Posts Tagged ‘Equinócio’

Alvorada da Terra, no equinócio de Primavera

Não é estranho

O animal desta época, a Lebre, não o é por casualidade. Símbolo de fertilidade, é a encarregada de cuidar do ovo (fruto do ventre – i mbolg) pois Brigantia começa já a ficar cansa…

Esta manhã o Sol detém-se sobre as nossas cabeças, toma fôlegos por um intre na sua viagem enquanto equilibra luzes e trevas. Às 11:29 (norte do Minho; 10:29 no sul) tem lugar o Equinócio de Primavera, quando depois de finalmente alcançar à escuridão na sua corrida, o dia dura tanto como a noite.

É o que muitos e muitas denominam Alban Eilir, “A Luz da Terra”, Mean Earraigh, “Meia Primavera”, ou Alban Talamonos, “O Amencer da Terra”; Ostara nos cultos germânicos e wiccanos, o início do ano astrológico para outros. Nos chamamos-lhe A (Festa da) Alvorada da Terra.

É um dos quatro grandes eventos astronómicos que intercalam as quatro grandes celebrações completando a Roda do Ano.

Continuamos assim o caminho indicado no Entroido (Imbolc). Vai resultando evidente que a chegada dos Maios (Beltaine) e imparável. A natureza cumpre os seus ciclos mais uma vez, por muito que muitos teimem em ignorá-la e daná-la. Por fim vai agromando a vida por toda parte; é óbvio e palpável. Activa-se a fertilidade e maravilhamos-nos de como a planta sabe quando tem que medrar, quando tem que sair do ovo protegido por uma lebre, simbolismo do que significavam os frutos “no ventre” (i mbolg) da Deusa Brigantia, que não parou de sorrir desde o Entroido.

Renovam-se desta forma as intenções do Entroido: continua a preparação, cuidado e sementado da terra, mas esta já reverdesce. Pode-se pôr outra vez a casa em ordem e continuarmos a limpeza, também interior, porque com esta luz podemos ver melhor todo recanto escuro, em toda parte, e não deixarmos nada sem arranjar.

Bom Equinócio de Primavera então. Recebide a acougante Alban Eilir num agarimoso abraço. Empregade bem o tempo da Mean Earraigh. Espreguiçade-vos com o Alban Talamonos. Acordade com a terra.

 

Dizem que não falam as plantas, nem as fontes, nem os pássaros,

nem a onda com os seus rumores, nem com o seu brilho os astros,

dizem-no, mas não é certo, pois sempre quando eu passo,

de mim murmuram exclamam:

Aí vai a tola sonhando

com a eterna primavera da vida e dos campos

e já bem cedo, bem cedo, terá os cabelos canos,

e vê tremendo, aterecida, que cobre a giada o prado.

 

Hai brancas na minha cabeça, hai nos prados giada,

mas eu prossigo sonhando, pobre, incurável sonâmbula

com a eterna primavera da vida que se apaga

e a perene frescura dos campos e as almas,

ainda que os uns esgotam-se e ainda que as outras abrassam.

 

Astros e fontes e flores, não murmuredes dos meus sonhos,

sem eles, como admirarvos nem como viver sem eles?

(Rosalia de Castro, 1884)

pagan_easter

Luz para o Equinócio de Outono

A Festa das Fachas, ainda viva em Taboada e no Savinhao, a receber o Outono.

A Festa das Fachas, ainda viva em Taboada e no Savinhao, a receber o Outono.

Como na Primavera, chega amanhã à tarde um novo equilíbrio perfeito entre dia e noite, entre luz e escuridão, ainda que desta vez marca-se o lento trânsito cara a metade escura do ano (fica perto o passo de Samos a Giamos). É o Mabon, o Alban Elfed, a Noite do Caçador (quando o Sol é finalmente alcançado antes dum novo renascer), o Lar da Colheita. Em definitiva, o Equinócio de Outono: mais um passo na Roda do Ano marcando uma das festividades menores da Druidaria.

