Posts Tagged ‘Maios’

A Roda do Ano

Roda do Ano da IDG. Clicar para ampliar.

A Roda do Ano é uma forma de representar o ciclo anual de períodos e festivais anuais de diferentes crenças nativas europeias, incluída a Druidaria moderna.

A versão utilizada pela Irmandade Druídica Galaica (IDG) é no essencial coincidente com as Rodas do Ano da Druidaria em geral, se bem adapta a terminologia doutros lugares aos nomes existentes já de forma tradicional na nossa Terra. Pensemos, aliás, que estes nomes assinalam um período determinado, uma época, onde as datas específicas marcam uma referência de entrada e saída de cada uma delas num contínuo fluir.

Existem óbvias discrepâncias com o calendário civil actual, que sabemos foi modificado várias vezes ao longo da história e que, portanto, não indica sempre os momentos exactos de trânsito observados noutros tempos. Contudo, quando a discrepância for menor, optamos pela confluência com datas socialmente aceitadas pois primamos o sentido de serviço à Comunidade, que neste caso só pode ser minimamente satisfeito pela adequação e actualização dos nossos ritos e ritmos.

Assim, a Roda do Ano galaica marca quatro festivais principais e quatro menores, indicando-se por vezes alguma data mais de significância interna. Em cada uma destas datas a IDG publica um texto alegórico público.

As quatro datas fulcrais começam com o Ano Novo Druídico: o Magusto (Samhain), na noite do 31 de Outubro ao 1 de Novembro, ainda que as preparatórias vêm desde Outubro e as celebrações quase podem empatar com as da Noite Nai (ver embaixo). Magusto indica o início da chamada “metade escura do ano” (Giamos) e desde o ponto de vista religioso é a data sobranceira do nosso calendário. As Deidades principais nesta ocasião são a tríade Cale, Berobreo e Bandua.

A segunda data de grande importância é o Entroido (Imbolc), no 1 de Fevereiro, onde a tradição galega diz que a festa desta época pode começar a se preparar já desde o 1 de Janeiro e chegar a rematar no começo de Março. A Deidade principal é Brigantia.

A terceira data religiosa são os Maios (Beltaine), com o 1 de Maio como indicador de passo. Esta é uma outra época extensa vivida durante o mês todo com bastante intensidade. Os Maios principiam a chamada “metade luminosa do ano” (Samos). A Deidade principal aqui é Bel.

A quarta e derradeira grande data é a Seitura (Lughnasadh), com o 1 de Agosto como referência. Esta época representa a partes iguais a doçura, satisfação e poder da vida assim como o seu próprio fim, pois queira-se ou não este esplendor há-nos levar até o equinócio e posterior feche do ano religioso. A Deidade principal é Lugus.

As quatro festividades menores estão relacionadas com os solstícios e equinócios, eventos astronómicos ligeiramente mutáveis que servem de referência entre as quatro grandes épocas nomeadas acima. Mesmo aqui, os solstícios são considerados frequentemente como mais relevantes que os equinócios.

Seguindo a lógica do ciclo religioso (com o ano a começar no Magusto), o Solstício de Inverno (21 Dezembro) é o que chega primeiro, abrindo um período de três dias e noites que culmina no banquete ritual da chamada Noite Nai (24 de Dezembro).

A seguir encontramos o Equinócio de Primavera (21 Março) ou Alvorada da Terra (celebração diurna), conduzindo depois até o outro grande Solstício, o de Verão (21 Junho), que abre também um período de três dias e noites até a Noite dos Lumes (23-24 Junho). O ciclo astronómico acaba no Equinócio de Outono (21 Setembro) ou Festa das Fachas (celebração nocturna), prelúdio de novo do Magusto.

Adicionalmente, dentro da IDG observamos outras datas de relevância interna como por exemplo o Dia da Batalha do Douro (9 Junho), o Dia da Terra – Dia da Galiza (25 Julho) e ainda o aniversário da nossa própria entidade (11 Novembro). Estas datas não aparecem como tais na Roda, mas estão presentes nas nossas lembranças.

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Maios e encontros, sob os Lumes de Bel

Os “tótemes vegetais” dos Maios, representando a Natureza, sempre alegres e imaginativos, misturando tradição ancestral e modernidade numa linha – aqui sim – sem quebras.

Os Maios (Beltaine) são chegados. A terceira grande celebração religiosa do ano a seguir o Magusto (Samhain) e o Entroido (Imbolc) começa esta noite, no passo do 30 de Abril ao 1 de Maio.

