FAQ

Sempre em permanente ediçom

Perguntas frequentes ou ‘FAQ’

Tens algumha pergunta ou dúvida sobre Druidaria ou a Irmandade Druídica Galaica que nom vês aqui? Contacta connosco e iremos melhorando esta página com a tua ajuda.

 

  • Que é a Druidaria?

A Druidaria (‘Druidismo’) é umha religiom e filosofia nativa da Europa que tem as suas origens na cultura dos povos celtas. Polo que sabemos, é o sistema de crenças e modo de vida “institucionalizado” mais antigo da Europa e que, acreditamos, originou-se no noroeste da Península Ibérica, aproximadamente no actual território da Galiza e Norte de Portugal. Para mais detalhes ver >aqui<.

 

  • Por que Druidaria e nom Druidismo?

Ambas formas estám espalhadas e som usadas e entendidas, mas tende-se a perceber o Caminho druídico como algo fluido, que recolhe a prática ademais da crença, umha dedicaçom, nom um algo rígido muitas vezes associado ao sufixo “-ismo”. A mesma dicotomia existe entre os termos em inglês Druidry (a “-aria”) e Druidism (o “-ismo”), onde Druidism foi popularizado em determinada altura mas a nível internacional fala-se normalmente de Druidry.

 

  • A Druidaria é umha religiom?

Sim, com matizes. Há quem fala de espiritualidade ou de religiom, ou ambas. O facto é que o conceito actual de religiom é umha mera construçom ocidental que começa no S. XVII e acaba de tomar forma só no S. XIX no ronsel do supremacismo cristao. É portanto umha ideia relativamente nova e, quando usada fora do mundo ocidental, tomada quase que como empréstimo linguístico.

Contudo, hoje em dia e nestes contextos, toda a gente percebe a palavra “religiom” como um grupo de crenças e pessoas arredor delas minimamente organizadas, estável e com vocaçom de continuidade, e organicamente isso é o que é a IDG.

Nom renunciamos, entom, ao uso do termo “religiom” para a Druidaria (religiom celta) tal e como fazem outros grupos. Por isso a IDG está registada como entidade religiosa oficial tanto com o ministério de justiça (espanhol) e a agência tributária. Achamos que assim fica muito clara a nossa personalidade institucional, ganhando para as nossas crenças e cultura um espaço de normalizaçom e dignificaçom na rede político-administrativa que nos calhou.

 

  • A Druidaria é “pagã”?

Nom. Ainda que os termos “pagã”, “paganismo” e variantes podem resultar intuitivos na nossa sociedade identificando crenças pré-cristás, a IDG (e nom só) considera este termo como altamente impreciso e até insultante.

Nom existe de facto umha religiom “pagã” como tal, sendo usada a palavra como um genérico onde incluir crenças tam dispares como por exemplo o Dodecateísmo (religiom nativa da Grécia) ou o Rodismo (religiom nativa eslava). Aliás, este termo – que apresenta toda umha série de conotaçons historicamente pejorativas – vem imposto desde umha perspetiva principalmente cristá, englobando aí toda espiritualidade ou crença nom-abraâmica (isto é, nom cristá, muçulmana ou judaica). É, desde outro ponto de vista, o que no Islã é conhecido como kafir e mushrik (“infiéis”). Em sentido estrito, para umha pessoa cristá, muçulmana ou judaica, o Budismo, Hinduísmo ou qualquer outra religiom do mundo é “pagã”.

Assim, a Druidaria é umha religiom nela mesma, sem necessidade dumha categoria superior ou hiperónimo. Encorajamos a toda pessoa crente na Druidaria (Druidista), ou doutros cultos nativos europeus, a evitar o uso de termos como “pagã” ou “neopagã” e utilizar em exclusiva o nome próprio e específico da sua crença, filosofia ou religiom.

 

  • Sou crente na Druidaria e concordo com tudo o que aqui se di. Já sou Druida/Druidesa da IDG?

Nom. Os títulos de Druida/Druidesa (Durvate ou Durbede) fam referência a umha categoria sacerdotal. Como é lógico, por ser crente ou seguidor dumha religiom ou filosofia um indivíduo nom se transforma automaticamente em sacerdote ou sacerdotisa, nem podem ser estes títulos auto-atribuídos sem mais.

Deve-se empreender e superar um processo formal de iniciaçom, mas o mais importante é que estas pessoas sejam admitidas como homens e mulheres de saber – inspiradores de confiança – entre a sua Comunidade. A IDG considera este critério de reconhecimento da Comunidade e serviço a ela como fundamental para a posterior consecuçom do seu programa de estudos e eventual ordenaçom. Igualmente, um Druida ou Druidesa é tamém reconhecida polos seus pares a nível internacional.

Como dado significativo apontar que os aprendizes de Druidas e Druidesas clássicos dedicavam até vinte anos da sua vida ao estudo e preparaçom, baixo tutoria estrita, antes de poderem utilizar esse nome. Era mesmo requerido que viajassem e peregrinassem. Eram depois consideradas figuras de referência nos campos da espiritualidade, filosofia, direito (lei celta), medicina, ensino, diplomacia, etc, actuando como autênticos elementos de coesom das diferentes tribos.

De cara ao exterior, as pessoas que som simplesmente crentes da nossa religiom podem denominar-se como Druidistas.

 

  • Que acontece entom com a “auto-iniciaçom”?

Achamos que a auto-iniciaçom só é válida em casos de indivíduos realmente isolados geograficamente, sem possibilidade prática de terem um treino regular com umha ordem bem estabelecida ou Druida/Druidesa ordenada. Aí, essas pessoas serám reconhecidas sempre que demostrem a sua seriedade, rigor, e um trabalho druídico constatável ao longo do tempo. Continuamos considerando que um Druida/Druidesa deve-se à sua Comunidade e, portanto, deverá nalgum momento oferecer o seu serviço dalgumha maneira e ser reconhecido polos seus pares noutros lugares.

