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As Nove Regras de Conduta – The Nine Rules of Demeanour

A nom esquecer / Do not forget

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Sabemos que circulam muitos mitos falsos sobre o antigo Povo Celta. Sabemos que falta muita informaçom do nosso passado e que, em grande parte, só podemos fazer umha reconstruçom parcial do conhecimento ancestral. Contudo, hai cousas que sim sabemos, seja de forma directa ou indirecta, através da investigaçom e estudo comparado com outras terras celtas. Podemos, aliás, adaptar e actualizar de forma razoável o que os nossos Devanceiros e Devanceiras pensavam aos tempos de hoje.

Sabemos assim que os três eixos por trás da ética druídica som a Responsabilidade, a Honra e o Compromisso. Podemos concordar também nos Nove Compromissos e as Nove Virtudes como preceitos comuns a todos os grupos druídicos sérios, com essas ou outras palavras similares. Indicamos isto tudo na nossa secçom sobre a Druidaria.

Mas, como podemos dar forma à reconstruçom dumha sociedade “céltica” no nosso dia a dia com base a tudo o indicado? Que pequenos actos podemos realizar? Que concreçons termos presentes na nossa vida cotiã? Vam pois, umhas recomendaçons por onde começarmos fazer do nosso mundo um lugar melhor para todos e todas seguindo umha lógica céltica.

As Nove Regras de Conduta Druídica:

1. Cortesia e educaçom.

Sé decididamente cortês, sé educado/educada. Saúda e sorri. Agradece sempre, especialmente a pessoas subordinadas. Mantém as boas formas em todo momento. Nom provoques barulho ou sejas desagradável. Pede desculpas se causas moléstia ou incomodo acidentalmente. Sé pontual.

2. Hospitalidade e generosidade.

Um/Umha celta mede-se pola sua hospitalidade. Fornece, dá com fartura, assegura-te de que ninguém no teu clã sofra necessidade. Partilha. Ajuda ao estranho ou estranha se a sua causa é genuína e a sua conduta adequada. Acolhe de braços abertos a quem o mereça e retribua, mas nom permitas abusos, roubos e descaramentos.

3. Conhecimento.

Informa-te, estuda, vai à raiz. Nom fales do que nom sabes, aprende de quem sabe. Nunca espalhes rumores. Pergunta e debate como ferramenta contra a ignorância. Se ofereces umha opiniom fundamentada informa que é umha opiniom e nom um facto. Defende os factos, aliás, se genuinamente acreditas neles como certos. Aceita estar equivocado/equivocada quando aconteça.

4. Respeito e tolerância.

Respeita a quem pensa e actua diferente se o fai com Honra, razons e convicçom genuína. Destrói a charlatans e impostores. Defende as tuas crenças e valores mas sempre com argumentos e atitude construtiva. Ouve, sé empático/empática, mas nom toleres a quem só prevarica ou quer causar mal.

5. Justiça e verdade.

Sé justo/justa. Di a verdade. No pensamento celta, umha vez algo é decidido só isso pode vir a ser e, portanto, nada pode estar errado nesse momento preciso. Se depois se demonstra como errado assume-o, cresce como pessoa, e corrige e repara sempre todo mal causado. Mas esmaga os ardis de quem te quer enganar ou tirar proveito de ti.

6. Terra e Natureza.

A Terra sustenta a nossa realidade, a Natureza é tudo ao nosso redor. Som o legado do passado para o futuro. Respeita-as, honra-as. Nunca as danes e, mais do que isso, cuida delas, pois elas som tu e tu és elas. Informa a toda pessoa que desconheça esta verdade, combate toda pessoa que mália saber actue na sua contra.

7. Cuidado e saúde.

Cuida-te, mantém-te sã e seguro/segura, mantém-te asseado/asseada. Respeita-te. Fai o necessário para estares sempre em boa condiçom física. Aprende como funciona o teu corpo e conhece as suas reacçons, pois o teu bem-estar mais elementar depende disso. Cuida a higiene própria e doméstica, como faria qualquer animal, pois a Natureza é ordenada e limpa. O desleixo é egoísmo.

8. Sem dano, sem ódio.

Nom provoques dano a nada nem ninguém. Respeita a propriedade dos/das demais e exige respeito para a tua. Jamais forces ninguém ao que nom quer fazer. Defende o/a inocente. Cada pessoa vale o que valem a sua palavra e as suas obras, e cada pessoa deverá ser tomada individualmente no que é, para bem ou para mal. Se tens que combater que seja em defesa própria e porque tentasche tudo e nada funcionou.

9. Sentidinho.

Ou a palavra mais galaica possível para resumir o equilíbrio mental. Nom sejas um tolo/tola. Pensa, razoa, planifica antes de falares ou actuares. Considera tudo o dito e toma decisons honestas, nom te enganes a ti mesmo/mesma. Actua com proporçom e sem precipitaçom, mas com decisom e resoluçom. Nom fagas caso de “imbecis e escuros”, evita provocaçons. Esnaquiza rapidamente, porém, a quem nada disto respeite e te queira fazer mal a mantenta.