Vêm aí os Lumes de Bel (Bel-tené) – o formoso, o belo, o luminoso – e assoma a cabeça a Tarasca do Val, sabendo que chega já de forma definitiva a consagração da Primavera (tradicionalmente era, de facto, o começo do Verão).

Este ano, aliás, teremos a fortuna de nos encontrar mais uma vez na já sexta edição das Jornadas Galaico-Portuguesas (dias 13 e 14 em Pitões das Júnias, Montalegre).

Não é casual que seja precisamente agora, neste mês, quando proliferam por todo o País tantas “festas da primavera”, já que tratamos com uma autêntica festividade cujos ecos perduram na nossa terra desde o Neolítico.

Como o Magusto (Samhain), os Maios supõem um trânsito, o outro fito da divisão da Roda do Ano em duas partes, onde a mudança esta vez acontece desde a metade escura do ano cara a luminosa, de Giamos a Samos. Retoma o lume guardado por Druidas e Druidesas o seu simbolismo fulcral, leva-se o gado até ele para a sua purificação e saltam homens e mulheres por riba na procura da fertilidade. Regressam a casa depois dum duro inverno fora os moços do Cório (como os irlandeses Fianna), para celebrarem estas datas com o resto do seu Clã.

Se na Seitura (Lugnasad) preparamos-nos com lume à futura chegada da escuridão, aqui chamamos definitivamente à luz que não para de caminhar cara nós. Invoca-se o bem-estar, os gromos e o calor no rito de Alumiar o Pão, para que a Natureza não se esqueça de nós e dos nossos esforços:

Alumia o pão
Alumia-o bem
Alumia o pão
para o ano que vem

Alumia o pai
cada grão um tolodão
Alumia o filho
cada grão um pão de trigo
Alumia a nai
cada grão um tolodão
Alumia a filha
cada grão um pão de trigo

Como na Seitura, é também bom momento para casamentos e uniões, para desfrutar da sexualidade. É o grande festival da fecundidade, do esplendor da natureza, da fartura, das crianças. É uma festa de reconstrução e renovação. Assim, elabora-se o Maio, uma figura inteiramente vegetal – se calhar com algum ovo que a Lebre já cedeu a pedido de Brigantia depois do equinócio  – que representa e centraliza a Natureza, ou uma árvore se se quer, que será passeada por moços e moças; mesmo pode-se vestir uma criança como tal. É a árvore, pois, que indica a chegada sem falho da vida e da luz durante meio ano, em torno à qual todas e todos cantam e dançam em círculos enquanto o Cório bate as suas espadas junto da Tarasca, espinha do Mundo:

Ergue-te Maio
que tanto dormi-che
que passou o Inverno
e ti não o vi-che

De acordo com a tradição galaica celebramos os Maios desde a noite do 30 de Abril, quando (de forma simbólica) apanhavam-se frutos da terra nos campos alumiados por fachos, cujas cinzas serviam depois de adubo, até o significativo dia 1 de Maio. Apanham-se ainda as giestas que hão guardar as casas (e veículos) desde o abrente do dia 1, uma vez colocadas nas portas de forma bem visível. Depois da juntança de luta da manhã tentaremos percorrer o caminho cara um santuário natural para acabarmos de confeccionar o Maio, acender os lumes, jantar e, em definitiva, desfrutar da alegre protecção de Bel que, anovado, viaja arredor do Sol no seu carro de cavalos. Temos ainda a ajuda de Nábia nos nossos cânticos com o repenique das suas águas, precisas para limpar as feridas. A tríade fecha-se com a Deusa Íccona Loimina – embora sempre com um pensamento de agradecimento para Brigantia – por se tiver a bem ajudar na abertura de novos caminhos, ela que sabe e pode protegê-lo.

Os Maios são uma dessas celebrações populares que mostram à perfeição a continuidade duns costumes e crenças desde a mais remota antiguidade até dia de hoje. Pode que perderam parte do seu significado original e outros foram acrescentados, pode que a maioria da gente não saiba o que está a suceder realmente, mas a tradição tem estas cousas: o fundo perdura, apesar de todas as tentativas de o ocultar ou deturpar.

Bel está presente, a Natureza está presente, o “axis mundi” está presente, os Córios estão presentes e rodam no sentido da vida, a fertilidade e a alegria estão presentes, o sentimento de melhora e protecção está presente, e milhares contemplam isto tudo e participam nas ruas da Galécia do século XXI. Estamos viv*s e, como sempre fizemos, cantamos e dançamos.

