Cousas (rarinhas) que se dim sobre a Druidaria – (Slightly weird) things said about Druidry

Nom sabemos o que é este invento televisivo, mas um Druida seguro que nom – We don’t know what this TV fabrication is, but sure it is not a Druid

Falamos já sobre alguns equívocos comuns relacionados com o Povo Celta mas… nom é verdade que há ocasions onde podemos ouvir cousas um pouco estranhas sobre a própria Druidaria? Imos tentar resolver aqui algo disso (muitos destes temas som tratados tamém no nosso apartado de ‘perguntas frequentes’).

We have already discussed some common misconceptions about the Celtic People but… isn’t it true that one can sometimes hear somewhat strange things about Druidry itself? Here we try to solve some of that (many of these topics are also covered in our FAQ section).

 

A Druidaria é umha filosofia, umha forma de vida
É isso e muito mais. A Druidaria (ou “Druidismo”) é umha forma de percebermos o mundo através dumha determinada tradiçom e pensamento; é umha forma de relacionamento através dumha série de valores e sentido da justiça. E é umha religiom.
Entendamos que o conceito actual de religiom é umha construçom ocidental que começa no século XVII e acaba de tomar forma no XIX. É portanto umha ideia relativamente nova mas que pode ser aplicável à Druidaria entendida como grupos organizados estáveis arredor dum sistema de crenças. Nem mais nem menos.
A religiom céltica ou druídica está reconhecida oficialmente no Reino Unido, República da Irlanda, Estados Unidos de América, Canadá e Estado Espanhol, e está em vias de reconhecimento noutras jurisdiçons.

Druidry is a philosophy, a way of life
It is that, and much more. Druidry (or “Druidism”) is a way for us to perceive the world through a specific tradition and thought; it is a way to relate to one another through a series of values and sense of justice. And it is a religion.
Do bear in mind that the current concept of religion is a western construction from the 17thC, only to crystallise in the 19th. It is therefore a relatively new idea, although it can be applied to Druidry, understood as stable organised groups within a belief system. No more, no less.
Celtic or Druidic religion is officially recognised in the United Kingdom, Republic of Ireland, United States of America, Canada and the Spanish State, and it is in the process of being recognised in other jurisdictions.

 

A Druidaria nom tem dogmas
A Druidaria séria tem uns preceitos muito claros e específicos, o qual por definiçom som dogmas, por muita má imprensa que tenha esta palavra (como acontece com “religiom”).
Há crenças bem estabelecidas, normas e regras. Nom é um vale tudo sem concretizaçom ou um conjunto abstrato de ideias de inspiraçom “New Age”. Doutra maneira a Druidaria nom teria mantido a sua coerência interna e servido como elemento de coesom na antiga Europa durante tantos séculos. Dito doutro jeito, sem um elevado grau de “ortodoxia” a Druidaria nom poderia ter servido como espinha dorsal da civilizaçom céltica durante tanto tempo em tam diversos lugares.

Druidry has no dogmas
Serious Druidry has a set of very clear and specific tenets which, by definition, are dogmas, regardless of the bad press this word may have (same as with “religion”).
There are well establised beliefs, norms and rules. It is not a shapeless something where anything goes, nor an abstract construct of “New Age”-inspired ideas. Otherwise Druidry would not have held its internal coherence and served as the element of cohesion of ancient Europe for many centuries. In other words, without a high degree of “orthodoxy” Druidry could not have been as the backbone of Celtic Civilisation for such a long time in so many different places.

 

A Druidaria é umha espiritualidade da Natureza
Claro, e tamém honra os Devanceiros e Devanceiras (Ancestrais), reverencia as Deidades, trabalha no dia a dia polo bem da comunidade, luita contra as injustiças sociais, contra o maltrato animal, contra o sexismo, racismo, etc.
Nom é umha religiom passiva ou contemplativa, nunca o foi, ao estar sempre vencelhada ao seu povo, à sua adaptaçom e progresso.
As pessoas crentes nom podem limitar-se a dar passeios polos bosques, cantar cançons de maos dadas e abraçar árvores, que está muito bem e fai-se, mas nom só.

