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Entrevista ao Durvate Mor na imprensa galega

A entrevista tal e como aparece no Novas Galiza, no. 159 (Setembro 2017)

Reproduzimos a continuação o texto completo da entrevista realizada ao nosso Durvate Mor (Arqui-Druida) /|\ Milésio no jornal galego Novas da Galiza.

Este é o texto original que, para a sua publicação em papel na contracapa do número 159 (Setembro 2017) do nomeado mensal, teve que ser editado por questões de espaço e desenho.

Agradecemos ao Novas da Galiza a amável publicação e ao entrevistador, Rubén Melide, o seu interesse e boa disposição.

“A religiosidade popular galega tem bem pouco de católica”
Xoán Milésio, Durvate Mor da IDG
Rubén Melide / Numa terra que através do tempo conservou uma espiritualidade paralela radicalmente diferente do cristianismo oficial, tinha tarde ou cedo que surgir um movimento organizado que fosse diretamente à raiz. É assim que na Galiza de hoje existe a Irmandade Druídica Galaica. Falamos com Xoán Milésio, Durvate Mor da IDG, de diversos aspetos da druidaria galaica.

– Como é que se começa a articular a IDG?

Formalmente nasce no 2011, partindo dumas condições anteriores onde se misturavam convicções e crenças pessoais com um renovado debate sobre o celtismo na nossa terra a raiz de novas investigações. Assim, surge também a necessidade de canalizar um sentimento e organizar as pessoas que o partilham, quando menos oferecer-lhes um lugar de encontro para continuarmos a aprendizagem entre todos e todas.
Esse sentimento era a evidência que, como noutros lugares da Europa, existia na Callaecia uma forma peculiar de ver o mundo, a vida e a morte, uma sensibilidade, uma espiritualidade nativa que como elemento antropológico fulcral necessariamente influiu e influi todo o devir posterior.
Daí, lentamente, a IDG foi madurando até a sua legalização como entidade religiosa em 2015, onde tomou sem vergonha esse adjectivo de “religioso” numa tentativa de exemplificar a seriedade do projecto apesar dos nossos muito humildes números e recursos.
Não esqueçamos, seja dito, que o conceito actual de religião é uma mera construção ocidental que começa no S.XVII e acaba de tomar forma só no S.XIX no ronsel do supremacismo cristão, mas é uma palavra que hoje em dia, nestes contextos, toda a gente percebe como algo minimamente organizado e com vocação de continuidade, e organicamente isso é o que é a IDG.

 

– No vosso web, dizedes nom elaborardes reconstruçons arbitrárias. Porém, ressuscitar, restaurar ou recuperar umha religiom autóctone (quase) desaparecida nom deve ser umha tarefa singela…

É certo que é muito complicado e há quem pense que é impossível, ou até algo de alucinados. Contudo, a verdade é que apesar das informações fragmentadas e da complexidade intrínseca também não é certo que saibamos tanta pouca cousa.
Tem-se dito e feito muito desde o primeiro ressurgir da Druidaria há [300] anos e afortunadamente contamos já com um importante corpo de estudos comparados, que são fundamentais neste tipo de temas.
Digamos que é um trabalho a vários níveis e prolongado no tempo. Começamos por uma análise da nossa própria tradição, entre estudos de antropologia, história, religiosidade popular, etc, que depois podemos contrastar nos mesmos termos com o que sabemos do nosso entorno geográfico natural, que não é outro que a Europa Atlântica.
Pouco a pouco é fascinante descobrir como há certos elementos básicos que encaixam, desde uma determinada ética a uma cosmovisão idêntica. São como peças dum puzzle do que todos temos umas poucas mas onde precisamos pô-las em comum para vermos a imagem completa.

 

– Sempre foi dito que nos territórios herdeiros da antiga Callaecia ficam muitos vestígios da antiga religiosidade pré-cristá, que frequentemente sofreram processos de sincretizaçom. Até que ponto os vossos cultos e formulaçons religiosas bebem destas fontes?

A religiosidade popular “pseudo-católica” – pouco tem de católico o chamado catolicismo galego, mália lhe pese a Martinho de Dume na sua tomba e aos seus herdeiros – frequentemente codifica crenças anteriores bem pouco cristãs. Isso é factual e é um fenómeno habitual entre religiões em contacto ou quando uma é imposta sobre outra.
O assunto é que essas crenças podem ser peneiradas tentando estabelecer a sua origem cronológica implementando, novamente, uma comparativa directa com outros povos europeus vizinhos. A informação derivada é altamente esclarecedora e, logicamente, de grande valor e utilidade para nós.

 

– A Irmandade partilha os princípios gerais da druidaria, também assumidos por outras comunidades druídicas arredor do mundo. Existe algum tipo de coordenaçom com algumha delas?

Existe na actualidade uma crescente comunicação e partilha fluída e directa entre entidades druídicas sérias, embora respeitando a idiossincrasia e total independência de cada uma delas. Existe, de facto, uma aliança internacional onde a IDG foi convidada a participar e que terá um grande encontro na Lusitânia em 2019. Lá estaremos grupos da Gália, Irlanda, Galiza, Brasil, Lusitânia, Itália, Catalunha, e quem fique ainda por se anotar. [ligação do evento]
Por certo, quando falamos de grupos “sérios” referimo-nos a grupos que observam e respeitam uma série de princípios básicos como por exemplo o não-comercialismo, não-racismo ou sexismo, não-proselitismo, com claro carácter ambientalista e sem interferências ou misturas doutros cultos, sem ecleticismos estranhos.

