Cheiro de castanha, aviso de Magusto

Castanha, alimento do Além
Castanha, alimento do Além

Já cheiramos as primeiras castanhas assadas nas ruas, e isso só poder significar que chega o momento mais emblemático do nosso calendário: a época do Magusto, a Noite dos Calacús, de Samhain (que alguns chamam de Halloween), a noite dedicada aos nossos Devanceiros e Devanceiras, quando abrem as portas do Além e fecha-se o ciclo do ano.

Esta é umha festa da tradiçom Druídica celebrada por muitos milhons de pessoas em todo o mundo como data popular. Desta vez, nós festejaremos tamém a apariçom pública da IDG há 5 anos, no Magusto de 2011.

Começaremos no serám do 31 de Outubro com o VI Roteiro da Pantalha, seguido do já tradicional banquete de fim de ano celta e posterior convívio e sessom de contacontos (ver actualizaçom das actividades dos dias 1 e 12 no final deste texto).

A Pantalha deste ano sairá do centro da vila de Cerdedo (Terra de Montes) às 20h30, para depois do roteiro enfiarmos de carro até a aldeia de Pedre, a uns escassos 4 km. Como sempre, o roteiro nocturno é gratuito e de livre assistência, mas lembrade que a ceia (22h30) e dormidas na Casa Florinda de Pedre sim tenhem custo e que as vagas som bastante limitadas, requerendo-se reserva prévia directamente com a Florinda. É muito importante tamém trazer calçado ajeitado e boa iluminaçom, pois o percurso será às escuras e pode que as condiçons climáticas nom estejam do nosso favor.

Este é um evento que sempre tem para nós um importante valor simbólico e emocional além do obviamente religioso, pois foi poucos dias depois da primeira ediçom da Pantalha quando nasceu a IDG, a poucos metros do local de reuniom habitual em Pedre. A tradiçom do Roteiro da Pantalha – começada pola querida A.C. Amigas da Culturaé continuada agora polo colectivo Capitán Gosende, umha festa reivindicativa onde a IDG gosta de prestar o seu apoio. Ver >aqui< fotografias da ediçom anterior.

Aproveitade pois para celebrardes a magia da Nossa Terra entre amigos e amigas, entre pessoas afins. É um momento ideal para umha pausa, para a reconexom e confraternizaçom, para conhecerdes tamém a gente da Irmandade.

Importante: Estas actividades tenhem carácter cultural e celebratório mas nom estritamente religioso. Para interessadas/os em ritos religiosos será preciso contactar directamente e com antecedência com a IDG (idg @ durvate.org). O Durvate Mór estará presente nos actos do dia 31. Um texto de teor religioso será publicado neste mesmo espaço nesse dia 31.

vipantalha

pitoes_celta_2016ACTUALIZAÇOM (22 Out): Como em ediçons anteriores, a associaçom amiga Desperta do Teu Sono (DTS) co-organiza actividades de Magusto para os dias 1 e 12 de Novembro, que contam com o total apoio da IDG e onde membros regulares da mesma estarám presentes.

Nomeadamente, o dia 1 de manhã terá lugar o II Roteiro de Anumão, umha visita às terras da Deusa Anu na Serra do Gerês. No serám do dia 12, a Junta de Freguesia de Pitões das Júnias (Montalegre) organiza o III Magusto Celta, conjuntamente com o DTS. Visitade as ligaçons indicadas para toda a informaçom logística e outros detalhes.

Nota: Estes eventos som de livre assistência e de carácter festivo-popular, cultural e celebratório, nom estritamente religioso.

 

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Louvor de ausentes – Praise of the Absent

Honra às Devanceiras (2015)
No Magusto (e nom só), quem nom está tem sítio e come connosco.

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Na Druidaria, como noutras religions e tradiçons, fala-se habitualmente dos Devanceiros e Devanceiras (Ancestrais), é dizer, as pessoas que estiveram cá antes do que nós e de como devem ser lembradas e honradas.
Em verdade, a Honra às Devanceiras forma parte dos princípios básicos da Druidaria. Tamém sabemos que a data mais simbólica e significativa para isto é o Magusto, precisamente a época na que estamos quando se escrevem estas linhas.

Mas, quem som exactamente? Som membros da nossa família? Do clan mais extenso? Como deve ser interpretado este aspecto das nossas crenças?

