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O milho está apanhado… Feliz Magusto e Ano Novo!

A IDG abriu-se ao mundo no Magusto de 2011. Esta é uma imagem da nossa primeira celebração pública desta época, no primeiro Roteiro da Pantalha organizado pela querida A.C. Amigas da Cultura.

A IDG abriu-se ao mundo no Magusto de 2011. Eis uma imagem da nossa primeira celebração pública desta época, no I Roteiro da Pantalha organizado pela querida A.C. Amigas da Cultura.

Na mágica noite do dia de hoje inauguramos o Ano Novo celta. No trânsito do 31 de Outubro ao 1 de Novembro é já popular em muitas partes do mundo celebrar uma festividade eminentemente Druídica, a mais especial de todas.

Bem-vindos e bem-vindas à Noite de Magusto e o seu cheiro a castanha assada, dos sorridentes Calacús, dos Defuntos que nos falam, do gaélico Samhain ou mesmo de Halloween para que toda a gente entenda.

É a noite quando acabam de abrir de vez as portas do Além (Sídhe) para durante esta temporada podermos finalmente comunicar sem eivas com os que não estão. É o intre concreto e simbólico que marca o fim do ano e o começo dum novo, celebrando-se com uma grande festa onde partilhamos risos, alegria e comida com os nossos Devanceiros e Devanceiras. São, em definitiva, os momentos mais importantes do ano para quem anda os vieiros da Druidaria.

A Roda do Ano completa uma volta inteira, marcando já sem dúvidas a entrada cara o Inverno. Adeus Samos, olá Giamos. É o merecido descanso da Terra e a satisfação de termos não só superado mais um ano, senão de estarmos celebrando em comunidade a boa disposição e coragem para seja o que for vem a seguir, sem importar o rigor da estação. Que chova! O milho já está apanhado.

Toma Bandua as suas chaves e abre as cancelas do Além, deixando passo a Berobreo e os seus. Longe já do esplendor da luz de Lugus (que morre e dorme placidamente guardado pelo mesmo Bandua) ou da regeneração de Brigantia e posterior apoteose de Bel, é agora decididamente a quenda da Cailleach – senhora da nossa Terra – completando não só o ciclo de celebrações e deidades do nosso calendário sagrado, senão também o seu próprio. Não olha mais desde um canto, mas sim adquire o protagonismo todo quando, precisamente, deixa de ser nova e linda, quando chega ao seu aparente fim e vira velha e sábia. Será ela, a também senhora da noite, quem facilite o trânsito entre o Aquém e o Além junto de Bandua e Berobreo; será ela quem tome conta das bestas por uma temporada; será ela a que de repente cessará de lembrar-nos a perda que pode supor o passo do tempo para fazer ver que em verdade o que havia era construção, mudança, avanço, com o exemplo da sua própria e pessoal regeneração.

A Cailleach trabalha agora a Terra com o seu sacho até passado o próximo solstício. E com tanta trabalheira haverá quem pense que está a destroçar, mas realmente remexe o necessário para sementarmos quando chegue a nossa vez. Deixará por uma ocasião de rosmar das outras Deidades para estender o seu saio aconchegante sobre o Cosmos todo.

Estes dias a Galiza está em festa. Não há cidade, vila ou aldeia que não festeje e honre as suas Devanceiras e Devanceiros. Não há recuncho do País que não cheire a castanha assada (alimento favorito no Além, como o leite) e a gente pense no Magusto. Não há lugar onde não fique acesa uma candeia. Não há crianças que não sintam que é noite de troula e vaiam “pedir o pão” (O Migalho) pelas portas. Não há janela sem calacú, as “cabeças cortadas” que protegem o lar. Trespassam-se limiares, assim que ninguém esqueça deixar a sua oferenda de leite na porta da casa para Irusan e os seus, e tomar um chisco de pão ao cruzá-la para fora.

Hoje caem os muros etéreos e seica para-se o tempo. O mar entre mundos vira regato, quase ao alcance da simples vista. Ficamos logo nas mãos da Cailleach, na companhia dos amigos corvo e gato e baixo o abeiro do teixo, aconchegando-nos ao pé do purificador lume faladoiro do novo ano.

É tempo de Druidaria. Mais do que nunca esta é a nossa festa rachada.

