A Roda do Ano

Roda do Ano da IDG. Clicar para ampliar.

A Roda do Ano é umha forma de representar o ciclo anual de períodos e festivais anuais de diferentes crenças nativas europeias, incluída a Druidaria moderna.

A versom utilizada pola Irmandade Druídica Galaica (IDG) é no essencial coincidente com as Rodas do Ano da Druidaria em geral, se bem adapta a terminologia doutros lugares aos nomes existentes já de forma tradicional na nossa Terra. Pensemos, aliás, que estes nomes assinalam um período determinado, umha época, onde as datas específicas marcam umha referência de entrada e saída de cada umha delas num contínuo fluir.

Existem óbvias discrepâncias com o calendário civil actual, que sabemos foi modificado várias vezes ao longo da história e que, portanto, nom indica sempre os momentos exactos de trânsito observados noutros tempos. Contudo, quando a discrepância for menor, optamos pola confluência com datas socialmente aceitadas pois primamos o sentido de serviço à Comunidade, que neste caso só pode ser minimamente satisfeito pola adequaçom e actualizaçom dos nossos ritos e ritmos.

Assim, a Roda do Ano galaica marca quatro festivais principais e quatro menores, indicando-se por vezes algumha data mais de significância interna. Em cada umha destas datas a IDG publica um texto alegórico público.

As quatro datas fulcrais começam com o Ano Novo Druídico: o Magusto (Samhain), na noite do 31 de Outubro ao 1 de Novembro, ainda que as preparatórias venhem desde Outubro e as celebraçons quase podem empatar com as da Noite Nai (ver embaixo). Magusto indica o início da chamada “metade escura do ano” (Giamos) e desde o ponto de vista religioso é a data sobranceira do nosso calendário. As Deidades principais nesta ocasiom som a tríade Cale, Berobreo e Bandua.

A segunda data de grande importância é o Entroido (Imbolc), no 1 de Fevereiro, onde a tradiçom galega diz que a festa desta época pode começar a se preparar já desde o 1 de Janeiro e chegar a rematar no começo de Março. A Deidade principal é Brigantia.

A terceira data religiosa som os Maios (Beltaine), com o 1 de Maio como indicador de passo. Esta é umha outra época extensa vivida durante o mês todo com bastante intensidade. Os Maios principiam a chamada “metade luminosa do ano” (Samos). A Deidade principal aqui é Bel.

A quarta e derradeira grande data é a Seitura (Lughnasadh), com o 1 de Agosto como referência. Esta época representa a partes iguais a doçura, satisfaçom e poder da vida assim como o seu próprio fim, pois queira-se ou nom este esplendor há-nos levar até o equinócio e posterior feche do ano religioso. A Deidade principal é Lugus.

As quatro festividades menores estám relacionadas com os solstícios e equinócios, eventos astronómicos ligeiramente mutáveis que servem de referência entre as quatro grandes épocas nomeadas acima. Mesmo aqui, os solstícios som considerados frequentemente como mais relevantes que os equinócios.

Seguindo a lógica do ciclo religioso (com o ano a começar no Magusto), o Solstício de Inverno (21 Dezembro) é o que chega primeiro, abrindo um período de três dias e noites que culmina no banquete ritual da chamada Noite Nai (24 de Dezembro).

A seguir encontramos o Equinócio de Primavera (21 Março) ou Alvorada da Terra (celebraçom diurna), conduzindo depois até o outro grande Solstício, o de Verám (21 Junho), que abre tamém um período de três dias e noites até a Noite dos Lumes (23-24 Junho). O ciclo astronómico acaba no Equinócio de Outono (21 Setembro) ou Festa das Fachas (celebraçom nocturna), prelúdio de novo do Magusto.

Adicionalmente, dentro da IDG observamos outras datas de relevância interna como por exemplo o Dia da Batalha do Douro (9 Junho), o Dia da Terra – Dia da Galiza (25 Julho) e ainda o aniversário da nossa própria entidade (11 Novembro). Estas datas nom aparecem como tais na Roda, mas estám presentes nas nossas lembranças.