 

  • Quero ser Druidista, por onde começo?

Podes começar com esta introduçom a alguns conceitos básicos e comportando-te segundo as Nove Regras. Lê, estuda, aprende tudo o possível sobre o Povo Celta. E pergunta, pergunta sempre sobre qualquer dúvida ou questom.

 

  • Que significa “Durvate”?

É a maneira galaica de chamar aos Druidas e Druidesas. Durvate é um título contemporâneo adaptando a forma antiga Durbede. Assim, os Druidas e Druidesas da IDG em activo chamam-se Durvates, ficando Durbede como forma honorífica para indicar Ancestrais ou heméritos.

Estas formas derivam de durbed-, à sua vez surgida a partir dum étimo dru-weyd-; acredita-se que dru, dur e derw significam “árvore” (nomeadamente carvalho) e weyd ou wid “conhecer”, “saber”. Umha Durvate seria assim “a conhecedora do carvalho”, a árvore mais sagrada junto do teixo.

A forma dru-wid deu na Irlanda druí e na Gália druides, e a variante derw-wid passaria a derwydd em Gales e dorguid na Bretanha. Na Galiza é dru-weyd- > druwēd > durwēd > durbēd > durbe(t/d)e > dur(b/v)ate.

 

  • Nom é a Druidaria umha moda “New Age” ou ecologismo pseudo-espiritual?

Nom. A Druidaria é profundamente ecologista (e panteísta), mas nom só. A Druidaria tem umha série de princípios éticos com carácter religioso que excedem o estritamente relacionado com o ecologismo, se bem a Natureza e a sua reverência é a fonte de inspiraçom primordial. Além disso, a Druidaria é umha religiom com milhares de anos de antiguidade, e os/as crentes actuais baseiam as suas ideias nesse saber antigo, crenças que na maioria de casos estám perfeitamente definidas e delimitadas. Nom é um “vale tudo” sem concretizaçom. A Druidaria reconstrucionista adaptada – como é o caso da IDG – procura vias de investigaçom, diálogo e partilha com entidades afins, comparaçom e interpelaçom próprias na sua história, entorno e saber popular, nom numha difusa mistura de ritos é filosofias várias, desleigadas, sem adscriçom ou sem aplicaçom prática.

 

  • É a Druidaria o mesmo que a Wicca ou Wicca Celta?

Nom. A Wicca tem a sua própria liturgia, deidades e crenças, que nom som as mesmas que as druídicas. A cosmovisom é totalmente diferente. Algumhas variantes de Wicca som chamadas de “Céltica” ao incorporarem deuses, deusas e nomes de rituais célticos, mas esta afinidade nom deixa de ser puramente denominacional. Mesmo a história – apariçom e evoluçom – de Druidaria e Wicca som muito diferentes, apesar de poder existir umha relaçom amigável e fluída entre grupos wiccanos e druídicos hoje em dia.

Para mais informaçom recomendamos a leitura dum artigo que anda pola rede chamado Why Wicca is not Celtic Paganism.

 

  • É a Druidaria o mesmo que o culto Asatrú ou o Odinismo?

Nom. Como no caso da Wicca, som religions com ritos, crenças, celebraçons e panteons diferentes. Ainda que, seja dito, existam certas semelhanças entre o Odinismo e a Druidaria, muitas delas venhem dadas por simplesmente serem ambas as duas tradiçons europeias atlânticas, isto é, autóctones e vizinhas.

Houve sim, ao longo do tempo, umha certa comunicaçom de mitos, lendas e intercâmbio espiritual e simbólico, nomeadamente desde povos célticos a povos germánicos vizinhos ou cos que entraram em contacto; essas influências depois se espalhariam lentamente. No caso da Galiza a chegada dum significativo contingente Suevo no S. V – politicamente muito relevante mas que cedo se “assimilou” – pode que contribuíra com certos elementos das suas crenças à religiom preexistente.

Em qualquer caso, tanto daquela como a dia de hoje Druidaria e Odinismo som cousas claramente diferentes.

 

  • Podo ser crente druídica e ainda cristá?

Nom. Pode-se repetir o que foi apontado para Wicca e Odinismo.

Druidaria e Cristianismo nom tenhem vínculos além da convivência geográfica e as cristianizaçons ocorridas no devagar do tempo sobre as expressons religiosas dos povos célticos, incluindo a “conversom” e adaptaçom de Druidas dentro do seio do Cristianismo à sua chegada à Europa céltica (eis algumhas influências da Druidaria nos primórdios do Cristianismo europeu).

Desde um ponto de vista teológico som religions muito diferentes. Por exemplo, na Druidaria nom existe um único deus supremo, ou criador, nem o conceito de salvaçom, pecado, revelaçons, santidade, milagres, ou tantas outras crenças e dogmas cristaos. Tamém na Druidaria o proselitismo é proibido, quando no Cristianismo é recomendado e encorajado. Filosófica e eticamente a Druidaria nom partilha com o Catolicismo – por usar o exemplo do grupo cristao maioritário mais próximo ao caso galaico – o papel do ser humano no Mundo e no Cosmos, a sua relaçom com a divindade ou transcendência, o sentido e significado do culto, a nom ordenaçom de mulheres, o celibato dos sacerdotes, a visom da família, sociedade e sexualidade, etc. Pode-se dizer até que, em muitas questons, as posturas da Druidaria e o Cristianismo som antagónicas.

Historicamente o Cristianismo provém de crenças e sucessos acontecidos no Médio Oriente, posteriormente institucionalizados no seio do Império Romano. A Druidaria é umha religiom e filosofia autóctones da Europa céltica, com especial relevância na Europa Atlântica, coesa e perfeitamente organizada no passado mas nom institucionalizada de acordo cos padrons empregados no Cristianismo. Isso só já marca diferenças na aproximaçom cultural e espiritual a conceitos místicos e transcendentes.

