Posts Tagged ‘Samhain’

Para um Magusto onde comece a esperança. Feliz Ano Novo Celta!

Prévia do derradeiro banquete de Magusto público da IDG (2016). Honra à Casa Florinda que sempre tão bem e tão generosamente nos acolheu.

Na mágica noite do dia de hoje inauguramos o Ano Novo celta. No trânsito do 31 de Outubro ao 1 de Novembro é já popular em muitas partes do mundo celebrar uma festividade eminentemente Druídica, a mais especial de todas.

Bem-vindos e bem-vindas à Noite de Magusto e o seu cheiro a castanha assada, dos sorridentes Calacús, dos Defuntos que nos falam, do gaélico Samhain ou mesmo de Halloween para que toda a gente entenda.

É a noite quando acabam de abrir de vez as portas do Além (Sídhe) para durante esta temporada podermos finalmente comunicar sem eivas com os que não estão. É o intre concreto e simbólico que marca o fim do ano e o começo dum novo, celebrando-se com uma grande festa onde partilhamos risos, alegria e comida com os nossos Devanceiros e Devanceiras. São, em definitiva, os momentos mais importantes do ano para quem anda os vieiros da Druidaria.

A Roda do Ano completa uma volta inteira, marcando já sem dúvidas a entrada cara o Inverno. Adeus Samos, olá Giamos. É o muito merecido descanso da Terra e a satisfação de termos não só superado mais um ano, senão de estarmos celebrando em comunidade a boa disposição e coragem para seja o que for vem a seguir, sem importar o rigor da estação.

E que boa falta fai esta celebração desta vez, quando vimos de passar uns episódios tão duros na nossa Terra, quando tudo à nossa volta parece ter ficado de patas para o ar…

Deixemos pois que tome Bandua as suas chaves e abra as cancelas do Além, deixando passo a Berobreo e os seus. Longe já do esplendor da luz de Lugus (que morre e dorme placidamente guardado pelo mesmo Bandua) ou da regeneração de Brigantia e posterior apoteose de Bel, é agora decididamente a quenda da Cale (Cailleach) senhora da nossa Terra – completando não só o ciclo de celebrações e deidades do nosso calendário sagrado, senão também o seu próprio. Não olha mais desde um canto, mas sim adquire o protagonismo todo quando, precisamente, deixa de ser nova e linda, quando chega ao seu aparente fim e vira velha e sábia. Será ela, a também senhora da noite, quem facilite o trânsito entre o Aquém e o Além junto de Bandua e Berobreo; será ela quem tome conta das bestas por uma temporada; será ela a que de repente cessará de lembrar-nos a perda que pode supor o passo do tempo para fazer ver que em verdade o que havia era construção, mudança, avanço, com o exemplo da sua própria e pessoal regeneração.

A Cale trabalha agora a Terra com o seu sacho até passado o próximo solstício. E com tanta trabalheira haverá quem pense que está a destroçar, mas realmente remexe o necessário para sementarmos quando chegue a nossa vez. Deixará por uma ocasião de rosmar das outras Deidades para estender o seu saio aconchegante sobre o Cosmos todo.

Estes dias a Galiza está em festa. Não há cidade, vila ou aldeia que não festeje e honre as suas Devanceiras e Devanceiros. Não há recuncho do País que não cheire a castanha assada (alimento favorito no Além, como o leite) e a gente pense no Magusto. Não há lugar onde não fique acesa uma candeia. Não há crianças que não sintam que é noite de troula e vaiam “pedir o pão” (O Migalho) pelas portas. Não há janela sem calacú, as “cabeças cortadas” que protegem o lar. Trespassam-se limiares, assim que ninguém esqueça deixar a sua oferenda de leite na porta da casa para Irusan e os seus, e tomar um chisco de pão ao cruzá-la para fora.

Hoje caem os muros etéreos e seica para-se o tempo. O mar entre mundos vira regato, quase ao alcance da simples vista. Ficamos logo nas mãos da Cale, na companhia dos amigos corvo e gato e baixo o abeiro do teixo, aconchegando-nos ao pé do purificador lume faladoiro do novo ano.

É tempo de Druidaria. Mais do que nunca esta é a nossa festa rachada.

Feliz Magusto! Bom Ano Novo a todos e a todas!

PD. Neste ano a IDG não celebra actos públicos como vinha sendo habitual. A observância será estritamente interna e não existirá actualização via Twitter do transcorrer da noite como noutras ocasiões.

Comida de Magusto. Deixade castanhas e leite nas portas e nos cruzamentos. Haverá quem os aproveite bem...