Amanhã (1 de Maio) é dia de presença nas ruas, por justiça e por festa. Amanhã o País inteiro tinge-se de cor num berro senlheiro. E para quem não conhecera esta festa, eis uma introdução… 😉

As datas de culto, aliás, estendem-se até o dia três e a época dos Maios durante o mês todo, mas neste caso são actividades principalmente pessoais e privadas.

Beltaine, os Lumes de Bel, uma grande e alegre festa em todas as terras célticas

 

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Aí vem o Maio

As crianças

As crianças participam na elaboração do Maio, arredor do qual dançarão e cantarão. Podem também vestir com elementos da Natureza, “confundindo-se” com ela.

Os Maios (Beltaine) são chegados. A terceira grande celebração do ano a seguir o Magusto (Samain) e o Entroido (Imbolc) começa esta noite, no passo do 30 de Abril ao 1 de Maio.

Vêm aí os Lumes de Belenus (Bel-tené) – o formoso, o belo, o luminoso – e assoma a cabeça a Tarasca do Val, sabendo que chega já de forma definitiva a consagração da Primavera (tradicionalmente era, aliás, o começo do Verão).

Não é casual que seja precisamente agora, neste mês, quando proliferam por todo o País tantas “festas da primavera”, já que tratamos com uma autêntica festividade que perdura de forma contínua na nossa terra desde o Neolítico.

Como o Magusto (Samain), os Maios supõem um trânsito, o outro fito da divisão da Roda do Ano em duas partes, a mudança esta vez da metade escura do ano cara a luminosa, de Giamos a Samos. Retoma o lume guardado por Druidas e Druidesas o seu simbolismo fulcral, leva-se o gado até ele para a sua purificação e saltam homens e mulheres por riba na procura da fertilidade. Regressam a casa depois dum duro inverno fora os moços do Cório (como os irlandeses Fianna), para celebrarem estas datas com o resto do seu Clã.

Se na Seitura (Lugnasad) preparamos-nos com lume à futura chegada da escuridão, aqui chamamos definitivamente à luz que não para de caminhar cara nós. Invoca-se o bem-estar, os gromos e o calor no rito de Alumiar o Pão, para que a Natureza não se esqueça de nós e dos nossos esforços:

Alumia o pão
Alumia-o bem
Alumia o pão
para o ano que vem

Alumia o pai
cada grão um tolodão
Alumia o filho
cada grão um pão de trigo
Alumia a nai
cada grão um tolodão
Alumia a filha
cada grão um pão de trigo

Como na Seitura, é também bom momento para casamentos e uniões, para desfrutar da sexualidade. É o grande festival da fecundidade, do esplendor da natureza, da fartura, das crianças. É uma festa de reconstrução e renovação. Assim, elabora-se o Maio, uma figura inteiramente vegetal – se calhar com algum ovo que a Lebre já cedeu a pedido de Brigantia depois do equinócio  – que representa e centraliza a Natureza, ou uma árvore se se quer, que será passeada por moços e moças; mesmo pode-se vestir uma criança como tal. É a árvore, pois, que indica a chegada sem falho da vida e da luz durante meio ano, em torno à qual todas e todos cantam e dançam em círculos enquanto o Cório bate as suas espadas junto da Tarasca, espinha do Mundo:

Ergue-te Maio
que tanto dormi-che
que passou o Inverno
e ti não o vi-che

De acordo com a tradição galaica celebramos os Maios desde a noite do 30 de Abril, quando (de forma simbólica) se apanhava nos campos alumiados por fachos, cujas cinzas serviam depois de adubo, até o significativo dia 1 de Maio. Depois da juntança de luta da manhã tentaremos percorrer o caminho cara um santuário natural para acabarmos de confeccionar o Maio, acender os lumes, jantar e, em definitiva, desfrutar da alegre protecção de Belenus que, anovado, viaja arredor do Sol no seu carro de cavalos. Temos ainda a ajuda de Návia nos nossos cânticos com o repenique das suas águas, precisas para limpar as feridas. A tríade deste ano fecha-se com a Deusa Íccona Loimina – embora sempre com um pensamento de agradecimento para Brigantia – por se tiver a bem ajudar na abertura de novos caminhos, ela que sabe e pode protege-lo.

