A Seitura, calmo apogeu de Lugus

O esplendor e calor de Lugus, com uma luz bela e radiante à vez que esmorecente.

O esplendor e calor do Deus Lugus, com uma luz bela e radiante à vez que esmorecente. Foto: José Goris.

A Seitura, um trabalho agrícola que tradicionalmente começa a partir do 25 de Julho, indica-nos claramente que começa a época da ‘Assembleia de Lugus’ (Lugnasad), do luminoso e poderoso protector das criadoras e inventoras, das agricultoras,  de aqueles e aquelas que podem fazer surgir algo que antes não existia, do que coloca ordem no caos e defende os pactos e promessas feitas.

É, pois, o tempo da primeira sega, motivo de ledícia geral, depois da esforçada guarda de Brigantia e Bel e todo o nosso trabalho acumulado. É a quarta e última grande celebração do ano a seguir o Entroido e os Maios, quando o Magusto reserva-se para o futuro e ainda aproveita-se o verão. Fecha-se a Roda do Ano.

Por fim se pode reunir o Clã em grande festejo para celebrar a luz no esplendor do verão, a colheita dos frutos da Terra que hão de nos alimentar quando o frio vier. Mais uma promessa é cumprida da mão de Lugus, pois a Natureza nunca falha à sua cita. Façamos nós um esforço por estarmos à altura.

É um tempo para reflectirmos sobre o acadado nas nossas vidas e de como foi feito, pensarmos nos nossos planos e estratégias passadas, sabendo que deveremos sementar de novo grão e ideias mais cedo do que tarde. É altura, também, de fixar todo o bom conseguido até o de agora – apresentado da mão de Lugus – de estarmos satisfeitas pelo bom e tomar consciência do desejo de mudança do mau.

Nestas datas unem-se as famílias e os amigos, celebram-se casamentos, brinca-se e há música, arte e competições desportivas, actividades todas das que Lugus é patrão. A Comunidade trabalha junta nessa colheita sempre com um sorriso entre troula e esmorga, arredor duma mesa ou dançando baixo o céu, sem nunca esquecer retornar à Terra parte do que ela nos dá.

Façamos pois reflexão sobre quem somos e onde estamos, onde queríamos chegar e aonde queremos ir. Aproveitemos os intres de calma e sossego que nos garante Lugus e a sua eloquente e positiva sabedoria. Pensemos em nós mas não só como indivíduos, senão como parte desse Clã que necessariamente avançará connosco e nós com ele.

Outro ano já virá mais à frente, mas agora toca alçarmos a vista e desfrutar da cálida beleza da vida. O Deus que outorga essa energia toda está presente no seu apogeu; todos e todas nós somos a sua Assembleia e Povo, e esta é a sua festa. Não desrespeitemos o nosso contrato com Ele.

 

Lugus. Desenho em aquarela por R. Cochón.

Lugus. Desenho em aquarela por R. Cochón.

Hei de ir à tua seitura

Hei de ir à tua segada

Hei de ir à tua seitura

Que a minha vai-che acabada

* * *

Segador que bem segas
na erva boa
que para segar na má
o tempo che sobra.

Aí vêm os segadores
em busca dos seus amores
depois de segar e segar
na erva.

A Terra que nos sustenta

Celebramos outro ano o Dia Nacional da Galiza, o Dia da Pátria, o Dia de Todas e Todos Nós, a simbólica celebração da Terra que nos acovilha, sustenta e dá sentido, a que nos ensinou a estar no mundo.

Hoje unimos-nos à louvança do cenário único onde os nossos devanceiros e devanceiras viraram galegos e galegas. Hoje honramos – é preceito da Druidaria – a quem nos precedeu para podermos estar aqui agora e sermos quem somos.

Hoje celebramos o bom da Terra e da nossa cultura e identidade, e reforçamos a nossa vontade em erradicar tudo aquilo que lhe aflige e dana, com uma soa voz.

