Vam 10 🎉

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Iccona Loimina[GL] Dez é um número fácil de dizer, mas o caminho até aqui tivo um pouco de tudo, do fácil e do menos fácil.
Foi por volta destas horas no que este texto é publicado, mas dez anos no passado (2011), quando a IDG disse “olá” ao mundo de forma pública e aberta por primeira vez; dez anos, entom, desde que a IDG existe.

No percurso ficam muitos rituais, muitos encontros, congressos, concertos, textos e palavras, e muita gente disposta a construir cadaquém com o seu melhor. Fica também a “oficializaçom” da Druidaria Galaica em 2015, um acto administrativo outorgado por gentes alheias, mas necessário para dizer que aqui estám as nossas crenças, certezas e valores, cara a cara com quem quiser. Pois é: desde esse momento a Druidaria de nosso é um facto legal.

Quando a IDG nasceu era lógico colocarmo-nos sob a protecçom da Deusa Íccona Loimina /|\ pois Ela é
<<A Da Terra, A Da Égua Branca, A Grande Égua. Senhora dos Cavalos e todos os equídeos. Senhora e protectora dos Caminhos, Viagens e Comunicaçons. Patrona de todos aqueles e aquelas que falam, partilham, informam, divulgam e comunicam com honestidade, assim como de todas aquelas pessoas que viajam, peregrinam ou transportam algo>>

Nas suas maos queremos prosseguir, pois, no tempo que está por vir, e abofé que teremos muito que dizer e fazer no futuro.
Planos hai… e até aqui podemos contar 🙂

Avante! E obrigados/as por nos acompanhar.

 

[EN] Ten is a number easy enough to say, but the path leading us here has had a little bit of everything, easy not so easy parts.
It was around the time of the publication of this text, but ten years in the past (2011), when the IDG said “hello” to the world in an open and public manner for the first time ever. Ten years, then, since the IDG came into existence.

Along the way many rituals were had, many meetings, congresses, concerts, texts and words, and many people have been present willing to contribute with their best. There was also the moment when Galician Druidry became “official” in 2015, an administrative act granted from strangers, but necessary for us to state now that here are our beliefs, certainties and values, face to face with all the rest. Simply put, since that moment our Druidry is a legal fact.

When the IDG was born it was logical to place ourselves under the protection of Goddess Iccona Loimina /|\ because
<<She is of the Land, Of The White Mare, The Great Mare. The Lady of Horses and all of their extended family. Ruler and protector over all pathways, routes, journeys, courses and communications. She is patron of all who speak, who share, spread information and communicate with honesty just as She is of all who journey, who make pilgrimages and transport things>>

We wish to remain in Her hands in the times to come so, and in the hope that we will have a lot to say and do in the future.
There are plans indeed… but this is all we can tell for now 🙂

Marching on! Thank you for walking with us.

Que opinas? What do you think?

[GL-PT] Olá! Na IDG podemos levar conta do número de visitas ao nosso web e perfis sociais, mas desconhecemos em verdade a realidade de quem nos visita.

Gostaríamos, com a tua colaboração, poder saber um pouco mais da nossa própria base social. Convidamos-te logo a completares este inquérito (bilíngue) totalmente anónimo.

As respostas serão de grande ajuda para nós; serão, de facto, usadas só de forma interna e confidencial.

Bem haja! /|\

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[EN] Hi! We at the IDG can keep track of the number of visits to our web and public profiles, but we actually do not know more details about our visitors.

With your collaboration, we would like to know that little bit more about our social base. Thus, we invite you to fill in this (bilingual) anonymous questionnaire.

All replies will be of great help to us; they will be used only internally and confidentially.

Thanks a million! /|\

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Gostas da IDG? Tu podes ajudar a que este trabalho continue – Do you like the IDG? You can help us continuing our work 🙂

 

Entrevista ao Durvate Mor na imprensa galega

A entrevista tal e como aparece no Novas Galiza, no. 159 (Setembro 2017)

Reproduzimos a continuação o texto completo da entrevista realizada ao nosso Durvate Mor (Arqui-Druida) /|\ Milésio no jornal galego Novas da Galiza.

Este é o texto original que, para a sua publicação em papel na contracapa do número 159 (Setembro 2017) do nomeado mensal, teve que ser editado por questões de espaço e desenho.

Agradecemos ao Novas da Galiza a amável publicação e ao entrevistador, Rubén Melide, o seu interesse e boa disposição.

“A religiosidade popular galega tem bem pouco de católica”
Xoán Milésio, Durvate Mor da IDG
Rubén Melide / Numa terra que através do tempo conservou uma espiritualidade paralela radicalmente diferente do cristianismo oficial, tinha tarde ou cedo que surgir um movimento organizado que fosse diretamente à raiz. É assim que na Galiza de hoje existe a Irmandade Druídica Galaica. Falamos com Xoán Milésio, Durvate Mor da IDG, de diversos aspetos da druidaria galaica.

– Como é que se começa a articular a IDG?

