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No Equinócio de Outono as fachas alumeiam

Arde facha, que é a tua hora.

Como na Primavera, chega amanhã um novo equilíbrio perfeito entre dia e noite, entre luz e escuridão, ainda que desta vez marca-se o lento trânsito cara a metade escura do ano (fica perto o passo de Samos a Giamos). É o Mabon, o Alban Elfed, a Noite do Caçador (quando o Sol é finalmente alcançado antes dum novo renascer), o Lar da Colheita. Em definitiva, o Equinócio de Outono: mais um passo na Roda do Ano marcando uma das festividades menores da Druidaria.

Após a grande celebração da plenitude da colheita na Seitura (Lugnasad), revisa-se agora a finalização dessa colheita farturenta, festeja-se o seu cuidado armazenamento para esta nova jeira que pode ser longa e dura, mas que encaramos com optimismo e gratidão pelo já conquistado e tudo o bom acumulado. Estamos prestes, pois, a caminhar cara o ano novo que há chegar na festa do Magusto (Samain) em poucas semanas.

Talvez antecipando a chegada dessa grande noite, a tradição galega celebra este equinócio com o lume da chamada Festa das Fachas, outrora popular em todo o País e que oxalá pudera voltar sê-lo. Assim, desde há milénios pega-se fogo a uns fachões de pôla de castinheiro contra a meia noite, enquanto soa a gaita e prepara-se a comida e a bebida, como em toda boa celebração galega.

Com esta despedida, Lugus cai e começa o seu descanso, e nós acougamos com ele. Cale fica avisada. A Cale antes fisicamente esplendorosa declina aparentemente em aspecto, mas oferece graças à sua crescente experiência o seu sábio conselho a quem saber perguntar. Ela será agora quem nos aconchegue do seu próprio frio, vento, neve e chuvas. A aparência de vigor era nela um velo cobrindo o fragor da sua temporária juventude. Mas agora muda, agora toma lentamente o seu poder real.

Atenção, isso sim, pois é também época de juízos e recapitulações. Temos que estar preparados e preparadas de agora endiante para aturar os dias frios e as verdades que serão desveladas no Magusto através das mensagens dos nossos seres queridos. É na escuridão quando melhor se pode albiscar a luz.

Celebremos então a previsão feita no passado para o goze do presente e a confiança no futuro.

Vem onde nós o Outono

Dacavalo do ar;

nos caminhos da fraga

os ouriços já abrem.

Sinto-o chegar contente

da eterna viagem

enredando entre as folhas

estreando friagem

(A.M. Fdes.)

O evento astronómico – ligeiramente mutável cada ano – será às 21h02 a norte do Minho, 20h02 a sul, da Quinta 22 de Setembro.

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O trabalho da Seitura e a pausa necessária

Lugus. Desenho em aquarela por R. Cochón.

A Seitura, um trabalho agrícola que tradicionalmente começa a partir do 25 de Julho, indica-nos claramente que começa a época da ‘Assembleia de Lugus’ (Lugnasad), do luminoso e poderoso protector das criadoras e inventoras, das agricultoras,  de aqueles e aquelas que podem fazer surgir algo que antes não existia, do que coloca ordem no caos e defende os pactos e promessas feitas.

É, pois, o tempo da primeira sega, motivo de ledícia geral, depois da esforçada guarda de Brigantia e Bel e todo o nosso trabalho acumulado. É a quarta e última grande celebração religiosa do ano a seguir o Entroido e os Maios, quando o Magusto reserva-se para o futuro e ainda aproveita-se o verão. Fecha-se a Roda do Ano.

Por fim se pode reunir o Clã em grande festejo para celebrar a luz no esplendor do verão, a colheita dos frutos da Terra que hão de nos alimentar quando o frio vier. Mais uma promessa é cumprida da mão de Lugus, pois a Natureza nunca falha à sua cita. Façamos nós um esforço por estarmos à altura.