Muito especialmente, dos Nove Compromissos presentes na nossa religião hoje o Compromisso com as Raízes, com a Liberdade e com a Independência revelam-se fulcrais em múltiplos sentidos. Fai-se, aliás, um chamamento especial a galegos e galegas em relação a um dos princípios básicos da IDG, que é o da defesa da Terra, pois os tempos que vivemos vem como continua a perigar a sua essência, e a do nosso Povo.

Chega então o momento de enchermos as ruas, fachendosos de nós, cantando o nosso amor pelos “bons e generosos” e nojo pelos “imbecis e escuros”, construindo a berros se for preciso.

Hoje não pode faltar uma insígnia do País em cada casa, em cada recanto, como símbolo comunitário de união e determinação do mais grande Clã.

Sintamos no abeiro da Cailleach a ligação em sagrado pacto à espinha do Dragão. Celebremos!

Bom dia da Galiza!

“Hoje as campás de Compostela anunciam uma festa étnica, filha, talvez, dum culto panteísta, anterior ao cristianismo, que tem por altar a Terra Nai, alçada simbolicamente no Pico Sacro; por cobertura o fanal imenso do Universo; e por candeeiro votivo, o Sol ardente de Julho” (A.D.R. Castelao, Alba de Glória, 1948)

 

NOTA: Esta celebração não-religiosa é de cumprimento voluntário para Caminhantes não-galegos/as mas sim de observância para galegos/as. Iniciados/as na IDG têm deveres específicos para este Dia.

Arde a Roda, arde bem, na Noite dos Lumes

O Solstício de Verão, o dia mais longo e a noite mais curta do ano, cumpre desta vez a sua passagem astronómica na noite do 20 de Junho em território galaico. Ora bem, na nossa tradição a festa da Noite dos Lumes (Alban Hefin, Mean Sámhraidh ou Dia do Meio-Verão), terá lugar como sempre na grande e especial noite do 23 ao 24 de Junho.

Esta aparente disparidade de datas tem a ver com o costume celta de celebrar durante 3 dias, ou que determinados eventos durassem 3 dias. Assim, na noite do 23 celebramos o fim dum breve ciclo que abre hoje (desde o ponto de vista astronómico), e fecha sem problema na noite do 23-24. Há um paralelismo claro com o solstício de inverno e a chamada Noite Nai.

Não sendo uma das quatro celebrações religiosas principais do ano (Magusto/Entroido/Maios/Seitura) é a mais importante – e sem dúvida a mais sentida popularmente – entre as quatro denominas “menores” (solstícios/equinócios).

É assim a celebração do trânsito ao verão que nos levará cara a Seitura (Lugnasad), uma mudança de estação e um novo lento caminho cara a metade escura da Roda do Ano. Vai rematando a época dos Maios (Beltaine) e tudo arde numa êxtase festiva. Por isso, mais do que nunca, o lume em forma de cacharelas comunitárias viram elemento fulcral alumiando a meia-noite, dissipando as trevas e criando um perfeito dia sem fim, um último berro de luz, poder e fertilidade. Decoram-se os chãos com flores, enchem-se as ruas de elementos vegetais, despedindo aos poucos ao bom do brilhante Bel, dando as boas vindas ao luminoso Lugus, que em nada completará a sua entrada.

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Centos, milheiros… O País inteiro vive a noite mágica de forma alegre e popular.

Junto do Magusto e os Maios esta é a terceira das denominadas noites mágicas do ano, onde disque as meigas andam à solta. É bom momento então para apanharmos ervas mencinheiras assim como banhar-nos no mar e recolher a Flor da I-áuga (o primeiro reflexo do Sol na superfície das fontes), com a permissão das Xanas no novo abrente, cousas todas que hão centrar os rituais para as nossas sanações e purificações.

Como cada ano, preparade-vos logo para acender e cuidar o lume do vosso Clã, uma fogueira tão alta e brilhante que dea luz às próprias estrelas, lume que depois haverá que saltar para eliminar todo mal. Preparade-vos para partilhar a comida e recuperar forças antes de ir apanhar as ervas e água mágicas, para tomar o banho de mar na noite que é dia, e aguardar ainda assim pelo raiar do Sol que lembrará que sempre há voltar.

