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És uma boa selvagem? Are you a good savage?

Reconstrução artística da entrada a um castro celta galaico – Artistic reconstruction of the entrance to a Galician Celtic castro (settlement) / Fonte-Source: Paco Boluda

Talvez tenhas lido o que diziam os romanos sobre este Povo, ou visto algum filme ou série de televisão saída da imaginação de alguém… mas realmente circula muito mito sobre os nossos Devanceiros e Devanceiras. Imos tentar cobrir alguns 😉

Perhaps you’ve read what the Romans said about this People, or seen some film or TV series coming from someone’s imagination, but there really are plenty of clichés circulating about our Ancestors. Let’s try cover some 😉

 

Equívocos comuns sobre as antigas celtas
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Common misconceptions about the ancient Celts
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1. “As celtas eram bárbaras”

Foram em verdade uma grande civilização que perdurou durante séculos.
Organizadas numa rede descentralizada mas perfeitamente funcional, construíram as primeiras grandes estradas europeias (depois reutilizadas pelos romanos) e estabeleceram prósperas rotas de comércio marítimo.
Podem ser vistas como o povo mais “progressista” do seu tempo, onde as mulheres tinham os mesmos direitos que os homens, incluindo a propriedade da terra, divórcio, liderança política ou religiosa, etc. Tinham, de facto, um sistema legal e instituições comuns perfeitamente estabelecidas.
Moravam em assentamentos confortáveis, com saunas e casas decoradas com cores alegres. Homens e mulheres gostavam de vestir roupas finas e sofisticadas, assim como levarem jóias lindamente detalhadas. O seu trabalho em metal era da primeira classe, demonstrando uma habilidade extrema e familiaridade com a geometria avançada.
Eram excelentes poetas e músicos, bem versadas no conhecimento das matemáticas, astronomia e filosofia (reconhecido pelos gregos), um conhecimento que era partilhado pela Kéltia toda (a totalidade do mundo céltico)

Possível coloração duma Pedra Formosa, uma entrada a uma sauna celta galaica – Possible colouring of a Pedra Formosa, an entrance to a Galician Celtic sauna / Fonte-Source: Paco Boluda

1. “The Celts were barbarians”

They were in fact a great civilisation that lasted for centuries.
Organised in a decentralised but perfectly functional network, they built the first major European roads (later reused by the Romans) and established flourishing sea-trade routes.
They can be seen as the most “progressive” People of their time, where women had the same rights as men, including the right to own land, divorce, become leaders, warriors, religious figures, etc. In fact, they had a well-established common legal system and institutions.
They lived in comfortable settlements, with saunas and houses decorated in lively colours. They liked to dress in fine and sophisticated clothes too, as well as wearing beautifully detailed jewelry. Their metalworks were second to none, demonstrating extreme skillfulness and familiarity with advanced geometry.
They were superb poets and musicians, well versed in the knowledge of mathematics, astronomy and philosophy (as stated by the Greeks), a knowledge which was shared all over Keltia (the whole of the Celtic world).

 

2. “Estavam sedentas de sangue e permanentemente em guerra”

Eram basicamente agricultoras e comerciantes.
Estavam realmente bem preparadas para a guerra, no caso de precisarem de se defender (especialmente porque tendiam a viver em comunidades relativamente pequenas), mas as evidências indicam que preferiam estabelecer conexões amigáveis e abrir vias de comunicação.
Nalgumas ocasiões podiam surgir conflitos em relação a roubos de gado e outras brigas menores entre indivíduos ou bandas, mas a guerra a grande escala entre celtas era rara e muitas vezes apaziguada por esforços diplomáticos. As competições desportivas e duelos pessoais “heróicos” eram utilizados frequentemente como mecanismos de resolução de disputas.
Por certo, não corriam despidas como tolas e tolos à batalha. Tinham espadas, escudos, lanças, capacetes e armaduras de jeito. As guerreiras e guerreiros profissionais estavam organizados e usavam hierarquias. Dizia-se que eram muito valentes, isso sim, no limite da temeridade, mas não eram lunáticos.