É um tempo para reflectirmos sobre o acadado nas nossas vidas e de como foi feito, pensarmos nos nossos planos e estratégias passadas, sabendo que deveremos sementar de novo grão e ideias mais cedo do que tarde. É altura, também, de fixar todo o bom conseguido até o de agora – apresentado da mão de Lugus – de estarmos satisfeitas pelo bom e tomar consciência do desejo de mudança do mau.

Nestas datas unem-se as famílias e os amigos, celebram-se casamentos (de facto teremos duas Uniões de Mãos realizadas pela IDG), brinca-se e há música, arte e competições desportivas, actividades todas das que Lugus é patrão. A Comunidade trabalha junta nessa colheita sempre com um sorriso entre troula e esmorga, arredor duma mesa ou dançando baixo o céu, sem nunca esquecer retornar à Terra parte do que ela nos dá.

Façamos pois reflexão sobre quem somos e onde estamos, onde queríamos chegar e aonde queremos ir. Aproveitemos os intres de calma e sossego que nos garante Lugus e a sua eloquente e positiva sabedoria. Pensemos em nós mas não só como indivíduos, senão como parte desse Clã que necessariamente avançará connosco e nós com ele.

Outro ano já virá mais à frente, mas agora toca alçarmos a vista e desfrutar da cálida beleza da vida. O Deus que outorga essa energia toda está presente no seu apogeu; todos e todas nós somos a sua Assembleia e Povo, e esta é a sua festa. Não desrespeitemos o nosso contrato com Ele.

 

Hei de ir à tua seitura

Hei de ir à tua segada

Hei de ir à tua seitura

Que a minha vai-che acabada

* * *

Segador que bem segas
na erva boa
que para segar na má
o tempo che sobra.

Aí vêm os segadores
em busca dos seus amores
depois de segar e segar
na erva.

 

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As Deidades Galaicas

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À sombra do carvalho tudo fica mais claro

Nom se pode falar de “panteom” no mundo celta tal e como é comumente entendido, isto é, com relaçons estritas entre Deidades com funçons específicas ou equivalências directas com panteons doutras religions. De facto, diferentes tradiçons célticas apresentam variantes entre Deidades, ainda que as principais som comuns apesar de terem por vezes nomes ou epítetos diferentes.

A forma de entender as nossas Deidades deve ser fluída e flexível. Som Deidades que cobrem umha série de funçons intercomplementares, onde há umha hierarquia mas nom um confronto ou conflito de opostos (como noutras religions), mesmo nos casos onde as responsabilidades som partilhadas. Algumhas Deidades podem ser, em verdade, triplas, multifacetadas. De haver umha possível contradiçom esta é sempre só aparente, seguramente derivada da pouca familiaridade com o sistema de pensamento e cosmovisom céltica.

O facto é que a maioria de nós crescemos numha sociedade onde o divino disque é misericordioso, amoroso e que exige às crentes sujeiçom às suas regras em troca da concessom da sua ajuda e apoio. No entanto, na nossa crença devemos atravessar umha porta que exige sacrifício, demolir paredes velhas para começarmos a entender o que o mundo é e qual é o nosso lugar nele. Embora as Deidades nos “acariciem” com boa intençom, o seu toque derruba esses muros que nos rodeiam e que nos impedem entender, e este pode ser um sentimento estranho e até desconcertante. Compreendermos-lhes e compreenderem-nos leva tempo, mas depois tudo adquire sentido pleno.

Desta maneira, apresentamos aqui umha introduçom muito resumida e simplificada aos Deuses e Deusas da nossa tradição galaica, feita a partir de dados objectivos conhecidos através da investigaçom académica mas, sendo a Irmandade Druídica Galaica umha entidade religiosa, feita tamém em base a interpretaçons religiosas autónomas.

Lembramos, aliás, a nossa crença na existência individual e específica de cada umha Delas, que nom som criaçons nem hipóstase dumha Deidade superior. Assim, as Divindades nom estão submetidas a outro Deus/a ou energia consciente superior a Eles/as. Do mesmo jeito, todas Elas som igualmente respeitadas, polo que som e polo que representam.