 

Noite dos Lumes, alegre / menina, vai-te lavar

apanharás água do pássaro / antes de que o Sol raiar

Irás arrente do dia / a água fresca catar

da água do passarinho / que saúde che há de dar

Corre menina, vai-te lavar / alá na fonte te hás de lavar

e a fresca água desta alborada / cor de cereixa che tem que dar

Se arraiar, se arrairá / todas as meigas levará;

já arraiou, já arraiou / todas as meigas levou.

Uma tradição bem antiga e profundamente enraizada, embora a maioria da gente a conheça com um nome falso

Uma tradição bem antiga e profundamente enraizada na nossa cultura, embora a maioria da gente a conheça com um nome falso.

 

 

Honra, na memória da grande batalha

Cartaz: Paco Boluda. Na parte superior aparece parte duma obra de Otto Albert Kock de 1910. Por baixo um desenho do próprio Boluda, representando a entrada a uma sauna-santuário galaico. A porta é a de Sanfins e a pedra formosa a do Alto das Eiras.

Cartaz: Paco Boluda (2016).
Na parte superior aparece parte duma obra de Otto Albert Koch de 1910. Por baixo, um desenho do próprio Boluda, representando a entrada a uma sauna-santuário galaico. A porta é a de Sanfins e a pedra formosa a do Alto das Eiras.

No estudo e recuperação da nossa religião nativa muitas vezes encontramos com o problema das fontes ou referências originais. Às vezes é pela mesma natureza da transmissão do conhecimento na nossa tradição, às vezes pela ocultação intencionada a mãos de terceiras pessoas. Às vezes é um bocado tudo.

Sabemos que houve uma infeliz quebra nessa transmissão directa da nossa tradição, embora sim ficara bem viva a nível folclórico e popular, plenamente integrada em inúmeros aspectos da cultura e psicologia galaica actual. Desconfiade, contudo, de quem pretenda afirmar uma linhagem ininterrupta; isso nunca vai ser certo.

Desde a IDG termamos na procura de vias de investigação e interpelação sérias na redescoberta da nossa história e herdança, reconstruindo o possível e interpolando o necessário, mas longe de fantasias e autocomplacências. É, por definição, um trabalho muito lento e complicado, mas abofé gratificante.

Assim, é certo que também encontramos agradáveis surpresas, como uma pedaço de informação aqui ou alá que ajuda a conhecermos melhor os nossos Devanceiros e Devanceiras. É o caso do facto que podemos comemorar hoje 9 de Junho, quando teve lugar há 2153 anos (no 137 AEC) a grande batalha de proporções formidáveis – onde as galaicas lutaram até a morte pela sua liberdade contra as tropas do Império Romano na foz do rio Douro, lá na cidade de Cale (actual Porto).

Esta efeméride perfeitamente documentada acaba por desmontar falsos mitos como a alegada falta de unidade ou desorganização galaica, como se esta terra tivera sido tão só um lugar salvagem e individualista prestes a ser “civilizado”. Antes o contrário, eis aqui mais um exemplo da já sabida conexão e inter-relacionamento entre as diferentes tribos galaicas e, até, diferentes povos célticos da Europa Ocidental.

As crônicas falam de 50.000 mortos, 6.000 prisioneiros, da valentia galaica mas também da inteligência e astúcia romana… Tem que ser, pois foram escritas pelo invasor e os exageros sempre ficam épicos, mas os números e a mensagem que transmitem não eram pequenos. 

Em qualquer caso, esse foi o dia que marcou o princípio do fim duma época, mas com certeza foi também um momento fulcral na história, quando as nossas ancestrais ensinaram-nas com o seu sacrifício tingido de sangue quanto é que importa esta Terra e tudo o que há nela, e até que ponto estavam dispostas a defendê-la.

Honra aos Heróis e Heroínas, gentes sem as quais hoje não estaríamos cá nem saberíamos o que sabemos. Honra a Bandua, que lá estava activo e presente lutando do nosso lado, por ajudar-nos a lembrar agora.