Os Maios são uma dessas celebrações populares que mostram à perfeição a continuidade duns costumes e crenças desde a mais remota antiguidade até dia de hoje. Pode que perderam parte do seu significado original e outros foram acrescentados, pode que a maioria da gente não saiba o que está a suceder realmente, mas a tradição tem estas cousas, o fundo perdura, apesar de todas as tentativas de o ocultar ou deturpar.

Belenus está presente, a Natureza está presente, o “axis mundi” está presente, os Córios estão presentes e rodam no sentido da vida, a fertilidade e a alegria estão presentes, o sentimento de melhora e protecção está presente, e milhares contemplam isto tudo e participam nas ruas da Galécia do século XXI. Estamos viv*s e, como sempre fizemos, cantamos e dançamos.

Amanhã (1 de Maio) é dia de presença nas ruas, por justiça e por festa. Amanhã o País inteiro tinge-se de cor num berro senlheiro. E para quem não conhecera esta festa, eis uma introdução… 😉

As datas de culto, aliás, estendem-se até o dia três e a época dos Maios durante o mês todo, mas neste caso são actividades principalmente pessoais e privadas.

Beltaine, os Lumes de Bel, uma grande e alegre festa em todas as terras célticas

Ergue-te Maio!

Os Maios (Beltaine) são chegados. A terceira grande celebração do ano a seguir o Magusto (Samain) e o Entroido (Imbolc) começa esta noite, no passo do 30 de Abril ao 1 de Maio.

As crianças ajudam na confecção do Maio, arredor do qual depois cantam e dançam

As crianças ajudam na confecção dos Maios, decorados aqui com ovos e fruta, arredor dos quais depois dançam e cantam, sempre com letras bem arteiras

Vêm aí os Lumes de Belenus (Bel-tené) – o formoso, o belo, o luminoso – e assoma a cabeça a Tarasca do Val, sabendo que chega já de forma definitiva a consagração da Primavera (tradicionalmente era, aliás, o começo do Verão). Não é casual que seja precisamente agora, neste mês, quando proliferam por todo o País tantas “festas da primavera”.

Regressam a casa depois dum duro inverno fora os moços do Cório (como os irlandeses fianna), para celebrarem estas datas com o resto do seu Clã.

Como o Magusto (Samain), os Maios supõem um trânsito, o outro fito da divisão da Roda do Ano em duas partes, a mudança esta vez da metade escura do ano cara a luminosa, de Giamos a Samos. Retoma o lume guardado por Druidas e Druidesas o seu simbolismo fulcral, leva-se o gado até ele para a sua purificação e saltam homens e mulheres por riba na procura da fertilidade.

Se na Seitura (Lugnasad) preparamos-nos com lume à futura chegada da escuridão, aqui chamamos definitivamente à luz que não para de caminhar cara nós. Invoca-se o bem-estar, os gromos e o calor no rito de Alumiar o Pão, para que a Natureza não se esqueça de nós e dos nossos esforços:

Alumia o pão
Alumia-o bem
Alumia o pão
para o ano que vem

Alumia o pai
cada grão um tolodão
Alumia o filho
cada grão um pão de trigo
Alumia a nai
cada grão um tolodão
Alumia a filha
cada grão um pão de trigo

Como na Seitura, é também bom momento para casamentos e uniões, para desfrutar da sexualidade. É o grande festival da fecundidade, do esplendor da natureza, da fartura, das crianças. É uma festa de reconstrução e renovação. Assim, elabora-se o Maio, uma figura inteiramente vegetal – se calhar com algum ovo que a Lebre já cedeu a pedido de Brigantia depois do equinócio  – que representa e centraliza a Natureza, ou uma árvore se se quer, que será passeada por moços e moças; mesmo pode-se vestir uma criança como tal. É a árvore, pois, que indica a chegada sem falho da vida e da luz durante meio ano, em torno à qual todas e todos cantam e dançam em círculos enquanto o Cório bate as suas espadas junto da Tarasca, espinha do Mundo:

Ergue-te Maio
que tanto dormi-che
que passou o Inverno
e ti não o vi-che

De acordo com a tradição galaica celebramos os Maios desde a noite do 30 de Abril, quando (de forma simbólica) se apanhava nos campos alumiados por fachos, cujas cinzas serviam depois de adubo, até o significativo dia 1 de Maio. Depois da juntança de luta da manhã tentaremos percorrer o caminho cara um santuário natural para acabarmos de confeccionar o Maio, acender os lumes, jantar e, em definitiva, desfrutar da alegre protecção de Belenus que, anovado, viaja arredor do Sol no seu carro de cavalos. Temos ainda a ajuda de Návia nos nossos cânticos com o repenique das suas águas, precisas para limpar as feridas. A tríade deste ano fecha-se com a Deusa Íccona Loimina – embora sempre com um pensamento de agredescimento para Brigantia – por se tiver a bem ajudar na apertura de novos caminhos, ela que sabe e pode protege-lo.

