Druidaria e saúde – Druidry and health

(scroll down for English version)

A Natureza é tudo – Nature is everything

Há quem se pergunta sobre a relevância ou a conexom da Druidaria com situaçons como o actual alarme sanitário provocado polo coronavírus COVID-19.

Se bem a IDG emitiu um comunicado inicial de teor mais social, é certo que desde o ponto de vista estritamente religioso podemos (e devemos) reflexionar sobre o lugar das nossas Deidades e interrogar as nossas crenças em relaçom ao tema da saúde física e sanaçom.

Repete-se muito, e nom por isso é menos importante insistirmos, que a Druidaria nom contempla nada “sobrenatural”, tal conceito nom existe, pois nada está fora da Natureza.
A Natureza é o absoluto, desde o mais pequeno elemento de construçom da realidade até o conjunto inteiro de toda existência. Nada fica fora nem é externo, e tamém nom as nossas Deidades, que operam dentro dela.

Na nossa crença as Deidades derivam da Natureza, pois nom acreditamos na criaçom exógena (eis Elas nom criam da nada). Elas e nós avançamos num constante fluir pode que mais rápido, pode que mais lento, pode que a velocidades muito desiguais, e isso explica a ordem intrínseca dentro dessa Natureza (percebemos a ordem porque formamos parte dela), onde à vez tudo fica sempre interligado.
Desta maneira na Druidaria nom existe um único deus supremo ou criador, nem conceito de salvaçom, pecado, revelaçons, milagres ou tantas outras ideias presentes noutras religions. As nossas Deidades predicam com o exemplo, mostram e ensinam esse caminho, som mestres e mestras para quem quiser acompanhar.

Isto tudo é importante na compreensom dos fenómenos naturais que se desenrolam, precisamente, dos mecanismos inerentes da Natureza e que som estudados pola ciência. De facto, a ciência é totalmente imprescindível para um melhor entendimento da sociedade, história e da Natureza e, em consequência, para um melhor conhecimento da própria Druidaria. Quanto mais preciso e definitivo o saber científico, mais precisa e acertada a nossa percepçom da realidade e, portanto, melhor entenderemos os processos que nos relacionam com o resto do Cosmos.
Nom esqueçamos que os Durbedes (Druidas e Druidesas de antano) eram, entre outras cousas, os cientistas e médicos da sua época.

Assim pois, é um mal como umha pandemia “culpa” das Deidades? Em absoluto. Nom é “culpa” de ninguém, a Natureza nom entende dessas “culpas”. Um vírus como ser vivo é mais um elemento que tem o seu momento e o seu lugar, como temos nós, e nessa dialéctica estranha age a doença contra as nossas defesas, a sua adaptaçom contra a nossa medicina, o seu proveito contra o nosso descuido ou malfazer.

Som as Deidades insensíveis ao nosso sofrimento? Nom, claro, mas a realidade é que a maioria de nós crescemos numha sociedade onde o divino disque é misericordioso, amoroso e que exige às crentes sujeiçom às suas regras em troca da concessom da sua ajuda e apoio. Na Druidaria essa troca nom acontece assim, nom seria justo, como nom o seria um mestre ou mestra dar as respostas do exame.

O Deus Endovélico /|\, sábio Senhor da Medicina e da Investigaçom, é o exemplo do estudioso perene, procurando fórmulas, encontrando soluçons. Esse é o modelo, essa é a inspiraçom que nos pode sussurrar nas nossas conversas e petiçons. Ele é luminoso, mas o seu lar pode estar no mais profundo, agochado entre as rochas, onde pode trabalhar tranquilo e aprender o que fica no escuro e nom toda a gente vê. E ainda assim, a sua porta está aberta como a do gabinete desse professor a quem ir consultar, mas que nom vai fazer a tarefa por nós.

Sim, a religiom e filosofia celta requer trabalho, esforço, onde há ajuda excepcional vinda doutros domínios aos que nom temos acesso, mas nunca “paranormal”. A Divindade tem esse nome porque assim o ganhou, e nós havemos ganhar o nosso.

Aprendamos. Amemos. Riamos.

O céu ainda nom caiu sobre as nossas cabeças.

 

[in English]

There are those who wonder about the relevance of Druidry or its connection to situations such as the current health alarm triggered by the COVID-19 coronavirus.

Although the IDG issued an initial statement with a more social approach [in Galizan only], it is true that from a strictly religious point of view we can (and must) reflect on the place of our Deities and question our beliefs in relation to the issue of physical health and healing.

