Hora de Brigantia e a alegria do Entroido (Imbolc)

Cruz de Brigantia, representando em verdade a Cruz Solar.

Cruz de Brigantia, representando em verdade a Cruz Solar.

Chega a segunda das quatro grandes celebrações do ano, o Entroido (Imbolc), uma celebração de esperança e alegria fortemente vencelhada à Deusa Brigantia (Brighid ou Bride), a deusa vitoriosa, representante-mor da soberania feminina, exemplo perfeito das trindades druídicas na sua própria figura.

Na tradição galaica disque “o Entroido começa o 1 de Janeiro” (passados os fastos da Noite Nai), e ainda que nalguns lugares já levam uns dias preparando e até celebrando, será durante esta próxima época na que se desenvolva este festival percebido como estímulo do crescimento, o acordar da terra, da preparação dessa terra no seu encontro com a primavera, da fertilidade.

Vai-se cumprindo o anunciado triunfo sobre o inverno que começou com o ano novo no Magusto (Samhain), inverno que se bem ainda não rematou também não é quem de nos vencer quando bate mais duro.

É o momento então para ajudarmos a terra, pôr os assuntos da casa em ordem, mesmo de fazer uma grande limpeza, de fazer planos e de “plantar” ideias. Muitos animais parem nestas datas e mesmo pode ser considerada como a festa dos bebés. Já diz o refraneiro galego que “no 2 de Fevereiro casam os passarinhos”. Lembra-se, aliás, que o Rei hã renovar os votos com a Terra em breve, na união de soberanos, o pacto sagrado entre o Ser Humano e as Deidades, da mão de Brigantia.

A Deusa Brigantia – portadora da luz e deusa do fogo, da vitória, da profecia e filosofia, poesia e sanação – toma três aspectos: como Lume da Inspiração (patrona da poesia, artes e profecia), como Lume do Lar (patrona da sanação e fertilidade, de pastoras a agricultoras, protectora da casa) e como Lume da Forja (patrona da metalurgia, ferraria e artes marciais, grande guerreira).

A alegria

A alegria do Entroido tradicional: as cores racham o frio. Chama-se por Brigantia, chama-se por Bel. Vêm os Córios e vai-se afugentando a época escura.

A Soberana guia o Entroido com os seus atributos positivos e fai que, precisamente, acedamos a uma nova época. Eis a raiz da palavra Entroido (ou Entrudo), uma entrada a um tempo alegre que em muitos lugares começa já pouco depois de passado o solstício de inverno, mas nada a ver com o “carnavalesco” grosseiro, completamente alheio à nossa tradição [1][2][3][4]. Brigantia assegura então este trânsito e garante a promessa de renascença feita no solstício. Ela será quem acorde os deuses Bel e Lugus chegado o momento, mesmo quem vaia dar à luz e amamente este último se figer falta a partir do dia 2.

O ano já há tempo que começou, mas só agora Brigantia e o ciclo da natureza começam a nos premiar de forma especial pela nossa resiliência. Tudo vira em torno ao Imbolc a partir destes momentos (do velho céltico i mbolg, “no saco” ou “na barriga”), este embigo da vida. Alviscamos a sua luz e ficamos confiantes: há que chegar ainda, mas já estamos quase. É tempo de alçarmos a cabeça e rirmos! :)

O orvalho alimenta tua alma,
O lume novo arreda o inverno,
Da terra brota o teu corpo,
esperta mística do ermo.

Relíquia que futura terra fertiliza,
Sobre ira que leda brua na brisa,
Morre o serão aos nossos olhos,
Renasce Brígida no crisálido sonho.

E na dança do teu mirar
Vejo castros, vejo o mar…
E nos beiços do teu Imbolc
Vejo a arder a lua, vejo gear o sol…

Esperta! No que foi dourado chão,
Esperta! onde tornou gélida a mão,
Voltam as folhas no alto a sombrear,
A verde ultraje da cíclica fraga-nai.

Mileth (com grafia adaptada; reproduzido com permissão)

Tripla Deusa Brigantia, senhora do Entroido (Imbolc). Detentora do fogo pois é protectora (entre outras) das ferreiras que forjam as armas, das poetas que apresentam lumes cerimoniais, e das sanadoras que facilitam o lume do lar. Brigantia fornece também pela criança nascente.