Feliz Magusto! Bom Ano Novo a todos e a todas! Nós abofé que estaremos celebrando! (para um seguimento da noite consultade o perfil aberto em Twitter da IDG – não é preciso ter conta para ver – onde irão aparecendo informações e fotografias do Roteiro da Pantalha).

Comida de Magusto. Deixade castanhas e leite nas portas e nos cruzamentos. Haverá quem os aproveite bem...

Comida de Magusto. Deixade castanhas e leite (sem lactosa 😉 ) nas portas e nos cruzamentos. Haverá quem os aproveite bem e guardem esses lugares por nós… Mas cuidado, esta noite é precisamente o único momento quando não se podem apanhar as castanhas!

PD. Convidamos à atenta leitura desde artigo, muito detalhado e bem documentado, e ainda deste outro, explicando e exemplificando como esta celebração continua viva em múltiplas e variadas formas, mas sempre com o mesmo sentimento profundamente druídico. Recomendamos, aliás, completar com este outro, também de interesse. Ainda, para quem poida ler em inglês, um texto explicando o relacionamento entre Magusto-Samhain-Halloween.

 

[in English] Magosto, Magusto, Samhain, Halloween… different names for the same period of time which begins with the first scent of roasted chestnuts.

On the ‘Night of the Pumpkins’ or ‘Night of the Dead’ (October 31st-1st November) – as we call it in Galicia – an ancient Celtic festival is celebrated around the world.

Despite the twists and turns of history, we know well that this is a magical time – the most important of the year – as we celebrate the end of a cycle with a grand feast, cherishing the memory of the Ancestors, all those to whom we owe living as we live, knowing what we know, being who we are.

So get ready for winter! now that the barns are full and we are certain that we’ll spend it in good company. Let the Earth take a rest, for the next thing will be the return of light and Spring.

Have a nice one and Happy New Celtic Year!

>Click here< to read more about the Magusto/Samhain/Halloween in English, or >here< to know more about the IDG.

Bom Ano Novo neste Magusto de cheia

A Senhora Cailleach no seu terceiro passo não é nem moça nem adulta, mas velha e mais sábia, gerindo tudo o que sucede nestas datas.

A Senhora Cailleach no seu terceiro passo não é nem moça nem adulta, mas velha e mais sábia, gerindo tudo o que sucede nestas datas.

Na mágica noite do dia de hoje inauguramos o Ano Novo celta. No trânsito do 31 de Outubro ao 1 de Novembro é já popular em muitas partes do mundo celebrar uma festividade eminentemente Druídica, a mais especial de todas.

Bem-vindos e bem-vindas à Noite de Magusto e o seu cheiro a castanha assada, dos sorridentes Calacús, dos Defuntos que nos falam, do gaélico Samhain, ou mesmo de Halloween para que toda a gente entenda.

É a noite quando acabam de abrir de vez as portas do Além (Sídhe) para durante esta temporada podermos finalmente comunicar sem eivas com os que não estão graças aos corvos de Reva, que voam alegres e a vontade. É o intre concreto e simbólico que marca o fim do ano e o começo dum novo, celebrando-se com uma grande festa onde partilhamos risos, alegria e comida com os nossos Devanceiros e Devanceiras. São, em definitiva, os momentos mais importantes do ano para quem anda os vieiros da Drudaria.

A Roda do Ano completa uma volta inteira, marcando já sem dúvidas a entrada cara o Inverno. Adeus Samos, olá Giamos. É o merecido descanso da Terra e a satisfação de termos não só superado mais um ano, senão de encontrar-mo-nos celebrando em Comunidade a boa disposição e coragem para seja o que for vem a seguir, sem importar o rigor da estação. Que chova! O milho já está apanhado.

Toma Bandua as suas chaves e abre as cancelas do Além, deixando passo a Berobreo e os seus. Longe já do esplendor da luz de Lugus (que morre e dorme placidamente guardado pelo mesmo Bandua), ou da regeneração de Brigantia e posterior apoteose de Bel, é agora decididamente a quenda da Cailleach – senhora da nossa Terra – completando não só o ciclo de celebrações e deidades do nosso calendário sagrado, senão também o seu próprio. Não olha mais desde um canto, mas sim adquire o protagonismo todo quando, precisamente, deixa de ser nova e linda, quando chega ao seu aparente fim e vira em velha mas sábia. Será ela, a também senhora da noite, quem facilite o trânsito entre o Aquém e o Além junto de Bandua e Berobreo; será ela quem tome conta das bestas por uma temporada; será ela a que de repente cessará de lembrar-nos a perda que pode supor o passo do tempo para fazer ver que em verdade o que havia era construção, mudança, avanço, com o exemplo da sua própria e pessoal regeneração.

