantar e, em definitiva, desfrutar da alegre protecção de Bel que, anovado, viaja arredor do Sol no seu carro de cavalos. Temos ainda a ajuda de Nábia nos nossos cânticos com o repenique das suas águas, precisas para limpar as feridas. A tríade fecha-se com a Deusa Íccona Loimina – embora sempre com um pensamento de agradecimento para Brigantia – por se tiver a bem ajudar na abertura de novos caminhos, ela que sabe e pode protegê-lo.

Os Maios são uma dessas celebrações populares que mostram à perfeição a continuidade duns costumes e crenças desde a mais remota antiguidade até dia de hoje. Pode que perderam parte do seu significado original e outros foram acrescentados, pode que a maioria da gente não saiba o que está a suceder realmente, mas a tradição tem estas cousas: o fundo perdura, apesar de todas as tentativas de o ocultar ou deturpar.

Bel está presente, a Natureza está presente, o “axis mundi” está presente, os Córios estão presentes e rodam no sentido da vida, a fertilidade e a alegria estão presentes, o sentimento de melhora e protecção está presente, e milhares contemplam isto tudo e participam nas ruas da Galécia do século XXI. Estamos viv*s e, como sempre fizemos, cantamos e dançamos.

Amanhã (1 de Maio) é dia de presença nas ruas, por justiça e por festa. Amanhã o País inteiro tinge-se de cor num berro senlheiro. E para quem não conhecera esta festa, eis uma introdução… 😉

As datas de culto, aliás, estendem-se até o dia três e a época dos Maios durante o mês todo, mas neste caso são actividades principalmente pessoais e privadas.

Beltaine, os Lumes de Bel, uma grande e alegre festa em todas as terras célticas

 

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Aí vem o Maio

As crianças

As crianças participam na elaboração do Maio, arredor do qual dançarão e cantarão. Podem também vestir com elementos da Natureza, “confundindo-se” com ela.

Os Maios (Beltaine) são chegados. A terceira grande celebração do ano a seguir o Magusto (Samain) e o Entroido (Imbolc) começa esta noite, no passo do 30 de Abril ao 1 de Maio.

Vêm aí os Lumes de Belenus (Bel-tené) – o formoso, o belo, o luminoso – e assoma a cabeça a Tarasca do Val, sabendo que chega já de forma definitiva a consagração da Primavera (tradicionalmente era, aliás, o começo do Verão).

Não é casual que seja precisamente agora, neste mês, quando proliferam por todo o País tantas “festas da primavera”, já que tratamos com uma autêntica festividade que perdura de forma contínua na nossa terra desde o Neolítico.

Como o Magusto (Samain), os Maios supõem um trânsito, o outro fito da divisão da Roda do Ano em duas partes, a mudança esta vez da metade escura do ano cara a luminosa, de Giamos a Samos. Retoma o lume guardado por Druidas e Druidesas o seu simbolismo fulcral, leva-se o gado até ele para a sua purificação e saltam homens e mulheres por riba na procura da fertilidade. Regressam a casa depois dum duro inverno fora os moços do Cório (como os irlandeses Fianna), para celebrarem estas datas com o resto do seu Clã.

Se na Seitura (Lugnasad) preparamos-nos com lume à futura chegada da escuridão, aqui chamamos definitivamente à luz que não para de caminhar cara nós. Invoca-se o bem-estar, os gromos e o calor no rito de Alumiar o Pão, para que a Natureza não se esqueça de nós e dos nossos esforços:

Alumia o pão
Alumia-o bem
Alumia o pão
para o ano que vem

Alumia o pai
cada grão um tolodão
Alumia o filho
cada grão um pão de trigo
Alumia a nai
cada grão um tolodão
Alumia a filha
cada grão um pão de trigo

Como na Seitura, é também bom momento para casamentos e uniões, para desfrutar da sexualidade. É o grande festival da fecundidade, do esplendor da natureza, da fartura, das crianças. É uma festa de reconstrução e renovação. Assim, elabora-se o Maio, uma figura inteiramente vegetal – se calhar com algum ovo que a Lebre já cedeu a pedido de Brigantia depois do equinócio  – que representa e centraliza a Natureza, ou uma árvore se se quer, que será passeada por moços e moças; mesmo pode-se vestir uma criança como tal. É a árvore, pois, que indica a chegada sem falho da vida e da luz durante meio ano, em torno à qual todas e todos cantam e dançam em círculos enquanto o Cório bate as suas espadas junto da Tarasca, espinha do Mundo:

Ergue-te Maio
que tanto dormi-che
que passou o Inverno
e ti não o vi-che

De acordo com a tradição galaica celebramos os Maios desde a noite do 30 de Abril, quando (de forma simbólica) se apanhava nos campos alumiados por fachos, cujas cinzas serviam depois de adubo, até o significativo dia 1 de Maio. Depois da juntança de luta da manhã tentaremos percorrer o caminho cara um santuário natural para acabarmos de confeccionar o Maio, acender os lumes, jantar e, em definitiva, desfrutar da alegre protecção de Belenus que, anovado, viaja arredor do Sol no seu carro de cavalos. Temos ainda a ajuda de Návia nos nossos cânticos com o repenique das suas águas, precisas para limpar as feridas. A tríade deste ano fecha-se com a Deusa Íccona Loimina – embora sempre com um pensamento de agradecimento para Brigantia – por se tiver a bem ajudar na abertura de novos caminhos, ela que sabe e pode protege-lo.

Os Maios são uma dessas celebrações populares que mostram à perfeição a continuidade duns costumes e crenças desde a mais remota antiguidade até dia de hoje. Pode que perderam parte do seu significado original e outros foram acrescentados, pode que a maioria da gente não saiba o que está a suceder realmente, mas a tradição tem estas cousas, o fundo perdura, apesar de todas as tentativas de o ocultar ou deturpar.

Belenus está presente, a Natureza está presente, o “axis mundi” está presente, os Córios estão presentes e rodam no sentido da vida, a fertilidade e a alegria estão presentes, o sentimento de melhora e protecção está presente, e milhares contemplam isto tudo e participam nas ruas da Galécia do século XXI. Estamos viv*s e, como sempre fizemos, cantamos e dançamos.

Amanhã (1 de Maio) é dia de presença nas ruas, por justiça e por festa. Amanhã o País inteiro tinge-se de cor num berro senlheiro. E para quem não conhecera esta festa, eis uma introdução… 😉

As datas de culto, aliás, estendem-se até o dia três e a época dos Maios durante o mês todo, mas neste caso são actividades principalmente pessoais e privadas.

Beltaine, os Lumes de Bel, uma grande e alegre festa em todas as terras célticas

Ergue-te Maio!

Os Maios (Beltaine) são chegados. A terceira grande celebração do ano a seguir o Magusto (Samain) e o Entroido (Imbolc) começa esta noite, no passo do 30 de Abril ao 1 de Maio.

As crianças ajudam na confecção do Maio, arredor do qual depois cantam e dançam

As crianças ajudam na confecção dos Maios, decorados aqui com ovos e fruta, arredor dos quais depois dançam e cantam, sempre com letras bem arteiras

Vêm aí os Lumes de Belenus (Bel-tené) – o formoso, o belo, o luminoso – e assoma a cabeça a Tarasca do Val, sabendo que chega já de forma definitiva a consagração da Primavera (tradicionalmente era, aliás, o começo do Verão). Não é casual que seja precisamente agora, neste mês, quando proliferam por todo o País tantas “festas da primavera”.

Regressam a casa depois dum duro inverno fora os moços do Cório (como os irlandeses fianna), para celebrarem estas datas com o resto do seu Clã.

Como o Magusto (Samain), os Maios supõem um trânsito, o outro fito da divisão da Roda do Ano em duas partes, a mudança esta vez da metade escura do ano cara a luminosa, de Giamos a Samos. Retoma o lume guardado por Druidas e Druidesas o seu simbolismo fulcral, leva-se o gado até ele para a sua purificação e saltam homens e mulheres por riba na procura da fertilidade.