Druidry is Nature spirituality
Of course, and it also honours the Ancestors, reveres the Deities, works for the good of the community on a daily basis, fights against social injustice, against animal abuse, against sexism, racism, etc.
It is not a passive or contemplative religion, it never was, since it has always been linked to its People, to its adaptation and progress.
Druidic practitioners cannot be limited to walks in the forest, singing songs while holding hands and hugging trees, which is all good, but not only.

 

A Druidaria é um caminho pessoal
Cada pessoa vive a Druidaria dumha forma íntima e única, e se bem por vezes toda a gente precisa dum tempo de introspeçom pessoal, nunca há que esquecer que a Druidaria é social, comunitária, onde os laços do clã, da tribo, das famílias, dos amigos e amigas som fundamentais. Sem isso nom pode haver Druidaria.
Umha sociedade celta está formada por indivíduos livres e independentes, mas que contribuem ao bem comum com a sua força, ideias e trabalho.

Druidry is a personal path
Each person lives Druidry in a unique and intimate way, and even if sometimes we all need a time for personal introspection, it must not forgotten that Druidry is social, communitarian, where the bonds of clan, tribe, families and friends are paramount. Without that there cannot be Druidry.
A Celtic society is made up of free and independent individuals, but individuals who contribute to the common good with their strength, ideas and work.

 

A Druidaria é ‘paganismo’ ou ‘neo-paganismo’
Ainda que esses termos podem resultar intuitivos na nossa sociedade identificando crenças pré-cristás, em realidade som altamente imprecisos e até insultantes.
Nom existe umha religiom “pagã” como tal, sendo usada a palavra como um genérico onde incluir crenças totalmente heterogéneas. Aliás, este termo vem imposto historicamente desde umha perspetiva supremacista, englobando aí toda espiritualidade ou crença nom-abraâmica (isto é, nom cristá, muçulmana ou judaica) de forma pejorativa.
Assim, a Druidaria é umha religiom nela mesma, sem necessidade dumha categoria superior.

Druidry is ‘paganism’ or ‘neo-paganism’
Although those terms can seem intuitive in our society as they identify pre-christian beliefs, they are in fact quite imprecise and even insulting.
There is no “pagan” religion as such. This word is used as a generic where to include totally miscellaneous beliefs. Moreover, this term has historically been imposed from a supremacist perspective, encompassing any non-abrahamic spiritualities and beliefs (that is, not Christian, Muslim or Jewish) in a pejorative manner.
Thus, Druidry is a religion in itself, with no need for a higher category.

 

Quem segue a Druidaria é Druida ou Druidesa
Esses som títulos que fam referência a umha categoria sacerdotal. Como é óbvio, por ser crente ou seguidor dumha religiom ninguém atinge automaticamente tal status, nem podem ser estes títulos auto-atribuídos sem mais.
Para ser Druida/Druidesa (o que na IDG chamamos Durvate) deve-se empreender e superar um processo formal de estudo e iniciaçom, onde estas pessoas devem ser aceitadas como homens e mulheres de saber entre a sua comunidade e pares, ficando assim ao serviço da tal comunidade.
As pessoas que som simplesmente crentes podem denominar-se Druidistas.

Those who follow Druidry are Druids
These are titles referring to a priestly category. Naturally, being a believer or follower of a religion does not automatically grant anybody such a status, nor can these titles be self-attributed in a whim.
In order to become a Druid (what we call Durvate at IDG) candidates must embark on and complete a formal process of study and initiation, where they must be accepted as men and women of knowledge amongst their community and peers, therefore remaining in the service of said community.
People who are simply believers may be called Druidists.

 

O povo celta era um povo sábio e harmonioso, assim como os seus Druidas e Druidesas
Havia um pouco de tudo, como em toda parte. O povo celta ancestral (embora relativamente avançado) nom era perfeito, assim como nom o eram os seus líderes políticos e espirituais, que eram tam humanos como nós.
Dito isto, igual que nós sabemos agora cousas que eles nom sabiam, eles sabiam cousas que nós desconhecemos e que nom nos viria mal descobrir… E nessas andamos.
Abofé que temos muito e bom que aprender e muito que actualizar e adaptar à nossa fracassada sociedade contemporânea. Só esse processo é já um desafio vital fascinante.