Evidentemente, toda a Europa está familiarizada a dia de hoje com o Cristianismo e esta religiom tem umha importante pegada na cultura do continente (e as pessoas Druidistas nom som excepçom), mas isso nom deve ser misturado em referência à crença adquirida de forma voluntária e consciente. Algo diferente é para um cristao o estudar, informar-se e adoptar ou respeitar algumhas achegas filosóficas da Druidaria que poida considerar válidas a nível pessoal – ou vice-versa – mas sem por isso mudar as crenças religiosas e pertença formal bem a umha Igreja Cristá ou a umha Ordem, Grupo, Arvoredo, Comunidade ou Irmandade druídica.

 

  • Qual é a visom da Druidaria respeito do sexo e preferências sexuais?

Os Druidas e Druidesas tratam o corpo, relaçons pessoais e sexualidade com atençom e respeito, a eles/as mesmos/as e aos/às outros/as. O sexo joga com umhas energias poderosas a ser estudadas, reverenciadas e desfrutadas. Reverência nom deve ser confundida com puritanismo ou excesso de pudor ou vergonha, ou com falta de intensidade. A verdadeira reverência é forte e sensual, com intençom e sentida, à vez que educada e amável. O ser humano integral é só se incorporar todos os elementos do seu ser natural, e isto inclui umha sexualidade sã que conduza a umha maior alegria e bem-estar para todos e todas.

A Druidaria prima a responsabilidade, honra e compromisso dos indivíduos e, portanto, aceita qualquer acordo, prática ou organizaçom afectiva ou familiar que conte com o consentimento adulto, maduro e responsável de todos aqueles e aquelas envolvidos/as e que nom cause mal a nengum deles/as. Para mais informaçom leia-se tamém o nosso “Aviso de intolerância“.

 

  • Acredita-se na Druidaria no inferno, pecado, culpa ou castigo divino?

Nom. A Druidaria acredita na responsabilidade dos nossos actos. Nom há castigos nem recompensas, e por tanto aí reside a liberdade do ser humano: fazer ao sentir que tem que ser feito, nom esperando nada em troques. É fácil ser bom quando se tem medo dum possível castigo ou se anseia um possível prémio. Mas um/a Druidista fai o que tem que fazer porque assim o sente na sua responsabilidade, esse é o seu compromisso com o Clã, a sua palavra e acçons som a sua honra.

A Druidaria nom acredita na relaçom directa e automática entre acçom negativa e castigo, mas sim na retribuiçom, isto é, em desfazer o possível mal feito por  um/a mesmo/a, restaurar a ordem, repor a harmonia. Nom há pior castigo que a desonra, é dizer, fazer o que nom se deve.

 

  • Nom é o politeísmo umha volta atrás face o monoteísmo?

Nom. Existe a ideia infundada no mundo ocidental de que o politeísmo é umha fase “primitiva” e intermédia na evoluçom religiosa, proveniente do ainda mais “rústico” animismo, e que só pode acabar por culminar no “evoluído” monoteísmo, que à sua vez sempre conta com um ente criador supremo e externo ao resto do Cosmos. Isto acompanha-se frequentemente com o perverso axioma que equipara a evoluçom do pensamento religioso com o grau de evoluçom ou progresso cultural da sociedade a tratar.

Esta visom linear da religiom é, sem embargo, falsa, e em absoluto partilhada noutras culturas, sistemas de crenças ou religions. Por exemplo, a religiom tradicional do Japom é o Xintoísmo, claramente animista, religiom que os nipónicos nom definem como tal senom como “espiritualidade”; eis um simples exemplo de como podem mudar os critérios e formas de ver as cousas.

A forma linear de perceber a espiritualidade e religiom no mundo ocidental está fortemente influenciada por uns determinados cultos e crenças dominantes, mesmo supremacistas, sem mais reflexom nas camadas populares sobre questons místicas ou religiosas, como por exemplo a possibilidade deste politeísmo ser a expressom de diversos aspectos da Natureza. Isto chega a influir mesmo nos chamados ateus, categoria claramente ocidental na acepçom corrente, que muitas vezes surgem como reacçom à pressom e abafo monoteísta, nom a umha falta de espiritualidade ou sentimento de conexom panteísta.

 

  • Qual é a diferença entre adorar e reverenciar a Natureza?

A Druidaria é panteísta (e monista) e portanto percebe a Natureza, o Cosmos, como um Todo, onde nada é sobrenatural nem estranho, como muito desconhecido a dia de hoje e mesmo isso pode mudar no tempo. E por suposto onde tudo está inter-relacionado.

Umha forma de explicar entom essa diferença entre adorar e reverenciar é dizer que sendo nós parte dum Todo esse Todo nom pode existir sem nós, por minúsculos que nos poidamos considerar, pois o Todo estaria logo carente dumha parte, muito pequena na grande escala, sim, mas absolutamente necessária para a total completude. Aí surge o abraio do indivíduo – a hierofania se se prefere – quando abre os olhos a essa Natureza maravilhosa perante nossa, esse sentimento inefável de conexom e pertença, do mais geral até o mais pequeno, essa certidom espiritual ao saber que todo forma parte dum mesmo processo que há marcar o nosso Caminho. Aparece aí entom umha sensaçom de reverência, de satisfaçom ao compreender em parte (na nossa parte) essa Natureza, de recolocar-mo-nos nela. E nom temos medo nem vergonha de proclamar logo quam bela é e o orgulho de formarmos parte dela: reverenciamos-la. Orgulhamos-nos, sim, positivamente. Sentimos à vez paz e energia, acougo e poder. Aí fai-se presente o Imbás ou Awen (inspiraçom) druídico.