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Magusto: the Samhain from Gallaecia

[EN] This is a revised version of a text by Hugo Da Nóbrega Dias, originally published in ‘Celtic Guide’ (Nov. 2013). It is reproduced here with permission from the author, whom we kindly thank. You can download it in pdf >here (162kB)<

[GL-PT] Esta é umha versom revisada dum texto de Hugo da Nóbrega Dias, publicado originalmente em ‘Celtic Guide’ (Nov. 2013). É reproduzido aqui com permissom do autor, a quem agradecemos gentilmente. Pode baixá-lo em pdf >aqui (162kB)<

I had always had a certain reluctance in accepting Halloween entering our lives. It is a tradition that we use to link with the USA, with the carved pumpkins and horror costumes, so popularised in the films. This all reached us when shops started to adopt Halloween paraphernalia in their decorations. They found there a new business opportunity that filled the gap between Summer and Christmas. Yet, when we were children, the night of October 31st was always known as ‘Night of the Witches’, and I remember waiting in vain until midnight in the hope of glimpsing some witch crossing the sky on her broom.

magusto_galaicoThe truth is that the way Halloween was aggressively introduced and promoted also contributed to that reluctance of mine. Plus, we already had our traditional Magusto (festivity where people gather to eat chestnuts and drink wine), which is normally celebrated from November 1st. Why would I bother with Halloween? There I was, in fact, unconsciously neglecting the lack of studies of our own traditions. It was only when I became an adult that I started to get myself interested in Celtic studies and, in the same way, in the traditions of my own region, Northern Portugal. It was with great amazement that, years later, I found an old black and white picture of an old lady with two boys, sitting on a chair holding a carved pumpkin on her knees. Before that I had only heard some reports and read some odd texts explaining an ancient tradition, linked to the rest of the Celtic world, more embedded in our culture than one might think.

As a matter of fact, north of river Minho, in the land that is nowadays known as Galiza (Galicia), this way of celebrating the night of October 31st was kept alive in some villages. The tradition of carving pumpkins is something that elders remember doing “from long time ago”. In those villages, many people thought of it as being connected to other Celtic countries, and not just to our own land, as those traditions were alive and uninterrupted for centuries.

October 31st – Samhain – was the end of the Celtic year, when the world of the dead and the world of the living would come together. People used to believe (and some still do) that the souls of the dead could walk in our world. It was the time to celebrate the new year with a big dinner, laughters, friends and family, but it was also the time to conduct religious rites that would allow us to communicate with the Beyond, and have a chat with the loved ones who are no longer among us. Hence, derived from the “headhunting” Celtic custom, skulls were to be lit up with candles, both to protect the living from the evil spirits and to illuminate the path of the good spirits. Those skulls would be left at crossroads, gates, windows or doors, marking and indicating thresholds, passageways. In time, skulls were replaced with turnips and eventually pumpkins.

Over the years, I have been collecting testimonies about a not so distant past. One of these stories happened in Ílhavo, close to Aveiro, home to sailors. In a special cultural event promoted by local authorities, residents were invited to open their houses to visitors so everybody could socialise and get to know the way these people lived. On that occasion, my most kind and hospitable hosts were people from the historic centre of the village. Then Mr. Mário told me, among many other things, about the time when he was young, 30 or 40 years ago, when people in the neighbourhood used to fill those same streets with carved pumpkins for Samhain. I was astonished. Also, in conversations with my father and mother and with other relatives – all from old Gallaecia – I found out that they all had childhood memories of carving pumpkins for the night of October 31st and that they would all gather to eat chestnuts, sausages and to drink wine. One can only imagine the number of people with similar stories to tell and share.

Thus, although the tradition of the carved pumpkins was mostly forgotten in Galicia and Northern Portugal during the 20thC, we can see that from a historical point of view the norm was to celebrate Samhain as done in other Celtic countries, or in the USA by influence of the Irish who emigrated there. Not only that, other significant elements associated to the date such as the respect and reverence for the dead, had always been present. In addition, our tradition offers something of its own, the chestnuts, allegedly said to be a favourite meal in the Beyond! Whether or not this last aspect was common in other countries is a different story. In any case, this was the moment when families and communities harvested and gathered the very last produce given by the land before winter, call it wine, pumpkins or chestnuts. This was the transition from the luminous part of the year (summer) to the dark part of the year (winter), and they celebrated it accordingly, getting ready for some harsh weather but with the confidence it would all pass in the end.