Torque de Xanceda, Galiza (detalhe) – Torc of Xanceda, Galicia (detail), circa 200-50 BCE / Fonte-Source: Património Nacional Galego

2. “The Celts were bloodthirsty and constantly at war”

They were mostly farmers and traders.
They were indeed well prepared for war, in case they needed to defend themselves (specially since they tended to live in relatively small communities), but evidence mounts as to they preferred to establish friendly connections and open communication routes.
Conflict could arise on occasion in relation to cattle raiding and other forms of minor fighting between individuals or bands, but full scale war among Celts was rare and often appeased by diplomatic efforts. Sporting competitions and “heroic” personal duels were frequently used to resolve disputes.
By the way, they didn’t run naked like crazy into battle either. They had proper swords, shields, spears, helmets and armours. Professional warriors were organised and used ranks. They were said to be quite corageous though, on the verge of fearless, but they were not lunatics.

 

O Calendário de Coligny, a evidência mais importante dum calendário celta galo – The Coligny Calendar, the most important evidence of a Celtic-Gaulish calendar / Fonte-Source: Wikipedia

3. “Eram ágrafas. Não sabiam escrever”

O historiador grego Diodoro da Sicília (S. I AEC) menciona como as celtas “lançavam cartas escritas” às piras funerárias como forma de enviarem umas palavras finais às falecidas. Sim sabiam o que era a escrita.
Dito isto, a escrita provavelmente era considerada sagrada, secreta, ou ambas, usada só para questões de importância.
Os escritos celtas, tomaram a forma que for, tiveram que ser muito escassos e, portanto, perdidos para sempre já que seguramente estavam feitos em materiais perecíveis.
Contudo, deveram fazer-se anotações e registos do seu vasto conhecimento matemático e astronómico, mantido dalguma forma, como demonstra o Calendário de Coligny por exemplo.
Além disso, a aparição relativamente repentina da escritura Ogham na Irlanda por volta do S. IV da nossa era indica que este alfabeto derivou doutro ainda desconhecido, evidenciando que a escrita era conhecida nas línguas celtas mas que foi nessa altura quando o seu uso foi “permitido” em forma de gravados na pedra indicando nomes pessoais, limites de propriedades, etc.

3. “The Celts did not write”

Greek historian Diodorus of Sicily (1stC BCE) mentions how the Celts “threw written letters” into the funerary pyres as a way of sending final words to the dead. So they knew what writing was.
Having said that, writing was probably considered sacred, secret, or both, used only for rather important issues. Celtic writings, whatever form they took, had to be very scarce and thus lost forever as they were probably made in perishable material.
Then again, annotations had to be made and records of their vast mathematical and astronomical knowledge had to be kept somehow, as illustrated in the Coligny Calendar for example.
Furthermore, the relatively sudden apparition of Ogham writing in Ireland around the 4thC of our era indicates that this alphabet arose from another (unknown) scrip, evidencing that writing was known in Celtic languages but it was at that stage when it was “allowed” to take form in stone engravings indicating personal names, property limits, etc.

 

Estamos compreendendo em profundidade a origem e evolução das celtas – We are gaining a deeper understanding on the origins and evolution of the Celts / Fonte-Source: Cunliffe (2010)

4. “As celtas vieram da Europa central”

As celtas são indígenas da Europa Atlântica.
O velho ‘Modelo das Invasões’ – segundo o qual povos Indo-Europeus assentaram na Europa central e depois emigraram para outras partes do continente, dando assim origem às que seriam conhecidas como celtas – está desacreditado. Parecia lógico e foi útil no seu momento como teoria de trabalho, mas a investigação actual vai apoiando a visão das ‘Celtas do Oeste’.
As lendas celtas já nos contavam isso, e agora cada vez mais estudos arqueológicos, linguísticos e genéticos ilustram como a etnogénese das celtas foi um processo gradual que ocorreu na franja litoral sul e oeste da Europa Atlântica.
Em verdade, segundo o Paradigma da Continuidade Paleolítica (PCP), a cultura celta nasceu por volta da área da Galiza e Norte de Portugal actuais (a velha Galécia).

