Lug brinca, o Clã celebra

Agora sim, depois duns pequenos problemas informáticos com os que Lug nos teve a brincar (assim como com o tempo), podemos encetar de cheio esta a sua época, que já começáramos a desfrutar em plena natureza galaica.

O trigo da primeira seitura, utilizado como símbolo do Lugnasad. Este é o grão aguardado que devemos preservar e empregar com justiça e siso, para o benefício comum.

O trigo é utilizado como símbolo do Lugnasad. Este é o grão aguardado que devemos preservar e empregar com justiça e siso, para o benefício comum.

Chegou com este mês a época da ‘Assembleia de Lugh’, o mês do luminoso e poderoso protector dos criadores e inventores, dos agricultores,  de aqueles e aquelas que podem fazer surgir algo que antes não existia. É o tempo da primeira seitura, motivo de ledícia geral, depois da esforçada guarda de Brigantia e Bel e todo o nosso trabalho acumulado. É a quarta e última grande celebração do ano a seguir o Entroido e os Maios, quando o Magusto reserva-se para o futuro e ainda sente-se longe o inverno e a mudança de ciclo.

Por fim se pode reunir o Clã em grande festejo para celebrar o poder do Sol, da luz no esplendor do verão, da colheita dos frutos da Terra que hão de nos alimentar quando o frio vier. Mais uma promessa é cumprida, pois a Natureza nunca falha à sua cita. Façamos nós um esforço por estarmos à altura.

É um tempo para reflectirmos sobre o acadado nas nossas vidas e de como foi feito, pensarmos nos nossos planos e estratégias passadas, sabendo que deveremos sementar de novo grão e ideias mais cedo do que tarde. É altura, também, de fixar todo o bom conseguido até o de agora – apresentado da mão de Lugh – de estarmos satisfeitos pelo bom e tomar consciência do desejo de mudança do mau.

Nestas datas unem-se as famílias e os amigos, celebram-se os casamentos do ano, brinca-se e há música e competições desportivas. A Comunidade trabalha junta nessa colheita sempre com um sorriso entre troula e esmorga, arredor duma mesa ou dançando baixo o céu, sem nunca esquecer retornar à Terra parte do que ela nos dá.

Façamos pois reflexão sobre quem somos e onde estamos, onde queríamos chegar e aonde queremos ir. Aproveitemos os intres de calma e sossego que nos garante Lugh e a sua eloquente e positiva sabedoria. Pensemos em nós mas não só como indivíduos, senão como parte desse Clã que necessariamente avançará connosco e nós com ele.

Outro ano já virá mais à frente, mas agora toca alçarmos a vista e desfrutar da cálida beleza da vida. O Deus que outorga essa energia toda está presente no seu apogeu; todos e todas nós somos a sua Assembleia e Povo, e esta é a sua festa.

Hei de ir à tua seitura

Hei de ir à tua segada

Hei de ir à tua seitura

Que a minha vai-che acabada

* * *

Segador que bem segas
na erva boa
que para segar na má
o tempo che sobra.

Aí vêm os segadores
em busca dos seus amores
depois de segar e segar
na erva.

O Nosso Dia

Hoje é o Dia Nacional da Galiza, o Dia da Pátria, o Dia de Todas e Todos Nós, a celebração da Terra que nos acovilha, sustenta e dá sentido, a que nos ensinou a estar no mundo.

Hoje unimos-nos à louvança do cenário único onde os nossos devanceiros e devanceiras viraram galegos e galegas. Hoje honramos – é preceito da Druidaria – a quem nos precedeu para podermos estar aqui agora e sermos quem somos.

Hoje celebramos o bom da Terra e da nossa cultura e identidade, e reforçamos a nossa vontade em erradicar tudo aquilo que lhe aflige e dana. Isto é algo que não pudemos fazer como deveria ter sido feito no ano passado, quando um horror em forma de acidente – embora com responsáveis – truncou a nossa alegria. Assim, neste novo 25 de Julho teremos que fazer tudo o que deve ser feito com o duplo de forças ainda.