A Cailleach trabalha agora a Terra com o seu sacho até passado o próximo solstício. E com tanta trabalheira haverá quem pense que está a destroçar, mas realmente remexe o necessário para sementarmos quando chegue a nossa vez. Deixará por uma ocasião de rosmar das outras Deidades para, como autêntica nai, estender o seu saio aconchegante sobre o Cosmos todo.

Estes dias a Galiza está em festa. Não há cidade, vila ou aldeia que não festeje e honre as suas Devanceiras e Devanceiros. Não há recuncho do País que não cheire a castanha assada (alimento favorito no Além, como o leite) e a gente pense no Magusto. Não há lugar onde não fique acesa uma candeia. Não há crianças que não sintam que é noite de troula e vaiam “pedir o pão” pelas portas. Não há janela sem calacú, as “cabeças cortadas” que protegem o lar. Trespassam-se limiares, assim que ninguém esqueça deixar a sua oferenda de leite na porta da casa para Irusan e os seus, e tomar um chisco de pão ao cruzá-la para fora.

Hoje caem os muros etéreos e seica para-se o tempo. O mar entre mundos vira regato, quase ao alcance da simples vista. Ficamos logo nas mãos da Cailleach, na companhia dos amigos corvo e gato e baixo o abeiro do teixo, aconchegando-nos ao pé do purificador lume faladoiro do novo ano.

É tempo de Druidaria. Mais do que nunca esta é a nossa festa rachada.

Feliz Magusto! Bom Ano Novo a todos e a todas! Nós abofé que estaremos celebrando.

Comida de Magusto. Deixade castanhas e leite nas portas e nos cruzamentos. Haverá quem os aproveite bem...

Comida de Magusto. Deixade castanhas e leite nas portas e nos cruzamentos. Haverá quem os aproveite bem e guardem esses lugares por nós… Mas cuidado, esta noite é precisamente o único momento quando não se podem apanhar as castanhas!

Convidamos à atenta leitura deste artigo, explicando e exemplificando como esta celebração continua viva em múltiplas e variadas formas, mas sempre com o mesmo sentimento, profundamente druídico. Recomendamos, aliás, completar com este outro, também de muito interesse.

Cheira a castanha de Magusto, é o Ano Novo

Senhora Cailleach no seu terceiro passo: nem moça nem adulta, mas velha rosmona e sábia, apoiada no seu sacho e vestindo o seu saio quando abrem as portas do Além, começa o ano e vai frio, vento e chuva.

A grande e mágica noite já está aqui! No trânsito do 31 de Outubro ao 1 de Novembro milhões de pessoas em todo o mundo celebram uma tradição druídica, uma festa celta, fixada já popularmente nesta data. É a Noite de Magusto, dos Calacús, de Samain (que alguns chamam de Halloween).

É a noite quando acabam de abrir de vez as portas do Além (Sídhe) para durante três dias podermos finalmente comunicar sem eivas com quem não estão graças aos corvos da deusa Reva, que voam alegres e a vontade. É o intre concreto e simbólico que marca o fim do ano e o começo dum novo, celebrando-se tanto religiosamente como com uma grande festa onde é tão importante a comunhão com os nossos devanceiros e devanceiras como o riso e a alegria. Entre hoje e amanhã são, em definitiva, os momentos mais importantes do ano para os/as Caminhantes da Drudaria.

A Roda do Ano completa uma volta inteira, marcando já sem dúvidas a entrada cara o Inverno. É o merecido descanso da Terra e a satisfação de termos não só superado mais um ano, senão de encontrar-mo-nos celebrando em Comunidade a boa disposição e coragem para seja o que for vem a seguir, sem importar o rigor da estação. Que chova! O milho já está apanhado.

