Nos Maios, Pitões (e vam oito!)

É com alegria que podemos re-confirmar as datas das VIII Jornadas Galaico-Portuguesas em Pitões das Júnias (Montalegre) no 11 e 12 de Maio, o já tradicional ponto de encontro, debate e celebraçom da nossa cultura ancestral.

Como tamém vem sendo habitual, este ano contaremos com convidados e convidadas de primeiro nível, incluindo o Prof. Xaverio Ballester, um dos nomes fundamentais nas investigaçons do chamado Paradigma da Continuidade Paleolítica, de enormíssima relevância para a nossa história.

Eis o programa (provisório), ainda que poida haver alguns trocos de última hora:

Sábado 11 de Maio
10:00 Apresentaçom
10:30 Luísa Borges (ATDL): “Das raízes ao reerguer da Tradição Lusitana. Viagem pela Céltica até ao CDL, parte 1”
11:15 Helga Ribeiro (ATDL): “Das raízes ao reerguer da Tradição Lusitana. Viagem pela Céltica até ao CDL, parte 2”
12:00 Debate
13:30 Comida

16:00 Xaverio Ballester (Univ. de València): “Paradigma de la Continuïtat Paleolítica i Mitologia Paleolítica Galaica”
16:45 Rafael Quintia (SAGA/UNED): “Objectos curativos e uso dos amuletos na cultura popular galaico-portuguesa”
17:30 Debate
(moderadora da jornada do sábado: Maria Dovigo, AGLP)

19:30 Concerto: 2naFronteira
20:30 Ceia

Domingo 12 de Maio
10:30 Roteiro arqueológico por Vilar de Perdizes, com visita à estátua do Deus Larouco, ara céltica e pedra escrita
13:00 Comida em Vilar de Perdizes

O evento é organizado pola amiga A.C. Desperta do Teu Sono, Junta de Freguesia de Pitões das Júnias e Concelho de Montalegre, entre outros, com colaboraçom e apoio de várias outras entidades onde se inclui a Irmandade Druídica Galaica.

Todas as actividades próprias das jornadas (palestras e visitas) som de acesso totalmente livre e gratuito, nom assim as dormidas e refeiçons, como é lógico. Recomenda-se reservar alojamento em Pitões com suficiente antecedência já que polo tamanho da aldeia a oferta turística é limitada.

 Novidades nesta ligaçom aberta em Facebook.

 

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Acouga Brigantia, salta a lebre. É a Alvorada da Terra

O animal desta época, a Lebre, nom o é por casualidade. Símbolo de fertilidade, é a encarregada de cuidar do ovo (fruto do ventre – i mbolg) pois Brigantia começa já a ficar cansa… Foto: C. Galliani.

Esta noite o Sol detém-se sobre as nossas cabeças, toma fôlegos por um intre na sua viagem enquanto equilibra luzes e trevas. Às 22:58 (norte do Minho; 21:58 no sul) tem lugar o Equinócio de Primavera, quando depois de finalmente alcançar à escuridom o dia dura tanto como a noite.

É o que muitos e muitas denominam Alban Eilir, “A Luz da Terra”, Mean Earraigh, “Meia Primavera”, ou Alban Talamonos, “O Amencer da Terra”; Ostara nos cultos germânicos e wiccanos, o início do ano astrológico para outros.

Nós chamamos-lhe A (Festa da) Alvorada da Terra e é um dos quatro  eventos astronómicos que intercalam as quatro grandes celebraçons religiosas da Roda do Ano , é dizer, o ciclo completo das oito grandes celebraçons da Druidaria combinando quatro maiores (religiosas, com começo no Magusto, em Novembro) e quatro menores (astronómicas: solstícios e equinócios).

Continuamos assim o caminho indicado no Entroido (Imbolc). Vai resultando evidente que a chegada dos Maios (Beltaine) e imparável. A Natureza cumpre os seus ciclos mais umha vez, por muito que haja quem teime em ignorá-la e daná-la. Por fim vai agromando a vida por toda parte; é óbvio e palpável.
Apesar do frio que pode perdurar, a luz e os primeiros verdes e flores nom enganam. Activa-se a fertilidade e maravilhamo-nos de como a planta sabe quando tem que medrar, quando tem que sair do ovo protegido por umha lebre, simbolismo do que significavam os frutos “no ventre” (i mbolg) da Deusa Brigantia, que nom parou de sorrir desde o Entroido.