Muito especialmente, dos Nove Compromissos presentes na nossa religião hoje o Compromisso com as Raízes, com a Liberdade e com a Independência revelam-se fulcrais em múltiplos sentidos. Fai-se, aliás, um chamamento especial a galegos e galegas em relação a um dos princípios básicos da IDG, que é o da defesa da Terra, pois os tempos que vivemos vem como nunca antes perigar a sua essência, e a do nosso Povo.

Chega então o momento de enchermos as ruas, fachendosos de nós, cantando o nosso amor pelos bons e generosos e nojo pelos imbecis e escuros.

Hoje não pode faltar uma insígnia do País em cada casa, em cada recanto, como símbolo comunitário de união e determinação do mais grande Clã.

Sintamos no abeiro da Cailleach a ligação em sagrado pacto à espinha do Dragão. Celebremos!

Bom dia da Galiza!

Esta celebração é de cumprimento voluntário para Caminhantes não-galegos/as mas sim de observância para galegos/as. Protectores/as e ordenados/as na IDG têm deveres específicos para este Dia.

De sexualidade e liberdade

O dia 28 de Junho é o dia internacionalmente reconhecido como ‘Dia do Orgulho LGTB‘, comemorando uma data já histórica que remonta à chamada ‘Rebelião de Stonewall‘, em 1969. lgtb

Tem-se perguntado à IDG qual é a sua postura, e portanto da linha de religião druídica galaica que representa, perante as questões de sexo, gênero e sexualidade. Achamos que a resposta é muito simples dentro da lógica mesma das nossas crenças, baseadas na liberdade e responsabilidade. Assim aparece explicado nas FAQ/Perguntas Frequentes, sob o cabeçalho “Qual é a visão da Druidaria respeito do sexo e preferências sexuais?“, com esta resposta:

Os Druidas e Druidesas tratam o corpo, relações pessoais e sexualidade com atenção e respeito, a eles/as mesmos/as e aos/às outros/as. O sexo joga com umas energias poderosas a ser estudadas, reverenciadas e desfrutadas. Reverência não deve ser confundida com puritanismo ou excesso de pudor ou vergonha, ou com falta de intensidade. A verdadeira reverência é forte e sensual, com intenção e sentida, à vez que educada e amável. O ser humano integral é só se incorporar todos os elementos do seu ser natural, e isto inclui uma sexualidade sã que conduza a uma maior alegria e bem-estar para todos e todas.
A Druidaria prima a responsabilidade, honra e compromisso dos indivíduos, e por tanto aceita qualquer acordo, prática ou organização afectiva ou familiar que conte com o consentimento maduro e responsável de todos aqueles e aquelas envolvidos/as e que não cause mal a nenhum deles/as.

Pode-se acrescentar, de forma mais clara, que desde a IDG acreditamos que ninguém, nem indivíduo nem instituição, tem potestade nem nada a dizer sobre as escolhas pessoais de indivíduos livres e conscientes, de acordo com os nossos preceitos mais básicos, e que é necessário fazermos esforços para rachar com a sociedade patriarcal (portanto injusta) na que vivemos.

Festa dos Lumes

Passou o Solstício de Verão, o dia mais longo e a noite mais curta do ano, na passagem astronómica do 20 ao 21 de Junho. Ora bem, na nossa tradição a festa da Noite dos Lumes, Alban Hefin, Mean Sámhraidh ou Dia do Meio-Verão, terá lugar como sempre na grande e especial noite do 23 ao 24 de Junho.

Não sendo uma das quatro celebrações religiosas principais do ano (Magusto/Entroido/Maios/Lugnasad) é a mais importante – e sem dúvida a mais sentida popularmente – entre as quatro denominas “menores” (solstícios/equinócios).

É assim a celebração do trânsito ao verão que nos levará cara o Lugnasad, uma mudança de estação e um novo lento caminho cara a metade escura da Roda do Ano. Vai rematando a época dos Maios e tudo arde numa êxtase festiva. Por isso, mais do que nunca, o lume em forma de cacharelas comunitárias viram elemento fulcral alumiando a meia-noite, dissipando as trevas e criando um perfeito dia sem fim, um último berro de luz, poder e fertilidade. Decoram-se os chãos com flores, enchem-se as ruas de elementos vegetais, despedindo aos poucos ao bom de Bel, dando as boas vindas ao luminoso Lug, que em nada completará a sua entrada.

noitelumescorunha

Centos, milheiros… O País inteiro vive a noite mágica de forma alegre e popular.