Após a grande celebração da plenitude da colheita na Seitura (Lugnasad), revisa-se agora a finalização dessa colheita farturenta, festeja-se o seu cuidado armazenamento para esta nova jeira que pode ser longa e dura, mas que encaramos com optimismo e gratidão pelo já conquistado e tudo o bom acumulado. Estamos prestes, pois, a caminhar cara o ano novo que há chegar na festa do Magusto (Samain) em poucas semanas.

Talvez antecipando a chegada dessa grande noite, a tradição galega celebra este equinócio com o lume da chamada Festa das Fachas, outrora popular em todo o País e que oxalá pudera voltar sê-lo. Assim, desde há milénios pega-se fogo a um fachões de pôla de castinheiro contra a meia noite, enquanto soa a gaita e prepara-se a comida e a bebida, como em toda boa celebração galega.

Com esta despedida, Lugus cai e começa o seu descanso, e nós acougamos com ele, guardados todos e todas por Brigantia primeiro e Bel depois. Cailleach fica avisada. A Cailleach antes fisicamente esplendorosa declina aparentemente em aspecto, mas oferece graças à sua crescente experiência o seu sábio conselho a quem saber perguntar. Ela será agora quem nos aconchegue do seu próprio frio, vento, neve e chuvas. A aparência de vigor era nela um velo cobrindo o fragor da sua temporária juventude. Mas agora muda, agora toma lentamente o seu poder real.

Atenção, isso sim, pois é também época de juízos e recapitulações. Temos que estar preparados e preparadas a partir de agora para aturar os dias frios e as verdades que serão desveladas no Magusto através das mensagens dos nossos seres queridos. É na escuridão quando melhor se pode albiscar a luz.

Celebremos então a previsão feita no passado para o goze do presente e a confiança no futuro.

Vem onde nós o Outono

Dacavalo do ar;

nos caminhos da fraga

os ouriços já abrem.

Sinto-o chegar contente

da eterna viagem

enredando entre as folhas

estreando friagem

(A.M. Fdes.)

O evento astronómico – ligeiramente mutável cada ano – será às 16h21 a norte do Minho, 15h21 a sul, da tarde da Quinta 22 (14h21 UTC).

Uma Primavera de actividades

Não é estranho

O animal desta época, a Lebre, não o é por casualidade. Símbolo de fertilidade, é a encarregada de cuidar do ovo (fruto do ventre – i mbolg) pois Brigantia começa já a ficar cansa…

Entre hoje e amanhã o Sol detém-se sobre as nossas cabeças, toma fôlegos por um intre na sua viagem enquanto equilibra luzes e trevas. Esta madrugada terá lugar o Equinócio de Primavera, quando depois de finalmente alcançar à escuridão na sua corrida, o dia dura tanto como a noite.

É o que muitos e muitas denominam Alban Eilir, “A Luz da Terra”, Mean Earraigh, “Meia Primavera”, ou Alban Talamonos, “O Amencer da Terra”; Ostara nos cultos germânicos e wiccanos, o início do ano astrológico para outros.

É um dos quatro grandes eventos astronómicos que intercalam as quatro grandes celebrações para completar a Roda do Ano.

Continuamos assim o caminho indicado no Entroido (Imbolc). Vai resultando evidente que a chegada dos Maios (Beltaine) e imparável. A natureza cumpre os seus ciclos mais uma vez, por muito que muitos teimem em ignorá-la e daná-la. Por fim vai agromando a vida por toda parte; é óbvio e palpável. Activa-se a fertilidade e maravilhamos-nos de como a planta sabe quando tem que medrar, quando tem que sair do ovo protegido por uma lebre, simbolismo do que significavam os frutos “no ventre” (i mbolg) da Deusa Brigantia, que não parou de sorrir desde o Entroido.

Renovam-se desta forma as intenções do Entroido: continua a preparação, cuidado e sementado da terra, mas esta já reverdesce. Pode-se pôr outra vez a casa em ordem e continuarmos a limpeza, também interior, porque com esta luz podemos ver melhor todo recanto escuro, em toda parte, e não deixarmos nada sem arranjar.

