A caça como exemplo do pior na nossa sociedade.

Imagem de uso público cedida amavelmente por Rewilding Galicia.

Carta aberta à Xunta de Galicia(*) em relaçom ao seu apoio às “actividades cinegéticas/caça e pesca desportiva” e, nomeadamente, aos “campeonatos de caça” que patrocina periodicamente.

Poderíamos entrar a valorar qual autoridade moral tem realmente o ser humano para decidir sobre outros seres vivos, qual o prazer de extinguir umha vida por puro divertimento. Poderíamos questionar os nossos modelos predatórios de consumo e alimentaçom. Poderíamos debater sobre o enorme impacto antrópico no ambiente e gestom da Natureza em geral.

Mas essas questons podem ficar para outro dia por umha vez.

Focamos agora na legalidade existente e nas palavras e obras de quem, teoricamente, é responsável do cuidado do nosso território e do que hai nele.

É já conhecido que diversas entidades públicas e privadas venhem organizando massacres sob pretextos como o “desporto”, “controlo do meio” ou a “dinamizaçom da actividade económica”. Assim, os vindeiros encontros subvencionados de exaltaçom da crueldade agromam sem pudor no calendário:

Campeonato Provincial de Raposo (Corunha): 12 de Janeiro.
Campeonato Provincial de Raposo (Lugo): 12 de Janeiro.
Campeonato Provincial de Raposo (Ourense): 12 de Janeiro.
Campeonato Provincial de Raposo (Ponte Vedra): 12 de Janeiro.
Campeonato Galego (concelhos de Carnota e Muros): 26 de Janeiro.
XII Copa Espanha de Raposo: 2 de Fevereiro.
Copa Provincial de Lugo: 9 de Fevereiro.

Porém, como indica este comunicado (ou este, ou este, ou tamém este), e dentro da própria lógica administrativa, a Xunta ignora a Lei 13/2013 (23 Dezembro) em relaçom à caça que teria a teórica finalidade de “proteger, conservar, fomentar e aproveitar ordenadamente os recursos cinegéticos de modo compatível com o equilíbrio natural e os distintos interesses afectados”. Onde estám pois os informes técnicos que sustentem isto tudo? Que justificaçom hai para essa sequência de datas? Que macabra lógica tem assassinar mais de 12000 raposos cada ano no nosso país?

Realmente nom vemos mais sentido que um retorno de favores entre determinados grupos amigos. Chega com olhar para os nomes dos organizadores e apoiantes para tirar conclusons das infames conexons existentes entre eles. É alarmante ver aí poderes públicos esbanjando o nosso dinheiro numha sádica barbárie na vez de realmente fomentar o desporto ou lutar contra os lumes (ardem hectares e hectares nestas alturas do ano!).

Acreditamos logo que a dia de hoje a Xunta nom cumpre o seu papel de guardiá da Natureza galega, nem dos animais nem dos bosques e espécies vegetais autóctones. Acreditamos que grande parte das suas palavras e acçons neste aspecto tenhem sido mera propaganda e papel molhado. É um (des)governo sem visom global de país, sem planos a longo prazo, sem mais motivaçom que o espúrio interesse eleitoralista. A demonstraçom está no desequilíbrio territorial, no espólio dos nossos recursos naturais, na desestruturaçom e desmantelamento sistemático da Galiza a todos os níveis. Em resumo, na sua lenta mas constante desapariçom como realidade geográfica e comunidade humana diferenciada.

Practicamente toda política oficial de suposto cuidado do nosso património ambiental, histórico e cultural é, basicamente, um fracasso total quando nom um insulto à inteligência. Só nos podemos perguntar se isto é intencionado ou fruto da mais absoluta incompetência. De qualquer modo vai além do preocupante.

Nom obstante, confiamos no trabalho de base bem feito como única esperança para esta terra, onde numha competência contra-relógio poidamos salvar o que a nossa Tradiçom tem de bom na construçom dum futuro mais informado, melhor educado, definitivamente mais justo e livre de maltrato e crueldade, onde a confiança seja outorgada e o poder ganhado por méritos, trabalho e acçons positivas reais.