Junto do Magusto e os Maios esta é a terceira das denominadas noites mágicas do ano, onde disque as meigas andam à solta. É bom momento então para apanharmos ervas mencinheiras assim como banhar-nos no mar e recolher a Flor da I-áuga (o primeiro reflexo do Sol na superfície das fontes), com a permissão das Xanas no novo abrente, cousas todas que hão centrar os rituais para as nossas sanações e purificações.

Como cada ano, preparade-vos logo para acender e cuidar o lume do vosso Clã, uma fogueira tão alta e brilhante que dea luz às próprias estrelas, lume que depois haverá que saltar para eliminar todo mal. Preparade-vos para partilhar a comida e recuperar forças antes de ir apanhar as ervas e água mágicas, para tomar o banho de mar na noite que é dia, e aguardar ainda assim pelo raiar do Sol que lembrará que sempre há voltar.

 

Noite dos Lumes, alegre / menina, vai-te lavar

apanharás água do pássaro / antes de que o Sol raiar

Irás arrente do dia / a água fresca catar

da água do passarinho / que saúde che há de dar

Corre menina, vai-te lavar / alá na fonte te hás de lavar

e a fresca água desta alborada / cor de cereixa che tem que dar

Se arraiar, se arrairá / todas as meigas levará;

já arraiou, já arraiou / todas as meigas levou.

noitelumes2013_IDG(clique-se na imagem para baixá-la ou ampliá-la)

 

Jornadas de cultura galaica

iiijornadascartazdtsPor terceiro ano consecutivo, o grupo Desperta do Teu Sono, com apoio de diferentes organizações galegas e portuguesas e organismos públicos portugueses, celebra em Pitões das Júnias as “Jornadas das Letras Galego-Portuguesas” (30 Maio – 1 Junho 2014).

Estas jornadas têm vido a funcionar como um excelente ponto de encontro da cultura celto-galaica (e não só) entre a actual Galiza e Norte de Portugal – antiga Callaecia – com palestras e actividades do mais alto nível e interesse.

Este ano, aliás, alguns membros da IDG assistirão às jornadas a título individual e pessoal (isto é, não representando oficialmente à IDG, mas sim presentes).

Deixamos aqui o programa e informações sobre o evento deste ano, tal e como aparece no web dos organizadores. Não deixem de assistir se têm oportunidade!

 

Dia 30 de Maio Sexta-feira (hora portuguesa)
20:00: Receção dos participantes nas Jornadas na casa de Turismo Rural do Padre Fontes em Mourilhe e atuação do Bruxo Queimam e o Padre Fontes.
21:00: Ceia na Casa Rural do Padre Fontes em Mourilhe (ceia 18 Euros).
23:00: Deslocamento dos palestrantes a Pitões.

Dia 31 de Maio Sábado (hora portuguesa)
10:00: Apresentação das Jornadas.
10:15: Xoán M. Paredes: “A utilidade do celtismo. Celticidade galaica no S. XXI”
11:15: Rafa Quintia e Miguel Losada: “Celtismo, construção cultural e identidade”
12:15: Perguntas, questões e debate.
12:45: Descanso e café.
13:00: Oinaikos Kallaikoi (recriação histórica de guerreiros/as galaicos/as).
14:00: Comida popular na Praça da Junta da Freguesia (música).
16:30: Oinaikos Kallaikoi (recriação histórica de guerreiros/as galaicos/as).
18:30: Maria Dovigo: “O conto de Santo Amaro, desde a procura da ilha paradisíaca à diáspora dos galegos de Lisboa”
19:30: Debate, perguntas e questões.
20:00: Descanso, café e visita por Pitões.
20:30: Folião celto-galaico.
21:00: Atuação do Bruxo Queimam.
21:30: Folião celto-galaico.
21:45: Ceia livre por Pitões.