The Celts were a wise and harmonious people, as were their Druids
There was a bit of everything, like anywhere else. The ancient Celts (although relatively advanced) were not perfect, the same as their political and spiritual leaders, who were as human as we are.
Having said that, and just like we now know things they did not know, they did know things we are unaware of and that would do us good… And that is what we are up to.
Sure we have a lot of good stuff to learn and lots to update and adapt to our contemporary failed society. That process alone is a fascinating life challenge in itself.

 

Os cultos transcorriam na Natureza, onde moravam os Druidas e Druidesas
A maioria morava bem no centro das vilas, porta com porta com o rei, rainha ou líder de turno. Um Druida/Druidesa nom era útil nem podia cumprir o seu serviço ao seu povo se andava sempre na floresta apanhando ervas ou meditando em isolamento permanente.
Para os cultos existiam espaços sagrados delimitados, assim como autênticos templos de diferentes formas e tamanhos que chegavam a acolher centenas de assistentes, sem que por isto deixara de haver ritos em espaços mais agrestes.

Cults took place in Nature, where the Druids lived
Most of them lived right in the centre of the town, next door to the king, queen or whoever. Druids were not useful and could not perform their duties if they were at the forest picking up herbs all day or meditating in permanent isolation.
In relation to cults, there were marked sacred spaces as well as true temples with different shapes and sizes, capable of accommodating hundreds of attendants. This does not exclude other rites from taking place in wilder settings.

Verdade, mas nom só – True, but not only 😉

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És umha boa selvagem? Are you a good savage?

Reconstruçom artística da entrada a um castro celta galaico – Artistic reconstruction of the entrance to a Galician Celtic castro (settlement) / Fonte-Source: Paco Boluda

Talvez tenhas lido o que diziam os romanos sobre este Povo, ou visto algum filme ou série de televisom saída da imaginaçom de alguém… mas realmente circula muito mito sobre os nossos Devanceiros e Devanceiras. Imos tentar cobrir alguns 😉

Perhaps you’ve read what the Romans said about this People, or seen some film or TV series coming from someone’s imagination, but there really are plenty of clichés circulating about our Ancestors. Let’s try cover some 😉

 

Equívocos comuns sobre as antigas celtas
Baixa este texto em galego aqui: *.pdf, 1 Mb.

Common misconceptions about the ancient Celts
Download this text in English here: *.pdf, 1 Mb.

 

1. “As celtas eram bárbaras”

Forom em verdade umha grande civilizaçom que perdurou durante séculos.
Organizadas numha rede descentralizada mas perfeitamente funcional, construírom as primeiras grandes estradas europeias (depois reutilizadas polos romanos) e estabelecerom prósperas rotas de comércio marítimo.
Podem ser vistas como o povo mais “progressista” do seu tempo, onde as mulheres tinham os mesmos direitos que os homens, incluindo a propriedade da terra, divórcio, liderança política ou religiosa, etc. Tinham, de facto, um sistema legal e instituiçons comuns perfeitamente estabelecidas.
Moravam em assentamentos confortáveis, com saunas e casas decoradas com cores alegres. Homens e mulheres gostavam de vestir roupas finas e sofisticadas, assim como levarem jóias lindamente detalhadas. O seu trabalho em metal era da primeira classe, demonstrando umha habilidade extrema e familiaridade com a geometria avançada.
Eram excelentes poetas e músicos, bem versadas no conhecimento das matemáticas, astronomia e filosofia (reconhecido pelos gregos), um conhecimento que era partilhado pela Kéltia toda (a totalidade do mundo céltico)

Possível coloraçom dumha Pedra Formosa, umha entrada a umha sauna celta galaica – Possible colouring of a Pedra Formosa, an entrance to a Galician Celtic sauna / Fonte-Source: Paco Boluda

1. “The Celts were barbarians”