 

Deidades Primeiras
Presentes polo que sabemos desde o inefável impulso original nom-inteligente, causa primeira e matriz de vida. Som as mais antigas e poderosas mas tamém as aparentemente mais reservadas.

 

Imagem do Deus Larouco encontrada na sua serra.

Imagem do Deus Larouco encontrada na sua serra

Larouco (Crouga) /|\
O Grande Deus, o Pai de Todos, o Bom Deus, o protetor da tribo. Senhor do Conhecimento, da ordem social e dos contratos. Patrom das pessoas sábias e docentes. Possui umha força imensa e está associado à abundância e generosidade da terra.
Os seus grandíssimos poderes representam-se pola enorme maça que porta na sua mao, assim como a sua masculinidade é representada polo seu grande membro sexual. É guardiám tamém do pote da fartura, de onde surge todo bem e toda Magia. Tudo Nele e com Ele é massivo.
Na tradiçom galaica está fortemente vencelhado à montanha sagrada do mesmo nome na Serra do Gerês, onde toma residência. Contudo, a sua presença noutros picos pode ser sentida e adquire, nesse caso, o nome de Crouga (como o Crom Cruach da tradição irlandesa). É dizer, Larouco é o nome que lhe damos quando falamos do Deus como tal – até fisicamente – sendo Crouga o seu espírito, a sua presença imaterial longe da sua montanha existente em toda anta ou lugar elevado de poder.
No pan-celtismo é considerado irmao de Bandua-Cosso e consorte de Anu. Recebe os nomes de An Dagda na Irlanda e Sucellus na Gália.
Celebramo-lo principalmente na época do Solstício de Inverno-Noite Nai (21-25 de Dezembro).

(Ouvir aqui a cançom dedicada ao Deus Larouco pola banda galaica Sangre Cavallum)

 

A "Moura da Pena Furada" (Coirós), representando a Sheela na Gig mais antiga da Europa que, achamos, é uma forma de representar a Deusa Anu

A “Moura da Pena Furada” (Coirós), ou a Sheela na Gig mais antiga da Europa que, achamos, é umha forma de representar a Deusa Anu

Anu /|\
A Grande Nai, A Nobre, A Boa, origem da luz e do dia. É Senhora da Literatura e Senhora e patrona das criaturas invisíveis, dos mouros e das mouras, de todos os seres místicos e de poder. Ela pode tomar a forma da Coca, quem sabe se serpe ou dragão.
Por vezes é consorte de Larouco, mas só quando Ela escolhe, como indica a sua residência na  Pena de Anamão da mesma Serra do Gerês: perto, mas separados, como bons e velhos amigos e vizinhos que partilham conversa, experiências e confiança.
Ambos formam um duo peculiar, mas isto nom deve ser nunca confundido com ideias posteriores e alheias à nossa tradiçom como a separação estrita em dous sexos, a dicotomia masculino-feminino, ou assuntos similares. Anu e Larouco podem ser complementares, mas som livres e autónomos em todo momento, e Anu estabelece o início do princípio de independência e Soberania Feminina do que a sua descendente Brigantia será Senhora.
Noutro exemplo, Larouco pode ser Senhor da Magia, mas Anu é a Senhora dos que usam e ponhem em práctica essa Magia. Umha cousa sem a outra nom teria sentido, mas ainda assim som diferentes e cada um manda o que manda, onde Ela decide quem e como.
Recebe os nomes de Dôn em Gales (onde apresenta importantes conotaçons astronómicas em relaçom às constelaçons de Cassiopeia, Corona Borealis e até a Via Láctea) e de Danu ou Dana na Irlanda, onde é a Deusa Nai de todos os Tuatha Dé Dannan.
Celebramo-la principalmente na época do Solstício de Inverno-Noite Nai (21-25 de Dezembro).

 

Deidades de Poder
Antergas figuras de incomensurável autoridade que tentam pôr ordem e mostram virtudes para quem quiser ver e ouvir. Mestres para quem quiser aprender.