Ou em resumo:

  • Sé cortês e educado/a.
  • Sé generoso/a e acolhedor/a.
  • Estuda.
  • Respeita os/as outros/as.
  • Sé justo/a e sincero/a.
  • Protege a Terra e a Natureza.
  • Fica saudável, seguro/a e limpo/a.
  • Não causes mal nem provoques ódio.
  • Não sejas parvo/a.

 

[in English] It is known that many false clichés are told about the ancient Celtic People. It is known that much information from our past has been lost and that, for the most part, only a partial reconstruction of that ancestral knowledge can be accomplished. However, there are things we do know, directly or indirectly, thanks to research and comparative studies with other Celtic lands. We can, moreover, make an educated guess in adapting and updating what our Ancestors thought to the times we are living in.

We know that the three key aspects behind Druidic ethics are Responsibility, Honour and Commitment. We can also agree on the Nine Commitments and the Nine Virtues as common principles for all serious Druidic groups, with those or similar words. We discuss all this in our section on Druidry.

Yet, how can we face the reconstruction of a “Celtic” society today based on all of the above? What little things can we do in our daily lives? Here are, then, a number of recommendations where to begin making our World a better place for all, following a Celtic logic.

The Nine Rules of Druidic Demeanour:

1. Courtesy and politeness.

Be impeccably courteous, be polite. Greet and smile. Always say thank you, especially to subordinates. Use good manners at all times. Do not become noisy, boisterous or be nasty. Apologise if you ever cause trouble or annoyance accidentally. Be punctual.

2. Hospitality and generosity.

A Celt is measured by his/her degree of hospitality. Provide, give plenty, make sure nobody in your clan is lacking the basics. Share. Help the stranger if his/her cause is genuine and his/her conduct proper. Welcome with open arms whoever deserves it and reciprocates, but do not tolerate abuse, theft nor insolence.

3. Knowledge.

Inform yourself, study, go to the root. Do not speak about what you do not know, learn from those who know. Never spread gossip. Ask and discuss as a tool against ignorance. If you give a reasonable opinion do state it is an opinion and not a fact. Defend the facts, however, if you genuinely believe in them as being true. Do accept being wrong when it happens.

4. Respect and tolerance.

Respect whoever thinks and acts differently if he/she does it with Honour, reason and genuine conviction. Destroy the charlatans and impostors. Defend your beliefs and values but always using arguments and with a constructive attitude. Listen, be empathic, but do not tolerate those who only prevaricate or want to cause evil.

5. Justice and truth.

Be fair. Speak the truth. In Celtic thought, once something is decided then only that can come to be and, therefore, nothing can be wrong in that precise moment. If it is later proven as wrong, accept it, grow as a person, and correct and repay any harm you may have caused. But crush the wile of anyone who wants to deceive you or take advantage of you.

6. Land and Nature.

The Land sustains our reality, Nature is everything around us. They are the legacy of the past for the future. Respect them, honour them. Never harm them and, more than that, cherish them, for they are you and you are them. Tell all this to anyone who ignores this truth, fight anyone who – despite knowing – acts against them.

7. Care and health.

Look after yourself, keep yourself healthy, safe and clean. Respect yourself. Do the necessary to always be in good physical condition. Learn how your body works and get to know its reactions, because your most basic well-being depends on that. Look after your personal and domestic hygiene, as any animal would do, for Nature is tidy and clean. Negligence is selfish.

8. No harm, no hate.

Do not cause harm to anything or anyone. Respect the property of others and demand respect for yours. Never force anyone into doing what they do not want to do. Defend the innocent. Each person is worth what his/her word and works are worth, and each person must be dealt with individually as they are, for good or for bad. If you have to fight make sure it is in self-defence and because you have tried everything and nothing else has worked.

9. “Sentidinho”.

Or the most Galician word possible to sum up mental balance. Do not be a fool. Think, reason, plan before you talk or act. Consider everything and make honest decisions, do not deceive yourself. Act with proportion and do not be hasty. Do not listen to those “foolish and dark” (as our National Anthem goes), avoid provocations. Smash swiftly, however, whom none of this respects and wants to harm you on purpose.

Or in summary:

  • Be courteous and polite.
  • Be generous and welcoming.
  • Study.
  • Respect others.
  • Be fair and truthful.
  • Protect the Land and Nature.
  • Stay healthy, safe and clean.
  • Cause no harm and provoke no hate.
  • Don’t be a fool.

 

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Salta a lebre, descansa Brigantia: é a Alvorada da Terra

O animal desta época, a Lebre, nom o é por casualidade. Símbolo de fertilidade, é a encarregada de cuidar do ovo (fruto do ventre – i mbolg) pois Brigantia começa já a ficar cansa… Foto: C. Galliani.

Esta tarde o Sol detém-se sobre as nossas cabeças, toma fôlegos por um intre na sua viagem enquanto equilibra luzes e trevas. Às 16:15 (norte do Minho; 15:15 no sul) tem lugar o Equinócio de Primavera, quando depois de finalmente alcançar à escuridom na sua corrida, o dia dura tanto como a noite.

É o que muitos e muitas denominam Alban Eilir, “A Luz da Terra”, Mean Earraigh, “Meia Primavera”, ou Alban Talamonos, “O Amencer da Terra”; Ostara nos cultos germânicos e wiccanos, o início do ano astrológico para outros.