It sure is paradoxical, and somewhat ironic, that it was through commercialism that an old tradition was recovered in our country. It sure made many think we were importing yet another new foreign fad, only to discover it was ours all along. It may even annoy us now how American Halloween “twists” the “true” meaning of Irish Samhain, or Galician-Portuguese Magusto. That is however a good sign, as it evidences how we have rediscovered and accepted a part of our own beautiful ancient heritage.

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Cheiro de castanha, aviso de Magusto

Castanha, alimento do Além
Castanha, alimento do Além

Já cheiramos as primeiras castanhas assadas nas ruas, e isso só poder significar que chega o momento mais emblemático do nosso calendário: a época do Magusto, a Noite dos Calacús, de Samhain (que alguns chamam de Halloween), a noite dedicada aos nossos Devanceiros e Devanceiras, quando abrem as portas do Além e fecha-se o ciclo do ano.

Esta é umha festa da tradiçom Druídica celebrada por muitos milhons de pessoas em todo o mundo como data popular. Desta vez, nós festejaremos tamém a apariçom pública da IDG há 5 anos, no Magusto de 2011.

Começaremos no serám do 31 de Outubro com o VI Roteiro da Pantalha, seguido do já tradicional banquete de fim de ano celta e posterior convívio e sessom de contacontos (ver actualizaçom das actividades dos dias 1 e 12 no final deste texto).

A Pantalha deste ano sairá do centro da vila de Cerdedo (Terra de Montes) às 20h30, para depois do roteiro enfiarmos de carro até a aldeia de Pedre, a uns escassos 4 km. Como sempre, o roteiro nocturno é gratuito e de livre assistência, mas lembrade que a ceia (22h30) e dormidas na Casa Florinda de Pedre sim tenhem custo e que as vagas som bastante limitadas, requerendo-se reserva prévia directamente com a Florinda. É muito importante tamém trazer calçado ajeitado e boa iluminaçom, pois o percurso será às escuras e pode que as condiçons climáticas nom estejam do nosso favor.

Este é um evento que sempre tem para nós um importante valor simbólico e emocional além do obviamente religioso, pois foi poucos dias depois da primeira ediçom da Pantalha quando nasceu a IDG, a poucos metros do local de reuniom habitual em Pedre. A tradiçom do Roteiro da Pantalha – começada pola querida A.C. Amigas da Culturaé continuada agora polo colectivo Capitán Gosende, umha festa reivindicativa onde a IDG gosta de prestar o seu apoio. Ver >aqui< fotografias da ediçom anterior.

Aproveitade pois para celebrardes a magia da Nossa Terra entre amigos e amigas, entre pessoas afins. É um momento ideal para umha pausa, para a reconexom e confraternizaçom, para conhecerdes tamém a gente da Irmandade.

Importante: Estas actividades tenhem carácter cultural e celebratório mas nom estritamente religioso. Para interessadas/os em ritos religiosos será preciso contactar directamente e com antecedência com a IDG (idg @ durvate.org). O Durvate Mór estará presente nos actos do dia 31. Um texto de teor religioso será publicado neste mesmo espaço nesse dia 31.

vipantalha

pitoes_celta_2016ACTUALIZAÇOM (22 Out): Como em ediçons anteriores, a associaçom amiga Desperta do Teu Sono (DTS) co-organiza actividades de Magusto para os dias 1 e 12 de Novembro, que contam com o total apoio da IDG e onde membros regulares da mesma estarám presentes.

Nomeadamente, o dia 1 de manhã terá lugar o II Roteiro de Anumão, umha visita às terras da Deusa Anu na Serra do Gerês. No serám do dia 12, a Junta de Freguesia de Pitões das Júnias (Montalegre) organiza o III Magusto Celta, conjuntamente com o DTS. Visitade as ligaçons indicadas para toda a informaçom logística e outros detalhes.

Nota: Estes eventos som de livre assistência e de carácter festivo-popular, cultural e celebratório, nom estritamente religioso.

 

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