 

Tripla deusa Brigantia, portadora da Luz, detentora do fogo pois é patrona, entre outros, dos ferreiros que forjam as armas que hão defender a tribo, dos poetas - Bardos - que apresentam lumes cerimoniais e inspiração, e dos sanadores, que facilitam o lume do lar e o bem-estar.

A Deusa Brigantia, exemplo paradigmático da trifuncionalidade céltica

Brigantia /|\
A Alta, A Elevada, Senhora da Soberania, A Tríplice Chama, portadora da luz e Deusa do Fogo e da vitória. Toma três aspectos: como Lume da Inspiraçom (patrona da poesia, artes, filosofia e profecia), como Lume do Lar (patrona da medicina e fertilidade, de pastoras a agricultoras, protectora da casa) e como Lume da Forja (patrona da metalurgia, ferraria e artes marciais, grande guerreira).
É patrona de todos esses aspectos assim como das alturas em geral (sejam montanhas, castros no alto ou pensamentos elevados), dos e das Durvates, gado e animais domésticos, assim como dos poços e fontes sagradas.
Todo poder deve ser regulado por Brigantia. Ela nom exerce essa Soberania directamente, mas ordena sobre quem a recebe ou nom, quem é digno ou digna de ser chamado “rei” ou “rainha”. Ela marca o sagrado pacto entre o ser humano e a Terra. Quem nom respeitar isto nom poderá ser nunca a melhor líder e as humanas teremos sempre governantes ruins. Seguramente este é um dos motivos polo que muitos lugares da nossa Terra foram nomeados na sua honra.
Brigantia assegura o trânsito entre Inverno e Primavera e garante a promessa de renascença feita no Solstício de Inverno. Ela será quem acorde os Deuses Bel (o seu ocasional consorte) e Lugus chegado o momento, mesmo quem amamente este último se figer falta.
No pan-celtismo considera-se filha de Larouco e Anu.
Recebe o nome de Brigid na Irlanda, Brìde na Escócia e Brigindũ na Gália.
Celebramo-la na época do Solstício de Inverno-Noite Nai (21-25 de Dezembro) mas, principalmente, na sua grande festa do Entroido (Imbolc), por volta do 1 de Fevereiro.

(Ouvir aqui a cançom dedicada à Deusa Brigantia pola banda galaica Mileth)

 

Lugus. Desenho em aquarela por R. Cochón.

O Deus Lugus, visto por um membro da IDG

Lugus /|\
O Luminoso, O Esplendoroso, O Radiante. É o jovem, belo, atlético e extremadamente hábil guerreiro com a sua mágica lança (O Do Longo Braço) e outras fantásticas armas. Apresenta umha triplicidade associado ao Sol, ao Céu e às Treboadas, onde comanda tronos e lôstregos.
É patrom, como Brigantia, das artes e do artesanato, mas tamém dos desportos, da actividade física, das criadoras e inventoras, de todos aqueles e aquelas que podem fazer surgir algo que antes nom existia, da lei, da verdade e dos juramentos, dos que colocam ordem no caos e defendem os pactos e promessas feitas.
Lugus emana umha sensaçom de poder e eloquente sabedoria, de reconfortante e cálida calma. Ele preside e guarda o grande Oinakos (assembleia ou juntança) do verám, desfrutando à vez das competiçons desportivas e favorecendo o convívio e os casamentos. Em verdade, gosta de qualquer Oinakos feito com honestidade.
Recebe o nome de Lugh na Irlanda, Lley Llaw Gyffes em Gales e tamém Lugus na Gália.
Celebramo-lo principalmente na sua grande festa da Seitura (Lughnasadh), por volta do 1 de Agosto.