They were in fact a great civilisation that lasted for centuries.
Organised in a decentralised but perfectly functional network, they built the first major European roads (later reused by the Romans) and established flourishing sea-trade routes.
They can be seen as the most “progressive” People of their time, where women had the same rights as men, including the right to own land, divorce, become leaders, warriors, religious figures, etc. In fact, they had a well-established common legal system and institutions.
They lived in comfortable settlements, with saunas and houses decorated in lively colours. They liked to dress in fine and sophisticated clothes too, as well as wearing beautifully detailed jewelry. Their metalworks were second to none, demonstrating extreme skillfulness and familiarity with advanced geometry.
They were superb poets and musicians, well versed in the knowledge of mathematics, astronomy and philosophy (as stated by the Greeks), a knowledge which was shared all over Keltia (the whole of the Celtic world).

 

2. “Estavam sedentas de sangue e permanentemente em guerra”

Eram basicamente agricultoras e comerciantes.
Estavam realmente bem preparadas para a guerra, no caso de precisarem de se defender (especialmente porque tendiam a viver em comunidades relativamente pequenas), mas as evidências indicam que preferiam estabelecer conexons amigáveis e abrir vias de comunicaçom.
Nalgumhas ocasions podiam surgir conflitos em relaçom a roubos de gado e outras brigas menores entre indivíduos ou bandas, mas a guerra a grande escala entre celtas era rara e muitas vezes apaziguada por esforços diplomáticos. As competiçons desportivas e duelos pessoais “heróicos” eram utilizados frequentemente como mecanismos de resoluçom de disputas.
Por certo, nom corriam despidas como tolas e tolos à batalha. Tinham espadas, escudos, lanças, capacetes e armaduras de jeito. As guerreiras e guerreiros profissionais estavam organizados e usavam hierarquias. Dizia-se que eram muito valentes, isso sim, no limite da temeridade, mas nom eram lunáticos.

Torque de Xanceda, Galiza (detalhe) – Torc of Xanceda, Galicia (detail), circa 200-50 BCE / Fonte-Source: Património Nacional Galego

2. “The Celts were bloodthirsty and constantly at war”

They were mostly farmers and traders.
They were indeed well prepared for war, in case they needed to defend themselves (specially since they tended to live in relatively small communities), but evidence mounts as to they preferred to establish friendly connections and open communication routes.
Conflict could arise on occasion in relation to cattle raiding and other forms of minor fighting between individuals or bands, but full scale war among Celts was rare and often appeased by diplomatic efforts. Sporting competitions and “heroic” personal duels were frequently used to resolve disputes.
By the way, they didn’t run naked like crazy into battle either. They had proper swords, shields, spears, helmets and armours. Professional warriors were organised and used ranks. They were said to be quite corageous though, on the verge of fearless, but they were not lunatics.

 

O Calendário de Coligny, a evidência mais importante dum calendário celta galo – The Coligny Calendar, the most important evidence of a Celtic-Gaulish calendar / Fonte-Source: Wikipedia

3. “Eram ágrafas. Nom sabiam escrever”

O historiador grego Diodoro da Sicília (S. I AEC) menciona como as celtas “lançavam cartas escritas” às piras funerárias como forma de enviarem umhas palavras finais às falecidas. Sim sabiam o que era a escrita.
Dito isto, a escrita provavelmente era considerada sagrada, secreta ou ambas, usada só para questons de importância.
Os escritos celtas, tomaram a forma que for, tiverom que ser escassos e, portanto, perdidos para sempre já que seguramente estavam feitos em materiais perecíveis.
Contudo, ficam anotaçons e registos do seu vasto conhecimento matemático e astronómico, mantido dalgumha forma, como demonstra o Calendário de Coligny por exemplo.
Além disso, a apariçom relativamente repentina da escritura Ogham na Irlanda por volta do S. IV da nossa era indica que este alfabeto derivou doutro ainda desconhecido, evidenciando que a escrita era conhecida nas línguas celtas mas que foi nessa altura quando o seu uso foi “permitido” em forma de gravados na pedra indicando nomes pessoais, limites de propriedades, etc.

