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Na defesa do nosso património

Petróglifo do Pedroso (Compostela, Galiza). Foto: Leon F Cabeiro (CC) BY 2.0

Nasce a Rede do Património Cultural Galego, um projecto colaborativo de mais de 50 entidades (entre elas já a IDG) que procura a coordenação e apoio mútuo na defesa do dito património nacional.

É certo que uma das eivas habituais no tecido associativo popular galego, vital e dinâmico por uma parte, é a sua fragmentação e dispersão por outra. Porém, os resultados das entidades “muito louvados nas suas áreas de acção, não sempre transcendem nem são avondo visíveis a nível galego […] É preciso dota-las dum instrumento que lhes permita operar naqueles ámbitos administrativos […] que são de difícil acesso“.

Assim, sem perda da sua total independência e continuando o trabalho até o de agora realizado, a Rede visará facilitar a intercomunicação e coordenar esforços perante a destruição diária do nosso legado cultural.

Com ecos do que no seu momento foi para nós o Projecto Nemeton, ou nas linhas estabelecidas na Defesa do Sagrado, a Irmandade Druídica Galaica tentará sempre contribuir positivamente nesta nova casa comum ao pê de, entre outras, a As. ecoloxista ADEGA, A.C. Colectivo A Rula, Mariña Patrimonio, Sociedade Antropolóxica Galega, A.C. Cultura do País, os portais patrimoniogalego.net e Historia de Galicia, As. para a Defensa do Patrimonio Cultural Galego, C.S. Gentalha Do Pichel, etc. Foram elas as que encetaram o caminho há já vários meses e que agora vê a luz.

Reproduzimos literalmente a continuação a primeira declaração conjunta, onde se convida outras entidades afins à participação:

  1. O território galego concentra umha ingente quantidade de bens culturais materiais e imateriais. Som o legado da intensa ocupaçom e uso do território por comunidades humanas desde o princípio dos tempos e a testemunha viva e real das bases da cultura e identidade do nosso país, herdança que queremos preservar.

  2. Este legado constitui, na atualidade, umha enorme fonte de riqueza de muitos tipos: humana, social, cultural e económica. Junto à sua preservaçom como dever por parte das geraçons que se consideram herdeiras desse legado para o futuro, a sua dinamizaçom abre novas oportunidades à nossa sociedade en numerosos âmbitos, constituindo-se como umha das fontes de riqueza com mais possibilidades e, ao mesmo tempo, mais sustentável no nosso território.

  3. Na Galiza existem numerosos movimentos culturais cidadans que exercem umha constate atividade, de base local ou comarcal, de defesa do devandito património, também da sua dinamizaçom, com umha grande eficácia no controlo e vigilância da contorna imediata. Os resultados, muito louvados nas suas áreas de açom, nom sempre transcendem nem som abondo visíveis a nível galego.

  4. Porém, ainda que os danos ao património sempre som locais (a um bem concreto, num momento concreto) tanto a legislaçom como as políticas de património cultural ou as grandes problemáticas (setor florestal, grandes infraestruturas, marco jurídico…) transcendem esse âmbito e condicionam, já que logo, a capacidade de atuaçom de muitas entidades locais. É preciso dota-las dum instrumento que lhes permita operar naqueles âmbitos administrativos (comunidade autónoma, Estado, Uniom Europeia) que som de difícil aceso para umha pequena entidade e na que esta pode exercer um papel pouco representativo.

  5. Na atualidade volve-se viver um interesse por parte de pessoas e grupos da sociedade civil por cuidar o património cultural, participar ativamente na sua preservaçom e gestom. Nom há dúvida de que o papel da Internet, conectando a indivíduos antes ilhados em diferentes lugares e partilhando informaçom, problemáticas e soluçons, incentiva este novo ativismo. A Internet adapta-se com facilidade às estruturas associativas galegas, horizontais, descentralizadas e sem umha hierarquia sólida

  6. Os escassos orçamentos que destinam as Administraçons ao património cultural, as profundas transformaçons da sociedade e das economias rurais e as mudanças legislativas promovidas recentemente pola Administraçom galega estam a afetar de jeito crítico ao nosso património cultural. É o momento de dar um passo que permita enfrentar estes novos desafios, sempre desde o respeito à idiossincrasia das entidades locais e comarcais do país.

  7. Propom-se uma ferramenta conjunta de coordinaçom das asociaçons locais/comarcais e outras de âmbito galego (que também assinam), todas elas de defesa do património, para se dirigir às autoridades, organismos ou entidades pertinentes a prol da salvaguarda do nosso património cultural.

  8. As entidades que assinam este documento comprometem-se a criar sistemas de comunicaçom horizontal, de livre adesom, sem hierarquias, aos que se podam incorporar outras organizaçons com o fim de adesom aos termos nos que se redige o presente documento.