4. “The Celts came from Central Europe

The Celts are indigenous to Atlantic Europe.
The old ‘Invasion Model’ – according to which Indo-European peoples settled in Central Europe and then migrated to other parts of the continent thus giving origin to what would be known as the Celts – has been debunked. It was logical and useful in its time as a working theory, but current research increasingly favours the so-called ‘Celtic from the West’ view.
Celtic legends already told us so, and now increasing archaeological, linguistic and genetic studies illustrate how the ethnogenesis of the Celts was a gradual process that took place on the south and western fringe of Atlantic Europe.
Actually, according to the Paleolithic Continuity Paradigm (PCP), Celtic culture was born around the area of today’s Galicia and Northern Portugal.

 

5. “As celtas praticavam sacrifícios humanos e a escravidão”

Simplesmente não há suficientes evidências disto, apesar do que digam os romanos.
Os sacrifícios humanos eram provavelmente confundidos com execuções, que podiam tomar uma aparência ritual dada a gravidade da situação. Por exemplo, os galos faziam isto cada cinco anos, dando portanto a falsa impressão de um grupo de pessoas estar sendo sacrificado por alguma razão. Em qualquer caso, as execuções eram raras e induzidas antes de nada pelo crime mais grave: negar-se a defender a própria tribo se esta for atacada.
Igualmente, para entendermos o assunto da “escravidão” devemos tomar em consideração que a Lei Celta não estava baseada no castigo mas sim na restauração. Portanto, uma falta ou crime tinha sempre que ser retribuído proporcionalmente da maneira mais directa. Por exemplo, um assassinato podia ser retribuído tornando-se em servo da família do falecido. Então, a “escravidão” nas antigas sociedades celtas deve ser vista mais como uma pena em vez duma instituição.

5. “The Celts practised human sacrifices and slavery”

There is simply not enough evidence for this, despite of what the Romans said.
Human sacrifices were probably mistaken for executions, which could take a ritual appearance given the gravity of the situation. For instance, Gauls conducted those once every five years, hence giving the false impression that a group of people was being ritually sacrificed for whatever reason. In any case, executions were rare and primarily induced by the most serious crime: failing to defend one’s tribe if attacked.
Likewise, in order to understand the “slavery” issue we must take into consideration that Celtic Law was not based on punishment but rather on restoration. Therefore, a fault or a crime always had to be repaid proportionally in the most direct manner. For example, a murder might be repaid by becoming a servant for the family of the deceased. Then, “slavery” in old Celtic societies must be seen more like a penalty rather than an institution.

 

6. “As celtas tocavam a gaita”

Grandes trombetas e chifres sim, percussão também, e harpas a eito, mas não gaitas de fole.
Em verdade, não há menção de gaitas até bastante mais tarde no tempo. Supostamente foram introduzidas por vez primeira na Europa pelos romanos no S. I EC, mas mesmo isso é incerto e não podemos encontrar mais menções até o S. IX. As gaitas galegas aparecem documentadas sem dúvidas a partir do XIII e as escocesas desde o XVI.
A gaita e instrumentos similares são bastante comuns arredor do mundo, assim que não têm muito de exclusivo. Não obstante, estão já totalmente integradas no folclore e estética céltica moderna. Não faz mal, soam bem e são lindas.

6. “The Celts played bagpipes”

Big trumpets and horns, yes, percussion too, and definitely harps, but not bagpipes.
In truth, there is no mention to bagpipes until much later in time. They were allegedly first introduced in Europe by the Romans in 1stC CE, but even that is uncertain and no further mentions can be found until the 9thC. Galician bagpipes are unequivocally documented from the mid 13thC and Scottish from the 16thC.
Bagpipes and similar instruments are quite common around the world, so there’s nothing exclusive about them. Nonetheless, they have been fully incorporated into modern Celtic folklore and visuals. No harm there, they sound and look nice.

 

Druidas modernos fazem cousas glamorosas como… decorarem o salão para a ceia do Magusto! – Modern Druids do glamorous things like… setting up the hall for the Magusto (Celtic New Year) dinner! / Fonte-Source: IDG (2014)

7. “As Druidesas eram seres místicos com poderes mágicos”