Nos chamamos-lhe A (Festa da) Alvorada da Terra e é um dos quatro  eventos astronómicos que intercalam as quatro grandes celebraçons religiosas da Roda do Ano , é dizer, o ciclo completo das oito grandes celebraçons da Druidaria combinando quatro maiores (religiosas, com começo no Magusto, em Novembro) e quatro menores (astronómicas: solstícios e equinócios).

Continuamos assim o caminho indicado no Entroido (Imbolc). Vai resultando evidente que a chegada dos Maios (Beltaine) e imparável. A Natureza cumpre os seus ciclos mais umha vez, por muito que haja quem teime em ignorá-la e daná-la. Por fim vai agromando a vida por toda parte; é óbvio e palpável. Apesar do frio que perdura, a luz e os primeiros verdes e flores nom enganam. Activa-se a fertilidade e maravilhamo-nos de como a planta sabe quando tem que medrar, quando tem que sair do ovo protegido por uma lebre, simbolismo do que significavam os frutos “no ventre” (i mbolg) da Deusa Brigantia, que nom parou de sorrir desde o Entroido.

Renovam-se desta forma as intençons do Entroido: continua a preparaçom, cuidado e sementado da terra, mas esta já reverdesce. Pode-se pôr outra vez a casa em ordem e continuarmos a limpeza, tamém interior, porque com esta luz podemos ver melhor todo recanto escuro, em toda parte, e nom deixarmos nada sem arranjar.

Bom Equinócio de Primavera entom. Recebide a acougante Alban Eilir num agarimoso abraço. Empregade bem o tempo da Mean Earraigh. Espreguiçade-vos com o Alban Talamonos. Acordade com a terra que recebe a sua Alvorada.

 

Dim que nom falam as plantas, nem as fontes, nem os pássaros,

nem a onda cos seus rumores, nem co seu brilho os astros,

di-no, mas nom é certo, pois sempre quando eu passo,

de mim murmuram exclamam:

Aí vai a tola sonhando

coa eterna primavera da vida e dos campos

e já bem cedo, bem cedo, terá os cabelos canos,

e vê tremendo, aterecida, que cobre a giada o prado.

 

Hai brancas na minha cabeça, hai nos prados giada,

mas eu prossigo sonhando, pobre, incurável sonâmbula

coa eterna primavera da vida que se apaga

e a perene frescura dos campos e as almas,

ainda que os uns esgotam-se e ainda que as outras abrasam.

 

Astros e fontes e flores, nom murmuredes dos meus sonhos,

sem eles, como admirar-vos nem como viver sem eles?

(Rosalia de Castro, 1884)

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For the Sons and Daughters of Míl

[This is a revised version of a text originally published in Galician. It is a simple token of appreciation from the IDG to the always loved Éire and Her People]

Holy mountain of Cruachán Aigle, home to Crom Cruach, now disrespected with the name of Croagh Patrick.

Our sister nation of Éire (Ireland) celebrates its national day today, March 17th. It is a day commonly associated with the celebration of its identity and culture, its affirmation as a free People, a formal freedom which was achieved not so long ago taking a high toll. As a matter of fact, part of the price to pay has been a partial memory loss.

More than familiar and intimately well-known, mimetic even in this, Éire hurts as much as our own Land does as Her big day falls on a controversial date. Like us, most of the Sons and Daughters of Míl (the modern Irishmen and Irishwomen) choose to focus on the joyful and light side of things, and even on some political and social issues. Yet, like us, many have a bittersweet sensation with a celebration which revolves around an odd figure, a usurper. Our histories truly run parallel.

It is said that this is “St. Patrick’s Day”, the one who allegedly “drove the snakes out of Ireland”, the same Isle of Destiny glimpsed from the top of Galician King Breogám‘s tower (Irish Bregon). Or better say, Patrick, the one who is claimed to have fought the God Crom Cruach and His wife Goddess Corra, the Dragon and the Crane, or the Great Dragons, akin to our Galician Crouga and Coca.

Twice a year in Galicia we “eat the dragon”: Winter Solstice and Spring Equinox. That is… about now! This creature is the Coca, representing Crouga, the form God Larouco often takes “when He is not in His mountain”.

Crom, first shaper of the Isle and primordial being of Her lands, God of fertility made and covered in gold and, therefore, incorruptible, unchanging, eternally immaculate. This is whom the Christian myth wanted to replace by force, as they clumsily tried to do with many others by simply changing their names.

This way, the Patrick myth had to coercively reinterpret the principle of the Celtic Triad (see the Irish shamrock) and even adapt its main symbol, the Christian cross, to the pre-existing Celtic cross. Hence the Christian imposition was symbolised through the mentioned episode involving the elimination of the snakes, banished from our lives and beliefs. Hence they took possession over the house of Crom, metaphorically and physically, His holy mountain – like our Larouco – now wrongly called Croagh Patrick.

But what is said for Galicia can now be said for the Sons and Daughters of Míl, since they are of our ancient blood, descendants of the same lineage: the outlanders did not triumph despite the many they convinced. We are witness to that.