  9. A mecânica de trabalho inicial será o trabalho conjunto e a elaboraçom de iniciativas decididas pola rede que tenham um claro fim de defesa e/ou posta em valor do património cultural e que pola sua natureza ou dimensom precisem dumha escala superior à de cada umha das entidades. Nenhuma organizaçom poderá atuar em nome da Rede e nos casos que se acade unanimidade nomeara-se umha representaçom e aclarando em toda a documentaçom que entidades formam parte dumha iniciativa concreta.

  10. As organizaçons que assinam esta Declaraçom mantêm a sua independência e autonomia e comprometem-se a encetar o caminho cara a criaçom dumha estrutura de coordinaçom de entidades do património.

 

 

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Teoria e prática da cultura

Tripla escada helicoidal, no Museu do Povo Galego, numa mistura de arquitectura e simbologia ancestral.

Tripla escada helicoidal, no Museu do Povo Galego, numa mistura de arquitectura (S. XVII) e simbologia ancestral.

Vem de se realizar na cidade de Ponte Vedra o “Culturgal“, ou grande feira da Cultura Galega, com um grande sucesso apesar de todas as dificuldades e o panorama pessimista que defronta a nossa cultura. Mas, o que é isso da cultura para nós, crentes druídicas? Vejamo-lo de forma muito breve.

A cultura (desde a música até a língua, passando por tudo o demais) e não só o legado dum povo, mas o elo de união de todos os seus integrantes através da história. Que seríamos como humanos sem essa continuidade? Onde ficaria o princípio druídico básico e inescusável da honra e respeito pelos devanceiros e devanceiras? Ou um dos Nove Compromissos druídicos, como é o Compromisso com as Raízes?

A desaparição forçada e acelerada da nossa cultura – como foi o caso desde o S. XX para a Galiza – implica uma série de desajustes sociais e psicológicos bem tangíveis e sérios que dificultam, por exemplo e para dar um caso muito prático, a auto-organização política e territorial, que leva a (mais exemplos) o deterioro ambiental, pobreza relativa estrutural, etc.

É dizer, todo colectivo humano não consciente do seu passado e que não compreenda, embora seja de forma elementar o por quê dos seus hábitos e costumes, está destinado a um mau fim.

O orgulho pela cultura própria deve ser entendido, pois, nesse conhecimento e nessa adaptação das tradições e saber acumulado ao mundo que vivemos, para conduzi-lo onde queremos, como sabemos, como a nossa única forma digna de estarmos nesse mundo.

Noutros lugares talvez não precisem relembrar o passado, nós por desgraça sim, assim como colocá-lo em valor.

E repetimos, a cultura é algo muito abrangente, desde a forma de habitar o espaço físico que vivemos à língua que falamos, e isso é o que está a perder o nosso Povo sem escolha consciente. Não fiquem nunca unicamente com o aspecto “folclorista” ou “nostálgico”.

Porém, estudemos a nossa história, viajemos pela nossa geografia, conheçamos as nossas gentes, falemos a nossa língua, vivamos e partilhemos a nossa cultura com o mundo e fiquemos sendo melhores pessoas. Exija-mos ser 100% galegos e galegas sem complexos, em toda parte, a todas horas, todos os dias do ano.

Natureza céltica

Eu sou o falcão sobre o rochedo,
Eu sou uma gota dourada do Sol,
Eu sou a mais bela das flores,
Eu sou um javarim fachendoso,
Eu sou um salmão na lagoa,
Eu sou a arte do poeta e a palavra de conhecimento
(Amergin, Druida e Bardo dos Milésios)

 

Esta página e as suas ramificações – em Facebook e Twitter – pretendem funcionar como referência e via de comunicação dos e das Caminhantes da IDG e, por extensão, da Comunidade druídica galaica. Isto implica que resida aqui também uma labor de divulgação da cultura céltica e forma de entender a vida sob a perspectiva da Druidaria, para quem quiser ler.

Deste jeito, um dos primeiros e mais óbvios passos é escrebar (meditar) e redescobrir aspectos concretos e visíveis da Natureza, como as árvores ou os animais, já que a Natureza, entendida como a totalidade do Cosmos, é o cerne de toda a filosofia e religião druídica.

Se bem até é popularmente conhecido que as plantas e árvores em geral, e algumas em particular, estão sempre presentes e são especialmente importantes na Druidaria, há quem tende a esquecer a relevância do significado dos animais e mesmo a existência de ‘animais guia’ para cada pessoa, às vezes presentes como manifestações directas das próprias deidades. De facto, alguns nomes tribais derivam destes animais guia, protectores de cada Clã. Os animais na Druidaria não são simplesmente ‘parte da paisagem’ ou ‘mais uma cousa’ desse todo da Natureza, antes pelo contrário, constituem como as árvores um elemento fulcral a ser estudado. Lembre-se, por exemplo, que de acordo com a religião druídica pode existir transmutação de ou para um animal (não de ou para uma árvore) e isto é considerado perfeitamente normal, embora não habitual.

Assim, aos poucos, quase que a modo de “artigos temáticos”, fará-se uma breve apresentação aberta de quem é quem, como se associam e que representam diferentes animais, e não só, na nossa cultura e religião.

Cavalos

 

Publicações até o momento:

O Corvo

O Gato