A Ria é nossa

60anos_foraenceNuma acção de duvidosa legalidade, foi-lhe concedida uma extensão à fábrica de celuloseEnce” da Ria de Ponte Vedra, cuja licença expirava em breve, com a oposição maioritária de colectivos sociais e mesmo de partidos políticos e governos locais.

Esta acção demonstra o poder dos interesses financeiros duns poucos sobre o bem comum, como é o ambiente, a paisagem, a saúde e mesmo a economia, pois além de ser altamente contaminante e estragar a vista da bela ria, a fábrica eliminou no seu momento postos de trabalho e impede de facto o desenvolvimento de alternativas económicas sustentáveis, hipotecando o futuro da zona à sua limitada actividade para benefício duns poucos. Lembre-se, aliás, que a fábrica foi colocada de graça nos tempos da ditadura franquista sobre terrenos públicos (nomeadamente sobre uma praia) de forma totalmente irregular, tão irregular como o que recém aconteceu agora.

Assim, desde a IDG não podemos fazer outra cousa que denunciar e rejeitar energicamente esta recente manobra que revolve as consciências d*s bo*s e generos*s, e que apela a um dos nossos princípios mais básicos como é o da Defesa da Terra, que abrange logicamente a defesa do meio.

Em verdade, a permanência desse monstro na sua localização actual é algo transversal que afecta múltiplos planos, e nenhum para bem.

Essa fábrica é, ademais, um claro exemplo do “pão para hoje – fome para amanhã”. Já foi assim desde o começo, provocando directa e indirectamente problemas de saúde, desestruturação laboral, deslocalização de famílias inteiras, destruição de hábitats, monocultivo do eucalipto (com a desfeita ambiental e de incêndios que bem conhecemos e padecemos), etc. As provas são abundantes e evidentes. Essa fábrica é miséria para o País.

É mais, este é um problema que afecta ambas beiras do Minho, pois se bem a fábrica polui e destrói à norte, o seu centro de decisão encontra-se em Portugal, país que também sofre o desastre ambiental derivado da sua actividade (de novo os incêndios, a eucaliptização, e demais).

Desta maneira, reiteramos o nosso apoio à Asociación Pola Defensa da Ría e outros colectivos e pessoas que levam décadas lutando por uma prosperidade sem fumes e cheiros, e animamos a tod*s a assistirdes aos actos já agendados assim como outros que se irão anunciando no futuro.

Difundimos agora os actos na defesa da nossa Terra convocados com urgência em Ponte Vedra no momento de publicação deste texto:

– Quarta 27 de Janeiro às 19h – Concentração na Audiência Provincial de Ponte Vedra.

– Sexta 29 de Janeiro às 20h30 – Manifestação com saída da Pr. da Ferraria (Ponte Vedra).

 

Como dizia a canção: “Meicende cheira – Ponte Vedra, apetrena … Nem leite nem peixe – Onde está o nosso delito? – Na fisterra da Europa, o jardim dos eucaliptos“.

 

PD. Recomendamos o dossier cronológico publicado no diário Praza, com informações e imagens.

 

 

 

Agarimo na friagem

A tradicional figura do gigante carvoeiro que cuida das crianças e traz presentes.

O Apalpador, a tradicional figura do gigante carvoeiro que cuida das crianças e traz presentes para todos e todas.

Não para de girar a Roda do Ano, caminho do Solstício de Inverno, que acontecerá nas primeiras horas do dia 22. Esta é uma das quatro festividades menores contempladas na Druidaria que incluem solstícios e equinócios, à parte das quatro grandes celebrações religiosas.

Como tantas cousas aparentemente paradoxais na nossa cultura, vai começar o frio a sério justo quando a luz do Sol quer fazer o caminho de volta. Aparentemente paradoxais, claro, mas só para quem não repara na maravilha da Natureza.

Mais uma vez, esta Natureza demonstra que não há súbitos fins nem mais confusão da que nós queiramos criar. Antes o contrário, nos rigores do duro inverno, na noite mais longa e o dia mais curto, reparamos em que a partir de agora a luz só pode triunfar. É o passeninho retorno de Lugus. Parece que o tempo voara desde o Magusto e já queremos alviscar o brilho de Bel nas folhas de acivro e visco branco, embora ainda estar algo longe.