Se na Seitura (Lugnasad) preparamos-nos com lume à futura chegada da escuridão, aqui chamamos definitivamente à luz que não para de caminhar cara nós. Invoca-se o bem-estar, os gromos e o calor no rito de Alumiar o Pão, para que a Natureza não se esqueça de nós e dos nossos esforços:

Alumia o pão
Alumia-o bem
Alumia o pão
para o ano que vem

Alumia o pai
cada grão um tolodão
Alumia o filho
cada grão um pão de trigo
Alumia a nai
cada grão um tolodão
Alumia a filha
cada grão um pão de trigo

Como na Seitura, é também bom momento para casamentos e uniões, para desfrutar da sexualidade. É o grande festival da fecundidade, do esplendor da natureza, da fartura, das crianças. É uma festa de reconstrução e renovação. Assim, elabora-se o Maio, uma figura inteiramente vegetal – se calhar com algum ovo que a Lebre já cedeu a pedido de Brigantia depois do equinócio  – que representa e centraliza a Natureza, ou uma árvore se se quer, que será passeada por moços e moças; mesmo pode-se vestir uma criança como tal. É a árvore, pois, que indica a chegada sem falho da vida e da luz durante meio ano, em torno à qual todas e todos cantam e dançam em círculos enquanto o Cório bate as suas espadas junto da Tarasca, espinha do Mundo:

Ergue-te Maio
que tanto dormi-che
que passou o Inverno
e ti não o vi-che

De acordo com a tradição galaica celebramos os Maios desde a noite do 30 de Abril, quando (de forma simbólica) se apanhava nos campos alumiados por fachos, cujas cinzas serviam depois de adubo, até o significativo dia 1 de Maio. Depois da juntança de luta da manhã tentaremos percorrer o caminho cara um santuário natural para acabarmos de confeccionar o Maio, acender os lumes, jantar e, em definitiva, desfrutar da alegre protecção de Belenus que, anovado, viaja arredor do Sol no seu carro de cavalos. Temos ainda a ajuda de Návia nos nossos cânticos com o repenique das suas águas, precisas para limpar as feridas. A tríade deste ano fecha-se com a Deusa Íccona Loimina – embora sempre com um pensamento de agredescimento para Brigantia – por se tiver a bem ajudar na apertura de novos caminhos, ela que sabe e pode protege-lo.

Os Maios são uma dessas celebrações populares que mostram à perfeição a continuidade duns costumes e crenças desde a mais remota antiguidade até dia de hoje. Pode que perderam parte do seu significado original e outros foram acrescentados, pode que a maioria da gente não saiba o que está a suceder realmente, mas a tradição tem estas cousas, o fundo perdura, apesar de todas as tentativas de o ocultar ou deturpar.

Belenus está presente, a Natureza está presente, o “axis mundi” está presente, os Córios estão presentes e rodam no sentido da vida, a fertilidade e a alegria estão presentes, e milhares o contemplam e participam nas ruas da Galécia do século XXI. Estamos viv*s e, como sempre fizemos, cantamos e dançamos.

Amanhã é dia de presença nas ruas, por justiça e por festa. Amanhã o País inteiro tinge-se de cor num berro senlheiro. E para quem não conhecera esta festa, eis uma introdução… 😉

As datas de culto, aliás, estendem-se até o dia três e a época dos Maios durante o mês todo, mas neste caso são actividades principalmente pessoais e privadas.

Beltaine, os Lumes de Bel, uma grande e alegre festa em todas as terras célticas

Os Córios: uma chave para compreendermos a nossa “via guerreira”

Imagem

Imagem medieval duma “banda de guerreiros”, herdança dos Córios célticos

A “via guerreira” é um elemento frequentemente citado em muitas tradições espirituais e religiosas como exemplo de superação e logro de objectivos através da tenacidade, constância e esforço pessoal. Noutros casos toma um aspecto mais literal como forma de auto-controlo, melhora física e disciplina marcial. Mas, existe algum fundamento para isto tudo no caso galaico?

Alguns autores e autoras relacionam os Córios galegos com os Fianna irlandeses, ainda que o conceito na Galiza é mais difuso por ser, precisamente, mais antigo e ter mudado mais no tempo.

Os Córios são relacionados primeiramente com um corpo de elite ou protector dos Coronos (príncipes locais). São os seus “campeões”, normalmente jovens solteiros entre 14 e 20 anos que teriam, assim, uma mecanismo para curtirem-se como guerreiros, actuando no limite da Lei. Em ocasiões poderiam actuar como uma espécie de comandos ou grupos peculiares, vivendo fora da comunidade, sempre à espera de ordens. A causa disto, e pela sua indumentária e comportamento (rostos pintados, acções nocturnas, estratégias de combate originais e confusas), poderiam ter dado lugar a outra série de nomes e legendas, como por exemplo a Sociedade do Urso ou a Estadea. À vez, estariam muito ligados à Caça Selvagem, ficando nesta altura totalmente associados à imagem dos Fianna da Irlanda.