Deste jeito, nós reverenciamos a Natureza, respeitamos-la e protegemos-la, mesmo gabamos-nos dela, mas se somos parte intrínseca dela seria ridículo “adorar” umha parte de nós mesmos, nom sim? Mas nada de mau em dar-mo-nos umhas palavras de fôlegos e partilharmos com a Comunidade as alegrias e formosura da vida.

 

  • Qual é a relaçom cos animais? Que postura tomades sobre o vegetarianismo e o veganismo?

Os animais nom-humanos som parte da Natureza, como nós. Som os nossos companheiros de vida, seres doutras espécies com quem nos relacionamos e estabelecemos, de facto, vínculos emocionais. Deixando agora de lado interpretaçons simbólico-religiosas, criam-se com eles e arredor deles umha série de dinâmicas que estám sempre sob escrutínio moral e ético pois as suas condiçons de vida, a sua própria vida, está nas nossas mans. Somos, pois, responsáveis por eles assim como somos responsáveis polo cuidado de todo elemento natural ou ser inocente que, sem opçom, pode se ver afetado polas nossas acçons.

Entom, como seres conscientes e sensíveis que som, a pergunta é: podem ser utilizados como fonte de alimento? Que é respondida com outras perguntas: precisamos realmente de animais como fonte de alimento hoje em dia? Temos direito a dispor das vidas doutros seres que nengum mal nos fizeram à nossa vontade? Em base a quê? A resposta é, assim, negativa em todos os casos.

Persevera-se no uso e consumo de animais por puro egoísmo ou comodidade – ou por um mero ganho económico (nomeadamente a indústria da carne, só interessada no seu próprio benefício) – forçando-os no processo a um sofrimento brutal inegável e amplamente demonstrado. Tal comportamento é ilógico e cruel nas nossas coordenadas sociais e históricas actuais.

Encorajamos, portanto, a toda pessoa Druidista a explorar as diferentes opçons do vegetarianismo. Além disto, lembramos que a prática da chamada caça ou pesca “desportiva” ou qualquer tipo de maltrato animal é incompatível com a pertença à IDG, e que a IDG subscreve a Declaraçom Universal dos Direitos Animais.

 

  • Onde é que se celebram os cultos? Podo assistir a algumha “igreja” druídica?

As actividades druídicas nom precisam necessariamente de templos ou construçons similares pois a poder ser som realizadas em contornos naturais. Procura-se abeiro ajeitado em caso de condiçons atmosféricas adversas e, ainda assim, tenta-se que haja sempre elementos naturais presentes.

É certo que existiam (e existem) por toda Europa templos druídicos, mas estes eram lugares de reuniom no estilo do indicado anteriormente: locais para facilitarem a juntança do Clã ou simplesmente por motivos logísticos. Havia, de facto, diversidade nas formas e tamanhos.

 

  • Que relaçom há entre Druidaria e magia? Há algo de “esotérico” ou “ritual” em tudo isto?

Na Druidaria há umha parte de iniciaçom, de ordenaçom de aqueles e aquelas que queiram aceder ao sacerdócio. Desde esse ponto de vista um leigo pode perceber este aparente secretismo como “esotérico”, mas nom deixa de ser umha parte que simplesmente nom é pública. Os próprios ritos podem resultar rechamantes a alguém que nunca tenha visto ou participado em cerimónias druídicas, mas isso aconteceria com qualquer outra religiom ou culto desconhecido.

Por outra parte, a magia é entendida como a capacidade de provocar mudanças nas nossas vidas para nos ajudarem a atingir os nossos objectivos, reforçando a nossa auto-estima e potenciando as nossas capacidades. O rito mágico é parte do que para outras religions pode ser a oraçom ou a meditaçom: umha maneira de formalizar a intencionalidade de ser e fazer, de canalizar a conexom espiritual com o Cosmos. Isto nom é algo sobrenatural, longe disso, é umha forma de tentar encontrar nuns rituais e práticas aceitados e conhecidos por todos e todas umha sistematizaçom da vontade de apreender mais da realidade, da Natureza, dumha forma íntima.

Assim, o rito é tamém percebido como umha forma de contacto e harmonizaçom, connosco e com a Terra; umha forma reconhecível, simples, clara e de fácil repetiçom de conduzir e visualizar esse compromisso.

 

  • A reencarnaçom nom era cousa de Budistas e Hindus?

Nom só. Os/as antigos/as celtas acreditavam firmemente na reencarnaçom, entendida como a transmigraçom da alma dum ente físico a outro (algo muito presente na cultura popular galega), até o ponto de deixarem dívidas e contratos para arranjarem “na próxima vida”. De facto, é sabido que os antigos Druidas e Druidesas (Durbedes) insistiam na imortalidade e pervivência da alma depois desta vida; era um elemento fulcral das suas crenças.

Por descontado, na IDG nom contemplamos o conceito “oriental” da reencarnaçom tam de moda nos nossos dias e assumido quase que sem mais por todo/a aquel/a que diz acreditar nela. Nom achamos que as vicissitudes da nossa vida actual se desenvolvam consequentemente à Lei Kármica, é dizer, nom cremos que as cousas sucedam como consequência dumha outra vida nem pago dumha suposta culpa, nem tampouco como oposiçom vital (isto é, ir mudando de estilos de vida em cada reencarnaçom para experimentar todas as experiências vitais), nem que a reencarnaçom noutro ser nom-humano suponha umha “regressom”. A perspectiva druídica da reencarnaçom baseia-se num processo de aprendizagem, mas tamém de liberdade de escolha, mesmo para reencarnar.

 

  • Defende a Druidaria umha volta à antiguidade? É contrária à ciência e ao progresso?