Os Maios são uma dessas celebrações populares que mostram à perfeição a continuidade duns costumes e crenças desde a mais remota antiguidade até dia de hoje. Pode que perderam parte do seu significado original e outros foram acrescentados, pode que a maioria da gente não saiba o que está a suceder realmente, mas a tradição tem estas cousas, o fundo perdura, apesar de todas as tentativas de o ocultar ou deturpar.

Belenus está presente, a Natureza está presente, o “axis mundi” está presente, os Córios estão presentes e rodam no sentido da vida, a fertilidade e a alegria estão presentes, e milhares o contemplam e participam nas ruas da Galécia do século XXI. Estamos viv*s e, como sempre fizemos, cantamos e dançamos.

Amanhã é dia de presença nas ruas, por justiça e por festa. Amanhã o País inteiro tinge-se de cor num berro senlheiro. E para quem não conhecera esta festa, eis uma introdução… 😉

As datas de culto, aliás, estendem-se até o dia três e a época dos Maios durante o mês todo, mas neste caso são actividades principalmente pessoais e privadas.

Beltaine, os Lumes de Bel, uma grande e alegre festa em todas as terras célticas

Achega-te Maio junto de mim!

Os Maios (Beltaine) são chegados. A terceira grande celebração do ano a seguir o Magusto (Samain) e o Entroido (Imbolc) começa esta noite, no passo do 30 de Abril ao 1 de Maio.

A roda de nenos e nenas arredor dum Maio (Combarro, PO).

Roda de nenos e nenas arredor dum Maio (Combarro, PO).

Vêm aí os Lumes de Bel (Bel-tené) – o formoso, o belo – e assoma a cabeça a Tarasca do Val, sabendo que chega já de forma definitiva a primavera. Regressam a casa depois dum duro inverno fora os moços do Cório (como os irlandeses fianna), para celebrarem estas datas com o resto do seu Clã.
Como o Magusto (Samain), os Maios supõem um trânsito, o outro fito da divisão da Roda do Ano em duas partes, a mudança definitiva da metade escura do ano à luminosa, de Giamos a Samos. Retoma o lume guardado por Druidas e Druidesas o seu simbolismo fulcral, leva-se o gado até ele para a sua purificação e saltam homens e mulheres por riba na procura da fertilidade. Se no Lugnasad preparamos com lume a futura chegada da escuridão, aqui chamamos definitivamente à luz que não para de caminhar cara nós. Invoca-se o calor, em definitiva o Sol, no rito de Alumiar o Pão:

Alumia o pão
Alumia-o bem
Alumia o pão
para o ano que vem

Alumia o pai
cada grão um tolodão
Alumia o filho
cada grão um pão de trigo
Alumia a nai
cada grão um tolodão
Alumia a filha
cada grão um pão de trigo

É o grande festival da fecundidade, do esplendor da natureza, da fartura. É uma festa de reconstrução e renovação simbolizada também pela morte do deus Maponos pendurado duma árvore, morte temporária pois renasce depois nessa mesma árvore. Assim a Comunidade elabora o Maio, uma figura inteiramente vegetal – se calhar com algum ovo que a Lebre já cedeu a pedido de Brigantia depois do equinócio  – que representa e centraliza a natureza, a essa árvore se se quer, ou escolhe-se uma árvore que será passeada por moços e moças; mesmo pode-se vestir uma criança como tal. É a árvore pois que traz a vida e a luz durante meio ano, em torno à qual todas e todos cantam e dançam em círculos enquanto o Cório bate as suas espadas junto da Tarasca, espinha do Mundo:

Ergue-te Maio
que tanto dormi-che
que passou o inverno
e ti não o vi-che

De acordo com a tradição galaica celebramos os Maios desde a noite do 30 de Abril até o significativo dia 1 de Maio, onde depois da juntança de luta da manhã percorremos o caminho cara um santuário natural com o galho de acabar de confeccionarmos o Maio, acender os lumes, jantar e, em definitiva, desfrutar da alegre proteção de Bel sobre nós e da ajuda de Návia nos nossos cânticos com o repenique das suas águas, sempre precisas para limpar as feridas e completar a ressurreição de Maponos. Amanhã é dia de presença nas ruas, por justiça e por festa. Amanhã o País inteiro tinge-se de cor num berro senlheiro.