 

Figura do Deus Bandua achada no concelho de Bande

Figura do Deus Bandua achada no concelho de Bande

Bandua – Cosso /|\  
O Que Ata, O Que Une, pois cos seus laços mágicos o Deus Bandua sela as promessas e une os clãs e as pessoas. Através desses laços formalizam-se os pactos mas estabelece-se tamém a intercomunicaçom, o relacionamento, sendo tudo isto fundamental para a prosperidade de qualquer grupo. Ele fai a chamada perante umha causa comum, convocando a todos e todas sob a sua bandeira.
Bandua é patrom da eloquência e domina a magia, fazendo cumprir o dito bem apelando aos princípios fundamentais da ética céltica (Honra, Responsabilidade e Compromisso) com a sua convincente palavra, ou bem forçando com a sua atadura. Ou ambas cousas.
Mas cuidado, pois quando falemos de conflito toma o nome de Cosso, o Deus a quem tenhem como patrom os guerreiros e guerreiras. Entom, Ele percorre sem parar os caminhos, vigilante na noite, preparado para a caça de cabeças se for preciso… Em qualquer caso, é o mais formidável e temido guerreiro e na batalha imobilizará os seus inimigos com a sua amarra invisível.
Bandua-Cosso é umha Deidade dual, tanto que por vezes pode apresentar-se como homem e outras como mulher.
No pan-celtismo é considerado irmao de Larouco. Recebe o nome de Ogma na Irlanda e Ogmios na Gália.
Bandua nom tem umha data fixa para a sua celebraçom.

 

Escultura frequentemente utilizada para representar o Deus Bel

Talha frequentemente utilizada para mostrar o Deus Bel

Bel /|\
O Brilhante, o Refulgente, O Formoso, O Belo. O Deus da Luz e patrom da música é um dos Deuses mais antigos. Como Lugus, Bel tamém comanda o Sol e mais as estrelas, e ainda com maior intensidade. Nomeadamente comanda os ciclos dos dias, das luas e dos anos, fazendo girar a Roda do Ano e com ela fazendo avançar o tempo humano (a roda e o carro – no que atravessa o Céu – som alguns dos seus símbolos).
Às vezes pode aparecer acompanhado por Brigantia, a sua consorte ocasional, com quem partilha entre outras cousas o seu aprecio por fontes e poços sagrados, águas sanadoras e medicina em geral, assim como polo lume purificador (Os Lumes de Bel).
Ele protege a Natureza e a Terra, garante o seu esplendor e fertilidade cíclica continuando o trabalho de Brigantia. O Deus Bel favorece a sexualidade e as unions, a fartura e alegria das festas e celebraçons. O seu trabalho é esforçado e a sua responsabilidade é muita, mas tamém é-o a alegria dos seus frutos, combinando e equilibrando esse par de dever-lecer.
Recebe o nome de Belenus na Gália, Beil na Irlanda, Bile na Escócia e Balor em Gales.
Celebramo-lo principalmente na sua grande festa dos Maios (Beltaine), por volta do 1 de Maio.

 

Berobreo

Representaçom do Deus Berobreo encontrada em Louriçám (Ponte Vedra) sob o epíteto Vestio Alonieco

Berobreo /|\
O Da Alta Casa, O Hospedeiro, O Que Alimenta, Senhor do Mar, do Além e da Morte. Patrom da hospitalidade, Berobreo vai-te acolher, e vai-te acolher bem, de braços abertos e com amplo sorriso. Se tiveste Honra, nada temas.
Desde o alto do Facho de Donom, o seu grande santuário, ou desde qualquer península, praia, atalaia ou cabo significante como A Lançada ou Teixido, pode olhar as ilhas da nossa costa, escala prévia das almas que depois da sua peregrinaçom cara o solpor ham descansar um pouco. Em breve, porém, começam da sua mao a viagem à outra vida, pois Ele tem as chaves dos labirintos gravados em pedra que abrem as portas comunicantes dos mundos – em ambas direcçons – e levam tamém até a sua residência no fundo do mar.
O Deus Berobreo conhece esses e outros caminhos pouco transitados, mas que isto nom confunda ou arrepie a ninguém pois Ele é um anfitriom excepcional, de exuberante generosidade. Por certo, o mesmo demandará dumha boa ou bom celta, pois poucas cousas mais desonrosas há que ser ruim com as tuas hóspedes e visitantes, ou ser umha convidada desagradecida.
Recebe o nome de Donn na Irlanda (“O Escuro”, devanceiro directo do povo gaélico da Ilha).
Celebramo-lo principalmente na sua grande festa do Magusto (Samhain), por volta do 31 de Outubro e 1 de Novembro.