We often state, yet it is important to insist on it, that Druidry does not consider anything as being “supernatural”. Such a concept does not exist, because nothing is outside Nature.
Nature is the absolute, from the smallest element in the construction of reality to the whole of all existence. Nothing stays outside or is external, not even our Celtic Deities, who operate within it.

In our belief Deities are derived from Nature, as we do not believe in exogenous creation (hence They do not create out of nothing). Them and us move forward in a constant flow that may be swifter, may be slower, may even go at very uneven speeds, yet this explains the intrinsic order within Nature – we perceive the order because we are part of it – where at the same time everything is interconnected .
Thus, in Druidry there is no single supreme god or creator, neither are there the concepts of salvation, sin, revelation, miracle or so many other ideas present in other religions. Our Deities teach by example, They show the path, They are teachers for those willing to follow on their steps.

This is all important in understanding the natural phenomena that actually unfold the mechanisms inherent in nature which are studied by science. In fact, science is absolutely essential for a better understanding of society, history and Nature and, consequently, for a better knowledge of Druidry itself. The more precise and definitive scientific knowledge, the more precise and accurate our perception of reality will be and, therefore, the better we will understand the processes that bind us to the rest of the Cosmos.
Let us not forget that the Durbedes (ancient Druids) were, among other things, the scientists and doctors or their time.

So are Deities “guilty” of an evil like a pandemic? Not at all. It is nobody’s “guilt” or “fault”, Nature does not care about that. A virus, as a living being, is yet another element that has its moment and its place, as we have, and it is in this strange dialectic where disease acts against our defenses; it is its adaptation against our medicine, its profit against our sloppiness or carelessness.

Are the Deities insensitive to our suffering? Of course not. Still, the reality is that the majority of us grew up in a society where the divine was spoken of as merciful, loving and demanding: demanding that its believers subject themselves to its laws in exchange for concessions of help and support. In Druidry such an exchange does not work like that, it would not be fair, as it would not be fair for a teacher to hand us the exam answers before it starts.

God Endovélico /|\, wise Lord of Medicine and Research, is the example of the tireless scholar, searching out formulas, finding solutions. That is the role model, that is the inspiration being whispered to us in our conversations and petitions. He is full of light, but His home could be in the deepest shadows, hidden away between the rocks, where He can work in peace, learning about the things that lurk in the dark, the things that not everyone sees. However, His door is always open, like a teacher’s office with whom we can confer, but He will surely not do the homework for us.

Yes, Celtic philosophy and religion require work and effort. We can have the most exceptional help coming from other domains we have no access to, but it is never “paranormal”. The Divinity carries that name because it was earned; likewise, we have to earn ours.

Learn. Love. Laugh.

The sky has not fallen on our heads yet.

 

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Cousas (rarinhas) que se dim sobre a Druidaria – (Slightly weird) things said about Druidry

Nom sabemos o que é este invento televisivo, mas um Druida seguro que nom – We don’t know what this TV fabrication is, but sure it is not a Druid

Falamos já sobre alguns equívocos comuns relacionados com o Povo Celta mas… nom é verdade que há ocasions onde podemos ouvir cousas um pouco estranhas sobre a própria Druidaria? Imos tentar resolver aqui algo disso (muitos destes temas som tratados tamém no nosso apartado de ‘perguntas frequentes’).

We have already discussed some common misconceptions about the Celtic People but… isn’t it true that one can sometimes hear somewhat strange things about Druidry itself? Here we try to solve some of that (many of these topics are also covered in our FAQ section).

 

A Druidaria é umha filosofia, umha forma de vida
É isso e muito mais. A Druidaria (ou “Druidismo”) é umha forma de percebermos o mundo através dumha determinada tradiçom e pensamento; é umha forma de relacionamento através dumha série de valores e sentido da justiça. E é umha religiom.
Entendamos que o conceito actual de religiom é umha construçom ocidental que começa no século XVII e acaba de tomar forma no XIX. É portanto umha ideia relativamente nova mas que pode ser aplicável à Druidaria entendida como grupos organizados estáveis arredor dum sistema de crenças. Nem mais nem menos.
A religiom céltica ou druídica está reconhecida oficialmente no Reino Unido, República da Irlanda, Estados Unidos de América, Canadá e Estado Espanhol, e está em vias de reconhecimento noutras jurisdiçons.

Druidry is a philosophy, a way of life
It is that, and much more. Druidry (or “Druidism”) is a way for us to perceive the world through a specific tradition and thought; it is a way to relate to one another through a series of values and sense of justice. And it is a religion.
Do bear in mind that the current concept of religion is a western construction from the 17thC, only to crystallise in the 19th. It is therefore a relatively new idea, although it can be applied to Druidry, understood as stable organised groups within a belief system. No more, no less.
Celtic or Druidic religion is officially recognised in the United Kingdom, Republic of Ireland, United States of America, Canada and the Spanish State, and it is in the process of being recognised in other jurisdictions.