As datas de culto, aliás, estendem-se até o dia três, mas neste caso são actividades principalmente pessoais e privadas.

Para mais informações sobre a celebração deste ano – sempre sujeitas à climatologia – contactem sempre.

Beltaine, os Lumes de Bel

Chegam os Maios!

Os Maios (Beltaine) são chegados. A terceira grande celebração do ano após o Magusto (Samain) e o Entroido (Imbolc) começa esta noite, no passo do 30 de Abril ao 1 de Maio.

maiosou2011

Todas e todos somos Natureza. Nos Maios todas e todos somos Verde, mais do que nunca. (Maio na cidade de Ourense, 2011. Foto: EFV)

Vêm aí os Lumes de Bel (Bel-tené) – o formoso, o belo – e assoma a cabeça a Tarasca do Val, sabendo que chega já de forma definitiva a primavera. Regressam a casa depois dum duro inverno fora os moços do Cório (como os irlandeses fianna), para celebrarem estas datas com o resto do seu Clã.
Como o Magusto (Samain), os Maios supõem um trânsito, o outro fito da divisão da Roda do Ano em duas partes, a mudança definitiva da metade escura do ano à luminosa, de Giamos a Samos. Retoma o lume guardado por Druidas e Druidesas o seu simbolismo fulcral, leva-se o gado até ele para a sua purificação e saltam homens e mulheres por riba na procura da fertilidade. Se no Lugnasad preparamos com lume a futura chegada da escuridão, aqui chamamos definitivamente à luz que não para de caminhar cara nós. Invoca-se o calor, em definitiva o Sol, no rito de Alumiar o Pão:

Alumia o pão
Alumia-o bem
Alumia o pão
para o ano que vem

Alumia o pai
cada grão um tolodão
Alumia o filho
cada grão um pão de trigo
Alumia a nai
cada grão um tolodão
Alumia a filha
cada grão um pão de trigo

Maio processional da cidade de Ponte Vedra (2009)

É o grande festival da fecundidade, do esplendor da natureza, da fartura. É uma festa de reconstrução e renovação simbolizada também pela morte do deus Maponos pendurado duma árvore, morte temporária pois renasce depois nessa mesma árvore. Assim a Comunidade elabora o Maio, uma figura inteiramente vegetal – se calhar com algum ovo que a Lebre já cedeu depois do equinócio  – que representa e centraliza a natureza, a essa árvore se se quer, ou escolhe-se uma árvore que será passeada por moços e moças; mesmo pode-se vestir uma criança como tal. É a árvore pois que traz a vida e a luz durante meio ano, em torno à qual todas e todos cantam e dançam em círculos enquanto o Cório bate as suas espadas junto da Tarasca, espinha do Mundo:

Ergue-te Maio
que tanto dormi-che
que passou o inverno
e ti não o vi-che

De acordo com a tradição galaica celebramos os Maios desde a noite do 30 de Abril até o significativo dia 1 de Maio, onde depois da juntança de luta da manhã percorremos o caminho cara um santuário natural com o galho de acabar de confeccionarmos o Maio, acender os lumes, jantar e, em definitiva, desfrutar da alegre protecção de Bel sobre nós e da ajuda de Návia nos nossos cânticos com o repenique das suas águas, sempre precisas para limpar as feridas e completar a ressurreição de Maponos. Amanhã é dia de presença nas ruas, por justiça e por festa. Amanhã o País inteiro tinge-se de cor num berro senlheiro.

As datas de culto, aliás, estendem-se até o dia três, mas neste caso são actividades principalmente pessoais e privadas.

Para mais informações sobre a celebração deste ano – sempre sujeitas à climatologia – contactem sempre.

Beltaine, os Lumes de Bel

Imagens dos Maios

Já estão disponíveis algumas fotografias das celebrações dos Maios (Beltaine) deste ano. Podem ver estas imagens e muitas outras na página oficial de Facebook da Irmandade, que é usada – por enquanto e entre outras cousas – a modo de arquivo fotográfico.

É só clicar > AQUI < (acesso aberto/público).

Nota: As fotos das celebrações do Entroido (Imbolc) deste ano não são feitas públicas ao ter-se tratado de rituais privados.