A Honra é um elemento fundamental da Druidaria.

Cartaz: Paco Boluda

Cartaz: Paco Boluda (para uma edição anterior)

Aí vem o Maio

As crianças

As crianças participam na elaboração do Maio, arredor do qual dançarão e cantarão. Podem também vestir com elementos da Natureza, “confundindo-se” com ela.

Os Maios (Beltaine) são chegados. A terceira grande celebração do ano a seguir o Magusto (Samain) e o Entroido (Imbolc) começa esta noite, no passo do 30 de Abril ao 1 de Maio.

Vêm aí os Lumes de Belenus (Bel-tené) – o formoso, o belo, o luminoso – e assoma a cabeça a Tarasca do Val, sabendo que chega já de forma definitiva a consagração da Primavera (tradicionalmente era, aliás, o começo do Verão).

Não é casual que seja precisamente agora, neste mês, quando proliferam por todo o País tantas “festas da primavera”, já que tratamos com uma autêntica festividade que perdura de forma contínua na nossa terra desde o Neolítico.

Como o Magusto (Samain), os Maios supõem um trânsito, o outro fito da divisão da Roda do Ano em duas partes, a mudança esta vez da metade escura do ano cara a luminosa, de Giamos a Samos. Retoma o lume guardado por Druidas e Druidesas o seu simbolismo fulcral, leva-se o gado até ele para a sua purificação e saltam homens e mulheres por riba na procura da fertilidade. Regressam a casa depois dum duro inverno fora os moços do Cório (como os irlandeses Fianna), para celebrarem estas datas com o resto do seu Clã.

Se na Seitura (Lugnasad) preparamos-nos com lume à futura chegada da escuridão, aqui chamamos definitivamente à luz que não para de caminhar cara nós. Invoca-se o bem-estar, os gromos e o calor no rito de Alumiar o Pão, para que a Natureza não se esqueça de nós e dos nossos esforços:

Alumia o pão
Alumia-o bem
Alumia o pão
para o ano que vem

Alumia o pai
cada grão um tolodão
Alumia o filho
cada grão um pão de trigo
Alumia a nai
cada grão um tolodão
Alumia a filha
cada grão um pão de trigo

Como na Seitura, é também bom momento para casamentos e uniões, para desfrutar da sexualidade. É o grande festival da fecundidade, do esplendor da natureza, da fartura, das crianças. É uma festa de reconstrução e renovação. Assim, elabora-se o Maio, uma figura inteiramente vegetal – se calhar com algum ovo que a Lebre já cedeu a pedido de Brigantia depois do equinócio  – que representa e centraliza a Natureza, ou uma árvore se se quer, que será passeada por moços e moças; mesmo pode-se vestir uma criança como tal. É a árvore, pois, que indica a chegada sem falho da vida e da luz durante meio ano, em torno à qual todas e todos cantam e dançam em círculos enquanto o Cório bate as suas espadas junto da Tarasca, espinha do Mundo:

Ergue-te Maio
que tanto dormi-che
que passou o Inverno
e ti não o vi-che

De acordo com a tradição galaica celebramos os Maios desde a noite do 30 de Abril, quando (de forma simbólica) se apanhava nos campos alumiados por fachos, cujas cinzas serviam depois de adubo, até o significativo dia 1 de Maio. Depois da juntança de luta da manhã tentaremos percorrer o caminho cara um santuário natural para acabarmos de confeccionar o Maio, acender os lumes, jantar e, em definitiva, desfrutar da alegre protecção de Belenus que, anovado, viaja arredor do Sol no seu carro de cavalos. Temos ainda a ajuda de Návia nos nossos cânticos com o repenique das suas águas, precisas para limpar as feridas. A tríade deste ano fecha-se com a Deusa Íccona Loimina – embora sempre com um pensamento de agradecimento para Brigantia – por se tiver a bem ajudar na abertura de novos caminhos, ela que sabe e pode protege-lo.