Although the Milesians – the Celtic Galicians who sailed to Ireland and settled there – supported Lugh in the quarrel with Crom and the Land and the harvests were eventually yielded to the former, it is clear that Crom remains not just among the Celtic Gods and Goddesses, but also as an ally to Lugh Himself, to the Mórrígan (our Reve) and to the one the Welsh call Rhiannon and the Gauls Epona (our Íccona). And Corra, always willing, continues to visit the holy mountain every summer.

We wish all the Irish a grand Day of the Dragon then, hoping they will take yet another step forward against oblivion, for the Honour of our shared culture and our Peoples. When they do, they must know they are not walking alone, for Galicia and Ireland can never be strangers to each other, for we sing the same songs.

Catholic respect for Druidry

Source: Celtic Druid Temple, Ireland.

 

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És uma boa selvagem? Are you a good savage?

Reconstrução artística da entrada a um castro celta galaico – Artistic reconstruction of the entrance to a Galician Celtic castro (settlement) / Fonte-Source: Paco Boluda

Talvez tenhas lido o que diziam os romanos sobre este Povo, ou visto algum filme ou série de televisão saída da imaginação de alguém… mas realmente circula muito mito sobre os nossos Devanceiros e Devanceiras. Imos tentar cobrir alguns 😉

Perhaps you’ve read what the Romans said about this People, or seen some film or TV series coming from someone’s imagination, but there really are plenty of clichés circulating about our Ancestors. Let’s try cover some 😉

 

Equívocos comuns sobre as antigas celtas
Baixa este texto em galego-português aqui: *.pdf, 1 Mb.

Common misconceptions about the ancient Celts
Download this text in English here: *.pdf, 1 Mb.

 

1. “As celtas eram bárbaras”

Foram em verdade uma grande civilização que perdurou durante séculos.
Organizadas numa rede descentralizada mas perfeitamente funcional, construíram as primeiras grandes estradas europeias (depois reutilizadas pelos romanos) e estabeleceram prósperas rotas de comércio marítimo.
Podem ser vistas como o povo mais “progressista” do seu tempo, onde as mulheres tinham os mesmos direitos que os homens, incluindo a propriedade da terra, divórcio, liderança política ou religiosa, etc. Tinham, de facto, um sistema legal e instituições comuns perfeitamente estabelecidas.
Moravam em assentamentos confortáveis, com saunas e casas decoradas com cores alegres. Homens e mulheres gostavam de vestir roupas finas e sofisticadas, assim como levarem jóias lindamente detalhadas. O seu trabalho em metal era da primeira classe, demonstrando uma habilidade extrema e familiaridade com a geometria avançada.
Eram excelentes poetas e músicos, bem versadas no conhecimento das matemáticas, astronomia e filosofia (reconhecido pelos gregos), um conhecimento que era partilhado pela Kéltia toda (a totalidade do mundo céltico)

Possível coloração duma Pedra Formosa, uma entrada a uma sauna celta galaica – Possible colouring of a Pedra Formosa, an entrance to a Galician Celtic sauna / Fonte-Source: Paco Boluda

1. “The Celts were barbarians”

They were in fact a great civilisation that lasted for centuries.
Organised in a decentralised but perfectly functional network, they built the first major European roads (later reused by the Romans) and established flourishing sea-trade routes.
They can be seen as the most “progressive” People of their time, where women had the same rights as men, including the right to own land, divorce, become leaders, warriors, religious figures, etc. In fact, they had a well-established common legal system and institutions.
They lived in comfortable settlements, with saunas and houses decorated in lively colours. They liked to dress in fine and sophisticated clothes too, as well as wearing beautifully detailed jewelry. Their metalworks were second to none, demonstrating extreme skillfulness and familiarity with advanced geometry.
They were superb poets and musicians, well versed in the knowledge of mathematics, astronomy and philosophy (as stated by the Greeks), a knowledge which was shared all over Keltia (the whole of the Celtic world).

 

2. “Estavam sedentas de sangue e permanentemente em guerra”

Eram basicamente agricultoras e comerciantes.
Estavam realmente bem preparadas para a guerra, no caso de precisarem de se defender (especialmente porque tendiam a viver em comunidades relativamente pequenas), mas as evidências indicam que preferiam estabelecer conexões amigáveis e abrir vias de comunicação.
Nalgumas ocasiões podiam surgir conflitos em relação a roubos de gado e outras brigas menores entre indivíduos ou bandas, mas a guerra a grande escala entre celtas era rara e muitas vezes apaziguada por esforços diplomáticos. As competições desportivas e duelos pessoais “heróicos” eram utilizados frequentemente como mecanismos de resolução de disputas.
Por certo, não corriam despidas como tolas e tolos à batalha. Tinham espadas, escudos, lanças, capacetes e armaduras de jeito. As guerreiras e guerreiros profissionais estavam organizados e usavam hierarquias. Dizia-se que eram muito valentes, isso sim, no limite da temeridade, mas não eram lunáticos.