Assim, queremos aproveitar este tempo para construirmos em colectivo, sementar ideias, abrir portas. Em breve a IDG estará apoiando e participando nas V Jornadas Galego-Portuguesas (2 e 3 de Abril), onde teremos a fortuna de aprendermos sobre as nossas origens mais antigas e o Celtismo – a cultura da nossa religião – da mão duma figura mundial nestes temas, o candidato a Prémio Nobel de Literatura Prof. Francesco Benozzo, entre outros convidados e convidadas de prestígio.

Bom Equinócio de Primavera então. Aguardamos ver-vos nas Jornadas na linda localidade de Pitões das Júnias (Montalegre, na raia galego-portuguesa). Recebide a acougante Alban Eilir num agarimoso abraço. Empregade bem o tempo da Mean Earraigh. Espreguiçade-vos com o Alban Talamonos.

 

Dizem que não falam as plantas, nem as fontes, nem os pássaros,

nem a onda com os seus rumores, nem com o seu brilho os astros,

dizem-no, mas não é certo, pois sempre quando eu passo,

de mim murmuram exclamam:

Aí vai a tola sonhando

com a eterna primavera da vida e dos campos

e já bem cedo, bem cedo, terá os cabelos canos,

e vê tremendo, aterecida, que cobre a giada o prado.

 

Hai brancas na minha cabeça, hai nos prados giada,

mas eu prossigo sonhando, pobre, incurável sonâmbula

com a eterna primavera da vida que se apaga

e a perene frescura dos campos e as almas,

ainda que os uns esgotam-se e ainda que as outras abrassam.

 

Astros e fontes e flores, não murmuredes dos meus sonhos,

sem eles, como admirarvos nem como viver sem eles?

(Rosalia de Castro, 1884)

pagan_easter

Ardem as fachas no equinócio de outono

A Festa das Fachas, ainda viva em Taboada e no Savinhao, a receber o Outono.

A Festa das Fachas, ainda viva em Taboada e no Savinhao, a receber o Outono.

Como na Primavera, chega amanhã de manhã um novo equilíbrio perfeito entre dia e noite, entre luz e escuridão, ainda que desta vez marca-se o lento trânsito cara a metade escura do ano (fica perto o passo de Samos a Giamos). É o Mabon, o Alban Elfed, a Noite do Caçador (quando o Sol é finalmente alcançado antes dum novo renascer), o Lar da Colheita, em definitiva o Equinócio de Outono, mais um passo na Roda do Ano marcando uma das festividades menores da Druidaria.

Após a grande celebração da plenitude da colheita na Seitura (Lugnasad), revisa-se agora a finalização dessa seitura farturenta, festeja-se o seu cuidado armazenamento para esta nova jeira que pode ser longa e dura, mas que encaramos com optimismo e gratidão pelo já conquistado e tudo o bom acumulado. Estamos prestes, pois, a caminhar cara o ano novo que há chegar na festa do Magusto (Samain), em poucas semanas.

Talvez antecipando a chegada dessa grande noite, a tradição galega celebra este equinócio com o lume da chamada Festa das Fachas, outrora popular em todo o País e que oxalá pudera voltar se-lo. Assim, desde há milénios prende-se fogo a um fachões de pôla de castinheiro contra a meia noite, enquanto soa a gaita e prepara-se a comida e a bebida, como em toda boa celebração galega.

Com esta despedida, Lugus cai e começa o seu descanso, e nós acougamos com ele, guardados todos e todas por Brigantia primeiro e Bel depois. Cailleach fica avisada. A Cailleach antes fisicamente esplendorosa declina aparentemente em aspecto, mas oferece graças à sua crescente experiência o seu sábio conselho a quem saber perguntar. Ela será agora quem nos aconchegue do seu próprio frio, vento, neve e chuvas. A aparência de vigor era nela um velo cobrindo o fragor da sua temporária juventude. Mas agora muda, agora toma lentamente o seu poder real.

Atenção, isso sim, pois é também época de juízos e recapitulações; temos que estar preparados e preparadas a partir de agora para aturar os dias frios e as verdades que serão desveladas no Magusto através das mensagens dos nossos seres queridos. É na escuridão quando melhor se pode albiscar a luz.

Celebremos então a previsão feita no passado para o goze do presente e a confiança no futuro.

Vem onde nós o Outono

Dacavalo do ar;

nos caminhos da fraga

os ouriços já abrem.