Renovam-se desta forma as intençons desse Entroido: continua a preparaçom, cuidado e sementado da terra, mas esta já reverdece. Pode-se pôr outra vez a casa em ordem e continuarmos a limpeza, tamém interior, porque com esta luz podemos ver melhor todo recanto escuro, em toda parte, e nom deixarmos nada sem arranjar.

Bom Equinócio de Primavera entom. Recebide a acougante Alban Eilir num agarimoso abraço. Empregade bem o tempo da Mean Earraigh. Espreguiçade-vos com o Alban Talamonos. Acordade com a terra que recebe a sua Alvorada. Luz de carqueixa!

<< Dim que nom falam as plantas, nem as fontes, nem os pássaros,
nem a onda co’s seus rumores, nem c’o seu brilho os astros,
di-no, mas nom é certo, pois sempre quando eu passo,
de mim murmuram exclamam:
Aí vai a tola sonhando
co’a eterna primavera da vida e dos campos
e já bem cedo, bem cedo, terá os cabelos canos,
e vê tremendo, aterecida, que cobre a giada o prado.

Hai brancas na minha cabeça, hai nos prados giada,
mas eu prossigo sonhando, pobre, incurável sonâmbula
co’a eterna primavera da vida que se apaga
e a perene frescura dos campos e as almas,
ainda que os uns esgotam-se e ainda que as outras abrasam.

Astros e fontes e flores, nom murmuredes dos meus sonhos,
sem eles, como admirar-vos nem como viver sem eles? >>

(Rosalia de Castro, 1884)

pagan_easter

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O perigo dos argalheiros. Cuidado com o ‘celtismo de feira’

Hai pouco tempo foi-nos remetido um perfil dumha auto-denominada “primera Hermandad celta en Galicia” [sic], algo sobre o qual os nossos clássicos do século XIX e princípios do XX seguramente teriam algo a comentar.

Após umhas simples verificaçons desta tal “Cueva de Lobos – Hermandad Celta” que parece operar desde a cidade de Compostela, observamos umha série de problemas muito graves.

Antes de mais nada, desejamos clarificar que nom entramos nem entraremos nunca na liberdade de todo indivíduo a crer no que queira e fazer com o seu tempo e dinheiro o que considere.
Igualmente, nunca tivemos nem teremos problemas com grupos meramente recriacionistas ou actores profissionais que assim se definam de forma inequívoca, pois nom se estám adjudicando umha categoria que nom lhes pertence levando a terceiras pessoas a umha possível confusom.

Mas devemos, precisamente pola obriga dos nossos próprios princípios, fazer notar que:

O título de “sacerdote celta” (conhecido como Druida, pois ser “sacerdote celta” é, por definiçom, ser Druida/Druidesa) deve responder a umha iniciaçom através dumha ordem reconhecida ou a um eventual reconhecimento externo por parte doutras ordens já bem estabelecidas e de trajetória clara.
Quer dizer, igual que alguém nom pode afirmar-se sacerdote católico ou monge budista só polo seu capricho, tampouco tem validade proclamar-se “sacerdote celta” sem mais.
Assim as ordens, irmandades ou grupos druídicos sérios podem, logicamente, organizar obradoiros, cursos ou actividades regradas na ajuda ao auto-sustentamento da comunidade, mas sempre sem fins lucrativos e sem enganos.
Tamém é altamente questionável a utilizaçom do termo “Hermandad” neste contexto religioso e espiritual, quando se trata dum evidente esquema unipessoal, sem estrutura nem validaçom por parte doutras organizaçons.

Criticamos energicamente, logo, o fraudulento uso do título de “sacerdote” em relaçom à nossa religiom (celta) por parte de um indivíduo para o seu negócio privativo.

