A necessária pausa na Seitura

Deus Lugo. Desenho em aquarela por R. Cochón, Caminhante da IDG

A Seitura, um trabalho agrícola que tradicionalmente começa a partir do 25 de Julho, indica-nos claramente o início da época da ‘Assembleia de Lugo’ (Lugnasad), do luminoso e poderoso protector das criadoras e inventoras, das agricultoras,  de aqueles e aquelas que podem fazer surgir algo que antes nom existia, do que coloca ordem no caos e defende os pactos e promessas feitas.

É em definitiva o tempo da primeira sega, motivo de ledícia geral, depois da esforçada guarda de Brigantia e Bel e todo o nosso trabalho acumulado.
É a quarta e última grande celebraçom religiosa do ano a seguir o Entroido e os Maios, quando o Magusto reserva-se para o futuro e ainda aproveita-se o verám. Fecha-se a Roda do Ano na data simbólica do 1 de Agosto.

Por fim se pode reunir o Clan em grande festejo para celebrar a luz no esplendor do verám, a colheita dos frutos da Terra que ham de nos alimentar quando o frio vier. Mais umha promessa é cumprida da mao de Lugo, pois a Natureza nunca falha à sua cita. Façamos nós um esforço por estarmos à altura.

É um tempo para reflectirmos sobre o acadado nas nossas vidas e de como foi feito, pensarmos nos nossos planos e estratégias passadas, sabendo que deveremos sementar de novo grao e ideias mais cedo do que tarde. É altura, tamém, de fixar todo o bom conseguido até o de agora – apresentado por Lugo – de estarmos satisfeitas pelo bom e tomar consciência do desejo de mudança do mau.

Nestas datas unem-se as famílias e os amigos, celebram-se casamentos e lembra-se a quem nom está, brinca-se e há música, arte e competiçons desportivas, actividades todas das que Lugo é patrom. A Comunidade trabalha junta nessa colheita mantendo um sorriso entre troula e esmorga, arredor dumha mesa ou dançando baixo o céu, sem nunca esquecer retornar à Terra parte do que ela nos dá.

Fagamos pois reflexom sobre quem somos e onde estamos, onde queríamos chegar e aonde queremos ir. Aproveitemos os intres de calma e sossego que nos garante Lugo e a sua eloquente e positiva sabedoria. Pensemos em nós mas nom só como indivíduos, senom como parte desse Clã que necessariamente avançará connosco e nós com ele.

Outro ano já virá mais à frente, mas agora toca alçarmos a vista e desfrutar da cálida beleza da vida. O Deus que outorga essa energia toda está presente no seu apogeu; todos e todas nós somos a sua Assembleia e Povo, e esta é a sua festa. Nom desrespeitemos o nosso contrato com Ele.

Hei de ir à tua seitura

Hei de ir à tua segada

Hei de ir à tua seitura

Que a minha vai-che acabada

* * *

Segador que bem segas
na erva boa
que para segar na má
o tempo che sobra.

Aí venhem os segadores
em busca dos seus amores
depois de segar e segar
na erva.

Nota: Este ano nom haverá juntaça formal da IDG para esta festividade, mas começamos já a trabalhar na próxima 😉

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O “bardo” Benozzo ganha prémio internacional

E com alegria que comunicamos que o poeta, músico, académico e amigo Francesco Benozzo vem de ganhar o muito prestigioso prémio internacional “Poets from the Frontier”.

Este prémio “Poetas da Fronteira” é concedido polo comité do Partnership Studies Group (grupo com membros dos EUA, Austrália, RU, França e Itália) a poetas de renome internacional que se mostraram capazes de conceber a sua arte poética como a criaçom dum novo imaginário, numha perspectiva de acçom concreta.

Benozzo, candidato permanente ao Prémio Nobel de Literatura desde 2015, e que este ano tamém é o nome italiano proposto para o famoso prémio Berggruen de filosofia e cultura, foi definido pola comissom deste galardom que acaba de ganhar como alguém que:

“… cruza diferentes géneros poéticos de forma encantadora e original, equilibrando o poder visionário cumha leitura profunda de paisagens vividas cruzadas numha ‘adesom espontânea’ ao seu ritmo, ao experimentar coa sua voz e o ritmo da harpa numha experiência lírica do mundo natural. Graças ao seu precioso trabalho etno-filológico, social, cultural e ao seu empenho civil conseguiu reviver as antigas tradiçons nativas, dando voz às paisagens ancestrais nas margens e nas serras exploradas como um caminhante que se move ao longo dumha linha ténue, como um acrobata, ao limite da mitologia, da letra e da cançom. A sua ideia de poesia que constrúe ‘habitaçons insólitas’, que ‘se manifesta polo recuo’, sempre implementada nas altas falésias e nos limites das terras emergidas, numha dimensom intemporal e universal, que marca, ao ritmo da o passo dado, é significativo e original, umha inquietaçom positiva, errática e nómade, aberta ao diálogo cos lugares e co canto dos antigos Bardos”.