 

Fonte da Deusa Nábia (romanizada) achada em Braga. Apresenta tamém o nome de Tongoenabiagus (“O dos Juramentos”, um mais que provável epíteto de Lugus)

Nábia /|\
A Excelsa, A Coroada. A Senhora das Águas, dos lagos, lagoas, cachoeiras, rios e regatos, fontes e poços, tamém dos vales e partes baixas dos montes.
A melancólica Deusa Nábia é navegante e marinheira, e com a sua barca acompanha as almas que se dirigem à Alta Casa de Berobreo usando os cursos fluviais, desde o interior até a costa e, se ele o solicitar, até mais alá.
A água é vida, porém recolhe os seres mortos num ciclo contínuo. A água flui desde a coruta dos montes até o fundo do océano, e daí ao Céu à chuva e volta a começar, e com ela tudo. Nábia está presente em todo esse processo ajudando à fertilidade quando é preciso.
Mas a Deusa Nábia tamém recolhe nessas águas que tecem redes na terra os símbolos do pacto de Brigantia: as águas calmas aceitam oferendas humanas e testemunham os encontros e acordos com as Deidades. Nábia atende aí e, em parceria com Berobreo, fai de hospedeira e protectora do local.
O seu nome está em toda parte, seja como Návia, Návea, Ávia, Coventina, Avon, Devon, Deva, etc. De todas as Deidades, Nábia pode que seja a mais familiar e simpática com certos seres especiais associados à água, e disque gosta da cerveja e das flores.
Nábia nom tem umha data fixa para a sua celebraçom.

(Ouvir aqui a cançom dedicada à Deusa Nábia pola banda galaica Sangre Cavallum)

 

Reve /|\
O Do Páramo, O Máximo, O Das Chairas, lugar de encontro entre o alto e o baixo, limiar de mundos, onde comanda. É Senhor da Hierarquia e da Justiça, que nas suas mans é sempre brutalmente imparcial e objectiva. Ele administra toda fortuna e riqueza de forma equânime.
A primeira vista, Reve parece a Deidade mais esquiva, fria e distante, seica mais centrada nos assuntos internos dos Deuses e Deusas que nos humanos e mundanos.
Contudo, Ele é um ponto de encontro, pois reúne características de Berobreo e Cosso, já que comanda tamém sobre o Além e a guerra, e ainda de Larouco, de quem está tam próximo que ocasionalmente podem ser confundidos. Recebe de Brigantia a capacidade de gerir a Soberania quando Ela nom está presente, como é no caso de juízos e decisons importantes que requerem umha resoluçom final e inapelável.
No caso de batalha, o Deus Reve pode que supervisione o ir e vir da gente comum, decidindo implacável quem é digno de ser chamado de Herói ou Heroína e quem nom.
Na antiguidade era umha das Deidades que recebia maiores honras e oferendas, especialmente na Callaecia interior, se calhar polo temor que algumha gente sentia do seu olhar desapaixonado, embora sincero e calmo.
Recebe o nome de Morrígan na Irlanda e ainda os nomes alternativos de Reva e Reua na Galiza.
Reve nom tem umha data fixa para a sua celebraçom.