Torque de Xanceda, Galiza (detalhe) – Torc of Xanceda, Galicia (detail), circa 200-50 BCE / Fonte-Source: Património Nacional Galego

2. “The Celts were bloodthirsty and constantly at war”

They were mostly farmers and traders.
They were indeed well prepared for war, in case they needed to defend themselves (specially since they tended to live in relatively small communities), but evidence mounts as to they preferred to establish friendly connections and open communication routes.
Conflict could arise on occasion in relation to cattle raiding and other forms of minor fighting between individuals or bands, but full scale war among Celts was rare and often appeased by diplomatic efforts. Sporting competitions and “heroic” personal duels were frequently used to resolve disputes.
By the way, they didn’t run naked like crazy into battle either. They had proper swords, shields, spears, helmets and armours. Professional warriors were organised and used ranks. They were said to be quite corageous though, on the verge of fearless, but they were not lunatics.

 

O Calendário de Coligny, a evidência mais importante dum calendário celta galo – The Coligny Calendar, the most important evidence of a Celtic-Gaulish calendar / Fonte-Source: Wikipedia

3. “Eram ágrafas. Não sabiam escrever”

O historiador grego Diodoro da Sicília (S. I AEC) menciona como as celtas “lançavam cartas escritas” às piras funerárias como forma de enviarem umas palavras finais às falecidas. Sim sabiam o que era a escrita.
Dito isto, a escrita provavelmente era considerada sagrada, secreta, ou ambas, usada só para questões de importância.
Os escritos celtas, tomaram a forma que for, tiveram que ser muito escassos e, portanto, perdidos para sempre já que seguramente estavam feitos em materiais perecíveis.
Contudo, deveram fazer-se anotações e registos do seu vasto conhecimento matemático e astronómico, mantido dalguma forma, como demonstra o Calendário de Coligny por exemplo.
Além disso, a aparição relativamente repentina da escritura Ogham na Irlanda por volta do S. IV da nossa era indica que este alfabeto derivou doutro ainda desconhecido, evidenciando que a escrita era conhecida nas línguas celtas mas que foi nessa altura quando o seu uso foi “permitido” em forma de gravados na pedra indicando nomes pessoais, limites de propriedades, etc.

3. “The Celts did not write”

Greek historian Diodorus of Sicily (1stC BCE) mentions how the Celts “threw written letters” into the funerary pyres as a way of sending final words to the dead. So they knew what writing was.
Having said that, writing was probably considered sacred, secret, or both, used only for rather important issues. Celtic writings, whatever form they took, had to be very scarce and thus lost forever as they were probably made in perishable material.
Then again, annotations had to be made and records of their vast mathematical and astronomical knowledge had to be kept somehow, as illustrated in the Coligny Calendar for example.
Furthermore, the relatively sudden apparition of Ogham writing in Ireland around the 4thC of our era indicates that this alphabet arose from another (unknown) scrip, evidencing that writing was known in Celtic languages but it was at that stage when it was “allowed” to take form in stone engravings indicating personal names, property limits, etc.

 

Estamos compreendendo em profundidade a origem e evolução das celtas – We are gaining a deeper understanding on the origins and evolution of the Celts / Fonte-Source: Cunliffe (2010)

4. “As celtas vieram da Europa central”

As celtas são indígenas da Europa Atlântica.
O velho ‘Modelo das Invasões’ – segundo o qual povos Indo-Europeus assentaram na Europa central e depois emigraram para outras partes do continente, dando assim origem às que seriam conhecidas como celtas – está desacreditado. Parecia lógico e foi útil no seu momento como teoria de trabalho, mas a investigação actual vai apoiando a visão das ‘Celtas do Oeste’.
As lendas celtas já nos contavam isso, e agora cada vez mais estudos arqueológicos, linguísticos e genéticos ilustram como a etnogénese das celtas foi um processo gradual que ocorreu na franja litoral sul e oeste da Europa Atlântica.
Em verdade, segundo o Paradigma da Continuidade Paleolítica (PCP), a cultura celta nasceu por volta da área da Galiza e Norte de Portugal actuais (a velha Galécia).

4. “The Celts came from Central Europe

The Celts are indigenous to Atlantic Europe.
The old ‘Invasion Model’ – according to which Indo-European peoples settled in Central Europe and then migrated to other parts of the continent thus giving origin to what would be known as the Celts – has been debunked. It was logical and useful in its time as a working theory, but current research increasingly favours the so-called ‘Celtic from the West’ view.
Celtic legends already told us so, and now increasing archaeological, linguistic and genetic studies illustrate how the ethnogenesis of the Celts was a gradual process that took place on the south and western fringe of Atlantic Europe.
Actually, according to the Paleolithic Continuity Paradigm (PCP), Celtic culture was born around the area of today’s Galicia and Northern Portugal.

 

5. “As celtas praticavam sacrifícios humanos e a escravidão”

Simplesmente não há suficientes evidências disto, apesar do que digam os romanos.
Os sacrifícios humanos eram provavelmente confundidos com execuções, que podiam tomar uma aparência ritual dada a gravidade da situação. Por exemplo, os galos faziam isto cada cinco anos, dando portanto a falsa impressão de um grupo de pessoas estar sendo sacrificado por alguma razão. Em qualquer caso, as execuções eram raras e induzidas antes de nada pelo crime mais grave: negar-se a defender a própria tribo se esta for atacada.
Igualmente, para entendermos o assunto da “escravidão” devemos tomar em consideração que a Lei Celta não estava baseada no castigo mas sim na restauração. Portanto, uma falta ou crime tinha sempre que ser retribuído proporcionalmente da maneira mais directa. Por exemplo, um assassinato podia ser retribuído tornando-se em servo da família do falecido. Então, a “escravidão” nas antigas sociedades celtas deve ser vista mais como uma pena em vez duma instituição.