Nom. A Druidaria de hoje está formada por gente de hoje. Os Druidas, Druidesas e Druidistas do S.XXI vom de carro, ouvem música rock e mesmo usam Internet (!). A nossa tradiçom ensina muitas liçons que venhem de antergo e a Druidaria como religiom está baseada em ensinamentos milenares; eis um grande prémio e sorte, o podermos aceder a toda esta sabedoria acumulada. Mas a Druidaria nom ficou parada no tempo, nem pretende umha volta a um passado romântico ideal, que tamém nunca foi tal. A Druidaria evoluiu em muitos aspectos assim como evoluímos os e as crentes druídicas. O que nom fai a Druidaria a respeito do passado é esquecer o muito e bom que tem esse passado para ensinar, a honra que devemos aos nossos Devanceiros e Devanceiras como criadoras e transmissoras do saber, e o que dos erros desse passado tamém podemos aprender.

A Druidaria considera a ciência, de facto, como imprescindível para um melhor entendimento da história e da Natureza e, em consequência, para um melhor conhecimento da própria Druidaria. Quanto mais preciso e definitivo o saber científico mais precisa e acertada a nossa percepçom da realidade e, portanto, melhor entenderemos os processos que relacionam o Ser Humano com o resto do Cosmos que reverenciamos. Lembremos que na raiz da própria palavra Druida situa-se o saber/conhecimento, e a ciência é umha ferramenta fundamental para atingi-lo.

 

  • Mas os povos celtas nom eram bárbaros e primitivos?

Nom. Mais outra vez, existem muitos clichés e falsos mitos sobre a que foi, realmente, umha grande civilizaçom milenar perfeitamente organizada e estruturada. Recomendamos a leitura atenta deste texto onde tentamos explicar de forma amena algumhas confusons comuns.

 

  • Ser crente da Druidaria implica mudar as minhas relaçons com as outras pessoas? Devo-me relacionar só com outros/as crentes?

Nom, em absoluto, nom tens porque mudar nada. A Druidaria nom implica isolamento ou deixar a tua vida anterior e a tua gente. De facto, ninguém deve dizer com quem podes estar ou nom, quem é a tua amiga ou nom, como lidas com a tua família ou nom. Isso é sempre cousa tua. É mais, a Druidaria implica-se no mundo no que vive, quer melhorá-lo, é umha religiom com sentido de serviço. A Druidaria nom promove, por exemplo, o ascetismo e a reclusom afastada do mundo; no caso de alguém quiser – no uso da sua liberdade – retirar-se para viver a sua particular Druidaria ou umha determinada experiência, isto seria sempre um facto pontual e temporário. Praticar as crenças druídicas nom implica a exclusividade nas relaçons com as pessoas que poidam ser crentes ou nom.

 

  • Sendo umha religiom autóctone europeia e fortemente vencelhada a um antigo povo europeu, está a Druidaria reservada só para determinadas etnias ou naçons? ou para pessoas de determinados lugares ou que falem determinadas línguas?

Nom. A crença druídica nom está fechada a nengum grupo nem pessoa por causa de origem, língua, sexo, etnia, etc (leia-se o nosso “Aviso de intolerância“) – nom era assim no passado e obviamente nom é assim no presente.

A cultura nom se transmite nos genes e a filosofia e sentimento religioso transcendem as circunstâncias esporádicas do indivíduo. Os laços entre Druidistas (crentes druídicos) baseia-se na aceitaçom dumha determinada ética, visom da Natureza e forma de viver a religiom. Ajuda enormemente, isso sim, conhecer as origens e história da religiom professada, e dos povos que a criaram e mantiveram viva, para poder perceber melhor a comunhom entre Terra, Ser Humano e Druidaria.

Ora bem, cada um/a deve encontrar o grupo druídico com o que melhor sintoniza, pois cada um oferece certas peculiaridades. A IDG considera, por exemplo, que o seu caminho é válido para os seus membros e entende que tem significado pleno na Galécia (Galiza+Norte Portugal), o qual nom implica que outros caminhos nom poidam ser igualmente válidos para diversos indivíduos ou colectivos.

 

  • Como podo formar parte da IDG? ser um/a Caminhante “oficial”?

Como é explicado no apartado de filiaçom, a IDG é umha associaçom religiosa fortemente vencelhada à sua Terra. Por este motivo, considera-se como algo lógico ter algum tipo de relaçom com a Galiza (ou por extensom a Galécia) seja familiar, vivencial, pessoal, emocional, etc. Para crentes sem este tipo de conexom a IDG pode estender as suas simpatias, mas recomendaria a procura dum grupo mais próximo, um Clã onde realmente poida ponher em prática as suas crenças de forma plena.

Dada essa primeira observaçom, o/a candidata deverá ratificar a aceitaçom Nove Regras e a conformidade cos Estatutos e Regulamento Interno da IDG, e completar um questionário ou entrevista pessoal depois da qual entrará num período de prova. Nesse tempo a pessoa valorará se é que se sente confortável no seio da IDG e, tamém, dará para ver se essa pessoa em verdade acredita nos preceitos da IDG, respeita a sua organizaçom e partilha as suas visons e objectivos.

Obviamente, nom é preciso ser Caminhante para ser simplesmente crente da Druidaria.  Um/a Caminhante da IDG é umha pessoa que vai um passo além, adquirindo um decidido compromisso pessoal e prático – mans à obra – na ajuda diária à IDG, alguém que quer mesmo aprender a senda espiritual da Druidaria Galaica representada pola IDG, talvez face um eventual sacerdócio.

Os e as Crentes druídicas em geral (Druidistas) nom tenhem que dar o seu nome para nada nem se alistarem em rem. A IDG tentará sempre estender os seus serviços e ajuda igualmente.

 

  • Pode a IDG fazer um rito para mim? Podo talvez casar numha “cerimónia celta”?