 

A Druidaria nom tem dogmas
A Druidaria séria tem uns preceitos muito claros e específicos, o qual por definiçom som dogmas, por muita má imprensa que tenha esta palavra (como acontece com “religiom”).
Há crenças bem estabelecidas, normas e regras. Nom é um vale tudo sem concretizaçom ou um conjunto abstrato de ideias de inspiraçom “New Age”. Doutra maneira a Druidaria nom teria mantido a sua coerência interna e servido como elemento de coesom na antiga Europa durante tantos séculos. Dito doutro jeito, sem um elevado grau de “ortodoxia” a Druidaria nom poderia ter servido como espinha dorsal da civilizaçom céltica durante tanto tempo em tam diversos lugares.

Druidry has no dogmas
Serious Druidry has a set of very clear and specific tenets which, by definition, are dogmas, regardless of the bad press this word may have (same as with “religion”).
There are well establised beliefs, norms and rules. It is not a shapeless something where anything goes, nor an abstract construct of “New Age”-inspired ideas. Otherwise Druidry would not have held its internal coherence and served as the element of cohesion of ancient Europe for many centuries. In other words, without a high degree of “orthodoxy” Druidry could not have been as the backbone of Celtic Civilisation for such a long time in so many different places.

 

A Druidaria é umha espiritualidade da Natureza
Claro, e tamém honra os Devanceiros e Devanceiras (Ancestrais), reverencia as Deidades, trabalha no dia a dia polo bem da comunidade, luita contra as injustiças sociais, contra o maltrato animal, contra o sexismo, racismo, etc.
Nom é umha religiom passiva ou contemplativa, nunca o foi, ao estar sempre vencelhada ao seu povo, à sua adaptaçom e progresso.
As pessoas crentes nom podem limitar-se a dar passeios polos bosques, cantar cançons de maos dadas e abraçar árvores, que está muito bem e fai-se, mas nom só.

Druidry is Nature spirituality
Of course, and it also honours the Ancestors, reveres the Deities, works for the good of the community on a daily basis, fights against social injustice, against animal abuse, against sexism, racism, etc.
It is not a passive or contemplative religion, it never was, since it has always been linked to its People, to its adaptation and progress.
Druidic practitioners cannot be limited to walks in the forest, singing songs while holding hands and hugging trees, which is all good, but not only.

 

A Druidaria é um caminho pessoal
Cada pessoa vive a Druidaria dumha forma íntima e única, e se bem por vezes toda a gente precisa dum tempo de introspeçom pessoal, nunca há que esquecer que a Druidaria é social, comunitária, onde os laços do clã, da tribo, das famílias, dos amigos e amigas som fundamentais. Sem isso nom pode haver Druidaria.
Umha sociedade celta está formada por indivíduos livres e independentes, mas que contribuem ao bem comum com a sua força, ideias e trabalho.

Druidry is a personal path
Each person lives Druidry in a unique and intimate way, and even if sometimes we all need a time for personal introspection, it must not forgotten that Druidry is social, communitarian, where the bonds of clan, tribe, families and friends are paramount. Without that there cannot be Druidry.
A Celtic society is made up of free and independent individuals, but individuals who contribute to the common good with their strength, ideas and work.

 

A Druidaria é ‘paganismo’ ou ‘neo-paganismo’
Ainda que esses termos podem resultar intuitivos na nossa sociedade identificando crenças pré-cristás, em realidade som altamente imprecisos e até insultantes.
Nom existe umha religiom “pagã” como tal, sendo usada a palavra como um genérico onde incluir crenças totalmente heterogéneas. Aliás, este termo vem imposto historicamente desde umha perspetiva supremacista, englobando aí toda espiritualidade ou crença nom-abraâmica (isto é, nom cristá, muçulmana ou judaica) de forma pejorativa.
Assim, a Druidaria é umha religiom nela mesma, sem necessidade dumha categoria superior.

Druidry is ‘paganism’ or ‘neo-paganism’
Although those terms can seem intuitive in our society as they identify pre-christian beliefs, they are in fact quite imprecise and even insulting.
There is no “pagan” religion as such. This word is used as a generic where to include totally miscellaneous beliefs. Moreover, this term has historically been imposed from a supremacist perspective, encompassing any non-abrahamic spiritualities and beliefs (that is, not Christian, Muslim or Jewish) in a pejorative manner.
Thus, Druidry is a religion in itself, with no need for a higher category.