Comida de Magusto. Deixade castanhas e leite (sem lactosa 😉 ) nas portas e nos cruzamentos. Haverá quem os aproveite bem e guardem esses lugares por nós… Mas cuidado, esta noite é precisamente o único momento quando não se podem apanhar as castanhas!

Convidamos à atenta leitura desde artigo, muito detalhado e bem documentado, e ainda deste outro, explicando e exemplificando como esta celebração continua viva em múltiplas e variadas formas, mas sempre com o mesmo sentimento profundamente druídico. Recomendamos, aliás, completar com este outro, também de interesse. Ainda, para quem poida ler em inglês, um texto explicando o relacionamento entre Magusto-Samhain-Halloween. Disponibilizamos, aliás, um recurso educativo para gente moça.

 

[in English] Magosto, Magusto, Samhain, Halloween… different names for the same period of time which begins with the first scent of roasted chestnuts.

On the ‘Night of the Pumpkins’ or ‘Night of the Dead’ (October 31st – 1st November), as we call it in Galicia, an ancient Celtic festival is celebrated around the world.

Despite the twists and turns of history, we know well that this is a magical time – the most important of the year – as we celebrate the end of a cycle with a grand feast, cherishing the memory of the Ancestors, all those to whom we owe living as we live, knowing what we know, being who we are.

So get ready for winter! Now that the barns are full and we are certain that we’ll spend it in good company. Let the Land take a rest, for the next thing will be the return of light and Spring.

Have a nice one and Happy New Celtic Year!

Click here< to read more about the Magusto/Samhain/Halloween in English, or >here< to know more about the IDG.

 

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Magusto: the Samhain from Gallaecia

[EN] This is a revised version of a text by Hugo Da Nóbrega Dias, originally published in ‘Celtic Guide’ (Nov. 2013). It is reproduced here with permission from the author, whom we kindly thank. You can download it in pdf >here (162kB)<

[GL-PT] Esta é uma versão revisada dum texto de Hugo da Nóbrega Dias, publicado originalmente em ‘Celtic Guide’ (Nov. 2013). É reproduzido aqui com permissão do autor, a quem agradecemos gentilmente. Pode baixá-lo em pdf >aqui (162kB)<

I had always had a certain reluctance in accepting Halloween entering our lives. It is a tradition that we use to link with the USA, with the carved pumpkins and horror costumes, so popularised in the films. This all reached us when shops started to adopt Halloween paraphernalia in their decorations. They found there a new business opportunity that filled the gap between Summer and Christmas. Yet, when we were children, the night of October 31st was always known as ‘Night of the Witches’, and I remember waiting in vain until midnight in the hope of glimpsing some witch crossing the sky on her broom.

magusto_galaicoThe truth is that the way Halloween was aggressively introduced and promoted also contributed to that reluctance of mine. Plus, we already had our traditional Magusto (festivity where people gather to eat chestnuts and drink wine), which is normally celebrated from November 1st. Why would I bother with Halloween? There I was, in fact, unconsciously neglecting the lack of studies of our own traditions. It was only when I became an adult that I started to get myself interested in Celtic studies and, in the same way, in the traditions of my own region, Northern Portugal. It was with great amazement that, years later, I found an old black and white picture of an old lady with two boys, sitting on a chair holding a carved pumpkin on her knees. Before that I had only heard some reports and read some odd texts explaining an ancient tradition, linked to the rest of the Celtic world, more embedded in our culture than one might think.

As a matter of fact, north of river Minho, in the land that is nowadays known as Galiza (Galicia), this way of celebrating the night of October 31st was kept alive in some villages. The tradition of carving pumpkins is something that elders remember doing “from long time ago”. In those villages, many people thought of it as being connected to other Celtic countries, and not just to our own land, as those traditions were alive and uninterrupted for centuries.

October 31st – Samhain – was the end of the Celtic year, when the world of the dead and the world of the living would come together. People used to believe (and some still do) that the souls of the dead could walk in our world. It was the time to celebrate the new year with a big dinner, laughters, friends and family, but it was also the time to conduct religious rites that would allow us to communicate with the Beyond, and have a chat with the loved ones who are no longer among us. Hence, derived from the “headhunting” Celtic custom, skulls were to be lit up with candles, both to protect the living from the evil spirits and to illuminate the path of the good spirits. Those skulls would be left at crossroads, gates, windows or doors, marking and indicating thresholds, passageways. In time, skulls were replaced with turnips and eventually pumpkins.