O professor André Pena cita na sua tese doutoral (2004):

“… organizados em confrarias ou fianna, quem se acaso durante uma parte do ano actuavam localmente como polícia de fronteiras numa espécie de exército permanente, enquanto que durante outra parte do ano, saindo do seu país e penetrando nas terras dos povos vizinhos (fer tar crich=’um homem trás o território’), tal como os Lusitanos descritos por Diodoro (V, 34, 5), entre outras circunstâncias para vingar as mortes (Crith Gablach 72) e homicídios dos seus compatriotas e camaradas perpetradas pelos habitantes doutros territórios, colocavam-se fora da Lei, cometendo roubos nos países inimigos do Túath ao que eles pertenciam, fazendo-se, daquela, com uma dote ou com um pecúlio pessoal que lhe permitira (morgengabe) o acesso a um matrimónio vantajoso.”

Representação medieval dum guerreiro irlandês, membro duma Fianna

Representação medieval dum guerreiro irlandês, membro duma Fianna

Na versão galega estariam dedicados ao Deus Bandua (Ogmios ou Ogma noutras tradições), a testemunha dos juramentos, o da “magia dos laços”, o que “ata” tanto para unir a tribo como para imobilizar os inimigos. Na etimologia figura a raiz Band- da que derivaria banditus, ou bandidos/banda/bandeira. É dizer, o grupo de gente que realiza estas acções, a bandeira que lhes une.

É interessante como este sistema de organização militar há sobreviver como mínimo até a Idade Média, pois era um sistema útil para os poderes locais. De facto, a estrutura sócio-territorial céltica em geral adapta-se mas mantém-se até hoje em dia. A supervivência medieval dos Córios vem reflectida nas referências à aula comitis, embora nessa época tinham já perdido o seu significado não tanto como corpo de elite, mas sim como forma de aprendizagem, de guerreiros e guerreiras dedicadas a uma Deidade em concreto. Contudo, a estrutura fica.

Em relação a esse “endurecimento” ou treino como guerreiros, supõe-se que o Cório estava associado a duas celebrações principais: Magusto (Samhain), quando celebrariam com a comunidade para o dia a seguir partirem ao monte e desaparecerem até os Maios (Beltaine), quando poderiam voltar a se reintegrarem depois do inverno fora. É dizer, as mesmas pautas que a Fianna irlandesa, ainda que se desconhece se permaneciam aquartelados nos ráth dos nobres ou nalgum outro lugar.

Milénios de contacto, comércio, intercâmbio entre gentes que na origem conformaram o mesmo Povo não pode desaparecer na sua totalidade apesar das vicissitudes históricas posteriores. Há, de facto, uma linha de investigação permanentemente aberta e sempre frutífera entre a Galécia e a Irlanda.

Talvez, no futuro, a IDG possa abrir uma “via guerreira”, sob auspícios de Bandua e, claro está, de Brigantia (patrona das artes marciais, entre outras cousas) e ainda Reua…

Estas informações, embora originais da IDG, foram primeiramente publicadas em espanhol (com permissão) num artigo da amiga Hermandad Druida Dun Ailline.

Achega-te Maio junto de mim!

Os Maios (Beltaine) são chegados. A terceira grande celebração do ano a seguir o Magusto (Samain) e o Entroido (Imbolc) começa esta noite, no passo do 30 de Abril ao 1 de Maio.

A roda de nenos e nenas arredor dum Maio (Combarro, PO).

Roda de nenos e nenas arredor dum Maio (Combarro, PO).

Vêm aí os Lumes de Bel (Bel-tené) – o formoso, o belo – e assoma a cabeça a Tarasca do Val, sabendo que chega já de forma definitiva a primavera. Regressam a casa depois dum duro inverno fora os moços do Cório (como os irlandeses fianna), para celebrarem estas datas com o resto do seu Clã.
Como o Magusto (Samain), os Maios supõem um trânsito, o outro fito da divisão da Roda do Ano em duas partes, a mudança definitiva da metade escura do ano à luminosa, de Giamos a Samos. Retoma o lume guardado por Druidas e Druidesas o seu simbolismo fulcral, leva-se o gado até ele para a sua purificação e saltam homens e mulheres por riba na procura da fertilidade. Se no Lugnasad preparamos com lume a futura chegada da escuridão, aqui chamamos definitivamente à luz que não para de caminhar cara nós. Invoca-se o calor, em definitiva o Sol, no rito de Alumiar o Pão:

Alumia o pão
Alumia-o bem
Alumia o pão
para o ano que vem

Alumia o pai
cada grão um tolodão
Alumia o filho
cada grão um pão de trigo
Alumia a nai
cada grão um tolodão
Alumia a filha
cada grão um pão de trigo

É o grande festival da fecundidade, do esplendor da natureza, da fartura. É uma festa de reconstrução e renovação simbolizada também pela morte do deus Maponos pendurado duma árvore, morte temporária pois renasce depois nessa mesma árvore. Assim a Comunidade elabora o Maio, uma figura inteiramente vegetal – se calhar com algum ovo que a Lebre já cedeu a pedido de Brigantia depois do equinócio  – que representa e centraliza a natureza, a essa árvore se se quer, ou escolhe-se uma árvore que será passeada por moços e moças; mesmo pode-se vestir uma criança como tal. É a árvore pois que traz a vida e a luz durante meio ano, em torno à qual todas e todos cantam e dançam em círculos enquanto o Cório bate as suas espadas junto da Tarasca, espinha do Mundo:

Ergue-te Maio
que tanto dormi-che
que passou o inverno
e ti não o vi-che

De acordo com a tradição galaica celebramos os Maios desde a noite do 30 de Abril até o significativo dia 1 de Maio, onde depois da juntança de luta da manhã percorremos o caminho cara um santuário natural com o galho de acabar de confeccionarmos o Maio, acender os lumes, jantar e, em definitiva, desfrutar da alegre proteção de Bel sobre nós e da ajuda de Návia nos nossos cânticos com o repenique das suas águas, sempre precisas para limpar as feridas e completar a ressurreição de Maponos. Amanhã é dia de presença nas ruas, por justiça e por festa. Amanhã o País inteiro tinge-se de cor num berro senlheiro.

As datas de culto, aliás, estendem-se até o dia três, mas neste caso são actividades principalmente pessoais e privadas.

Para mais informações sobre a celebração deste ano – sempre sujeitas à climatologia – contactem sempre.

Beltaine, os Lumes de Bel

Chegam os Maios!

Os Maios (Beltaine) são chegados. A terceira grande celebração do ano após o Magusto (Samain) e o Entroido (Imbolc) começa esta noite, no passo do 30 de Abril ao 1 de Maio.

maiosou2011

Todas e todos somos Natureza. Nos Maios todas e todos somos Verde, mais do que nunca. (Maio na cidade de Ourense, 2011. Foto: EFV)

Vêm aí os Lumes de Bel (Bel-tené) – o formoso, o belo – e assoma a cabeça a Tarasca do Val, sabendo que chega já de forma definitiva a primavera. Regressam a casa depois dum duro inverno fora os moços do Cório (como os irlandeses fianna), para celebrarem estas datas com o resto do seu Clã.
Como o Magusto (Samain), os Maios supõem um trânsito, o outro fito da divisão da Roda do Ano em duas partes, a mudança definitiva da metade escura do ano à luminosa, de Giamos a Samos. Retoma o lume guardado por Druidas e Druidesas o seu simbolismo fulcral, leva-se o gado até ele para a sua purificação e saltam homens e mulheres por riba na procura da fertilidade. Se no Lugnasad preparamos com lume a futura chegada da escuridão, aqui chamamos definitivamente à luz que não para de caminhar cara nós. Invoca-se o calor, em definitiva o Sol, no rito de Alumiar o Pão:

Alumia o pão
Alumia-o bem
Alumia o pão
para o ano que vem

Alumia o pai
cada grão um tolodão
Alumia o filho
cada grão um pão de trigo
Alumia a nai
cada grão um tolodão
Alumia a filha
cada grão um pão de trigo

Maio processional da cidade de Ponte Vedra (2009)

É o grande festival da fecundidade, do esplendor da natureza, da fartura. É uma festa de reconstrução e renovação simbolizada também pela morte do deus Maponos pendurado duma árvore, morte temporária pois renasce depois nessa mesma árvore. Assim a Comunidade elabora o Maio, uma figura inteiramente vegetal – se calhar com algum ovo que a Lebre já cedeu depois do equinócio  – que representa e centraliza a natureza, a essa árvore se se quer, ou escolhe-se uma árvore que será passeada por moços e moças; mesmo pode-se vestir uma criança como tal. É a árvore pois que traz a vida e a luz durante meio ano, em torno à qual todas e todos cantam e dançam em círculos enquanto o Cório bate as suas espadas junto da Tarasca, espinha do Mundo:

Ergue-te Maio
que tanto dormi-che
que passou o inverno
e ti não o vi-che

De acordo com a tradição galaica celebramos os Maios desde a noite do 30 de Abril até o significativo dia 1 de Maio, onde depois da juntança de luta da manhã percorremos o caminho cara um santuário natural com o galho de acabar de confeccionarmos o Maio, acender os lumes, jantar e, em definitiva, desfrutar da alegre protecção de Bel sobre nós e da ajuda de Návia nos nossos cânticos com o repenique das suas águas, sempre precisas para limpar as feridas e completar a ressurreição de Maponos. Amanhã é dia de presença nas ruas, por justiça e por festa. Amanhã o País inteiro tinge-se de cor num berro senlheiro.

As datas de culto, aliás, estendem-se até o dia três, mas neste caso são actividades principalmente pessoais e privadas.

Para mais informações sobre a celebração deste ano – sempre sujeitas à climatologia – contactem sempre.

Beltaine, os Lumes de Bel

Vêm aí os Maios (Beltaine)

Vêm aí os Maios! pode-se berrar já. A terceira grande celebração do ano após o Magusto (Samain) e o Entroido (Imbolc) é iminente.

Todas e todos somos Natureza. Nos Maios todas e todos somos Verde, mais do que nunca. (Maio da cidade de Ourense, 2009)

Vêm aí os Lumes de Bel (Bel-tené) – o formoso, o belo – e assoma a cabeça a Tarasca do Val, sabendo que chega já de forma definitiva a primavera. Regressam a casa depois dum duro inverno fora os moços do Cório (como os irlandeses fianna), para celebrarem estas datas com o resto do seu Clã.
Como o Magusto (Samain), os Maios supõem um trânsito, o outro fito da divisão da Roda do Ano em duas partes, a mudança definitiva da metade escura do ano à luminosa, de Giamos a Samos. Retoma o lume o seu simbolismo fulcral, leva-se o gado até ele para a sua purificação e saltam homens e mulheres por riba na procura da fertilidade. Invoca-se o calor, a luz, em definitiva o Sol no rito de Alumiar o Pão:

Alumia o pão
Alumia-o bem
Alumia o pão
para o ano que vem

Alumia o pai
cada grão um tolodão
Alumia o filho
cada grão um pão de trigo
Alumia a nai
cada grão um tolodão
Alumia a filha
cada grão um pão de trigo

Maio processional da cidade de Ponte Vedra (2009)

 

É o grande festival da fecundidade, do esplendor da natureza, da fartura. É uma festa de reconstrução e renovação simbolizada também pela morte do deus Maponos pendurado duma árvore, morte temporária pois renasce depois nessa mesma árvore. Assim a Comunidade elabora o Maio, uma figura inteiramente vegetal que representa e centraliza a natureza, a essa árvore se se quer, ou escolhe-se uma árvore que será passeada por moços e moças; mesmo pode-se vestir uma criança como tal. É a árvore pois que traz a vida e a luz durante meio ano, em torno à qual todas e todos cantam e dançam em círculos enquanto o Cório bate as suas espadas junto da Tarasca:

Ergue-te Maio
que tanto dormi-che
que passou o inverno
e ti não o vi-che

 

De acordo com a tradição galaica celebramos os Maios desde a noite do 30 de Abril até o significativo dia 1 de Maio, onde depois da juntança da manhã percorremos o caminho cara um santuário natural com o galho de acabar de confeccionarmos o Maio, acender os lumes, jantar e, em definitiva, desfrutar da alegre protecção de Bel sobre nós e da ajuda de Návia nos nossos cânticos com o repenique das suas águas, sempre precisas para limpar as feridas e completar a ressurreição de Maponos.

As datas de culto, aliás, estendem-se até o dia três, mas neste caso são actividades principalmente pessoais e privadas.

Para mais informações sobre a celebração deste ano – sempre sujeitas à climatologia – contactem sempre.

Beltaine, os Lumes de Bel