 

– Achegando-nos ao vosso portal web, vemos que celebrades algumha efeméride civil, como o 25 de julho ou o 8 de março, para além de defenderdes certos princípios políticos e sociais. O que tem a druidaria galaica de religiom política?

Por definição uma religião política são ideologias que pelo seu poder imitam as formas das religiões de estado ou adquirem a sua equivalência. Aí a Druidaria não tem nada de religião política, nem de religião de estado, pois defendemos a laicidade total e integral de qualquer estado ou organismo público.
Ora bem, a Druidaria não é um algo abstracto. Não é uma religião passiva ou contemplativa, nunca o foi, ao estar sempre vencelhada a uma comunidade, a um Povo, aos seus interesses e dignidade. A Druidaria não se entende em isolamento, sem a sua gente e o seu entorno, nem antes nem agora.
Evidentemente essa defesa activa do que consideramos correcto, aquilo que encaixa com os nossos princípios e ideais, pode ser entendida como acção política enquanto todo envolvimento social é política, também por definição. Mas é normal. Seria ilógico pensar que um grupo organizado – por muito pacífico ou apartidário que for, como o nosso – não tentara partilhar o que considera pode ser útil para a sociedade onde está inserido, sempre com uma atitude construtiva.
Por exemplo, se uma pessoa Druidista (crente) sabe de ou observa um acto injusto, já não é só o seu dever “civil” ou moral combate-lo, mas também religioso; se não fizera não seria Druidista. Bom, isto levaria-nos outra vez ao debate de que significa realmente a palavra religião…
Assim, há uma série de efemérides e actividades não religiosas nas que a IDG participa alegremente e que estará sempre disposta a apoiar e difundir. Voltando a uma pergunta anterior, o mesmo acontece com outros grupos druídicos sérios arredor do mundo nos seus respectivos territórios.

 

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A via da Caminhante

Ritual de Magusto (2011), aberto ao público em geral.

Ritual de Magusto (2011), aberto ao público em geral.

Frequentemente pergunta-se-nos como é que se pode entrar a formar parte da IDG, indo além do individualismo e fortalecendo um projecto comum. Isto é, como virar Caminhante.

Antes de mais nada, o que é um ou uma Caminhante? É uma pessoa que ingressa na estrutura da Irmandade Druídica Galaica adquirindo um decidido compromisso pessoal e prático – mãos à obra – na ajuda activa à IDG e no que esta defende.

Por exemplo, um Crente é qualquer pessoa que acredite na Druidaria e concorde com a focagem e ideias da IDG, isto é, pode ser alguém anónimo simplesmente a ler estas linhas… E a IDG sempre tentará, dentro das suas humildes possibilidades, estender a sua ajuda e serviços a estes Crentes de forma desinteressada. Mas a figura do Caminhante é diferente, pois esta pessoa pergunta-se “Como posso eu ajudar à Irmandade?”.

Assim, pode haver Crentes que decidam encarar esse compromisso e darem esse passo. Contudo, recomenda-se ler com muita atenção a secção de filiação antes disso, entendendo que a figura de Caminhante é uma figura voluntária não-iniciada (não implica em absoluto nenhum tipo de aspecto sacerdotal) e que, também, uma vez solicitada a inscrição esta pode ser recusada ou condicionada sem mais explicação. Por exemplo, um requisito nesta altura é que nalgum momento do processo deve haver um encontro real com a pessoa candidata.

 

PD. Na IDG não existem quotas para membros nem tarifas pelos nossos serviços religiosos. As nossas despesas são cobertas unicamente através de doações voluntárias e algum material à venda.

Boas-vindas! Welcome!

(scroll down for English version)

Bem-vindos e bem-vindas, todos e todas, a este blogue nesta data especial que marca a apresentação pública da Irmandade Druídica Galaica.

Este era o dia no que tradicionalmente celebrava-se na Galiza o ponto culminante do período do Magusto, ou Samain, o ano novo Celta, no trânsito do 10 ao 11 de Novembro (Noite de Mortos). Pois, a mudança do calendário oficial no S. XVI criou um desajuste de dez dias, algo que não seria esquecido pelos galegos e galegas até séculos depois.

Assim, deste jeito, numa mágica noite de Lua cheia, enceta-se esta nova andaina com a intenção de alumiar uma parte fundamental da tradição espiritual galega, num exercício de orgulho e alegria.

Explorade as secções a vontade. Este espaço e as suas ferramentas associadas noutras plataformas da rede só podem ir crescendo e melhorando. Aliás, este é só o simples começo de algo que há ser construído pela união de aqueles e aquelas que lutam, amam e sentem duma determinada maneira muito especial.

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Welcome everybody to this blog on this special day, marking the public presentation of the Pan-Galician Druidic Fellowship (Irmandade Druídica Galaica).

According to tradition, this was the main day when Magusto, or Samain, the Celtic new year, was celebrated in Galicia, in the transit from the 10th to the 11th of November (Night of the Dead). Indeed, changes to the official calendar in 16thC originated a ten-day discrepancy, a fact that will not be forgotten by Galicians for centuries.

In this fashion, under a magical Full Moon, a new project starts off with the aim of throwing some light on a fundamental aspect of the Galician espiritual tradition, in an excersise of pride and joy.

Do explore the different sections in this site at will. This blog and related internet tools can only grow and improve. Actually, this is just a simple beginning for something that shall be build by the joint effort of those who fight, love and feel in a very particular and special way.

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