Além disto, umha vez esta pessoa se define como “sacerdote celta”, demonstra a sua ignorância completa sobre as crenças e tradiçom celta pois (a maneira de exemplo e tomando como referência alguns dos seus pontos):

– Nom hai nada na Druidaria (‘Druidismo’ – sistema de crenças celtas ou religiom celta) que justifique o uso da palavra “chaman” ou “chamanismo” [sic], muito menos em território galaico, como se fai neste perfil a modo de reclamo.
– As runas som de cultura germânica, nom celta. Nom tenhem absolutamente nada a ver com a Druidaria ou com a Galiza, igual que o moderno “tarot” que tamém se oferece como serviço de adivinhaçom.
– A Druidaria, as crenças celtas tradicionais, nom contemplam os “quatro elementos” (a Wicca Céltica sim, mas tampouco é Druidaria, como os e as Wiccanas bem sabem).
De facto, como é habitual nestes casos de pessoas com escassa ou nula formaçom, confunde e mistura sem sentido conceitos e ideias da Wicca, Asatrú (Odinismo) e Druidaria, apelando ao “paganismo” (termo nele mesmo polémico) num ‘vale tudo’ caótico.

Aliás, existem inúmeros erros terminológicos e históricos, como identificar a Gália com o conjunto de terras celtas, atrapalhar-se com a cronologia e geografia da cultura celta, misturar celtismo e Druidaria com conceitos alheios como por exemplo o karma e darma orientais, confundir e revirar totalmente a cosmovisom céltica e, no geral, apelar a umha pseudo-filosofia New Age simplista que nom tem absolutamente nada a ver com a Druidaria.

Igualmente, os comentários de teor ético e moral produzidos nos textos e vídeos pouco encaixe tenhem com a Druidaria em geral (mesmo com as visons mais ecléticas), sem entrarmos sequer em juízos de valor que seriam extremamente duros.

A lista de incorreçons é simplesmente abismal. Em verdade, poderiam-se analisar negativamente quase todos os elementos presentes nesse perfil um a um.

Infelizmente isto nom é a primeira vez que acontece. Estamos já afeitas a determinadas personagens de características similares que umha e outra vez rapinam entre as esperanças da gente oferecendo beiçons a maos-cheias e mágicas soluçons rápidas num contexto totalmente fantasioso. É a farsa do ‘mercadeio esotérico’. Veja-se >aqui< um caso de tantos.

Isto tudo nom o di só a IDG(*) senom muitas outras ordens internacionais perfeitamente regularizadas que observam os mesmos estritos critérios.

Concluímos dizendo novamente que qualquer pessoa pode acreditar e fazer o que estime mais oportuno mas, como foi apontado, é o nosso imperativo expor estas informaçons e partilhar a nossa visom.

Felicitamos a este indivíduo, isso sim, polo seu aparente cuidado e carinho polos animais. Seja dito, pois o justo tamém é justo.

Saúde.

(*) A Irmandade Druídica Galaica (IDG) é o primeiro e único grupo druídico oficialmente legalizado perante notário e no Registo de Entidades Religiosas do Ministério de Justiça espanhol (no. 022549) e Agência Tributária em território galego.
No Estado Espanhol, só duas outras ordens druídicas figuram no R.E.R., nomeadamente a Hermandad Druida Dun Ailline e a Orden Druida Fintan, ambas na Catalunha.

NOTA (11 de Março 2019): Esta mensagem foi colocada primeiramente no perfil de Facebook da chamada “Cueva de Lobos” para poder favorecer umha reflexom pública. Porém, foi eliminada sem contriçom poucas horas depois, o que decidiu a esta IDG a reproduzi-la agora por outros meios. É infortunado, mas tem que ser feito.
(Tamém houvo umha resposta defensiva posterior pola sua parte no nosso perfil que foi eliminada poucas horas depois, apesar de mesmo termo-la respondido.)

NOTA 2 (12 Março 2019): Desde a emisom formal do comunicado e apoio doutras entidades, “Cueva de Lobos” já se desculpou, dalgumha maneira, no nosso perfil de Facebook e retirou toda referência “celta” no seu perfil, incluída a segunda parte do nome (“Hermandad Celta“).

NOTA 3, final (16 Março 2019): Agradecemos os comunicados de apoio emitidos polas outras duas ordens Druídicas legalizadas no Estado, HDDA e ODF, e ainda a tamém oficialmente inscrita no Registo de Entidades Religiosas “Religión Wicca Celtíbera“. Um grande bem haja!

Detalhe da publicidade do auto-denominado, e nom reconhecido, “sacerdote celta” 😦 (agora eliminada)