 

PS. A IDG é umha entidade religiosa registada com o Ministério de Justiça espanhol (no. 022549) que tem como fins estatutários, entre outros, a reverência à Natureza e a promoçom e defesa da cultura, língua, património, interesses, integridade e dignidade da Galiza. Lembramos que a IDG subscreve a Declaraçom Universal dos Direitos Animais e que mantém umha política de tolerância zero em relaçom ao maltrato animal. Animamos a qualquer pessoa practicante ou apoiante da chamada “caça e pesca desportiva”, touradas e demais “espectáculos” a deixar de seguir os nossos perfis públicos de forma imediata e procurar tratamento psicológico ou psiquiátrico profissional.

 

(*) Por extensom a todas as outras administraçons implicadas e entidades privadas de longa e demonstrada tradiçom esquilmadora.

Exemplo do falado: cartaz oficial para a província de Ponte Vedra da juntança de pessoas armadas e perigosas, com a conveniência total dos governos de turno.

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Repulsa total à tortura e maltrato animal

“Ponte Vedra sem sangue”. Evento no Facebook

Hoje começam as sessons anuais de tortura organizada na cidade de Ponte Vedra, derradeiro resíduo da imposiçom das touradas na nossa terra que sobrevivem única e exclusivamente por causa do orgulho doentio dos organizadores (apesar do mínimo interesse local) e, que ninguém esqueça, das ajudas económicas de poderes públicos.

Esbanjamento de recursos, sujidade, barulho, alcoolismo juvenil nas ruas, morte… Umha “celebraçom” que desfai qualquer trabalho de sensibilizaçom e educaçom no civismo durante o resto do ano, umha “festa” à que nom lhe vemos nem sentido nem lugar na Galiza que queremos para o século XXI.

Assim, mais um ano, o sábado 11 às 20 horas a IDG acudirá ao chamado da plataforma cidadá Touradas Fora de Ponte Vedra e acompanhará a manifestaçom popular demandando o fim das touradas nessa cidade e, por descontado, em toda a nossa terra e em qualquer outro lugar.

Com isto a IDG reitera o seu absoluto rejeitamento a qualquer tipo de tortura animal, onde as touradas estám inseridas. Nom só isso, o nojento “espectáculo” das touradas é totalmente alheio à nossa tradiçom cultural, umha perspectiva que até pode ficar em segundo plano pola gravidade da atrocidade, mas que é importante salientar no actual processo de assimilaçom e desmantelamento simbólico do nosso País.

A IDG encontra aqui umha confluência entre seu princípio estatutário de defesa da cultura, património e dignidade da Galiza por umha banda, e o princípio religioso da sacralidade da Natureza por outro (eis a relevância da sua protecçom e tolerância zero em relaçom ao maltrato animal).

Deste jeito, lembramos mais umha vez que toda pessoa praticante ou apoiante de tais práticas, onde incluímos a chamada caça e pesca desportiva, nom pode formar parte da IDG e, no caso de seguir algum dos nossos perfis públicos, convidamo-la a deixar fazê-lo.

Consideramos, aliás, que qualquer pessoa que encontre verdadeiro prazer no sofrimento e morte de um outro ser consciente (um inocente a maos de alguém pretendidamente racional) nom pode mais que parecer algum tipo de tara ou desequilíbrio. Para elas vai o nosso total desprezo e acrescentamos que, para quem se dedicar profissionalmente ou se lucrar com essas actividades, dirigimos o nosso mais enérgico Meigalho (repulsa).

Para mais informaçom sobre a nossa visom do entorno natural e o que achamos deveria ser o nosso relacionamento com ele, veja-se este outro texto.

Umha das respostas maciças do povo galego às touradas mantidas só graças às ajudas e subvençons. Fonte: Pontevedra Viva.