Aliás, algumas outras tradições druídicas celebram esta noite mais longa do ano como sinal do eventual regresso de Bel, simbolizando a sobrevivência sobre as trevas e lenta chegada da luz. É o enraizamento e gestação durante três dias do Infante Sol a partir do Ventre Materno, a escuridão da Deusa Anu (Dana ou Danu). São as datas da Modranecht ou Matronucta (a ‘Noite Nai’), também do Meán Geimhridh (‘Meio Inverno’) e Lá an Dreoilín (‘Dia da Carriça’), o dia no que em Éire este pássaro é “caçado”, guardado e depois libertado como sinal de continuidade, da passagem definitiva do ano anterior, pois canta sem parar tanto no verão como no inverno sem interrupção; isto era algo que também se fazia na Lourençá, na Marinha, mas uns dias mais tarde. A Roda gira, a vida continua.

Nesta data na IDG honramos ao Deus Larouco, Deusa Anu (deidades primeiras e essenciais) e a sua filha, Deusa Brigantia.

Seja dito, outrossim, que trânsitos como o Solstício de Inverno são datas de extrema importância na tradição germânica (festividade de Yule) e na religião Wicca, mesmo no calendário chinês (o Dong Zhi, ou “chegada do Inverno”), entre outras no mundo. Na Europa outras religiões também empregaram e adaptaram a posteriori estas datas como marca do trânsito cara a um período de maior esplendor.

Arredor destas datas os e as Caminhantes podemos nos reunir com a nossa gente, família ou Clã (incluídos os que foram para o Além), na confiança de que o futuro sempre há acabar por destruir os gelos da fria temporada. O Solstício astronómico é em breve, mas as celebrações continuam. É a época do Apalpador, que virá trazer alegria e diversão às crianças. Queima-se o facho e manifesta-se a Coca ou Tarasca numa piscadela cúmplice, deixando-se “comer” em forma de doce.

Bom Solstício de Inverno. Que corra a raposa e que cante a carriça! :)

“Meses do inverno frios
que eu amo a todo amar,
meses dos fartos rios
e o doce amor do lar.
Meses das tempestades,
metáforas da dor
que aflige as mocidades
e as vidas corta em flor.
Chegade, e trás o outono
que as folhas fai chover,
nelas deixade que o sono
eu durma do não-ser.
E quando o sol formoso
de abril torne a sorrir,
que alumee o meu repouso,
já não meu me afligir.”

(Rosalia de Castro, Folhas Novas, 1880).

Louvor de ausentes

Honra às Devanceiras (2015)

No Magusto (e não só), quem não está tem sítio e come connosco.

Na Druidaria, como noutras religiões e tradições, fala-se habitualmente dos Devanceiros e Devanceiras (Ancestrais), é dizer, as pessoas que estiveram cá antes do que nós, e de como devem ser lembradas e honradas. Em verdade, a Honra às Devanceiras forma parte dos princípios básicos da Druidaria. Também sabemos que a data mais simbólica e significativa para isto é o Magusto, precisamente a época na que estamos quando se escrevem estas linhas.

Mas, quem são exactamente? São membros da nossa família? Do clã mais extenso? Como deve ser interpretado este aspecto da nossa religião?

As Devanceiras são aquelas que lutavam do nosso lado muito antes de nascermos. São as que fizeram possível estarmos aqui agora, sendo como somos e sabendo o que sabemos. São todas essas gerações que nasceram e morreram, pensaram e criaram, riram e choraram na Terra que pisamos. As que se fundiram com ela para enxergarem a cultura que nos ensina agora a estarmos no Mundo. As que modelaram a paisagem do nosso Lar. São também todas aquelas pessoas que participaram e contribuíram de forma positiva na génese do nosso Povo. São parte da nossa humanidade partilhada numa miríade de linhagens. São os “bons e generosos” que desterraram os “imbecis e escuros” e aos que lhes devemos a decência de seguirmos o seu exemplo. São agora o eco das vozes doutros tempos que falam para nós sábios conselhos quando somos quem de escutar.

Fecha os olhos, toca e sente as pedras das velhas casas e castros, pois lá estão milhões de sentimentos, esperanças, vivências, saberes acumulados, jogos de crianças e amores adultos, cumplicidades, planos, conversas ao pé da lareira numa noite qualquer, tudo verdadeiro, tanto como o bater do teu coração, no mesmo lugar onde antes bateram outros com a mesma força. Esse era o fogar amado dalguém, e agora estás nele.