Sinto-o chegar contente

da eterna viagem

enredando entre as folhas

estreando friagem

(A.M. Fdes.)

O evento astronómico – ligeiramente mutável cada ano – será às 9h21 a norte do Minho, 8h21 a sul, da manhã da Quarta 23, e irá nestes dias acompanhado também dum eclipse total de (Super)Lua (noite do 27 ao 28), ou “Eclipse da Super-Lua de Sangue“, algo que não se repetirá até o ano 2033.

Uma grandiosa entrada na Primavera

A primavera entra da mão do eclipse.

Este ano a Primavera entra da mão dum eclipse solar.

Hoje o Sol detém-se sobre as nossas cabeças, toma fôlegos por um intre na sua viagem enquanto equilibra luzes e trevas. Este ano pode que lhe custe um bocado mais, por causa de um sempre espectacular eclipse solar, onde a Galiza será um dos melhores lugares da Europa continental para o observar. E ainda, nas horas de entrada oficial da Primavera, veremos uma “Super Lua“, com o qual desfrutaremos de três fantásticos eventos astronómicos em poucas horas.

Contudo, depois de finalmente alcançar à escuridão na sua corrida, hoje o dia dura tanto como a noite e a noite como o dia: é o equinócio da Primavera, o que muitos e muitas denominam Alban Eilir, “A Luz da Terra”, Mean Earraigh, “Meia Primavera”, ou Alban Talamonos, “O Amencer da Terra”; Ostara nos cultos germânicos e wiccanos, o início do ano astrológico para outros.

É um dos quatro grandes eventos astronómicos que intercalam as quatro grandes celebrações para completar a Roda do Ano.

Continuamos assim o caminho indicado no Entroido (Imbolc). Vai resultando evidente que a chegada dos Maios (Beltaine) e imparável. A natureza cumpre os seus ciclos mais uma vez, por muito que muitos teimem em ignorá-la e daná-la. Por fim vai agromando a vida por toda parte; é óbvio e palpável. Activa-se a fertilidade e maravilhamos-nos de como a planta sabe quando tem que medrar, quando tem que sair do ovo protegido por uma lebre, simbolismo do que significavam os frutos “no ventre” (i mbolg) da Deusa Brigantia, que não parou de sorrir desde o Entroido, e continua.

Renovam-se então as intenções do Entroido: continua a preparação, cuidado e sementado da terra, mas esta já reverdece. Pode-se pôr outra vez a casa em ordem e continuarmos a limpeza, também interior, porque com esta luz podemos ver melhor todo recanto escuro, em toda parte, e não deixarmos nem um canto sem arranjar.

Bom Equinócio da Primavera. Recebide a acougante Alban Eilir num agarimoso abraço. Empregade bem o tempo da Mean Earraigh. Espreguiçade-vos com o Alban Talamonos.

 

Dizem que não falam as plantas, nem as fontes, nem os pássaros,

nem a onda com os seus rumores, nem com o seu brilho os astros,

dizem-no, mas não é certo, pois sempre quando eu passo,

de mim murmuram exclamam:

Aí vai a tola sonhando

com a eterna primavera da vida e dos campos

e já bem cedo, bem cedo, terá os cabelos canos,

e vê tremendo, aterecida, que cobre a giada o prado.

 

Hai brancas na minha cabeça, hai nos prados giada,

mas eu prossigo sonhando, pobre, incurável sonâmbula

com a eterna primavera da vida que se apaga

e a perene frescura dos campos e as almas,

ainda que os uns esgotam-se e ainda que as outras abrassam.

 

Astros e fontes e flores, não murmuredes dos meus sonhos,

sem eles, como admirarvos nem como viver sem eles?

(Rosalia de Castro, 1884)

A Terra veste as cores da Primavera.  Foto: S. Lourenço Sueiro.

A Terra veste as cores da Primavera.
Foto: S. Lourenço Sueiro.

Equinócio de Outono, queimam-se as fachas

A Festa das Fachas, ainda viva em Taboada e no Savinhao.

A Festa das Fachas, ainda viva em Taboada e no Savinhao, a receber o Outono.