As Devanceiras som aquelas que já lutavam do nosso lado muito antes de nascermos. Som as que fizeram possível estarmos aqui agora, sendo como somos e sabendo o que sabemos. Som todas essas geraçons que nascerom e morrerom, pensarom e criarom, rirom e chorarom na Terra que pisamos. As que se fundirom com ela para enxergarem a cultura que nos ensina agora a estarmos no Mundo. As que modelarom a paisagem do nosso Lar.
Som tamém todas aquelas pessoas que participarom e contribuírom de forma positiva na génese do nosso Povo. Som parte da nossa humanidade partilhada numha miríade de linhagens. Som os “bons e generosos” que desterraram os “imbecis e escuros” e aos que lhes devemos a decência de seguirmos o seu exemplo. Som agora o eco das vozes doutros tempos que falam para nós sábios conselhos quando somos quem de escutar.

Fechade os olhos, tocade e sentide as pedras das velhas casas e castros, pois lá estám milhons de sentimentos, esperanças, vivências, saberes acumulados, jogos de crianças e amores adultos, cumplicidades, planos, conversas ao pé da lareira numha noite qualquer, tudo verdadeiro, tanto como o bater do vosso coraçom, no mesmo lugar onde antes bateram outros com a mesma força. Esse era o fogar amado dalguém, e agora estades nele.

Na Galécia a presença constante dos que nom-estám é um desses elementos fulcrais totalmente integrado no cerne da nossa cultura e sociedade, desde crenças familiares até a própria organizaçom física do nosso território. Há tantíssimas amostras que fartaríamos de as nomear. A continuidade da vida é umha realidade (Relacionado: a nom perder, vídeo “Em Companhia da Morte“).

Eis algumhas formas nas que o pensamento druídico foi quem de sobreviver a diferença doutros lugares, pois na Galécia bem se sabe que os mortos podem ser vistos, podem ocupar novos corpos dependendo do momento e do lugar, podem até comer connosco. Contudo, a sua memória sempre deve ser respeitada, desde o estritamente religioso e ritual até o mais pessoal, ou simplesmente pondo em valor a sua herança, atendendo os seus ensinamentos, defendendo o seu (o nosso) património.

Sejamos tamém nós dignos e dignas dum legado futuro agindo em consequência, com essa Honra toda, com orgulho dos Nossos e Nossas, com agradecimento sem fim polos milénios de esforçado trabalho e briga, pois graças à sua jeira caminhamos agora cara o futuro. Mas mostremos tamém às geraçons que ham vir algo do que poidam estar fachendosas, pois nós seremos as suas Devanceiras; sejamos merecedoras do seu apreço.

A responsabilidade é grande, mas temos ajuda.

Saúde a quem nos trouxe e aprendeu!

Porque forom, somos.

Um bocado fora de contexto, mas
Umha família é algo muito mais complicado e extenso do que a gente acredita. Toma aqui, de facto, mais bem o valor dum autêntico clan aberto. Imaginemos entom irmos até as origens…

 

[in English] In Druidry, as in other religions and traditions, the Ancestors are often mentioned. That is to say, the ones who were here before us, and much is discussed on how they should be honoured and remembered.

In fact, honouring the Ancestors is a fundamental part of the basic principles of Druidry. We also know that the most symbolic and meaningful date for it is the Magusto (Samhain), precisely the season we are in as these lines are being written.

But, who are they exactly? Are they members of our family? Of our broader clan? How should we interpret this aspect of our beliefs?

The Ancestors are those who fought by our side long before we were born. Those who made it possible for us to be here and now, being what we are and knowing what we know.
They are all those generations who were born and died, who thought and created, who laughed and cried in the very land we are now dwelling. Those who merged with it to sprout the culture which now teaches us how to be in the World. Those who changed the landscape of our hearth. They are too all those people who participated and contributed in a positive way to the foundation of our People.
They are part of our humanity, shared in a myriad of lineages. They are the “kind and generous” who banished the “imbecile and dark” (as our national anthem goes), and to whom we owe the decency of following their example.
They are now the echo of the voices from other times, speaking wise words to us when we are keen to listen.

Close your eyes, touch and feel the stones of the old houses and hillforts, for there are millions of feelings, hopes, experiences, accumulated knowledge, children games and mature love, relationships, plans, conversations by the fireplace any given night. They are all true, as true as your heartbeat, in the same place where, long before, other hearts beat with the same power. That was someone’s beloved home, and now you are in it.