Na Galécia a presença constante dos que não-estão é um desses elementos fulcrais totalmente integrado no cerne da nossa cultura e sociedade, desde crenças familiares até a própria organização física do nosso território. Há tantíssimas amostras que fartaríamos de as nomear. A continuidade da vida é uma realidade.

Eis algumas formas nas que o pensamento druídico foi quem de sobreviver a diferença doutros lugares, pois na Galécia bem se sabe que os mortos podem ser vistos, podem ocupar novos corpos dependendo do momento e do lugar, podem até comer connosco. Contudo, a sua memória sempre deve ser respeitada, desde o estritamente religioso e ritual ao mais pessoal, ou simplesmente pondo em valor a sua herança, atendendo os seus ensinamentos, defendendo o seu (o nosso) património.

Sejamos também nós dignos e dignas dum legado futuro agindo em consequência, com essa Honra toda, com orgulho dos Nossos e Nossas, com agradecimento sem fim pelos milénios de esforçado trabalho e briga, pois graças à sua jeira caminhamos agora cara o futuro. A responsabilidade é grande, mas temos a sua ajuda.

Saúde a quem nos trouxe e aprendeu!

Um bocado fora de contexto, mas

Um bocado fora de contexto, mas esta imagem mostra como uma família é algo muito mais complicado e extenso do que a gente acredita. Toma aqui, de facto, mais bem o valor dum autêntico clã aberto. Imaginemos então irmos até as origens…

 

Bom Ano Novo neste Magusto de cheia

A Senhora Cailleach no seu terceiro passo não é nem moça nem adulta, mas velha e mais sábia, gerindo tudo o que sucede nestas datas.

A Senhora Cailleach no seu terceiro passo não é nem moça nem adulta, mas velha e mais sábia, gerindo tudo o que sucede nestas datas.

Na mágica noite do dia de hoje inauguramos o Ano Novo celta. No trânsito do 31 de Outubro ao 1 de Novembro é já popular em muitas partes do mundo celebrar uma festividade eminentemente Druídica, a mais especial de todas.

Bem-vindos e bem-vindas à Noite de Magusto e o seu cheiro a castanha assada, dos sorridentes Calacús, dos Defuntos que nos falam, do gaélico Samhain, ou mesmo de Halloween para que toda a gente entenda.

É a noite quando acabam de abrir de vez as portas do Além (Sídhe) para durante esta temporada podermos finalmente comunicar sem eivas com os que não estão graças aos corvos de Reva, que voam alegres e a vontade. É o intre concreto e simbólico que marca o fim do ano e o começo dum novo, celebrando-se com uma grande festa onde partilhamos risos, alegria e comida com os nossos Devanceiros e Devanceiras. São, em definitiva, os momentos mais importantes do ano para quem anda os vieiros da Drudaria.

A Roda do Ano completa uma volta inteira, marcando já sem dúvidas a entrada cara o Inverno. Adeus Samos, olá Giamos. É o merecido descanso da Terra e a satisfação de termos não só superado mais um ano, senão de encontrar-mo-nos celebrando em Comunidade a boa disposição e coragem para seja o que for vem a seguir, sem importar o rigor da estação. Que chova! O milho já está apanhado.

Toma Bandua as suas chaves e abre as cancelas do Além, deixando passo a Berobreo e os seus. Longe já do esplendor da luz de Lugus (que morre e dorme placidamente guardado pelo mesmo Bandua), ou da regeneração de Brigantia e posterior apoteose de Bel, é agora decididamente a quenda da Cailleach – senhora da nossa Terra – completando não só o ciclo de celebrações e deidades do nosso calendário sagrado, senão também o seu próprio. Não olha mais desde um canto, mas sim adquire o protagonismo todo quando, precisamente, deixa de ser nova e linda, quando chega ao seu aparente fim e vira em velha mas sábia. Será ela, a também senhora da noite, quem facilite o trânsito entre o Aquém e o Além junto de Bandua e Berobreo; será ela quem tome conta das bestas por uma temporada; será ela a que de repente cessará de lembrar-nos a perda que pode supor o passo do tempo para fazer ver que em verdade o que havia era construção, mudança, avanço, com o exemplo da sua própria e pessoal regeneração.