 

Quem segue a Druidaria é Druida ou Druidesa
Esses som títulos que fam referência a umha categoria sacerdotal. Como é óbvio, por ser crente ou seguidor dumha religiom ninguém atinge automaticamente tal status, nem podem ser estes títulos auto-atribuídos sem mais.
Para ser Druida/Druidesa (o que na IDG chamamos Durvate) deve-se empreender e superar um processo formal de estudo e iniciaçom, onde estas pessoas devem ser aceitadas como homens e mulheres de saber entre a sua comunidade e pares, ficando assim ao serviço da tal comunidade.
As pessoas que som simplesmente crentes podem denominar-se Druidistas.

Those who follow Druidry are Druids
These are titles referring to a priestly category. Naturally, being a believer or follower of a religion does not automatically grant anybody such a status, nor can these titles be self-attributed in a whim.
In order to become a Druid (what we call Durvate at IDG) candidates must embark on and complete a formal process of study and initiation, where they must be accepted as men and women of knowledge amongst their community and peers, therefore remaining in the service of said community.
People who are simply believers may be called Druidists.

 

O povo celta era um povo sábio e harmonioso, assim como os seus Druidas e Druidesas
Havia um pouco de tudo, como em toda parte. O povo celta ancestral (embora relativamente avançado) nom era perfeito, assim como nom o eram os seus líderes políticos e espirituais, que eram tam humanos como nós.
Dito isto, igual que nós sabemos agora cousas que eles nom sabiam, eles sabiam cousas que nós desconhecemos e que nom nos viria mal descobrir… E nessas andamos.
Abofé que temos muito e bom que aprender e muito que actualizar e adaptar à nossa fracassada sociedade contemporânea. Só esse processo é já um desafio vital fascinante.

The Celts were a wise and harmonious people, as were their Druids
There was a bit of everything, like anywhere else. The ancient Celts (although relatively advanced) were not perfect, the same as their political and spiritual leaders, who were as human as we are.
Having said that, and just like we now know things they did not know, they did know things we are unaware of and that would do us good… And that is what we are up to.
Sure we have a lot of good stuff to learn and lots to update and adapt to our contemporary failed society. That process alone is a fascinating life challenge in itself.

 

Os cultos transcorriam na Natureza, onde moravam os Druidas e Druidesas
A maioria morava bem no centro das vilas, porta com porta com o rei, rainha ou líder de turno. Um Druida/Druidesa nom era útil nem podia cumprir o seu serviço ao seu povo se andava sempre na floresta apanhando ervas ou meditando em isolamento permanente.
Para os cultos existiam espaços sagrados delimitados, assim como autênticos templos de diferentes formas e tamanhos que chegavam a acolher centenas de assistentes, sem que por isto deixara de haver ritos em espaços mais agrestes.

Cults took place in Nature, where the Druids lived
Most of them lived right in the centre of the town, next door to the king, queen or whoever. Druids were not useful and could not perform their duties if they were at the forest picking up herbs all day or meditating in permanent isolation.
In relation to cults, there were marked sacred spaces as well as true temples with different shapes and sizes, capable of accommodating hundreds of attendants. This does not exclude other rites from taking place in wilder settings.

Verdade, mas nom só – True, but not only 😉

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Druids and Druidry in the 21st century

What would our ancestors think of us? Namely, what would the ancient Druids think of how we conduct Druidic business and organise ourselves?

I guess that, notwithstanding the honest efforts in reviving a fading Tradition, they would be alarmed at our fragmentation …

[We] have an imperative to assemble, talk, move forward, to propose and create rather than always lament how much has been lost and how unfair history has been to our people …

We cannot do that in isolation nor can we dawdle, since modern pressures also deepen the social and cultural deconstruction of our nations. There is a lot of work ahead, but the path we walk should not be a lonely one.

 

This is a reflection of our Durvate Mor (Archdruid), /|\ Milésio, on the future of our Clans and beliefs. In other words, it is a personal observation on the role and preservation of Druidry and Celtic culture and society in the times to come.

Click here for the full text (*.pdf, 85 KB).

This article was first published in A Revista da Tradição Lvsitana, n. 3, ATDL, Nov. 2017. pp. 66-74.

PS. More information about us, in English, >here<

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Artigo de opinião do nosso Durvate Mor, /|\ Milésio, sobre o futuro dos nossos Clãs e crenças. Foi escrito em inglês para favorecer a sua compreensão e debate na Pan-Céltia em geral.

O texto original foi publicado na revista A Revista da Tradição Lvsitana n. 3, ATDL, Nov. 2017. pp. 66-74, e pode-se descarregar em formato pdf >aqui (85 KB)<.

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