 

Visão contemporânea da Deusa Cale e os seus atributos

Visom contemporânea da Deusa Cale e os seus atributos

Cale /|\
A Velada, A Moura, A Meiga, A Velha. A Senhora da Callaecia e encarnaçom mesma da granítica Terra que pisamos. Sábia Senhora da Pedra e patrona dos canteiros, plantas e árvores, animais selvagens e seres invisíveis. Amiga de Anu.
Ela tem poder sobre o clima e sobre os bosques, montes e bestas do nosso País. Ela fala cos nossos Devanceiros e Devanceiras e manda recado se figer falta. Cale é velha como o planeta, e antes de Deusa já foi moura e a mais grande das meigas e mencinheiras; talvez por isso seja a Deidade que mais conhece e melhor se relaciona com todos os seres miúdos longe dos nossos sentidos.
Apresenta-se normalmente como umha mulher de avançada idade vestida com saio e pano na cabeça (O Velo), mas isto é porque geralmente só é vista no fim do ano celta, quando já passou os estádios de juventude e madurez longe das vistas. Precisamente, é nessa época depois da Noite de Magusto quando a Deusa Cale trabalha a Terra a eito com o seu sacho até passado o Solstício. Com tanta trabalheira haverá quem pense que está a destroçar, mas realmente remexe o necessário para sementarmos quando chegue a nossa vez. É aí quando, como autêntica protectora, estende o seu saio aconchegante.
Cale colabora com Brigantia em muitos assuntos, e disque a segunda vigia de esguelho a metade luminosa do ano (Samos) enquanto a primeira fai o mesmo com a metade escura (Giamos).
Recebe o nome de Cailleach na Irlanda, Escócia e Ilha de Man.
Celebramo-la principalmente na grande festa do Magusto (Samhain), por volta do 31 de Outubro e 1 de Novembro, e é lembrada no Dia da Terra, o 25 de Julho, festa civil dedicada à Naçom Galega.

 

Deidades do Comum
As Deusas e Deuses talvez mais próximos a nós, no dia a dia, na consecuçom dalguns grandes planos mas tamém dos pequenos e diários. Podem até ser um elo de comunicaçom com outras Deidades.

 

Íccona /|\
A Da Terra, A Da Égua Branca, A Grande Égua. Senhora dos Cavalos e todos os equídeos. Senhora e protectora dos Caminhos, Viagens e Comunicaçons. Patrona de todos aqueles e aquelas que falam, partilham, informam, divulgam e comunicam com honestidade, assim como de todas aquelas pessoas que viajam, peregrinam ou transportam algo.
Onde nom chega Nábia por água, chega Íccona por terra para guiar as almas, dacavalo, até o passo mais próximo. Ela recolhe tamém parte do simbolismo da Soberania de Brigantia e exemplifica a responsabilidade de lográ-la, pois a Soberania requer trabalho e sacrifício, montar durante muitas jornadas, até poder ser digno ou digna dela. A Deusa Íccona sempre está em marcha, sempre atenta e pronta para relatar, sempre cavalgando.
Íccona muitas vezes encontra-se com Bandua-Cosso, tanto nos vieiros que transitam como na palavra dada nos pactos e unions, e conversam.
A Irmandade Druídica Galaica está consagrada desde o seu nascimento à Deusa Íccona Loimina, quem aguardamos tenha a bem considerarmo-la como a nossa patrona.
Recebe o nome de Epona na Gália, Étaín ou Édaín na Irlanda e Rhiannon em Gales.
Íccona nom tem umha data fixa para a sua celebraçom, ainda que é sempre lembrada no 11 de Novembro, dia do aniversário da nossa Irmandade.

 

Trebaruna /|\
A Da Casa, A Da Tribo, A Do Secreto. Senhora do Fogar, do mais íntimo. Protectora do privado, das famílias e crianças, das amizades verdadeiras, do património pessoal e colectivo, do lar, dos pensamentos próprios.
Ela move-se bem nas sombras e nos recantos das casas e cidades, prudente e sagaz, como umha presença reconfortante e calmosa quando as nossas justas aspiraçons e trabalho esforçado topam com problemas inesperados. A Deusa Trebaruna pode que seja a Deidade mais próxima aos humanos e humanas, ou quando menos quem mais gosta de estar nas nossas casas e assistir à nossa vida cotiá.
Contudo, que ninguém se leve a engano, pois ainda que geralmente agarimosa, Trebaruna pode ser guerreira dura e implacável com quem atenta contra a tribo ou clã, com quem revela segredos sem justificaçom e atraiçoa confianças, com quem ataca ou desonra a amizade, o fogar ou a família querida.
A Deusa Trebaruna reconhece o valor da discriçom sem por isso cair na desonestidade ou mentira, algo impensável para umha celta. Aliás, precisamente por isso despreza quem os rompe ou quebra umha promessa, igual que Bandua.
Trebaruna nom tem umha data fixa para a sua celebraçom.