E também cavalgavam unicórnios. Vai ser que não.
As celtas não eram uma sociedade ideal e perfeita, como é representado muitas vezes nalgumas narrativas absurdas de inspiração ‘New Age’. Tinham as suas falhas, os seus contratempos e as suas contradições, como toda a gente. O mesmo é aplicável aos seus líderes, que obviamente eram humanos.
Ainda assim, a sua elite intelectual, os Druidas e Druidesas, eram altamente respeitadas e consideradas por cima do resto em termos de reputação. Imaginemos uma combinação de médico, juiz, sacerdote, diplomata, artista, cientista e professor… Um Druida representaria isso tudo para um celta.
A sua formação e treino eram excepcionalmente rigorosos, e a sua autoridade derivava tanto dos seus enormes conhecimentos como da sua vocação de serviço: uma Druidesa trabalhava para a sua comunidade, para ajudar e guiar a outros, e pela preservação geral da sua cultura e crenças. Na maioria das vezes, até os reis e rainhas tinham que consultar com um Druida antes de tomarem qualquer decisão importante.
Eram uma instituição pan-Céltica nelas mesmas. De facto, eram obrigadas a viajar e visitar outras terras celtas na sua etapa formativa, sendo-lhes sempre garantida passagem livre e segura. Não podiam receber dano.
É fácil pois ver por que eram tão reverenciadas nos tempos de antes, como eram temidas pelos romanos (Júlio César considerava-as o inimigo “real” por trás dos guerreiros) e como impressionaram os filósofos gregos.

PD. Este é também o motivo pelo que nós na IDG consideramos que o título de “Druida” (Durvate) não pode ser usado de forma despreocupada – é uma palavra muito grande! – e deve ser ganhado em base a uma dedicação e estudo demonstráveis, além dum reconhecimento por parte dos seus pares e da sua comunidade.

7. “The Druids were mystical beings with magic powers”

And they rode unicorns too. Not.
The Celts were not a perfect ideal society, as it is often portrayed in some naive New-Age-ish narratives. They had their flaws, their setbacks and their contradictions, like anybody else. Same applies to their leaders, who were obviously human.
Still, their intellectual elite, the Druids, were highly respected and were considered to be a cut above the rest in terms of reputation. Let’s imagine the combination of a doctor, a judge, a priest, a diplomat, an artist, a scientist and a teacher… A Druid would represent all that for a Celt.
Their education and training was beyond rigorous and their authority derived from both their enormous knowledge and from their vow of service: a Druid worked for his or her community, to help and guide others, and for the overall preservation of their culture and beliefs. More often than not, a King or Queen had to consult a Druid before taking any important decision.
They were a pan-Celtic institution in themselves; as a matter of fact they were obliged to travel and visit other Celtic lands in their formative years and were always allowed free safe passage. No harm could be done to them.
Thus it is easy to see why they were so revered back in the day, how they were feared by the Romans (Julius Caesar considered them the “real” enemy behind the Celtic warriors) and how they impressed the Greek philosophers.

PS. This is also why we at the IDG consider that the title “Druid” (Durvate) cannot be used lightly – it is a very big word! – and must be earned based on demonstrated dedication and study, plus peer and community recognition.

 

O herói irlandês Cú Chulainn portando o seu amante Ferdiad depois de o matar ao “enfiar um arma secreta no seu ânus” – Irish hero Cú Chulainn carrying his lover Ferdiad after killing him by “thrusting a secret weapon up his anus” / Fonte-Source: Wikipedia – E. Wallcousins (1905)

8. “As celtas eram nativas europeias e portanto um cultural ‘tradicional’ e ‘branca’”

Parvadas.
Quem pretenda ligar as celtas a noções torcidas como “supremacia branca”, “conservadorismo” e similares realmente não tem nem a menor ideia do que está a falar.
As celtas eram similares etnicamente porque misturavam-se em base a uma óbvia proximidade geográfica, mas ainda assim apresentavam diversidade interna e certamente eram um povo imensamente prático.
A cultura celta não tinha problema em assimilar peculiaridades de outros se isto significava uma melhora. Como comerciantes gostavam de importar novos bens e ferramentas, também novas ideias se estas eram consideradas vantajosas.
Não existem indicações onde discriminaram a ninguém só pela sua mera aparência. Antes o contrário, a Hospitalidade (acolher o visitante ou o estranho que vem em paz) é uma peça fundamental da ética céltica; considera-se um dos pilares do bom comportamento social celta.
Igualmente, a sua visão do matrimónio, família e sexo (incluindo práticas homossexuais e bissexuais) nada tem a ver com o que hoje em dia é entendido como “tradicional”.
A beatice moderna certamente os teria surpreendido, quase tanto como surpreendiam no seu momento às – em comparação – atrasadas sociedades gregas e romanas, sem entrar a falar das cristãs…