Sim, com matizes. A IDG tem entre os seus princípios básicos assistir aos e às Crentes, o que inclui oferecer ritos, ajudando à melhora pessoal e espiritual. Ora bem, isto é feito sob um prisma estritamente religioso para Druidistas sinceros e sérios. Portanto, a IDG poderá satisfazer as petiçons de celebraçons ou cerimónias (ritos de passo, uniom de mans, etc) se for logisticamente possível e umha vez comprovado o compromisso da gente.

A IDG nom realizará ritos religiosos para ou como parte de eventos meramente lúdicos ou com fins crematísticos, ou para simples pessoas “curiosas”. Tem-se mesmo publicado algo sobre esta “cultura do espectáculo” que desde a IDG criticamos.

 

  •  Cobra-se por algo? Nom será isto um negócio ou um “tira-dinheiros”?

Nom. A IDG nom é só umha organizaçom sem fins lucrativos, senom que consideramos que a espiritualidade e a religiom nom devem ser nunca usadas para esse tipo de cousas. Temos falado publicamente sobre estes temas inúmeras vezes.

Igualmente, a IDG defende a laicidade do Estado e dos poderes públicos a todos os níveis e em toda parte. Por isto, a IDG nunca procurou, procura ou procurará ajudas, subvençons ou privilégios económicos públicos, igual que rejeita que outras entidades religiosas tenham tais privilégios. A prática religiosa pode estar organizada e oficializada, mas cada organizaçom deve contar só cos seus próprios recursos. Acreditamos que tudo o demais é política interesseira e ingerência que só leva a lugares escuros, intransigentes e perigosos, a umha distorçom da realidade e continuaçom de sinistras relaçons de poder. Nós termamos do nosso.

Assim, para podermos fazer frente aos gastos que sim temos (material de culto, custos de internet, custos administrativos, viagens, obra social, planos de futuro, etc) disponibilizamos algum material em conceito de doaçom – escrupulosamente seleccionado – assim como aceitamos doaçons diretas. Mas isto tudo é algo totalmente livre, à vontade de quem quiser dar e como quiser dar.

Porém, a IDG nom pede nengum tipo de quotas dos seus e das suas Caminhantes, pois isto significaria que a pertença formal à nossa Irmandade estaria condicionada a um determinado pagamento regular, algo totalmente contrário à nossa forma de entender a espiritualidade e que criaria (quer sim quer nom) umha relaçom económico-contratual. Os serviços ao Clã som tamém totalmente gratuitos.

 

  • Por que a organizaçom e hierarquias?

Para nom nos fragmentarmos e perdermos no decorrer da história. As sociedades célticas antigas viviam perfeitamente ordenadas de acordo com a sua realidade, no seu tempo e lugar, o que lhes permitia aos Druidas e Druidesas de entom actuar, estruturar os ensinamentos e transmitir a tradiçom de determinada maneira. Mas no dia de hoje é precisa umha nova organizaçom adaptada à sociedade na que estamos inseridos/as para nos pôr em contacto umhas com as outras e caminharmos em conjunto. A Druidaria precisa dessa organizaçom interna para poder ter recursos e possibilidade de compreender melhor as suas próprias origens e planificar o seu futuro, sem que isto leve à construçom dumha estrutura rígida e inflexível.

A hierarquia interna da IDG expressa o grau de compromisso com a Irmandade em termos de tempo, empenho e conhecimentos. A hierarquia reflecte, aliás, a visom que tem o Clã da IDG e do seu dinamismo. A hierarquia nom se trata dumha questom de “obediência cega”, mas sim de reconhecimento por aqueles e aquelas com experiência e devoçom, aqueles e aquelas a quem se lhes confia o funcionamento administrativo e ajuda e guia no desenvolvimento pessoal e espiritual.

 

  • Como é que se organiza a Druidaria? Há algumha instituiçom central? Há um líder mundial?

A Druidaria é organizada normalmente em Irmandades, Ordens, Arvoredos (Groves) e Grupos de Reuniom (Gorseddau), independentes tanto em hierarquia como em tradiçom druídica embora mantendo sempre uns mínimos comuns. Adoitam estar centrados cada um na sua realidade e condiçons objectivas.

Podem existir Arvoredos ou grupos locais dependentes dumha outra Ordem ou Irmandade. Tais grupos seguem a estrutura e normas impostas pola Ordem Nai.

Nom existe portanto umha “Igreja Druídica” unificada, nem umha Arqui-Druida Suprema. Nom existe um líder de todos os Druidas e Druidesas. As distintas organizaçons soem escolher um chefe de grupo, muitas vezes por motivos administrativos, mas nom existe a figura dum líder infalível ao que mostrar submissom. Ora bem, isto nom impede que ouçamos com especial atençom e honremos as figuras dos chefes de cada grupo druídico que exercem como referentes espirituais, ou que aceitemos determinados Druidas e Druidesas como relevantes, sábias, reconhecendo a sua valia na direcçom do grupo.

Podem-se encontrar, isso sim, diferentes alianças ou associaçons de grupos druídicos independentes, que procuram um bem ou objectivos comuns. Mas mesmo aí cada entidade conserva a sua total autonomia além dos pontos básicos pactuados livremente. Um exemplo disto é a Celtic Druid Alliance, com a que a IDG colabora regularmente.

 

  • Como se organiza a IDG entom? Quem manda nela?

Isso está explicado em detalhe neste apartado. Aliás, a figura pública de referência da IDG recai sempre no Gabinete do/a Durvate Mor (Arqui-Druida/Druidesa), que na actualidade é /|\Milésio.

 

  • Que autoridade tem a IDG? Quem a reconhece?