A Cailleach trabalha agora a Terra com o seu sacho até passado o próximo solstício. E com tanta trabalheira haverá quem pense que está a destroçar, mas realmente remexe o necessário para sementarmos quando chegue a nossa vez. Deixará por uma ocasião de rosmar das outras Deidades para, como autêntica nai, estender o seu saio aconchegante sobre o Cosmos todo.

Estes dias a Galiza está em festa. Não há cidade, vila ou aldeia que não festeje e honre as suas Devanceiras e Devanceiros. Não há recuncho do País que não cheire a castanha assada (alimento favorito no Além, como o leite) e a gente pense no Magusto. Não há lugar onde não fique acesa uma candeia. Não há crianças que não sintam que é noite de troula e vaiam “pedir o pão” pelas portas. Não há janela sem calacú, as “cabeças cortadas” que protegem o lar. Trespassam-se limiares, assim que ninguém esqueça deixar a sua oferenda de leite na porta da casa para Irusan e os seus, e tomar um chisco de pão ao cruzá-la para fora.

Hoje caem os muros etéreos e seica para-se o tempo. O mar entre mundos vira regato, quase ao alcance da simples vista. Ficamos logo nas mãos da Cailleach, na companhia dos amigos corvo e gato e baixo o abeiro do teixo, aconchegando-nos ao pé do purificador lume faladoiro do novo ano.

É tempo de Druidaria. Mais do que nunca esta é a nossa festa rachada.

Feliz Magusto! Bom Ano Novo a todos e a todas! Nós abofé que estaremos celebrando.

Comida de Magusto. Deixade castanhas e leite nas portas e nos cruzamentos. Haverá quem os aproveite bem...

Comida de Magusto. Deixade castanhas e leite nas portas e nos cruzamentos. Haverá quem os aproveite bem e guardem esses lugares por nós… Mas cuidado, esta noite é precisamente o único momento quando não se podem apanhar as castanhas!

Convidamos à atenta leitura deste artigo, explicando e exemplificando como esta celebração continua viva em múltiplas e variadas formas, mas sempre com o mesmo sentimento, profundamente druídico. Recomendamos, aliás, completar com este outro, também de muito interesse.

Magusto especial carregado de actividades

Pantalha_2015

Não percas o Magusto e Ano Novo celta na maior noite do ano (clica para alargares)

O cheiro a castanha assada avisa… chega o momento mais emblemático da nossa religião: o Magusto, a Noite dos Calacús, de Samhain (que alguns chamam de Halloween), uma festa da tradição Druídica celebrada por milhões de pessoas em todo o mundo como data popular. E neste ano especial a IDG convida-vos a três eventos.

Começaremos no serão do 31 de Outubro com o V Roteiro da Pantalha, seguido do banquete de fim de ano e posterior convívio, com sessão de contacontos e até prémios. Este é um evento que guarda um importante valor simbólico e emocional, pois foi poucos dias depois do primeiro quando nasceu a IDG, precisamente no local de reunião, a aldeia de Pedre (Cerdedo). Cinco edições depois celebraremos isso e o facto de a IDG ter recebido finalmente a sua oficialização. Combinamos na Eira Grande de Pedre às 19h30 para o roteiro nocturno (gratuito e de livre assistência), para a partir das 22h reunir-mo-nos em Casa Florinda. Lembra-se que o banquete sim tem custo assim como as dormidas (para quem quiser ficar), e que as vagas são limitadas, requerendo-se reserva prévia directamente com a Florinda.

O Roteiro da Pantalha está organizado pela A.C. Amigas da Cultura e o colectivo Capitán Gosende, com o apoio e colaboração da IDG. É importante trazer calçado ajeitado e boa iluminação, pois o percurso será às escuras e pode que as condições climáticas não estejam do nosso favor.

No dia a seguir, domingo 1 de Novembro, membros da IDG estarão presentes de manhã (11 hora local) no Roteiro ao santuário de Anumão, combinando em Entrimo, na beira norte da raia galego-portuguesa. Saudaremos o novo ano na natureza, conhecendo um pouco mais da nossa história, património e Deidades. Esta actividade está co-organizada pelo colectivo Desperta do Teu Sono, Sociedade Antropológica Galega (SAGA) e IDG.