8. “The Celts were native Europeans, therefore a ‘traditional’ and ‘white’ culture”

Nonsense.
Those pretending to link the Celts to twisted notions such as “white power”, “conservatism” and the likes really don’t have the faintest idea about what they are talking about.
The Celts were ethnically similar basically because they would mingle with each other due to obvious geographical proximity, but they still showed internal diversity and certainly were an immensely practical People.
Celtic culture had no problem assimilating traits of others if that meant an improvement. As traders, they liked to import new goods and tools, same with new ideas if they were deemed beneficial.
No record exists where they’d ostracise anyone based solely on appearance. On the contrary, Hospitality (welcoming the visitor or the stranger who comes in peace) is a fundamental piece of Celtic ethics; it is considered one of the cornerstones of proper social Celtic behaviour.
Likewise, their vision on marriage, family and sex (including homosexual and bisexual practices) has nothing to do with what today is understood as “traditional”.
Modern bigotry would have certainly shocked them, as much as Celtic values did shock the socially backward – in comparison – Roman and Greek societies, let alone Christians…

 

9. “Os nós celtas são genuinamente celtas”

Toda a gente, bom, quase toda a gente, gosta da arte celta.
A arte é provavelmente um dos legados mais duradouros das Celtas, embora muita gente ligue automaticamente a arte celta com o famoso nó celta. Porém, parte do que hoje percebemos como arte celta pode ter outras influências. Os nós celtas tal como os conhecemos seica tomaram essa forma específica nos primórdios da Idade Média. Contudo, parece que as proporções e gosto pelos padrões geométricos vêm dos tempos antigos. Dalguma forma, os nós celtas podem ser uma evolução da arte original, misturados com símbolos usados realmente pelas primeiras celtas.

9. “Celtic knots are genuinely Celtic”

Everybody, well, almost everybody, likes Celtic art.
Artwork is probably one of the most enduring legacies of the Celts, although many automatically link Celtic art to the famous Celtic knot. However, part of what we perceive as Celtic art today may have other influences. Celtic knots as we know them seem to have taken that specific form around the early middle ages. Yet, it looks like the proportions and taste for geometrical patterns do come from ancient times. In a way, Celtic knots might be an evolution of the original artwork, mixed with symbols used by the actual first Celts.

Elaboração e reconstrução de antigas decorações celtas galegas, com base em restos arqueológicos reais – Elaboration and reconstruction of early Celtic-Galician decorations based on actual archaeological remains / Fonte-Source: Paco Boluda

 

10. “Eu sou celta porque…”

Falo uma língua celta? Venho dum país celta? Alguém da minha família veio? Sou alta e loira e tenho olhos azuis? Pode ser. Pode que não.
A cultura é algo complexo, assim como é-o a identidade cultural. Uma cultura viva está composta de elementos chave como língua, literatura e folclore, mas também de cousas não tão óbvias como o padrão de assentamento (como usamos e modelamos o espaço ao nosso redor), percepções sociais e pessoais do tal espaço, história partilhada, leis (postura sobre o que é justo/injusto, legal/ilegal, adequado/impróprio), humor, características psicológicas, cosmovisão, crenças, etc. E por suposto a auto-identificação.
Em resumo, ser celta no S. XXI e tomar consciência desse legado ancestral – todos esses elementos combinados – e perseverar em mantê-lo vivo. Ser celta implica, então, estudar, aprender, respeitar esse passado, mas também mentalizar-se para viver essa identidade duma forma educada e razoável, adaptada aos tempos que vivemos.
Assim pois, não te confies se tens herança celta, pois ainda deves apreciar e cultivar todos os aspectos nomeados. E não penses que não és celta por não teres herança directa… talvez compreendas o que verdadeiramente significa ser celta melhor que o resto de nós!
Oh, a maioria das celtas nem eram tão altas e tinham cabelo escuro. Não caias em estereótipos físicos parvos, não funcionam agora e não funcionavam daquela.