Os Maios são uma dessas celebrações populares que mostram à perfeição a continuidade duns costumes e crenças desde a mais remota antiguidade até dia de hoje. Pode que perderam parte do seu significado original e outros foram acrescentados, pode que a maioria da gente não saiba o que está a suceder realmente, mas a tradição tem estas cousas, o fundo perdura, apesar de todas as tentativas de o ocultar ou deturpar.

Belenus está presente, a Natureza está presente, o “axis mundi” está presente, os Córios estão presentes e rodam no sentido da vida, a fertilidade e a alegria estão presentes, o sentimento de melhora e protecção está presente, e milhares contemplam isto tudo e participam nas ruas da Galécia do século XXI. Estamos viv*s e, como sempre fizemos, cantamos e dançamos.

Amanhã (1 de Maio) é dia de presença nas ruas, por justiça e por festa. Amanhã o País inteiro tinge-se de cor num berro senlheiro. E para quem não conhecera esta festa, eis uma introdução…😉

As datas de culto, aliás, estendem-se até o dia três e a época dos Maios durante o mês todo, mas neste caso são actividades principalmente pessoais e privadas.

Beltaine, os Lumes de Bel, uma grande e alegre festa em todas as terras célticas

Um evento único na nossa terra

V JornadasGalegoPortuguesasDefinitivo

Clicar na imagem para alargar e ver detalhes.

[Actualização: Uma vez passadas as Jornadas, cá está uma crónica da mão dos amigos e amigas do DTS (12/04/16)]

Só faltam uns dias para as V Jornadas das Letras Galego-Portuguesas (2-3 Abril) que, como no ano passado, contam com o apoio e colaboração da IDG.

Numa nova edição organizada pelo colectivo amigo Desperta do Teu Sono, a Junta de Freguesia de Pitões das Júnias e outros (ver imagem), teremos a imensa fortuna de contar com o Prof. Francesco Benozzo (entrevista a não perder na ligação), um dos grandes investigadores internacionais da nossa Terra e cultura e candidato a Prémio Nobel, além doutros participantes de muito alto nível.

Aliás, esta será uma boa oportunidade de encontro para todas aquelas pessoas interessadas em estabelecer um contacto “real” com a IDG, seja por vontade de mais informação ou por considerarem um possível ingresso na Irmandade, o qual requer sempre um contacto pessoal nalguma altura. Será a primeira presença pública da IDG desde o passado Magusto.

Reproduzimos pois o programa completo deste evento totalmente aberto e gratuito, para desfrute de quem quiser e puder passar por Pitões das Júnias este próximo fim de semana, sem mais:

 

Sábado 2 Abril

10h Abertura, com o Sr Dr. Orlando Alves (Presidente da Câmara de Montalegre), a Sra Dra. Lúcia Jorge (Presidente da Junta de Freguesia de Pitões) e o Sr Dr. José Barbosa (A.C. Desperta do Teu Sono).

10h30 Sr Dr. Marcial Tenreiro (Univ. da Corunha): A lança na água e a espada na pedra. Rito e território entre germanos e celtas.

11h15 Sr Dr. Marcos Celeiro (A.C. O Iríbio): A evolução da ‘Cruz Celta’ até o dia de hoje.

12h Sessão de perguntas e debate, moderado pela Sra Doutora Maria Dovigo (Academia Galega da Língua Portuguesa).

16h30 Prof. Doutor Francesco Benozzo (Univ. de Bolonha, Itália): Uma paisagem atlântica pré-histórica. Etno-génese e etno-filologia paleo-mesolítica das tradições galegas e portuguesas. [esta intervenção será em inglês com tradução simultânea]

17h15 Sessão de perguntas e debate (Maria Dovigo).

18h30 Actuação musical: 2naFronteira +convidados.

20h Jantar/Churrasco popular.

22h Programa Erasmus: “Adventure of Reading”, Folião e Gaiteiros de Pitões

 

Domingo 3 Abril

10h Sr Graciliano Barros: Ourivesaria e arte céltica no S. XXI no NO peninsular.

10h45 Prof. Doutor José Rodrigues (Univ. Lusíada Porto): A raiz celta dos ordálios medievais.