Toma Bandua as suas chaves e abre as cancelas do Além, deixando passo a Berobreo e os seus. Longe já do esplendor da luz de Lug (que morre e dorme placidamente guardado pela mesma Bandua), ou da regeneração de Brigantia e posterior apoteose de Bel, é agora decididamente a quenda da Cailleach – senhora da nossa Terra – completando não só o ciclo de celebrações e deidades do nosso calendário sagrado, senão também o seu próprio. Não olha mais desde um canto, mas sim adquire o protagonismo todo quando, precisamente, deixa de ser nova e linda, quando chega ao seu aparente fim, o fim do ano, e vira em velha mas sábia. Será ela, a também senhora da noite, a que facilite o trânsito entre aqui e o Além junto a Bandua e Berobreo; será ela quem tome conta das bestas por uma temporada; será ela a que de repente cessará de lembrar-nos a perda que pode supor o passo do tempo para fazer ver que em verdade o que havia era construção, mudança, avanço, com o exemplo da sua própria e pessoal regeneração.

Irusan e os seus estão muito presentes esta ano.

Irusan e os seus estão presentes esta ano.

A Cailleach trabalha agora a Terra com o seu sacho até passado o próximo solstício. E com tanta trabalheira haverá quem pense que está a destroçar, mas realmente remexe o necessário para sementarmos quando chegue a nossa vez. Deixará por uma ocasião de rosmar das outras deidades para, como autêntica nai, estender o seu saio aconchegante sobre o Cosmos todo.

Estes dias a Galiza está em festa. Não há cidade, vila ou aldeia que não festeje e honre as suas devanceiras e devanceiros. Não há recuncho do País que não cheire a castanha assada (alimento favorito no Além) e a gente pense no Magusto. Não há lugar onde não fique acesa uma candeia. Não há janela sem calacú, as “cabeças cortadas” que protegem o lar. Não há crianças que não sintam que é noite de troula e vaiam “pedir o pão” pelas portas. E esta ano, ainda, não esqueceremos colocar o leite à porta para Irusan e os seus, muito especialmente presentes esta vez.

Hoje caem os muros etéreos e seica para-se o tempo. O mar entre mundos vira regato, quase ao alcance da simples vista. Ficamos logo nas mãos da Cailleach, na companhia dos amigos corvo e gatos e baixo o abeiro do teixo.

É tempo de Druidaria. Mais do que nunca esta é a nossa festa rachada.

Feliz Magusto! Bom Ano Novo a todos e a todas! Nós abofé que estaremos celebrando.

Baixar cartão comemorativo aqui

Baixar cartão comemorativo do Magusto 2014

Convidamos à atenta leitura deste artigo, explicando e exemplificando como esta celebração continua viva em múltiplas e variadas formas, mas sempre com o mesmo sentimento, profundamente druídico. Recomendamos, aliás, completar com este outro.

Roteiro da Pantalha, e vão quatro!

Cartaz deste IV Roteiro da Pantalha, 2014

Cartaz deste IV Roteiro da Pantalha, 2014. Vem celebrar o Magusto e o Ano Novo celta! (clica para alargares)

Giamos, a metade escura do ano, é já uma realidade acompanhada por fim do tempo Outonal. A chamada ‘Maré de Magusto’ apanha fôlegos e toda crente Druídica decerto sente a iminente chegada do aninovo celta, a festa do Samain, Halloween, a nossa época de Magusto, nomes todos que não deixam de fazer referência e este tempo tão especial, a principal celebração do ano, quando o ar enche-se de cheiros a castanha assada.

Assim, na sua quarta edição, a A.C. Amigas da Cultura e o colectivo Capitán Gosende organizam um novo Roteiro da Pantalha (nome local da Estadea ou ‘Santa Companha’), após o grande sucesso das edições anteriores (ver, como exemplo, algumas fotos do 2011, 2012 e 2013). Também, como nas outras ocasiões, a Irmandade Druídica Galaica estará presente apoiando esta iniciativa de convívio para conhecermos melhor as antergas tradições da nossa terra e celebrarmos em comunidade.

A noite mais especial – do 31 de Outubro ao 1 de Novembro – começará às 20h com uma caminhada desde a aldeia de Pedre (Cerdedo, Terra de Montes), que rematará com um generoso banquete e sessão de conta-contos participativa na Casa Florinda (Pedre).