‘Domínio Celta Moderno’ – ‘Modern Celtic Realm’ / Fonte-Source: National Geographic (2006)

10. “I am a Celt because…”

I speak a Celtic language? I come from one of the Celtic countries? Someone in my family did? I’m tall and blonde and have blue eyes? Maybe. Maybe not.
Culture is a complex affair, and so is cultural identity. A live culture is made up of a number of key elements such as language, literature and folklore, but also by not so obvious things such as the settlement pattern (how you use and shape the space around you), personal and social perceptions of said space, shared history, laws (stance on what is fair/unfair, legal/illegal, proper/improper), psychological traits, humour, worldview, spiritual beliefs, etc. And of course self-identification.
In short, being a Celt in the 21stC is gaining awareness of that ancient heritage – all those elements combined – and persevering in keeping it alive. Being a Celt implies, then, studying, learning, respecting that past, but also getting in the right mindset to live that identity in an educated and reasonable manner, adapted to the times we live in.
So don’t take your Celtic heritage for granted in case you already have it because you still have to cherish and cultivate all the mentioned aspects. And don’t think you’re not a Celt because you have no direct heritage… maybe you do get what being a Celt truly is better than the rest of us!
Oh, most Celts were not that tall and did have dark hair. Don’t fall for silly physical stereotypes, they don’t work now and they didn’t back then either.

 

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Que opinas? What do you think?

[GL-PT] Olá! Na IDG podemos levar conta do número de visitas ao nosso web e perfis sociais, mas desconhecemos em verdade a realidade de quem nos visita.

Gostaríamos, com a tua colaboração, poder saber um pouco mais da nossa própria base social. Convidamos-te logo a completares este inquérito (bilíngue) totalmente anónimo.

As respostas serão de grande ajuda para nós; serão, de facto, usadas só de forma interna e confidencial.

Bem haja! /|\

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[EN] Hi! We at the IDG can keep track of the number of visits to our web and public profiles, but we actually do not know more details about our visitors.

With your collaboration, we would like to know that little bit more about our social base. Thus, we invite you to fill in this (bilingual) anonymous questionnaire.

All replies will be of great help to us; they will be used only internally and confidentially.

Thanks a million! /|\

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Druids and Druidry in the 21st century

What would our ancestors think of us? Namely, what would the ancient Druids think of how we conduct Druidic business and organise ourselves?

I guess that, notwithstanding the honest efforts in reviving a fading Tradition, they would be alarmed at our fragmentation …

[We] have an imperative to assemble, talk, move forward, to propose and create rather than always lament how much has been lost and how unfair history has been to our people …

We cannot do that in isolation nor can we dawdle, since modern pressures also deepen the social and cultural deconstruction of our nations. There is a lot of work ahead, but the path we walk should not be a lonely one.

 

This is a reflection of our Durvate Mor (Archdruid), /|\ Milésio, on the future of our Clans and beliefs. In other words, it is a personal observation on the role and preservation of Druidry and Celtic culture and society in the times to come.

Click here for the full text (*.pdf, 85 KB).

This article was first published in A Revista da Tradição Lvsitana, n. 3, ATDL, Nov. 2017. pp. 66-74.

PS. More information about us, in English, >here<

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Artigo de opinião do nosso Durvate Mor, /|\ Milésio, sobre o futuro dos nossos Clãs e crenças. Foi escrito em inglês para favorecer a sua compreensão e debate na Pan-Céltia em geral.

O texto original foi publicado na revista A Revista da Tradição Lvsitana n. 3, ATDL, Nov. 2017. pp. 66-74, e pode-se descarregar em formato pdf >aqui (85 KB)<.

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If you are reading these lines…

The Pan-Celtic flag. You can find it in our Support Page

… it means you are in the right place in case you are looking for information on Galician Druidry or the ancient history and heritage of our Land, which we consider to be the core of the Atlantic Celtic culture.

Anyhow, you are most welcome 🙂

However, you may have noticed that most of our site and regular publications are produced in Galician language only, although some relevant information is also presented in English every now and then (such as our page about Galicia).

Therefore, we would like to invite you to read our specific English page where you will find out a bit more about us and our beliefs.

Also, do not hesitate to contact us (in English, of course) with any questions, and feel free to follow the IDG on Facebook and Twitter.

All the best /|\

[Isto é umha nota de boas-vindas para pessoas que nom percebem galego-português – This is a welcome note for those who don’t understand Galician-Portuguese]

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