5. “The Celts practised human sacrifices and slavery”

There is simply not enough evidence for this, despite of what the Romans said.
Human sacrifices were probably mistaken for executions, which could take a ritual appearance given the gravity of the situation. For instance, Gauls conducted those once every five years, hence giving the false impression that a group of people was being ritually sacrificed for whatever reason. In any case, executions were rare and primarily induced by the most serious crime: failing to defend one’s tribe if attacked.
Likewise, in order to understand the “slavery” issue we must take into consideration that Celtic Law was not based on punishment but rather on restoration. Therefore, a fault or a crime always had to be repaid proportionally in the most direct manner. For example, a murder might be repaid by becoming a servant for the family of the deceased. Then, “slavery” in old Celtic societies must be seen more like a penalty rather than an institution.

 

6. “As celtas tocavam a gaita”

Grandes trombetas e chifres sim, percussão também, e harpas a eito, mas não gaitas de fole.
Em verdade, não há menção de gaitas até bastante mais tarde no tempo. Supostamente foram introduzidas por vez primeira na Europa pelos romanos no S. I EC, mas mesmo isso é incerto e não podemos encontrar mais menções até o S. IX. As gaitas galegas aparecem documentadas sem dúvidas a partir do XIII e as escocesas desde o XVI.
A gaita e instrumentos similares são bastante comuns arredor do mundo, assim que não têm muito de exclusivo. Não obstante, estão já totalmente integradas no folclore e estética céltica moderna. Não faz mal, soam bem e são lindas.

6. “The Celts played bagpipes”

Big trumpets and horns, yes, percussion too, and definitely harps, but not bagpipes.
In truth, there is no mention to bagpipes until much later in time. They were allegedly first introduced in Europe by the Romans in 1stC CE, but even that is uncertain and no further mentions can be found until the 9thC. Galician bagpipes are unequivocally documented from the mid 13thC and Scottish from the 16thC.
Bagpipes and similar instruments are quite common around the world, so there’s nothing exclusive about them. Nonetheless, they have been fully incorporated into modern Celtic folklore and visuals. No harm there, they sound and look nice.

 

Druidas modernos fazem cousas glamorosas como… decorarem o salão para a ceia do Magusto! – Modern Druids do glamorous things like… setting up the hall for the Magusto (Celtic New Year) dinner! / Fonte-Source: IDG (2014)

7. “As Druidesas eram seres místicos com poderes mágicos”

E também cavalgavam unicórnios. Vai ser que não.
As celtas não eram uma sociedade ideal e perfeita, como é representado muitas vezes nalgumas narrativas absurdas de inspiração ‘New Age’. Tinham as suas falhas, os seus contratempos e as suas contradições, como toda a gente. O mesmo é aplicável aos seus líderes, que obviamente eram humanos.
Ainda assim, a sua elite intelectual, os Druidas e Druidesas, eram altamente respeitadas e consideradas por cima do resto em termos de reputação. Imaginemos uma combinação de médico, juiz, sacerdote, diplomata, artista, cientista e professor… Um Druida representaria isso tudo para um celta.
A sua formação e treino eram excepcionalmente rigorosos, e a sua autoridade derivava tanto dos seus enormes conhecimentos como da sua vocação de serviço: uma Druidesa trabalhava para a sua comunidade, para ajudar e guiar a outros, e pela preservação geral da sua cultura e crenças. Na maioria das vezes, até os reis e rainhas tinham que consultar com um Druida antes de tomarem qualquer decisão importante.
Eram uma instituição pan-Céltica nelas mesmas. De facto, eram obrigadas a viajar e visitar outras terras celtas na sua etapa formativa, sendo-lhes sempre garantida passagem livre e segura. Não podiam receber dano.
É fácil pois ver por que eram tão reverenciadas nos tempos de antes, como eram temidas pelos romanos (Júlio César considerava-as o inimigo “real” por trás dos guerreiros) e como impressionaram os filósofos gregos.

PD. Este é também o motivo pelo que nós na IDG consideramos que o título de “Druida” (Durvate) não pode ser usado de forma despreocupada – é uma palavra muito grande! – e deve ser ganhado em base a uma dedicação e estudo demonstráveis, além dum reconhecimento por parte dos seus pares e da sua comunidade.