Para apontar-se à ceia (18€) ou para dormidas (15€/pessoa, almoço incluído, vagas muito limitadas) é precisa reserva com o próprio estabelecimento (Tlf. 687 742323 / 986 753180; correio-e florindarural@gmail.com).

A simples assistência e a caminhada estão, obviamente, livres de todo custo.

É altamente aconselhado trazer calçado ajeitado para terrenos molhados e irregulares e boa iluminação (tradicional e/ou eléctrica), pois o percurso encontrara-se na mais absoluta escuridão e pode que as condições climáticas não estejam do nosso favor.

 

Importante: Esta actividade acima anunciada tem carácter cultural e celebratório mas não estritamente religioso. Para as/os Caminhantes interessadas/os no rito religioso será preciso contactar directamente com a IDG (idg @ durvate.org). Aquelas/es que não o fizerem e os seus nomes não forem confirmados não poderão participar no ritual da IDG. Um texto de carácter religioso será publicado neste mesmo espaço, aliás, mais próximo da data em questão.

Bom Magusto. Feliz Ano Novo

Senhora Cailleach no seu terceiro passo: nem moça nem adulta, mas velha rosmona e sábia, apoiada no seu sacho e vestindo o seu saio quando abrem as portas do Além, começa o ano e vai frio, vento e chuva.

No trânsito do 31 de Outubro ao 1 de Novembro milhões de pessoas arredor do mundo celebram uma tradição druídica, uma festa celta, fixada já popularmente nesta data. É a Noite de Magusto, de Samain (que alguns chamam de Halloween), dos Calacús, chegou o Samónios. É a noite quando acabam de abrir de vez as portas do Além (Sídhe) para durante três dias podermos finalmente comunicar sem eivas com os/as que não estão graças aos corvos da deusa Reva, que voam alegres e a vontade. É o intre concreto e simbólico que marca o fim do ano e o começo dum novo, celebrando-se tanto religiosamente como com uma grande festa onde é tão importante a comunhão com os nossos devanceiros e devanceiras como rir e ficar ledo/a. Entre hoje e amanhã são, em definitiva, os momentos mais importantes do ano para os/as Caminhantes da Drudaria.

A Roda do Ano completa uma volta inteira, marcando já sem dúvidas a entrada cara o Inverno. É o merecido descanso da Terra e a satisfação de termos não só superado mais um ano, senão de encontrar-mo-nos celebrando em Comunidade a boa disposição e coragem para seja o que for vem a seguir, sem importar o rigor da estação.

Toma Bandua as suas chaves e abre as cancelas do Além, deixando passo a Berobreo e os seus. Longe já do esplendor da luz de Lug (que morre e dorme placidamente guardado pela mesma Bandua), ou da regeneração de Brigantia e posterior apoteose de Bel, é agora decididamente a quenda da Cailleach – senhora da nossa Terra – completando não só o ciclo de celebrações e deidades do nosso calendário sagrado, senão também o seu próprio. Não olha mais desde um canto, mas adquire o protagonismo todo quando, precisamente, deixa de ser nova e linda, quando chega ao seu aparente fim, o fim do ano, e vira em velha mas sábia. Será ela, a também senhora da noite, a que facilite o trânsito entre aqui e o Além junto a Bandua e Berobreo; será ela quem tome conta das bestas por uma temporada; será ela a que de repente cessará de lembrar-nos a perda que pode supor o passo do tempo para fazer ver que em verdade o que havia era construção, mudança, avanço, com o exemplo da sua própria e pessoal regeneração.

corvinhoA Cailleach trabalha agora a Terra com o seu sacho até passado o próximo solstício. E com tanta trabalheira haverá quem pense que está a destroçar, mas realmente remexe o necessário para sementarmos quando chegue a nossa vez. Deixará por uma ocasião de rosmar das outras deidades para, como autêntica nai, estender o seu saio aconchegante sobre o Cosmos todo.

Estes dias a Galiza está em festa. Não há cidade, vila ou aldeia que não festeje e honre as suas devanceiras e devanceiros. Não há recuncho do País que não cheire a castanha assada (alimento favorito no Além) e a gente pense no Magusto. Não há lugar onde não fique acesa uma candeia. Não há janela sem calacú, as “cabeças cortadas” que protegem o lar. Não há crianças que não sintam que é noite de troula e vaiam “pedir o pão” pelas portas.