3. “The Celts did not write”

Greek historian Diodorus of Sicily (1stC BCE) mentions how the Celts “threw written letters” into the funerary pyres as a way of sending final words to the dead. So they knew what writing was.
Having said that, writing was probably considered sacred, secret, or both, used only for rather important issues. Celtic writings, whatever form they took, had to be very scarce and thus lost forever as they were probably made in perishable material.
Then again, annotations had to be made and records of their vast mathematical and astronomical knowledge had to be kept somehow, as illustrated in the Coligny Calendar for example.
Furthermore, the relatively sudden apparition of Ogham writing in Ireland around the 4thC of our era indicates that this alphabet arose from another (unknown) scrip, evidencing that writing was known in Celtic languages but it was at that stage when it was “allowed” to take form in stone engravings indicating personal names, property limits, etc.

 

Estamos compreendendo em profundidade a origem e evoluçom das celtas – We are gaining a deeper understanding on the origins and evolution of the Celts / Fonte-Source: Cunliffe (2010)

4. “As celtas vinherom da Europa central”

As celtas som indígenas da Europa Atlântica.
O velho ‘Modelo das Invasons’ – segundo o qual povos Indo-Europeus assentarom na Europa central e depois emigrarom para outras partes do continente, dando assim origem às que seriam conhecidas como celtas – está desacreditado. Parecia lógico e foi útil no seu momento como teoria de trabalho, mas a investigaçom actual vai apoiando a visom das ‘Celtas do Oeste’.
As lendas celtas já nos contavam isso, e agora cada vez mais estudos arqueológicos, linguísticos e genéticos ilustram como a etnogénese das celtas foi um processo gradual que ocorreu na franja litoral sul e oeste da Europa Atlântica.
Em verdade, segundo o Paradigma da Continuidade Paleolítica (PCP), a cultura celta nasceu por volta da área da Galiza e Norte de Portugal actuais (a velha Galécia).

4. “The Celts came from Central Europe

The Celts are indigenous to Atlantic Europe.
The old ‘Invasion Model’ – according to which Indo-European peoples settled in Central Europe and then migrated to other parts of the continent thus giving origin to what would be known as the Celts – has been debunked. It was logical and useful in its time as a working theory, but current research increasingly favours the so-called ‘Celtic from the West’ view.
Celtic legends already told us so, and now increasing archaeological, linguistic and genetic studies illustrate how the ethnogenesis of the Celts was a gradual process that took place on the south and western fringe of Atlantic Europe.
Actually, according to the Paleolithic Continuity Paradigm (PCP), Celtic culture was born around the area of today’s Galicia and Northern Portugal.

 

5. “As celtas praticavam sacrifícios humanos e a escravidom”

Simplesmente nom há suficientes evidências disto, apesar do que digam os romanos.
Os sacrifícios humanos eram provavelmente confundidos com execuçons, que podiam tomar umha aparência ritual dada a gravidade da situaçom. Por exemplo, os galos faziam isto cada cinco anos, dando portanto a falsa impressom de um grupo de pessoas estar sendo sacrificado por algumha razom. Em qualquer caso, as execuçons eram raras e induzidas antes de nada polo crime mais grave: negar-se a defender a própria tribo se esta for atacada.
Igualmente, para entendermos o assunto da “escravidom” devemos tomar em consideraçom que a Lei Celta nom estava baseada no castigo mas sim na restauraçom. Portanto, umha falta ou crime tinha sempre que ser retribuído proporcionalmente da maneira mais directa. Por exemplo, um assassinato podia ser retribuído tornando-se em servo da família do falecido. Entom, a “escravidom” nas antigas sociedades celtas deve ser vista mais como umha pena em vez dumha instituiçom.

5. “The Celts practised human sacrifices and slavery”

There is simply not enough evidence for this, despite of what the Romans said.
Human sacrifices were probably mistaken for executions, which could take a ritual appearance given the gravity of the situation. For instance, Gauls conducted those once every five years, hence giving the false impression that a group of people was being ritually sacrificed for whatever reason. In any case, executions were rare and primarily induced by the most serious crime: failing to defend one’s tribe if attacked.
Likewise, in order to understand the “slavery” issue we must take into consideration that Celtic Law was not based on punishment but rather on restoration. Therefore, a fault or a crime always had to be repaid proportionally in the most direct manner. For example, a murder might be repaid by becoming a servant for the family of the deceased. Then, “slavery” in old Celtic societies must be seen more like a penalty rather than an institution.