 

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Nom perturbemos a Natureza

Nestas datas de verám muitos e muitas de nós gostamos de interagir ainda mais com a Natureza, seja mediante passeios de montanha ou banhos na praia, desfrutando de tudo o bom que tem para dar este mundo no que vivemos. Normalmente fazemos isto aproveitando as jornadas de férias bem seja por prazer, por saúde, por instinto, ou pola forte chamada que toda pessoa Druidista sente cara a nossa fonte de inspiraçom primordial e foco de reverência central que é esse mundo natural.

Contudo, é imprescindível sabermos estar na Natureza, sendo cientes que nada nela devemos perturbar, danar nem sujar. Antes o contrário, como Druidistas devemos protege-la e cuidá-la ao máximo das nossas possibilidades. Assim, devemos estudar e compreender como funcionam os ciclos naturais, os ecosistemas que visitamos, os hábitos e ritmos dos animais… É umha actividade fascinante nela mesma que, tamém, contribui decisivamente à nossa experiência espiritual profunda, pois poderemos interiorizar de forma efectiva a realidade do nosso redor.

Por isto é importante repetir que nós somos Natureza e a Natureza está em nós, e com isto assimilar que as plantas e árvores, animais grandes e pequenos, montanhas, rochas, praias ou o mar, rios e lagos, nom estám aí só para o nosso mero divertimento senom que som parte de nós e nós parte deles. Nomeadamente, os animais som os nossos iguais e nom existem “para nós” ou para “o nosso uso”, umha ideia totalmente errónea mas por desgraça firmemente ancorada nos ensinamentos derivados do cristianismo cultural no que a maioria de nós foi educada.

Como especificamos na nossa secçom de Perguntas Frequentes – FAQ, os animais nom-humanos som os nossos companheiros de vida, seres doutras espécies com quem nos relacionamos e estabelecemos, de facto, vínculos emocionais. Deixando agora de lado interpretaçons simbólico-religiosas, criam-se com eles e arredor deles umha série de dinâmicas que estám sempre sob escrutínio moral e ético pois as suas condiçons de vida, a sua própria vida, está nas nossas mans. Somos responsáveis por eles assim como somos responsáveis polo cuidado de todo elemento natural ou ser inocente que, sem opçom, pode se ver afetado polas nossas acçons “inteligentes”.

Deste jeito, lembramos novamente que a IDG subscreve a Declaraçom Universal dos Direitos Animais e que mantém umha política de tolerância zero em relaçom ao maltrato animal. Aliás, a prática de “desportos” com participaçom animal ou a chamada caça e pesca “desportiva” é incompatível com a pertença à IDG.

A premissa realmente é muito simples: deixa os bichos estar; se gostas deles, cuida deles, nom os amoles.

Seguindo esta linha de pensamento abrimos aqui um ponto de reflexom totalmente lógico que tamém figura no nosso FAQ: como seres conscientes e sensíveis que som a pergunta é se podem ser utilizados como fonte de alimento. Isto pode ser respondido com outras perguntas: precisamos realmente de animais como fonte de alimento hoje em dia na nossa sociedade? Temos direito a dispor das vidas doutros seres que nengum mal nos figeram à nossa vontade? Em base a quê? A resposta é, acreditamos, negativa em todos os casos.

Persevera-se no uso e consumo de animais por puro egoísmo ou comodidade – ou por um mero ganho económico (nomeadamente o lobby da caça na nossa terra e a indústria da carne, só interessada no seu próprio benefício) – forçando-os no processo a um sofrimento brutal inegável e amplamente demonstrado. Tal comportamento é ilógico e cruel nas nossas coordenadas sociais e históricas actuais.

A escolha é pessoal, porém encorajamos a toda pessoa Druidista a pensar, informar-se com rigor e explorar as múltiplas opçons do vegetarianismo ou o veganismo como alternativas a possíveis conflitos éticos.

Polo demais… boas férias! Desfrutade da Natureza, cuidade-a, cuidade-vos  🙂

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