(Ouvir aqui a cançom dedicada à Deusa Trebaruna pola banda lusitana Moonspell)

 

Resto de estátua romanizada de Endovélico achada na Lusitânia

Resto de estátua (romanizada) do Deus Endovélico achada na Lusitânia

Endovélico /|\
O Protector, O Muito Bom. Senhor da Medicina, Investigaçom, Segurança e Adivinhaçom, protector local de cidades, vilas e aldeias com um santuário seu presente. Patrom, como Brigantia, de médicos e  sanadoras, de investigadoras e cientistas, além de pessoas que com justiça e honestidade fomentem a paz e se dediquem a salvar, cuidar ou atender outros seres.
O Grande Sábio Endovélico gosta de ficar na casa aguardando as pessoas que requiram do seu conhecimento. Aí, igual que faria Bel, o Deus Endovélico utiliza luz e calor e toda classe de remédios para sanar, para acalmar, para assegurar humanos e animais, dos que gosta imenso.
Se for preciso, Ele acudirá ao mais alto ou ao mais baixo para continuar estudando, procurando fórmulas, encontrando soluçons; é luminoso, mas o seu lar pode estar no mais profundo, agochado entre as rochas, onde pode trabalhar tranquilo e aprender o que fica no escuro e nom toda a gente vê.
Umha vez é visitado, Endovélico pode escolher falar através de sonhos e intuiçons, indicando o que deve ser feito ou aconselhando que caminho deve seguir-se.
Endovélico nom tem umha data fixa para a sua celebraçom.

 

As Burgas (Ourense): a Galiza é país da Europa com maior número de termas naturais, só a seguir à Hungria

As Burgas (Ourense): a Galiza é o país da Europa com maior número de termas naturais, só a seguir à Hungria

Bormánico /|\
O Que Ferve, O Borbulhador. Senhor das termas, balneários e águas curativas, assim como dos fermentos, os minerais e o subsolo. Protector e patrom de covas e passadiços, e de quem anda neles.
O Deus Bormánico partilha com Nábia comando sobre algumhas águas, nomeadamente as águas quentes e aquelas que brotam com características especiais, aquelas nom navegáveis ou nom aptas para o trânsito de seres, mais bem com um outro uso específico como a sanaçom e relaxaçom. Partilha tamém, porém, capacidades sanadoras com Endovélico, com quem frequentemente departe nas suas exploraçons das profundezas da Terra e das pedras, minerais e metais.
Disque as suas capacidades transmutadoras favoreceram a apariçom de diversas bebidas, comidas e remédios, fermentados a base de líquido e calor.
Recebe o nome de Bormanus, Moguns ou Mogunus na Gália, Grannus em diversos territórios célticos, e na Galiza e Lusitânia tamém é chamado Borvo ou Bormo.
Bormánico nom tem umha data fixa para a sua celebraçom.

 

Nota final: Existem ainda um feixe de forças sutis, criaturas lendárias e seres chamados “sobrenaturais” (apesar de tal cousa nom ser possível na nossa religiom, onde tudo é parte do mesmo Cosmos e portanto é sempre natural), mas embora tenham um certo poder, influência e autonomia nom entram na categoria de Deidades nem comandam nada se som assim expressamente proibidas por Estas.

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Honra à Terra e à Natureza.
Honra a Quem Nos Quer Mostrar e Aprender.
Honra a Quem Estivo e Ainda Há de Vir.
E Nós, No Meio, Caminhando.
/|\