 

6. “As celtas tocavam a gaita”

Grandes trombetas e chifres sim, percussom tamém, e harpas a eito, mas nom gaitas de fole.
Em verdade, nom há mençom de gaitas até bastante mais tarde no tempo. Supostamente forom introduzidas por vez primeira na Europa pelos romanos no S. I EC, mas mesmo isso é incerto e nom podemos encontrar mais mençons até o século IX. As gaitas galegas aparecem documentadas sem dúvidas a partir do XIII e as escocesas desde o XVI.
A gaita e instrumentos similares som bastante comuns arredor do mundo, assim que nom tenhem muito de exclusivo. Nom obstante, estám já totalmente integradas no folclore e estética céltica moderna. Nom tem mal, soam bem e som lindas.

6. “The Celts played bagpipes”

Big trumpets and horns, yes, percussion too, and definitely harps, but not bagpipes.
In truth, there is no mention to bagpipes until much later in time. They were allegedly first introduced in Europe by the Romans in 1stC CE, but even that is uncertain and no further mentions can be found until the 9thC. Galician bagpipes are unequivocally documented from the mid 13thC and Scottish from the 16thC.
Bagpipes and similar instruments are quite common around the world, so there’s nothing exclusive about them. Nonetheless, they have been fully incorporated into modern Celtic folklore and visuals. No harm there, they sound and look nice.

 

Druidas modernos fazem cousas glamorosas como… decorarem o salom para a ceia do Magusto! – Modern Druids do glamorous things like… setting up the hall for the Magusto (Celtic New Year) dinner! / Fonte-Source: IDG (2014)

7. “As Druidesas eram seres místicos com poderes mágicos”

E tamém cavalgavam unicórnios. Vai ser que nom…
As celtas nom eram umha sociedade ideal e perfeita, como é representado muitas vezes nalgumhas narrativas absurdas de inspiraçom ‘New Age’. Tinham as suas falhas, os seus contratempos e as suas contradiçons, como toda a gente. O mesmo é aplicável aos seus líderes, que obviamente eram humanos.
Ainda assim, a sua elite intelectual, os Druidas e Druidesas, eram altamente respeitadas e consideradas por cima do resto em termos de reputaçom. Imaginemos umha combinaçom de médico, juiz, sacerdote, diplomata, artista, cientista e professor… Um Druida representaria isso tudo para um celta.
A sua formaçom e treino eram excepcionalmente rigorosos, e a sua autoridade derivava tanto dos seus enormes conhecimentos como da sua vocaçom de serviço: umha Druidesa trabalhava para a sua comunidade, para ajudar e guiar a outros, e pola preservaçom geral da sua cultura e crenças. Na maioria das vezes, até os reis e rainhas tinham que consultar com um Druida antes de tomarem qualquer decisom importante.
Eram umha instituiçom pan-Céltica nelas mesmas. De facto, eram obrigadas a viajar e visitar outras terras celtas na sua etapa formativa, sendo-lhes sempre garantida passagem livre e segura. Nom podiam receber dano.
É fácil pois ver por que eram tam reverenciadas nos tempos de antes, como eram temidas polos romanos (Júlio César considerava-as o inimigo “real” por trás dos guerreiros) e como impressionarom os filósofos gregos.

PS. Este é tamém o motivo polo que nós na IDG consideramos que o título de “Druida” (Durvate) nom pode ser usado de forma despreocupada – é umha palavra muito grande! – e deve ser ganhado em base a umha dedicaçom e estudo demonstráveis, além dum reconhecimento por parte dos seus pares e da sua comunidade.