11h15 Debate e conclusões (Lúcia Jorge e Maria Dovigo).

13h30 Encerramento das Jornadas.

16h Visita comentada a Pitões das Júnias: EcoMuseu, Mosteiro e Cascata (a pé).

 

[Actualização: Uma vez passadas as Jornadas, cá está uma crónica da mão dos amigos e amigas do DTS (12/04/16)]

Uma Primavera de actividades

Não é estranho

O animal desta época, a Lebre, não o é por casualidade. Símbolo de fertilidade, é a encarregada de cuidar do ovo (fruto do ventre – i mbolg) pois Brigantia começa já a ficar cansa…

Entre hoje e amanhã o Sol detém-se sobre as nossas cabeças, toma fôlegos por um intre na sua viagem enquanto equilibra luzes e trevas. Esta madrugada terá lugar o Equinócio de Primavera, quando depois de finalmente alcançar à escuridão na sua corrida, o dia dura tanto como a noite.

É o que muitos e muitas denominam Alban Eilir, “A Luz da Terra”, Mean Earraigh, “Meia Primavera”, ou Alban Talamonos, “O Amencer da Terra”; Ostara nos cultos germânicos e wiccanos, o início do ano astrológico para outros.

É um dos quatro grandes eventos astronómicos que intercalam as quatro grandes celebrações para completar a Roda do Ano.

Continuamos assim o caminho indicado no Entroido (Imbolc). Vai resultando evidente que a chegada dos Maios (Beltaine) e imparável. A natureza cumpre os seus ciclos mais uma vez, por muito que muitos teimem em ignorá-la e daná-la. Por fim vai agromando a vida por toda parte; é óbvio e palpável. Activa-se a fertilidade e maravilhamos-nos de como a planta sabe quando tem que medrar, quando tem que sair do ovo protegido por uma lebre, simbolismo do que significavam os frutos “no ventre” (i mbolg) da Deusa Brigantia, que não parou de sorrir desde o Entroido.

Renovam-se desta forma as intenções do Entroido: continua a preparação, cuidado e sementado da terra, mas esta já reverdesce. Pode-se pôr outra vez a casa em ordem e continuarmos a limpeza, também interior, porque com esta luz podemos ver melhor todo recanto escuro, em toda parte, e não deixarmos nada sem arranjar.

Assim, queremos aproveitar este tempo para construirmos em colectivo, sementar ideias, abrir portas. Em breve a IDG estará apoiando e participando nas V Jornadas Galego-Portuguesas (2 e 3 de Abril), onde teremos a fortuna de aprendermos sobre as nossas origens mais antigas e o Celtismo – a cultura da nossa religião – da mão duma figura mundial nestes temas, o candidato a Prémio Nobel de Literatura Prof. Francesco Benozzo, entre outros convidados e convidadas de prestígio.

Bom Equinócio de Primavera então. Aguardamos ver-vos nas Jornadas na linda localidade de Pitões das Júnias (Montalegre, na raia galego-portuguesa). Recebide a acougante Alban Eilir num agarimoso abraço. Empregade bem o tempo da Mean Earraigh. Espreguiçade-vos com o Alban Talamonos.

 

Dizem que não falam as plantas, nem as fontes, nem os pássaros,

nem a onda com os seus rumores, nem com o seu brilho os astros,

dizem-no, mas não é certo, pois sempre quando eu passo,

de mim murmuram exclamam:

Aí vai a tola sonhando

com a eterna primavera da vida e dos campos

e já bem cedo, bem cedo, terá os cabelos canos,

e vê tremendo, aterecida, que cobre a giada o prado.

 

Hai brancas na minha cabeça, hai nos prados giada,

mas eu prossigo sonhando, pobre, incurável sonâmbula

com a eterna primavera da vida que se apaga

e a perene frescura dos campos e as almas,

ainda que os uns esgotam-se e ainda que as outras abrassam.

 

Astros e fontes e flores, não murmuredes dos meus sonhos,

sem eles, como admirarvos nem como viver sem eles?

(Rosalia de Castro, 1884)

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