A IDG é umha ordem de “nova criaçom” (nom filiada anteriormente com nengumha outra) mas baseada num trabalho e processo muito rigoroso. Desde um primeiro momento a IDG estabeleceu laços de amizade e reciprocidade com grupos druídicos sérios que puderam ajudá-la nos seus passos iniciais, antes da sua apresentaçom pública em 2011. Desde aquela a IDG foi reconhecida como entidade religiosa oficial pola administraçom competente ao mais alto nível e ainda por mais pares religiosos a nível global (vejam-se por exemplo as ligaçons no apartado de ‘Druidaria amiga’). Assim, a dia de hoje e apesar do seu humilde tamanho, a IDG é um grupo druídico de referência na Europa.

Igualmente, a IDG é umha entidade associada da Rede do Património Cultural galega. A IDG tamém colabora frequentemente com a Celtic Druid Alliance (organizaçom internacional) e ainda com entidades nom-religiosas no eido da cultura, história, língua, ambientalismo, etc.

 

  • Que significa o de grupo druídico “sério”?

Para nós, grupos que observem os seguintes mínimos:

– Atitude aberta e honesta em relaçom às tradiçons célticas nativas. É dizer, grupos envolvidos na pesquisa, estudo, prática e ensino do património e espiritualidade exclusivamente céltica, sem misturas, ecletismos ou invençons sem fundamento.
– Nom-mercantilismo. É dizer, só grupos e organizaçons sem fins lucrativos, sem interesse de promoçom pessoal ou comercial.
– Grupos nom-racistas, nom-sexistas, nom-fanáticos. É dizer, grupos com umha presença pública clara e respeitável, de impecável reputaçom.
– Contra o maltrato animal e solidamente ligados ao ambientalismo. É dizer, grupos que situem a Natureza e a sua defesa num lugar central e visível da sua ética e filosofia.

Estes quatro requisitos forom, de facto, apresentados pola IDG à Celtic Druid Alliance e gentilmente tomados logo como próprios por esta organizaçom. Só a partir destes quatro pontos os membros da CDA ou a IDG contemplam reconhecer oficialmente qualquer um outro grupo druídico.

 

  • Existe algum livro ou escritos sagrados?

Nom. Na Druidaria nom existem livros sagrados, nem escrituras reveladas, nem ordens gravadas na pedra. O que prima na Druidaria – como em geral na cultura céltica – é o pluralismo, embora tendo umha série de princípios filosóficos, éticos e crenças comuns. Os livros sagrados levariam a Druidaria a umha excessiva rigidez e detalhe à letra. Os escritos, como esta página, som vistos unicamente como vias de comunicaçom e transmissom de certos conhecimentos. Como curiosidade dizer que toda a tradiçom druídica antiga era eminentemente de carácter oral.

 

  • Que representa o logótipo da IDG?

O nosso logótipo representa a uniom entre um símbolo Druídico moderno reconhecido por todos e todas os e as crentes da Druidaria no mundo, e um símbolo céltico tamém muito conhecido, mas desta vez na sua variante galega. O primeiro é o Awen, os três “pauzinhos” (em verdade raios) verdes. O segundo é o tríscele ou xabúcia azul. Tamém, a disposiçom das letras e o detalhe dos pequenos trísceles fechando o nome e dando impressom dum torques nom é casual.

Awen significa inspiraçom em galês (como Imbás em irlandês), e é o nome desse símbolo – criado no S.XVIII – representando três raios de luz que caem de acima. O número três é de grande importância na Druidaria pois toda realidade é percebida em tríades, sejam deidades, os três passos do Sol (alvorada, meio-dia e sol-pôr), os três Reinos clássicos (Terra, Água e Céu), os três componentes do ser humano (corpo, mente e espírito), as três estaçons clássicas (primavera, verám e inverno), as três etapas da vida (nascimento e infância, maturidade e plenitude, velhice e morte), etc.

O tríscele ou xabúcia é um símbolo sagrado comum em muitas culturas arredor do mundo desde a mais remota antiguidade. No caso galego tamém encerra o significado da tríade antes nomeado, com atençom aos três passos do Sol, que caminha polo Céu: morre e renasce sem fim, de Oeste a Este, do mundo dos mortos ao dos vivos, e volta a começar (de aí o sentido de giro no que é representado). O tríscele na Galiza tem sempre um papel protector, benéfico, de ajuda e guia mesmo no trânsito ao Além (sentido de giro de Este a Oeste nesse caso).

As cores verde e azul foram escolhidas por representarem Terra (verde), Água e Céu (azul), onde os mesmos raios viram verdes na sua descida nessa complementaridade e comunicaçom entre todos os elementos. Som, aliás, as cores da psique céltica tradicional, associadas à protecçom, boa sorte e bons agoiros, fartura, beleza e esperança.

 

  • Por que “Galaica” e nom “Galega”?

Quando se fala de adscriçom territorial as formas “galega” ou “galego” som associadas frequentemente só ao território actual da denominada “Comunidade Autónoma de Galicia” [sic]. Mas tradicionalmente o termo galaico – com relevância dentro do campo dos estudos célticos – abrange bem à antiga Callaecia / Galécia céltica como mesmo ao Reino Galego medieval, que ultrapassam com muito os limites actuais da tal “comunidade autónoma” sob administraçom espanhola.

Para a IDG, entom, o termo galaico transcende esses limites administrativos e fai referência a territórios nom-oficialmente “galegos” mas que partilham connosco língua, cultura, história e umha espiritualidade comum. Assim, o campo de acçom da IDG é a actual Galiza, Norte de Portugal (com extensom matizada além Douro até o Rio Mondego) e zonas limítrofes orientais da Galiza onde seja solicitada voluntariamente a presença ou atençom da IDG. É por isto, por exemplo, que na traduçom ao inglês ‘galaico’ vire pan-Galician (pan-Galego).