7. “The Druids were mystical beings with magic powers”

And they rode unicorns too. Not.
The Celts were not a perfect ideal society, as it is often portrayed in some naive New-Age-ish narratives. They had their flaws, their setbacks and their contradictions, like anybody else. Same applies to their leaders, who were obviously human.
Still, their intellectual elite, the Druids, were highly respected and were considered to be a cut above the rest in terms of reputation. Let’s imagine the combination of a doctor, a judge, a priest, a diplomat, an artist, a scientist and a teacher… A Druid would represent all that for a Celt.
Their education and training was beyond rigorous and their authority derived from both their enormous knowledge and from their vow of service: a Druid worked for his or her community, to help and guide others, and for the overall preservation of their culture and beliefs. More often than not, a King or Queen had to consult a Druid before taking any important decision.
They were a pan-Celtic institution in themselves; as a matter of fact they were obliged to travel and visit other Celtic lands in their formative years and were always allowed free safe passage. No harm could be done to them.
Thus it is easy to see why they were so revered back in the day, how they were feared by the Romans (Julius Caesar considered them the “real” enemy behind the Celtic warriors) and how they impressed the Greek philosophers.

PS. This is also why we at the IDG consider that the title “Druid” (Durvate) cannot be used lightly – it is a very big word! – and must be earned based on demonstrated dedication and study, plus peer and community recognition.

 

O herói irlandês Cú Chulainn portando o seu amante Ferdiad depois de o matar ao “enfiar um arma secreta no seu ânus” – Irish hero Cú Chulainn carrying his lover Ferdiad after killing him by “thrusting a secret weapon up his anus” / Fonte-Source: Wikipedia – E. Wallcousins (1905)

8. “As celtas eram nativas europeias e portanto umha cultura ‘tradicional’ e ‘branca’”

Parvadas.
Quem pretenda ligar as celtas a noçons torcidas como “supremacia branca”, “conservadorismo” e similares realmente nom tem nem a menor ideia do que está a falar.
As celtas eram similares fisicamente porque misturavam-se em base a umha óbvia proximidade geográfica, mas ainda assim apresentavam diversidade interna e certamente eram um povo imensamente prático.
A cultura celta nom tinha problema em assimilar peculiaridades de outros se isto significava umha melhora. Como comerciantes gostavam de importar novos bens e ferramentas, tamém novas ideias se estas eram consideradas vantajosas.
Nom existem indicaçons onde discriminaram a ninguém só pola sua mera aparência. Antes o contrário, a Hospitalidade (acolher o visitante ou o estranho que vem em paz) é umha peça fundamental da ética céltica; considera-se um dos pilares do bom comportamento social celta.
Igualmente, a sua visom do matrimónio, família e sexo (incluindo práticas homossexuais e bissexuais) nada tem a ver com o que hoje em dia é entendido como “tradicional”.
A beatice moderna certamente os teria surpreendido, quase tanto como surpreendiam no seu momento às – em comparaçom – atrasadas sociedades gregas e romanas, sem entrar a falar das cristãs…

8. “The Celts were native Europeans, therefore a ‘traditional’ and ‘white’ culture”

Nonsense.
Those pretending to link the Celts to twisted notions such as “white power”, “conservatism” and the likes really don’t have the faintest idea about what they are talking about.
The Celts were ethnically similar basically because they would mingle with each other due to obvious geographical proximity, but they still showed internal diversity and certainly were an immensely practical People.
Celtic culture had no problem assimilating traits of others if that meant an improvement. As traders, they liked to import new goods and tools, same with new ideas if they were deemed beneficial.
No record exists where they’d ostracise anyone based solely on appearance. On the contrary, Hospitality (welcoming the visitor or the stranger who comes in peace) is a fundamental piece of Celtic ethics; it is considered one of the cornerstones of proper social Celtic behaviour.
Likewise, their vision on marriage, family and sex (including homosexual and bisexual practices) has nothing to do with what today is understood as “traditional”.
Modern bigotry would have certainly shocked them, as much as Celtic values did shock the socially backward – in comparison – Roman and Greek societies, let alone Christians…

 

9. “Os nós celtas som genuinamente celtas”

Toda a gente, bom, quase toda a gente, gosta da arte celta.
A arte é provavelmente um dos legados mais duradouros das Celtas, embora muita gente ligue automaticamente a arte celta com o famoso nó celta. Porém, parte do que hoje percebemos como arte celta pode ter outras influências. Os nós celtas tal como os conhecemos seica tomarom essa forma específica nos primórdios da Idade Média. Contudo, parece que as proporçons e gosto polos padrons geométricos venhem dos tempos antigos. Dalgumha forma, os nós celtas podem ser umha evoluçom da arte original, misturados com símbolos usados realmente pelas primeiras celtas.