Dia 1 de Junho Domingo (hora portuguesa)

10:00: Abertura da sessão.
10:15: Alberte Alonso: “As pedra-fitas, observadores astronómicos”

11:15: André Pena Granha: “Constituição política celta das galaicas trebas e toudos. Etno-arqueologia institucional”
12:15: Pedro Teixeira da Mota: “As fontes matriciais de Portugal”
13:15: Debate, perguntas e questões.
13:45: Encerramento.
14:00: Almoço no Dom Pedro.

A GENTE PODE VIR LIVREMENTE ÀS JORNADAS. NÃO HÁ QUE PAGAR MATRÍCULA, SÓ HÁ QUE PAGAR A CEIA NA CASA DO PADRE FONTES O DIA 30 DE MAIO ÀS 21:00 HORAS.
NÃO É OBRIGATÓRIO ASSISTIR A ELA PARA PARTICIPAR NAS JORNADAS MAS QUEM QUISER VIR DEVE CONFIRMAR PARA OS COZINHEIROS PODEREM MEDIR AS QUANTIDADES E A GENTE ASSEGURAR UM LUGAR ENTRE OS COMENSAIS.

-CEIA:
-Atuação do Bruxo Queimam às 20:30 aproximadamente.

EMENTA:

-Entradas: azeitonas, presunto, chouriço e fios de bacalhau
-Prato principal: Carne assada, salada de alface, arroz, verduras cozidas e ovos cozidos
-Sobremesas: Torradas e frutas
-Bebidas

Preço: 18 Euros a ceia.

AS COMIDAS E AS DORMIDAS DIÁRIAS EM PITÕES DAS JÚNIAS PARA OS ASSISTENTES, AQUI NESTE LINK::
http://www.pitoesdasjunias.com/alojamento-e-produtos.html
http://www.casadopreto.com/
http://anaerusso.wix.com/sabores-de-pitoes/site#!__site
https://www.facebook.com/restaurantedompedro.pitoes
http://ww7.abrigosdepitoes.com/
http://www.casacampoferreira.blogspot.com.es/
https://www.facebook.com/pages/αβ-COMPOTAS-DO-MOSTEIRO/145993235459469

Link da Junta de Freguesia de Pitões das Júnias:
http://www.pitoesdasjunias.com/
Link do Concelho de Montalegre:
 http://www.cm-montalegre.pt/

 

Dia de orgulho, e combate

Defender o nosso não  é delito.

Defender o nosso não é delito

O 17 de Maio deveria ser  um dia de festa na nossa Terra. É até feriado oficial, mas os galegos e galegas bem sabemos que não é dia de festa. Cada vez mais, este é um dia para lançarmos um berro colectivo na luta pelas nossas tradições, cultura e, claro está, língua. Não deixa de ser o Dia das Letras Galegas.

A IDG lembra que um dos seus principais deveres e prioridades vira arredor da defesa contra todo ataque e agressão sofrida, directa ou indirectamente, física ou virtualmente, literalmente sobre a Terra ou sobre o seu património material e imaterial, onde se encontra a língua, gravemente ameaçada a cada dia que passa.

Este ano engade-se o insulto do juízo a 12 pessoas cujo “delito” foi a defesa activa do seu idioma perante organizações e posicionamentos integristas na contra. A história e a campanha circula por toda parte e anima-se a partilhar em redes sociais com o marcador #8f45anos.

Desde a IDG, a nossa mais profunda solidariedade com todos e todas.

É logo a nossa língua um veículo secular de identificação colectiva e o elemento em torno ao qual vira grande parte da nossa identidade contemporânea como Povo. É a única língua na que, por exemplo, a IDG realiza os seus ritos, sendo a única língua consequente na prática da Druidaria na Galiza.

A nossa cultura esvai-se à nossa frente e há uma série de compromissos druídicos que não nos permitem deixar passar isto por alto, nomeadamente o Compromisso com as Raízes, o Compromisso com a Liberdade, o Compromisso com a Independência, o Compromisso com o Conhecimento e o Compromisso com a Verdade.