Parabéns! 🙂

Mais informaçom (em italiano) > aqui <.

Umha velha entrevista de nosso com o Francesco > aqui <.

 

A Noite dos Lumes e o Solstício de Verám

O Solstício de Verám, o dia mais longo e a noite mais curta do ano, cumpre desta vez a sua passagem astronómica na manhá do 21 de Junho (11:13 à norte do Minho, 10:13 à sul).
Ora bem, na nossa Tradiçom a festa da Noite dos Lumes (Alban Hefin, Mean Sámhraidh ou Dia do Meio-Verám), terá lugar como sempre na grande e especial noite do 23 ao 24 de Junho.

Esta aparente disparidade de datas tem a ver com o costume celta de celebrar durante 3 dias, ou que determinados eventos durassem 3 dias. Assim, na noite do 23 celebramos o fim dum breve ciclo que abre em poucas horas (desde o ponto de vista astronómico), e fecha sem problema na noite do 23-24. Há um balanço claro com o Solstício de Inverno e a Noite Nai.

Nom sendo umha das quatro celebraçons religiosas principais do ano seguindo a Roda do Ano, é sem dúvida umha das mais sentidas popularmente entre as quatro denominas “menores” (solstícios/equinócios). É umha ocasiom de alegria e convívio e assim deve ser sentida.
Contudo, como Druidistas é tamém importante fazer saber a quem quiser ouvir a verdadeira origem e motivos reais desta data, em forma de reparaçom e dignificaçom pola sua banalizaçom crescente.

É assim a celebraçom do trânsito ao verám que nos levará cara umha nova Seitura (Lugnasad), umha mudança de estaçom e um novo lento caminho cara Giamos, a metade escura. Vai rematando a época dos Maios (Beltaine) e tudo arde numha êxtase festiva.
Por isso, mais do que nunca, o lume em forma de cacharelas viram elemento fulcral alumiando a meia-noite, dissipando as trevas e criando um perfeito dia sem fim, um último berro de luz, poder e fertilidade. Decoram-se os chaos com flores, enchem-se as ruas de elementos vegetais, despedindo aos poucos ao bom do brilhante Bel, dando as boas vindas ao luminoso Lugo, que em nada completará a sua entrada.

Junto do Magusto e os Maios esta é a terceira das denominadas noites mágicas do ano, onde disque as meigas andam à solta. É bom momento entom para apanharmos ervas mencinheiras assim como banhar-nos no mar e até recolher a Flor da I-áuga (o primeiro reflexo do Sol na superfície das fontes), com a permissom das Xanas de Nábia no novo abrente, cousas todas que ham centrar os rituais para as nossas sanaçons e purificaçons.

Como cada ano, preparade-vos logo para acender e cuidar o lume do vosso Clan, umha fogueira tam alta e brilhante que dea luz às próprias estrelas, lume que depois haverá que saltar para eliminar todo mal.
Preparade-vos para partilhar a comida e recuperar forças antes de apanhar as ervas e água mágicas, para tomar o banho de mar na noite que é dia, e aguardar ainda assim pelo raiar do Sol que lembrará que sempre há voltar 🙂

NOTA sobre as celebraçons: Como sempre, chamamos à responsabilidade e sentidinho quando celebredes esta noite. O lume amigo pode virar fogo incontrolado e daninho, e o barulho de explosons assusta animais e perturba a Natureza.

Noite dos Lumes, alegre / menina, vai-te lavar

apanharás água do pássaro / antes de que o Sol raiar

Irás arrente do dia / a água fresca catar

da água do passarinho / que saúde che há de dar

Corre menina, vai-te lavar / lá na fonte te hás de lavar

e a fresca água desta alborada / cor de cereixa che tem que dar

Se arraiar, se arrairá / todas as meigas levará;

já arraiou, já arraiou / todas as meigas levou.

Uma tradição bem antiga e profundamente enraizada, embora a maioria da gente a conheça com um nome falso
Umha tradiçom bem antiga e profundamente enraizada na nossa cultura, embora a maioria da gente a conheça com um nome falso.

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