Como na Primavera, chega hoje um novo equilíbrio perfeito entre dia e noite, entre luz e escuridão, ainda que desta vez marca-se o trânsito cara a metade escura do ano: passa-se de Samos a Giamos. É o Mabon, o Alban Elfed, a Noite do Caçador (quando o Sol é finalmente alcançado antes dum novo renascer), o Lar da Colheita, em definitiva o Equinócio de Outono, mais um passo na Roda do Ano marcando uma das festividades menores da Druidaria.

Após a grande celebração da plenitude da colheita no Lugnasad, revisa-se agora a finalização dessa seitura farturenta, festeja-se o seu cuidado armazenamento para esta nova jeira que pode ser longa e dura, mas que encaramos com optimismo e gratidão pelo já conquistado e tudo o bom acumulado. Estamos prestes, pois, a caminhar cara o ano novo que há chegar na festa do Magusto (Samain), em poucas semanas.

Talvez antecipando a chegada dessa grande noite, a tradição galega celebra este equinócio com o lume da chamada Festa das Fachas, outrora popular em todo o País e que oxalá pudera voltar se-lo. Assim, prende-se fogo a um fachões de pôla de castinheiro contra a meia noite, enquanto soa a gaita e prepara-se a comida e a bebida, como em toda boa celebração galega.

Com esta despedida, Lug cai e começa o seu descanso, e nós acougamos com ele, guardados todos e todas por Brigantia primeiro e Bel depois. Cailleach fica avisada. A Cailleach antes fisicamente esplendorosa declina aparentemente em aspecto, mas oferece graças à sua crescente experiência o seu sábio conselho a quem saber perguntar. Ela será agora quem nos aconchegue. A aparência de vigor era nela um velo cobrindo a o fragor da sua temporária juventude. Mas agora muda, agora toma lentamente o seu poder real.

Atenção, isso sim, pois é também época de juízos e recapitulações; temos que estar preparados e preparadas a partir de agora para aturar os dias frios e as verdades que serão desveladas no Magusto através das mensagens dos nossos seres queridos.

Celebremos então a previsão feita no passado para o goze do presente e a confiança no futuro.

Vem onde nós o Outono

Dacavalo do ar;

nos caminhos da fraga

os ouriços já abrem.

Sinto-o chegar contente

da eterna viagem

enredando entre as folhas

estreando friagem

(A.M. Fdes.)

Num novo equinócio de Primavera

Hoje o Sol detem-se sobre as nossas cabeças, toma fôlegos por um intre na sua viagem enquanto equilibra luzes e trevas. Depois de finalmente alcançar à escuridão na sua corrida, hoje o dia dura tanto como a noite e a noite como o dia: é o equinócio da primavera, o que muitos e muitas denominam Alban Eilir, “A Luz da Terra”, Mean Earraigh, “Meia Primavera”, ou Alban Talamonos, “O Amencer da Terra”; Ostara nos cultos germânicos e wiccanos, o início do ano astrológico para outros.

É um dos quatro grandes eventos astronómicos que intercalam as quatro grandes celebrações para completar a Roda do Ano.

Continuamos assim o caminho indicado no Entroido (Imbolc). Vai resultando evidente que a chegada dos Maios (Beltaine) e imparável. A natureza cumpre os seus ciclos mais uma vez, por muito que muitos teimem em ignora-la e danifica-la. Por fim vai agromando a vida por toda parte; é óbvio e palpável. Activa-se a fertilidade e maravilhamos-nos de como a planta sabe quando tem que medrar, quando tem que sair do ovo protegido por uma lebre, simbolismo do que significavam os frutos “na barriga” (i mbolg) da deusa Brigantia, que não parou de sorrir desde o Entroido, e continua.

Renovam-se então as intenções do Entroido: continua a preparação, cuidado e sementado da terra, mas esta já reverdece. Pode-se pôr outra vez a casa em ordem e continuarmos a limpeza, também interior, porque com esta luz podemos ver melhor todo recanto escuro, em toda parte, e não deixarmos nem um canto sem arranjar.

Bom Equinócio da Primavera. Recebide a acougante Alban Eilir num agarimoso abraço. Empregade bem o tempo da Mean Earraigh. Espreguiçade-vos com o Alban Talamonos.