Assim, a IDG insiste no facto de a Druidaria não ser uma religião contemplativa ou passiva, embora o proselitismo religioso sim estiver proibido. Longe disso, o compromisso dum Druida ou Druidesa ou qualquer Caminhante é com o seu Clã, com a sua defesa total, sempre com Honorabilidade e Justiça. A Druidaria não anula vontades nem individualidades, antes o contrário, o Clã é a união de indivíduos livres e determinados, com ideias e convicções fortes e meditadas, mas que são capazes de pôr essas virtudes ao serviço da Comunidade. Hoje o Clã da IDG revela-se como a Galiza toda, a Treba Mór de todas nós.

Animamos finalmente a tomardes parte – baixo os auspícios de Bel – nas concentrações e manifestações que no 17 de Maio vão sair à rua nas cidades do País. Abofé que membros da IDG estarão presentes (a título individual e pessoal), e hão continuar estando.

Um Povo vivo, uma esperança de futuro.

Um Povo vivo, uma esperança de futuro. Que os lumes de Bel queimem e desfagam toda injustiça.

Achega-te Maio junto de mim!

Os Maios (Beltaine) são chegados. A terceira grande celebração do ano a seguir o Magusto (Samain) e o Entroido (Imbolc) começa esta noite, no passo do 30 de Abril ao 1 de Maio.

A roda de nenos e nenas arredor dum Maio (Combarro, PO).

Roda de nenos e nenas arredor dum Maio (Combarro, PO).

Vêm aí os Lumes de Bel (Bel-tené) – o formoso, o belo – e assoma a cabeça a Tarasca do Val, sabendo que chega já de forma definitiva a primavera. Regressam a casa depois dum duro inverno fora os moços do Cório (como os irlandeses fianna), para celebrarem estas datas com o resto do seu Clã.
Como o Magusto (Samain), os Maios supõem um trânsito, o outro fito da divisão da Roda do Ano em duas partes, a mudança definitiva da metade escura do ano à luminosa, de Giamos a Samos. Retoma o lume guardado por Druidas e Druidesas o seu simbolismo fulcral, leva-se o gado até ele para a sua purificação e saltam homens e mulheres por riba na procura da fertilidade. Se no Lugnasad preparamos com lume a futura chegada da escuridão, aqui chamamos definitivamente à luz que não para de caminhar cara nós. Invoca-se o calor, em definitiva o Sol, no rito de Alumiar o Pão:

Alumia o pão
Alumia-o bem
Alumia o pão
para o ano que vem

Alumia o pai
cada grão um tolodão
Alumia o filho
cada grão um pão de trigo
Alumia a nai
cada grão um tolodão
Alumia a filha
cada grão um pão de trigo

É o grande festival da fecundidade, do esplendor da natureza, da fartura. É uma festa de reconstrução e renovação simbolizada também pela morte do deus Maponos pendurado duma árvore, morte temporária pois renasce depois nessa mesma árvore. Assim a Comunidade elabora o Maio, uma figura inteiramente vegetal – se calhar com algum ovo que a Lebre já cedeu a pedido de Brigantia depois do equinócio  – que representa e centraliza a natureza, a essa árvore se se quer, ou escolhe-se uma árvore que será passeada por moços e moças; mesmo pode-se vestir uma criança como tal. É a árvore pois que traz a vida e a luz durante meio ano, em torno à qual todas e todos cantam e dançam em círculos enquanto o Cório bate as suas espadas junto da Tarasca, espinha do Mundo:

Ergue-te Maio
que tanto dormi-che
que passou o inverno
e ti não o vi-che

De acordo com a tradição galaica celebramos os Maios desde a noite do 30 de Abril até o significativo dia 1 de Maio, onde depois da juntança de luta da manhã percorremos o caminho cara um santuário natural com o galho de acabar de confeccionarmos o Maio, acender os lumes, jantar e, em definitiva, desfrutar da alegre proteção de Bel sobre nós e da ajuda de Návia nos nossos cânticos com o repenique das suas águas, sempre precisas para limpar as feridas e completar a ressurreição de Maponos. Amanhã é dia de presença nas ruas, por justiça e por festa. Amanhã o País inteiro tinge-se de cor num berro senlheiro.

As datas de culto, aliás, estendem-se até o dia três, mas neste caso são actividades principalmente pessoais e privadas.

Para mais informações sobre a celebração deste ano – sempre sujeitas à climatologia – contactem sempre.

Beltaine, os Lumes de Bel

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