Over the years, I have been collecting testimonies about a not so distant past. One of these stories happened in Ílhavo, close to Aveiro, home to sailors. In a special cultural event promoted by local authorities, residents were invited to open their houses to visitors so everybody could socialise and get to know the way these people lived. On that occasion, my most kind and hospitable hosts were people from the historic centre of the village. Then Mr. Mário told me, among many other things, about the time when he was young, 30 or 40 years ago, when people in the neighbourhood used to fill those same streets with carved pumpkins for Samhain. I was astonished. Also, in conversations with my father and mother and with other relatives – all from old Gallaecia – I found out that they all had childhood memories of carving pumpkins for the night of October 31st and that they would all gather to eat chestnuts, sausages and to drink wine. One can only imagine the number of people with similar stories to tell and share.

Thus, although the tradition of the carved pumpkins was mostly forgotten in Galicia and Northern Portugal during the 20thC, we can see that from a historical point of view the norm was to celebrate Samhain as done in other Celtic countries, or in the USA by influence of the Irish who emigrated there. Not only that, other significant elements associated to the date such as the respect and reverence for the dead, had always been present. In addition, our tradition offers something of its own, the chestnuts, allegedly said to be a favourite meal in the Beyond! Whether or not this last aspect was common in other countries is a different story. In any case, this was the moment when families and communities harvested and gathered the very last produce given by the land before winter, call it wine, pumpkins or chestnuts. This was the transition from the luminous part of the year (summer) to the dark part of the year (winter), and they celebrated it accordingly, getting ready for some harsh weather but with the confidence it would all pass in the end.

It sure is paradoxical, and somewhat ironic, that it was through commercialism that an old tradition was recovered in our country. It sure made many think we were importing yet another new foreign fad, only to discover it was ours all along. It may even annoy us now how American Halloween “twists” the “true” meaning of Irish Samhain, or Galician-Portuguese Magusto. That is however a good sign, as it evidences how we have rediscovered and accepted a part of our own beautiful ancient heritage.

*.pdf (162kB)

– A (CC) 3.0 license applies, where it is permitted to share this text if source is cited, but it is forbidden to alter, re-adapt or use it for commercial purposes.

– Aplica-se uma licença (CC) 3.0, pela qual é permitido partilhar este texto sempre que se citar a fonte, mas é proibido alterá-lo, readaptá-lo ou usá-lo com fins comerciais.

Click here for more information about the IDG in English.

Cheiro de castanha, aviso de Magusto

Castanha, alimento do Além

Castanha, alimento do Além

Já cheiramos as primeiras castanhas assadas nas ruas, e isso só poder significar que chega o momento mais emblemático da nossa religião: a época do Magusto, a Noite dos Calacús, de Samhain (que alguns chamam de Halloween), a noite dedicada aos nossos Devanceiros e Devanceiras, quando abrem as portas do Além e fecha-se o ciclo do ano.

Esta é uma festa da tradição Druídica celebrada por muitos milhões de pessoas em todo o mundo como data popular. Desta vez, nós festejaremos também a aparição pública da IDG há 5 anos, no Magusto de 2011.

Começaremos no serão do 31 de Outubro com o VI Roteiro da Pantalha, seguido do já tradicional banquete de fim de ano celta e posterior convívio e sessão de contacontos (ver actualização das actividades dos dias 1 e 12 no final deste texto).

A Pantalha deste ano sairá do centro da vila de Cerdedo (Terra de Montes) às 20h30, para depois do roteiro enfiarmos de carro até a aldeia de Pedre, a uns escassos 4 km. Como sempre, o roteiro nocturno é gratuito e de livre assistência, mas lembrade que a ceia (22h30) e dormidas na Casa Florinda de Pedre sim têm custo e que as vagas são bastante limitadas, requerendo-se reserva prévia directamente com a Florinda. É muito importante também trazer calçado ajeitado e boa iluminação, pois o percurso será às escuras e pode que as condições climáticas não estejam do nosso favor.

Este é um evento que sempre tem para nós um importante valor simbólico e emocional além do obviamente religioso, pois foi poucos dias depois da primeira edição da Pantalha quando nasceu a IDG, a poucos metros do local de reunião habitual em Pedre. A tradição do Roteiro da Pantalha – começada pela querida A.C. Amigas da Culturaé continuada agora pelo colectivo Capitán Gosende, uma festa reivindicativa onde a IDG gosta de prestar o seu apoio. Ver >aqui< fotografias da edição anterior.