7. “The Druids were mystical beings with magic powers”

And they rode unicorns too. Not.
The Celts were not a perfect ideal society, as it is often portrayed in some naive New-Age-ish narratives. They had their flaws, their setbacks and their contradictions, like anybody else. Same applies to their leaders, who were obviously human.
Still, their intellectual elite, the Druids, were highly respected and were considered to be a cut above the rest in terms of reputation. Let’s imagine the combination of a doctor, a judge, a priest, a diplomat, an artist, a scientist and a teacher… A Druid would represent all that for a Celt.
Their education and training was beyond rigorous and their authority derived from both their enormous knowledge and from their vow of service: a Druid worked for his or her community, to help and guide others, and for the overall preservation of their culture and beliefs. More often than not, a King or Queen had to consult a Druid before taking any important decision.
They were a pan-Celtic institution in themselves; as a matter of fact they were obliged to travel and visit other Celtic lands in their formative years and were always allowed free safe passage. No harm could be done to them.
Thus it is easy to see why they were so revered back in the day, how they were feared by the Romans (Julius Caesar considered them the “real” enemy behind the Celtic warriors) and how they impressed the Greek philosophers.

PS. This is also why we at the IDG consider that the title “Druid” (Durvate) cannot be used lightly – it is a very big word! – and must be earned based on demonstrated dedication and study, plus peer and community recognition.

 

O herói irlandês Cú Chulainn portando o seu amante Ferdiad depois de o matar ao “enfiar um arma secreta no seu ânus” – Irish hero Cú Chulainn carrying his lover Ferdiad after killing him by “thrusting a secret weapon up his anus” / Fonte-Source: Wikipedia – E. Wallcousins (1905)

8. “As celtas eram nativas europeias e portanto um cultural ‘tradicional’ e ‘branca’”

Parvadas.
Quem pretenda ligar as celtas a noções torcidas como “supremacia branca”, “conservadorismo” e similares realmente não tem nem a menor ideia do que está a falar.
As celtas eram similares etnicamente porque misturavam-se em base a uma óbvia proximidade geográfica, mas ainda assim apresentavam diversidade interna e certamente eram um povo imensamente prático.
A cultura celta não tinha problema em assimilar peculiaridades de outros se isto significava uma melhora. Como comerciantes gostavam de importar novos bens e ferramentas, também novas ideias se estas eram consideradas vantajosas.
Não existem indicações onde discriminaram a ninguém só pela sua mera aparência. Antes o contrário, a Hospitalidade (acolher o visitante ou o estranho que vem em paz) é uma peça fundamental da ética céltica; considera-se um dos pilares do bom comportamento social celta.
Igualmente, a sua visão do matrimónio, família e sexo (incluindo práticas homossexuais e bissexuais) nada tem a ver com o que hoje em dia é entendido como “tradicional”.
A beatice moderna certamente os teria surpreendido, quase tanto como surpreendiam no seu momento às – em comparação – atrasadas sociedades gregas e romanas, sem entrar a falar das cristãs…

8. “The Celts were native Europeans, therefore a ‘traditional’ and ‘white’ culture”

Nonsense.
Those pretending to link the Celts to twisted notions such as “white power”, “conservatism” and the likes really don’t have the faintest idea about what they are talking about.
The Celts were ethnically similar basically because they would mingle with each other due to obvious geographical proximity, but they still showed internal diversity and certainly were an immensely practical People.
Celtic culture had no problem assimilating traits of others if that meant an improvement. As traders, they liked to import new goods and tools, same with new ideas if they were deemed beneficial.
No record exists where they’d ostracise anyone based solely on appearance. On the contrary, Hospitality (welcoming the visitor or the stranger who comes in peace) is a fundamental piece of Celtic ethics; it is considered one of the cornerstones of proper social Celtic behaviour.
Likewise, their vision on marriage, family and sex (including homosexual and bisexual practices) has nothing to do with what today is understood as “traditional”.
Modern bigotry would have certainly shocked them, as much as Celtic values did shock the socially backward – in comparison – Roman and Greek societies, let alone Christians…

 

9. “Os nós celtas são genuinamente celtas”

Toda a gente, bom, quase toda a gente, gosta da arte celta.
A arte é provavelmente um dos legados mais duradouros das Celtas, embora muita gente ligue automaticamente a arte celta com o famoso nó celta. Porém, parte do que hoje percebemos como arte celta pode ter outras influências. Os nós celtas tal como os conhecemos seica tomaram essa forma específica nos primórdios da Idade Média. Contudo, parece que as proporções e gosto pelos padrões geométricos vêm dos tempos antigos. Dalguma forma, os nós celtas podem ser uma evolução da arte original, misturados com símbolos usados realmente pelas primeiras celtas.

9. “Celtic knots are genuinely Celtic”

Everybody, well, almost everybody, likes Celtic art.
Artwork is probably one of the most enduring legacies of the Celts, although many automatically link Celtic art to the famous Celtic knot. However, part of what we perceive as Celtic art today may have other influences. Celtic knots as we know them seem to have taken that specific form around the early middle ages. Yet, it looks like the proportions and taste for geometrical patterns do come from ancient times. In a way, Celtic knots might be an evolution of the original artwork, mixed with symbols used by the actual first Celts.