Seja dito que quando falamos genericamente, de forma simplificada ou coloquial, da “Galiza” fazemos referência a todo este território por extenso, jogando com o matiz Galiza Norte/Galiza Sul (a norte ou sul do Rio Minho), pois a denominaçom “Norte de Portugal” nom é um nome próprio mas só umha descriçom geográfica; historicamente é tam “Galiza” como a terra à norte.

 

  • Havia realmente celtas, Druidas e Druidesas na Galiza?

Sim.

– Primeiro por pura lógica geográfica: O território galaico nunca foi umha excepçom no seu entorno sócio-cultural Atlântico-Europeu, com o que leva interagindo e tendo umha relaçom directa desde o período Megalítico. Porém, a cultura céltica e a sua religiom (elemento coesionador fulcral) nom foram estranhos, antes o contrário. De facto, defendemos a origem galaica de toda a cultura céltica. Dentro das expressons de espiritualidade dessa cultura aparecem os Druidas e Druidesas, figuras de saber e poder pan-Célticas.

– Segundo pola existência nos âmbitos religioso, espiritual, filosófico, comportamental (psicológico), cultural, etnográfico, folclórico e lendário galaico de elementos claramente célticos (isto é, em consonância directa com outros territórios célticos), chamados normalmente de “pré-romanos” como eufemismo.

– Terceiro pola existência de epigrafia documentando o conhecimento e presença de tais figuras, nomeadamente na Gallaecia Bracarensis. Por exemplo, inscriçons mostrando a evoluçom do termo proto-Céltico:

druwid– “sacerdote, druida” (cf. Matasovic)

durwid– (metátese de /r/ em contacto com /u/ ou /w/, cf. Matasovic s. v. *tawr-)

durbid– (cf. PIE *tawr- > PClt *tarw- > OIr. tarb “touro”; esta última evoluçom dá-se igualmente na inscriçom a MARTI TARBUCELI, de Braga, AE 1983, 562).

E posteriormente a forma galaica durbed– [daí posteriormente Durvate] surgida seguramente a partir dum étimo dru-weyd

Algumhas inscriçons conhecidas som:

D(IS) M(ANIBUS) S(ACRUM) / POS(UIT) IULI/A QUTI FI/LIO IULIO / FAUSTO {A} / AN(N)OR(UM) XXXIII / ET DURBE/DI(A)E NEP/TI SU(A)E CA/RISSIM{E}/IS MEIS (Vigo: HEp-15, 00307)

CELEA / CLOUTI / DEO D/URBED/ICO EX V/OTO A(NIMO) [L(IBENS?)] (Guimarães: AE 1984, 00458)

LADRONU[S] / DOVAI BRA[CA]/RUS CASTEL[LO] / DURBEDE(NSE) [H]IC / SITUS ES[T] / AN(N)O/RU[M] XXX(?) / [S(IT) T(IBI)] T(ERRA) L(EVIS) (AE 1984, 458)

Onde DURBEDIE é um antropónimo feminino, é dizer, Druidesa (Druwidyā), DURBEDE um lugar nalgures perto de Braga (druwidī – algo que talvez poida explicar tamém o topónimo Druidantes em Ogrobe, Galiza), e DEO DURBEDICO um epíteto “ao deus dos druidas” ou “ao deus druídico” (Druwid-ik-).

– Quarto pola constância em período histórico de, alo menos, dous Druidas devidamente “convertidos” em Bispos:

Primeiramente Prisciliano (S. IV), assassinado polas suas “tendências pagãs” já que defendia, entre outras cousas, a igualdade entre mulheres e homens, a aboliçom da escravidom, o direito ao casamento de membros do clero, a utilizaçom da dança e música nas liturgias, o animismo, o contacto com a natureza e celebraçom de liturgias nela, o emanacionismo, a eliminaçom da hierarquia na instituiçom religiosa onde foi inscrito (instituiçom que eventualmente empreenderia acçons punitivas contra ele e acabaria executando por “herege” e “bruxo”), etc. Mas a influência Priscilianista perdurou por muito e a sua figura é vivamente lembrada até a época actual.

Em segundo lugar Mailoc (S.VI), líder espiritual e político da colónia britã estabelecida no norte da Galiza por emigrantes célticos que abandonaram a Ilha da Bretanha (actual Grã-Bretanha) e Armórica (actual Bretanha continental), fugindo das invasons germânicas. O seu legado e o da sua Comunidade ainda perdura nessas zonas do País.

 

  • Por que ‘escrevedes’ de forma ‘tam’ estranha?

Em verdade comunicamos em galego mas utilizando umha grafia internacional da nossa língua seguindo o modelo reintegracionista, isto é, respeitando as conjugaçons verbais e vocabulário típicos da Galiza em base ao critério científico estabelecido pola AGAL e AEG. Entendemos o reintegracionismo linguístico como mais umha forma de recuperarmos parte da nossa comum tradiçom galaica esquecida e negada, de redescobrirmos a nossa história e herdança, à vez de resituarmo-nos no lugar que nos corresponde no mundo por nós mesmos/as.

Aliás, o termo “galaico” inclui a actual Galiza e o Norte de Portugal entre outras áreas, como foi explicado acima, e a nossa escolha ortográfica permite-nos comunicar sem dificuldade tanto a norte como a sul do Rio Minho e mesmo através do Oceano.

Para lusofalantes nom-galegos/as que poidam ter dificuldades com tal ou qual palavra recomendamos o uso do dicionário electrónico Estraviz.

 

– – – /|\ – – –

 

Un agraiment especial a l’Orden Druida Fintan (Catalunya) per l’ajuda en l’elaboració d’aquestes perguntes freqüents, permitint adaptacions de part del seu propi FAQ.

Anúncios

2 thoughts on “FAQ

Deixe um comentário / Leave a comment

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s