Aproveitade pois para celebrardes a magia da Nossa Terra entre amigos e amigas, entre pessoas afins. É um momento ideal para uma pausa, para a reconexão e confraternização, para conhecerdes também a gente da Irmandade.

Importante: Estas actividades têm carácter cultural e celebratório mas não estritamente religioso. Para interessadas/os em ritos religiosos será preciso contactar directamente e com antecedência com a IDG (idg @ durvate.org). O Durvate Mór estará presente nos actos do dia 31. Um texto de teor religioso será publicado neste mesmo espaço nesse dia 31.

vipantalha

pitoes_celta_2016ACTUALIZAÇÃO (22 Out): Como em edições anteriores, a associação amiga Desperta do Teu Sono (DTS) co-organiza actividades de Magusto para os dias 1 e 12 de Novembro, que contam com o total apoio da IDG e onde membros regulares da mesma estarão presentes.

Nomeadamente, o dia 1 de manhã terá lugar o II Roteiro de Anumão, uma visita às terras da Deusa Anu na Serra do Gerês. No serão do dia 12, a Junta de Freguesia de Pitões das Júnias (Montalegre) organiza o III Magusto Celta, conjuntamente com o DTS. Visitade as ligações indicadas para toda a informação logística e outros detalhes.

Nota: Estes eventos são de livre assistência e de carácter festivo-popular, cultural e celebratório, não estritamente religioso.

Magusto especial carregado de actividades

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Não percas o Magusto e Ano Novo celta na maior noite do ano (clica para alargares)

O cheiro a castanha assada avisa… chega o momento mais emblemático da nossa religião: o Magusto, a Noite dos Calacús, de Samhain (que alguns chamam de Halloween), uma festa da tradição Druídica celebrada por milhões de pessoas em todo o mundo como data popular. E neste ano especial a IDG convida-vos a três eventos.

Começaremos no serão do 31 de Outubro com o V Roteiro da Pantalha, seguido do banquete de fim de ano e posterior convívio, com sessão de contacontos e até prémios. Este é um evento que guarda um importante valor simbólico e emocional, pois foi poucos dias depois do primeiro quando nasceu a IDG, precisamente no local de reunião, a aldeia de Pedre (Cerdedo). Cinco edições depois celebraremos isso e o facto de a IDG ter recebido finalmente a sua oficialização. Combinamos na Eira Grande de Pedre às 19h30 para o roteiro nocturno (gratuito e de livre assistência), para a partir das 22h reunir-mo-nos em Casa Florinda. Lembra-se que o banquete sim tem custo assim como as dormidas (para quem quiser ficar), e que as vagas são limitadas, requerendo-se reserva prévia directamente com a Florinda.

O Roteiro da Pantalha está organizado pela A.C. Amigas da Cultura e o colectivo Capitán Gosende, com o apoio e colaboração da IDG. É importante trazer calçado ajeitado e boa iluminação, pois o percurso será às escuras e pode que as condições climáticas não estejam do nosso favor.

No dia a seguir, domingo 1 de Novembro, membros da IDG estarão presentes de manhã (11 hora local) no Roteiro ao santuário de Anumão, combinando em Entrimo, na beira norte da raia galego-portuguesa. Saudaremos o novo ano na natureza, conhecendo um pouco mais da nossa história, património e Deidades. Esta actividade está co-organizada pelo colectivo Desperta do Teu Sono, Sociedade Antropológica Galega (SAGA) e IDG.

E ainda falta por confirmar detalhes, mas podemos antecipar uma celebração popular do Magusto em Pitões das Júnias (Montalegre, na beira sul da raia) o sábado 14 de Novembro, num evento organizado pela Junta de Freguesia local, com o apoio do DTS, Oinaikos Bracaron e IDG. A data não é em absoluto tardia pois não só o Magusto é uma época extensa, se não que o momento de observância sacerdotal é em verdade do 10 ao 11 de Novembro, algo provocado pela mudança do calendário juliano ao gregoriano na sua altura.

 

Aproveitade pois para celebrardes a magia da Nossa Terra entre amigos e amigas. É um momento ideal para uma pausa, ré-conexão e confraternização, para conhecerdes também a nossa Irmandade. É hora de fechar a roda do ano e ficar prestes para quando abram as portas do Além.

 

Importante: Estas actividades têm carácter cultural e celebratório, mas não estritamente religioso. Para interessadas/os em ritos religiosos será preciso contactar directamente com a IDG (idg @ durvate.org). O Durvate Mór estará presente no primeiro e último evento (dias 31 e 14 respectivamente). Um texto de teor religioso será publicado neste mesmo espaço no dia 31.