9. “Celtic knots are genuinely Celtic”

Everybody, well, almost everybody, likes Celtic art.
Artwork is probably one of the most enduring legacies of the Celts, although many automatically link Celtic art to the famous Celtic knot. However, part of what we perceive as Celtic art today may have other influences. Celtic knots as we know them seem to have taken that specific form around the early middle ages. Yet, it looks like the proportions and taste for geometrical patterns do come from ancient times. In a way, Celtic knots might be an evolution of the original artwork, mixed with symbols used by the actual first Celts.

Elaboraçom e reconstruçom de antigas decoraçons celtas galegas, com base em restos arqueológicos reais – Elaboration and reconstruction of early Celtic-Galician decorations based on actual archaeological remains / Fonte-Source: Paco Boluda

 

10. “Eu sou celta porque…”

Falo umha língua celta? Venho dum país celta? Alguém da minha família veio? Sou alta e loira e tenho olhos azuis? Pode ser. Pode que nom.
A cultura é algo complexo, assim como é-o a identidade cultural. Umha cultura viva está composta de elementos chave como língua, literatura e folclore, mas tamém de cousas nom tam óbvias como o padrom de assentamento (como usamos e modelamos o espaço ao nosso redor), percepçons sociais e pessoais do tal espaço, história partilhada, leis (postura sobre o que é justo/injusto, legal/ilegal, adequado/impróprio), humor, características psicológicas, cosmovisom, crenças, etc. E por suposto a auto-identificaçom.
Em resumo, ser celta no S. XXI e tomar consciência desse legado ancestral – todos esses elementos combinados – e perseverar em mantê-lo vivo. Ser celta implica, entom, estudar, aprender, respeitar esse passado, mas tamém mentalizar-se para viver essa identidade dumha forma educada e razoável, adaptada aos tempos que vivemos.
Assim pois, nom te confies se tens herança celta, pois ainda deves apreciar e cultivar todos os aspectos nomeados. E não penses que nom és celta por não teres herança directa… talvez compreendas o que verdadeiramente significa ser celta melhor que o resto de nós!
Oh, a maioria das celtas nem eram tam altas e tinham cabelo escuro. Nom caias em estereótipos físicos parvos, nom funcionam agora e nom funcionavam daquela.

‘Domínio Celta Moderno’ – ‘Modern Celtic Realm’ / Fonte-Source: National Geographic (2006)

10. “I am a Celt because…”

I speak a Celtic language? I come from one of the Celtic countries? Someone in my family did? I’m tall and blonde and have blue eyes? Maybe. Maybe not.
Culture is a complex affair, and so is cultural identity. A live culture is made up of a number of key elements such as language, literature and folklore, but also by not so obvious things such as the settlement pattern (how you use and shape the space around you), personal and social perceptions of said space, shared history, laws (stance on what is fair/unfair, legal/illegal, proper/improper), psychological traits, humour, worldview, spiritual beliefs, etc. And of course self-identification.
In short, being a Celt in the 21stC is gaining awareness of that ancient heritage – all those elements combined – and persevering in keeping it alive. Being a Celt implies, then, studying, learning, respecting that past, but also getting in the right mindset to live that identity in an educated and reasonable manner, adapted to the times we live in.
So don’t take your Celtic heritage for granted in case you already have it because you still have to cherish and cultivate all the mentioned aspects. And don’t think you’re not a Celt because you have no direct heritage… maybe you do get what being a Celt truly is better than the rest of us!
Oh, most Celts were not that tall and did have dark hair. Don’t fall for silly physical stereotypes, they don’t work now and they didn’t back then either.

 

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