E ainda falta por confirmar detalhes, mas podemos antecipar uma celebração popular do Magusto em Pitões das Júnias (Montalegre, na beira sul da raia) o sábado 14 de Novembro, num evento organizado pela Junta de Freguesia local, com o apoio do DTS, Oinaikos Bracaron e IDG. A data não é em absoluto tardia pois não só o Magusto é uma época extensa, se não que o momento de observância sacerdotal é em verdade do 10 ao 11 de Novembro, algo provocado pela mudança do calendário juliano ao gregoriano na sua altura.

 

Aproveitade pois para celebrardes a magia da Nossa Terra entre amigos e amigas. É um momento ideal para uma pausa, ré-conexão e confraternização, para conhecerdes também a nossa Irmandade. É hora de fechar a roda do ano e ficar prestes para quando abram as portas do Além.

 

Importante: Estas actividades têm carácter cultural e celebratório, mas não estritamente religioso. Para interessadas/os em ritos religiosos será preciso contactar directamente com a IDG (idg @ durvate.org). O Durvate Mór estará presente no primeiro e último evento (dias 31 e 14 respectivamente). Um texto de teor religioso será publicado neste mesmo espaço no dia 31.

 

Ardem as fachas no equinócio de outono

A Festa das Fachas, ainda viva em Taboada e no Savinhao, a receber o Outono.

A Festa das Fachas, ainda viva em Taboada e no Savinhao, a receber o Outono.

Como na Primavera, chega amanhã de manhã um novo equilíbrio perfeito entre dia e noite, entre luz e escuridão, ainda que desta vez marca-se o lento trânsito cara a metade escura do ano (fica perto o passo de Samos a Giamos). É o Mabon, o Alban Elfed, a Noite do Caçador (quando o Sol é finalmente alcançado antes dum novo renascer), o Lar da Colheita, em definitiva o Equinócio de Outono, mais um passo na Roda do Ano marcando uma das festividades menores da Druidaria.

Após a grande celebração da plenitude da colheita na Seitura (Lugnasad), revisa-se agora a finalização dessa seitura farturenta, festeja-se o seu cuidado armazenamento para esta nova jeira que pode ser longa e dura, mas que encaramos com optimismo e gratidão pelo já conquistado e tudo o bom acumulado. Estamos prestes, pois, a caminhar cara o ano novo que há chegar na festa do Magusto (Samain), em poucas semanas.

Talvez antecipando a chegada dessa grande noite, a tradição galega celebra este equinócio com o lume da chamada Festa das Fachas, outrora popular em todo o País e que oxalá pudera voltar se-lo. Assim, desde há milénios prende-se fogo a um fachões de pôla de castinheiro contra a meia noite, enquanto soa a gaita e prepara-se a comida e a bebida, como em toda boa celebração galega.

Com esta despedida, Lugus cai e começa o seu descanso, e nós acougamos com ele, guardados todos e todas por Brigantia primeiro e Bel depois. Cailleach fica avisada. A Cailleach antes fisicamente esplendorosa declina aparentemente em aspecto, mas oferece graças à sua crescente experiência o seu sábio conselho a quem saber perguntar. Ela será agora quem nos aconchegue do seu próprio frio, vento, neve e chuvas. A aparência de vigor era nela um velo cobrindo o fragor da sua temporária juventude. Mas agora muda, agora toma lentamente o seu poder real.

Atenção, isso sim, pois é também época de juízos e recapitulações; temos que estar preparados e preparadas a partir de agora para aturar os dias frios e as verdades que serão desveladas no Magusto através das mensagens dos nossos seres queridos. É na escuridão quando melhor se pode albiscar a luz.

Celebremos então a previsão feita no passado para o goze do presente e a confiança no futuro.

Vem onde nós o Outono

Dacavalo do ar;

nos caminhos da fraga

os ouriços já abrem.

Sinto-o chegar contente

da eterna viagem

enredando entre as folhas

estreando friagem

(A.M. Fdes.)

O evento astronómico – ligeiramente mutável cada ano – será às 9h21 a norte do Minho, 8h21 a sul, da manhã da Quarta 23, e irá nestes dias acompanhado também dum eclipse total de (Super)Lua (noite do 27 ao 28), ou “Eclipse da Super-Lua de Sangue“, algo que não se repetirá até o ano 2033.

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