Hoje caem os muros etéreos e seica para-se o tempo. O mar entre mundos vira regato, quase ao alcance da simples vista. Ficamos logo nas mãos da Cailleach, na companhia do amigo corvo e baixo o abeiro do teixo.

É tempo de Druidaria; mais do que nunca esta é a nossa festa rachada.

Feliz Magusto! Bom Ano Novo a todos e a todas! Nós abofé que estaremos celebrando.

Baixar cartão comemorativo aqui

Baixar cartão comemorativo do Magusto 2013

Para mais informação sobre as origens, história e outras interpretações desta celebração na Gallaecia recomenda-se a leitura deste artigo (em galego) ou um artigo em inglês publicado na revista Celtic Guide (vol. 2, issue 11, November 2013, pp. 44-45).

Preparando o Magusto e o ‘Roteiro da Pantalha’

Cartaz da já terceira edição do 'Roteiro da Pantalha'. Vem celebrar o Magusto e o Ano Novo connosco!

Cartaz desta terceira edição do ‘Roteiro da Pantalha’. Vem celebrar o Magusto e o Ano Novo celta connosco! (clica para alargares)

Por terceiro ano consecutivo a A.C. Amigas da Cultura e o colectivo Capitán Gosende organizam mais um Roteiro da Pantalha (nome local da Estadea ou ‘Santa Companha’), após o sucesso das edições anteriores.  Também, como nas outras ocasiões, a Irmandade Druídica Galaica estará presente apoiando esta iniciativa de convívio para conhecermos melhor as antergas tradições da nossa terra e celebrarmos em comunidade o ano novo e a época de Magusto (Samain), que começa em breve.

A noite mais especial do ano – do 31 de Outubro ao 1 de Novembro – começará às 20h com uma caminhada desde a aldeia de Pedre (Cerdedo, Terra de Montes) até o santuário de Serrápio e volta, e rematará com um generoso banquete e sessão de conta-contos  participativa na Casa Florinda (Pedre). Para apontar-se à ceia (18€) ou para dormidas (15€/pessoa, almoço incluído, vagas muito limitadas) é precisa reserva com o próprio estabelecimento (Tlf. 687 742323 / 986 753180; correio-e florindarural@gmail.com). A simples presença e a caminhada estão, obviamente, livres de todo custo.

É altamente aconselhado trazer calçado ajeitado para terrenos molhados e irregulares e boa iluminação (tradicional e/ou eléctrica), pois o percurso encontrara-se na mais absoluta escuridão e pode que as condições climáticas não estejam do nosso favor.

Importante: Esta actividade acima anunciada tem carácter cultural e celebratório mas não estritamente religioso. Para as/os Caminhantes interessadas/os no rito religioso será preciso contactar directamente com a IDG (idg @ durvate.org). Aquelas/es que não o fizerem e os seus nomes não forem confirmados não poderão participar no ritual da IDG. Um texto de carácter religioso será publicado neste mesmo espaço, aliás, mais próximo da data em questão.

 

Já chegou o novo ano, e as imagens da sua celebração

Participantes no roteiro desta edição antes da marcha.

Já estão disponíveis algumas fotografias do II Roteiro da Pantalha e celebração do Magusto-Ano Novo Celta. É só visitar a nossa página em facebook para vê-las (essa página é pública e aberta, isto é, não é preciso ter conta nesse serviço para visualizar todos os seus conteúdos).

A IDG quer aproveitar esta ocasião para parabenizar à associação convocante e organizadora do roteiro e ceia, a A.C. Amigas da Cultura, assim como o colectivo apoiante Capitán Gosende, pelo sucesso total de tão fantástico evento. A IDG quer agradecer também à Casa Florinda a sua amabilidade e eterna boa disposição.

Orgulha-mo-nos de ter participado nestas actividades todas com tão especial gente.

 

Mais resenhas na imprensa local e entrevista na Rádio Galega a C.Solla, membro do colectivo Capitán Gosende, explicando as recentes actividades, o significado verdadeiro da zona visitada e nomeando a IDG.

 

PD. Note-se que não há imagens do ritual de Magusto propriamente dito por ter sido este ano um acto exclusivo para Caminhantes.