Formalmente nasce no 2011, partindo dumas condições anteriores onde se misturavam convicções e crenças pessoais com um renovado debate sobre o celtismo na nossa terra a raiz de novas investigações. Assim, surge também a necessidade de canalizar um sentimento e organizar as pessoas que o partilham, quando menos oferecer-lhes um lugar de encontro para continuarmos a aprendizagem entre todos e todas.
Esse sentimento era a evidência que, como noutros lugares da Europa, existia na Callaecia uma forma peculiar de ver o mundo, a vida e a morte, uma sensibilidade, uma espiritualidade nativa que como elemento antropológico fulcral necessariamente influiu e influi todo o devir posterior.
Daí, lentamente, a IDG foi madurando até a sua legalização como entidade religiosa em 2015, onde tomou sem vergonha esse adjectivo de “religioso” numa tentativa de exemplificar a seriedade do projecto apesar dos nossos muito humildes números e recursos.
Não esqueçamos, seja dito, que o conceito actual de religião é uma mera construção ocidental que começa no S.XVII e acaba de tomar forma só no S.XIX no ronsel do supremacismo cristão, mas é uma palavra que hoje em dia, nestes contextos, toda a gente percebe como algo minimamente organizado e com vocação de continuidade, e organicamente isso é o que é a IDG.

 

– No vosso web, dizedes nom elaborardes reconstruçons arbitrárias. Porém, ressuscitar, restaurar ou recuperar umha religiom autóctone (quase) desaparecida nom deve ser umha tarefa singela…

É certo que é muito complicado e há quem pense que é impossível, ou até algo de alucinados. Contudo, a verdade é que apesar das informações fragmentadas e da complexidade intrínseca também não é certo que saibamos tanta pouca cousa.
Tem-se dito e feito muito desde o primeiro ressurgir da Druidaria há [300] anos e afortunadamente contamos já com um importante corpo de estudos comparados, que são fundamentais neste tipo de temas.
Digamos que é um trabalho a vários níveis e prolongado no tempo. Começamos por uma análise da nossa própria tradição, entre estudos de antropologia, história, religiosidade popular, etc, que depois podemos contrastar nos mesmos termos com o que sabemos do nosso entorno geográfico natural, que não é outro que a Europa Atlântica.
Pouco a pouco é fascinante descobrir como há certos elementos básicos que encaixam, desde uma determinada ética a uma cosmovisão idêntica. São como peças dum puzzle do que todos temos umas poucas mas onde precisamos pô-las em comum para vermos a imagem completa.

 

– Sempre foi dito que nos territórios herdeiros da antiga Callaecia ficam muitos vestígios da antiga religiosidade pré-cristá, que frequentemente sofreram processos de sincretizaçom. Até que ponto os vossos cultos e formulaçons religiosas bebem destas fontes?

A religiosidade popular “pseudo-católica” – pouco tem de católico o chamado catolicismo galego, mália lhe pese a Martinho de Dume na sua tomba e aos seus herdeiros – frequentemente codifica crenças anteriores bem pouco cristãs. Isso é factual e é um fenómeno habitual entre religiões em contacto ou quando uma é imposta sobre outra.
O assunto é que essas crenças podem ser peneiradas tentando estabelecer a sua origem cronológica implementando, novamente, uma comparativa directa com outros povos europeus vizinhos. A informação derivada é altamente esclarecedora e, logicamente, de grande valor e utilidade para nós.

 

– A Irmandade partilha os princípios gerais da druidaria, também assumidos por outras comunidades druídicas arredor do mundo. Existe algum tipo de coordenaçom com algumha delas?

Existe na actualidade uma crescente comunicação e partilha fluída e directa entre entidades druídicas sérias, embora respeitando a idiossincrasia e total independência de cada uma delas. Existe, de facto, uma aliança internacional onde a IDG foi convidada a participar e que terá um grande encontro na Lusitânia em 2019. Lá estaremos grupos da Gália, Irlanda, Galiza, Brasil, Lusitânia, Itália, Catalunha, e quem fique ainda por se anotar. [ligação do evento]
Por certo, quando falamos de grupos “sérios” referimo-nos a grupos que observam e respeitam uma série de princípios básicos como por exemplo o não-comercialismo, não-racismo ou sexismo, não-proselitismo, com claro carácter ambientalista e sem interferências ou misturas doutros cultos, sem ecleticismos estranhos.

 

– Achegando-nos ao vosso portal web, vemos que celebrades algumha efeméride civil, como o 25 de julho ou o 8 de março, para além de defenderdes certos princípios políticos e sociais. O que tem a druidaria galaica de religiom política?

Por definição uma religião política são ideologias que pelo seu poder imitam as formas das religiões de estado ou adquirem a sua equivalência. Aí a Druidaria não tem nada de religião política, nem de religião de estado, pois defendemos a laicidade total e integral de qualquer estado ou organismo público.
Ora bem, a Druidaria não é um algo abstracto. Não é uma religião passiva ou contemplativa, nunca o foi, ao estar sempre vencelhada a uma comunidade, a um Povo, aos seus interesses e dignidade. A Druidaria não se entende em isolamento, sem a sua gente e o seu entorno, nem antes nem agora.
Evidentemente essa defesa activa do que consideramos correcto, aquilo que encaixa com os nossos princípios e ideais, pode ser entendida como acção política enquanto todo envolvimento social é política, também por definição. Mas é normal. Seria ilógico pensar que um grupo organizado – por muito pacífico ou apartidário que for, como o nosso – não tentara partilhar o que considera pode ser útil para a sociedade onde está inserido, sempre com uma atitude construtiva.
Por exemplo, se uma pessoa Druidista (crente) sabe de ou observa um acto injusto, já não é só o seu dever “civil” ou moral combate-lo, mas também religioso; se não fizera não seria Druidista. Bom, isto levaria-nos outra vez ao debate de que significa realmente a palavra religião…
Assim, há uma série de efemérides e actividades não religiosas nas que a IDG participa alegremente e que estará sempre disposta a apoiar e difundir. Voltando a uma pergunta anterior, o mesmo acontece com outros grupos druídicos sérios arredor do mundo nos seus respectivos territórios.

 

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