In Galiza, the constant presence of those who “are-not” is one of the essential fully embedded elements in the core of our culture and society, from family beliefs to the very physical organisation of our territory. There are so many examples that it would be tiresome just to mention them. Simply put, the continuity of life and death is a reality.

Here are some aspects in which Druidic thought managed to survive, unlike in other places, for in Galiza it is well known that the dead can be seen. They can occupy new bodies and, depending on the time and place, can even sit at the table with us.
However, their memory must always be respected, from the strictly religious and ritualistic practices to the most personal ones – or by simply valuing their heritage, heeding their teachings and defending their (our) patrimony.

Let us too be worthy of a future legacy, by acting in harmony with all this Honour, with Pride in our Men and Women, with endless appreciation for the millennia of hard work and struggle, because thanks to their effort we can now face the future with confidence. But let us also show the generations to come something of what they could be doing, for we will be their Ancestors. Let us too be worthy of their appreciation.

The responsibility is huge, but we have help.

Hail those who rose us and those from whom we have learned!

Because they were, we are.

 

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Magusto especial carregado de actividades

Pantalha_2015
Não percas o Magusto e Ano Novo celta na maior noite do ano (clica para alargares)

O cheiro a castanha assada avisa… chega o momento mais emblemático da nossa religiom: o Magusto, a Noite dos Calacús, de Samhain (que alguns chamam de Halloween), umha festa da tradiçom Druídica celebrada por milhons de pessoas em todo o mundo como data popular. E neste ano especial a IDG convida-vos a três eventos.

Começaremos no serám do 31 de Outubro com o V Roteiro da Pantalha, seguido do banquete de fim de ano e posterior convívio, com sessom de contacontos e até prémios. Este é um evento que guarda um importante valor simbólico e emocional, pois foi poucos dias depois do primeiro quando nasceu a IDG, precisamente no local de reuniom, a aldeia de Pedre (Cerdedo). Cinco ediçons depois celebraremos isso e o facto de a IDG ter recebido finalmente a sua oficializaçom. Combinamos na Eira Grande de Pedre às 19h30 para o roteiro nocturno (gratuito e de livre assistência), para a partir das 22h reunir-mo-nos em Casa Florinda. Lembra-se que o banquete sim tem custo assim como as dormidas (para quem quiser ficar) e que as vagas som limitadas, requerendo-se reserva prévia directamente com a Florinda.

O Roteiro da Pantalha está organizado pola A.C. Amigas da Cultura e o colectivo Capitán Gosende, com o apoio e colaboraçom da IDG. É importante trazer calçado ajeitado e boa iluminaçom, pois o percurso será às escuras e pode que as condiçons climáticas nom estejam do nosso favor.

No dia a seguir, domingo 1 de Novembro, membros da IDG estarám presentes de manhã (11 hora local) no Roteiro ao santuário de Anumão, combinando em Entrimo, na beira norte da raia galego-portuguesa. Saudaremos o novo ano na natureza, conhecendo um pouco mais da nossa história, património e Deidades. Esta actividade está co-organizada polo colectivo Desperta do Teu Sono, Sociedade Antropológica Galega (SAGA) e IDG.

E ainda falta por confirmar detalhes, mas podemos antecipar uma celebraçom popular do Magusto em Pitões das Júnias (Montalegre, na beira sul da raia) o sábado 14 de Novembro, num evento organizado pola Junta de Freguesia local, com o apoio do DTS, Oinaikos Bracaron e IDG. A data nom é em absoluto tardia pois nom só o Magusto é umha época extensa, se nom que o momento de observância sacerdotal é em verdade do 10 ao 11 de Novembro, algo provocado pola mudança do calendário juliano ao gregoriano na sua altura.

 

Aproveitade pois para celebrardes a magia da Nossa Terra entre amigos e amigas. É um momento ideal para umha pausa, ré-conexom e confraternizaçom, para conhecerdes tamém a nossa Irmandade. É hora de fechar a Roda do Ano e ficar prestes para quando abram as portas do Além.

 

Importante: Estas actividades tenhem carácter cultural e celebratório, mas nom estritamente religioso. Para interessadas/os em ritos religiosos será preciso contactar directamente com a IDG (idg @ durvate.org). O Durvate Mór estará presente no primeiro e último evento (dias 31 e 14 respectivamente). Um texto de teor religioso será publicado neste mesmo espaço no dia 31.

 

Gostas da IDG? Tu podes ajudar a que este trabalho continue – Do you like the IDG? You can help us continuing our work 🙂