Elaboração e reconstrução de antigas decorações celtas galegas, com base em restos arqueológicos reais – Elaboration and reconstruction of early Celtic-Galician decorations based on actual archaeological remains / Fonte-Source: Paco Boluda

 

10. “Eu sou celta porque…”

Falo uma língua celta? Venho dum país celta? Alguém da minha família veio? Sou alta e loira e tenho olhos azuis? Pode ser. Pode que não.
A cultura é algo complexo, assim como é-o a identidade cultural. Uma cultura viva está composta de elementos chave como língua, literatura e folclore, mas também de cousas não tão óbvias como o padrão de assentamento (como usamos e modelamos o espaço ao nosso redor), percepções sociais e pessoais do tal espaço, história partilhada, leis (postura sobre o que é justo/injusto, legal/ilegal, adequado/impróprio), humor, características psicológicas, cosmovisão, crenças, etc. E por suposto a auto-identificação.
Em resumo, ser celta no S. XXI e tomar consciência desse legado ancestral – todos esses elementos combinados – e perseverar em mantê-lo vivo. Ser celta implica, então, estudar, aprender, respeitar esse passado, mas também mentalizar-se para viver essa identidade duma forma educada e razoável, adaptada aos tempos que vivemos.
Assim pois, não te confies se tens herança celta, pois ainda deves apreciar e cultivar todos os aspectos nomeados. E não penses que não és celta por não teres herança directa… talvez compreendas o que verdadeiramente significa ser celta melhor que o resto de nós!
Oh, a maioria das celtas nem eram tão altas e tinham cabelo escuro. Não caias em estereótipos físicos parvos, não funcionam agora e não funcionavam daquela.

‘Domínio Celta Moderno’ – ‘Modern Celtic Realm’ / Fonte-Source: National Geographic (2006)

10. “I am a Celt because…”

I speak a Celtic language? I come from one of the Celtic countries? Someone in my family did? I’m tall and blonde and have blue eyes? Maybe. Maybe not.
Culture is a complex affair, and so is cultural identity. A live culture is made up of a number of key elements such as language, literature and folklore, but also by not so obvious things such as the settlement pattern (how you use and shape the space around you), personal and social perceptions of said space, shared history, laws (stance on what is fair/unfair, legal/illegal, proper/improper), psychological traits, humour, worldview, spiritual beliefs, etc. And of course self-identification.
In short, being a Celt in the 21stC is gaining awareness of that ancient heritage – all those elements combined – and persevering in keeping it alive. Being a Celt implies, then, studying, learning, respecting that past, but also getting in the right mindset to live that identity in an educated and reasonable manner, adapted to the times we live in.
So don’t take your Celtic heritage for granted in case you already have it because you still have to cherish and cultivate all the mentioned aspects. And don’t think you’re not a Celt because you have no direct heritage… maybe you do get what being a Celt truly is better than the rest of us!
Oh, most Celts were not that tall and did have dark hair. Don’t fall for silly physical stereotypes, they don’t work now and they didn’t back then either.

 

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O calor do inverno, Entroido de Brigantia

Ousilhão (Vinhais, Bragança), 2018. Foto de A. Marín retirada dum perfil público Facebook.

No 1 de Fevereiro formaliza-se a segunda das quatro grandes celebrações do ano, o Entroido (Imbolc), uma celebração de esperança e alegria fortemente vencelhada à Deusa Brigantia (Brighid ou Bride), a Deusa vitoriosa, principal representante da soberania feminina, exemplo perfeito das trindades druídicas na sua própria figura.

Na tradição galaica disque o Entroido começou já o 1 de Janeiro (passados os fastos da Noite Nai) e ainda que é certo que nalguns lugares já levam dias preparando e até celebrando, será durante esta próxima época depois do 1 de Fevereiro na que se desenvolva em todas partes este festival percebido como purificação da terra e primeiro estímulo do crescimento, a preparação limiar da terra no futuro encontro com a primavera.

Vai-se cumprindo o anunciado triunfo sobre a escuridade que começou com o Ano Novo celta no Magusto (Samhain – 1 Novembro), num inverno que se bem ainda não rematou também não é quem de nos vencer quando bate mais duro, e Brigantia ajuda-nos com os seus atributos e ferramentas.

É o momento então para a regeneração, para ajudarmos a terra, colocar os assuntos da casa em ordem, mesmo de fazer uma grande limpeza, fazer planos e “plantar” ideias. Muitos animais parem nestas datas e mesmo pode ser considerada como a festa dos bebés. Já diz o refraneiro galego que “no 2 de Fevereiro casam os passarinhos“.

Lembra-se, aliás, que o Rei hã renovar os votos com a Terra, na união de soberanos, o pacto sagrado entre o Ser Humano e as Deidades da mão de Brigantia. Como diz o antropólogo R. Quintia:

“[O Entroido galego é o] que melhor conserva o significado simbólico das vodas rituais que se celebravam em toda Europa no final de ciclo festivo da Invernia e a essência das sociedades de moços solteiros [Córios]”

A Deusa Brigantia – A Alta, A Elevada, A Tríplice Chama, Senhora da Soberania, portadora da água, da luz e Deusa do Fogo – toma três aspectos: como Lume da Inspiração (patrona da poesia, artes, filosofia e profecia), como Lume do Lar (patrona da medicina e fertilidade, de pastoras a agricultoras, protectora da casa com ajuda da Deusa Trebaruna) e como Lume da Forja (patrona da metalurgia, ferraria e artes marciais, grande guerreira).

A alegria

A alegria do Entroido tradicional: as cores racham o frio. Chama-se por Brigantia, chama-se por Bel. Vêm os Córios e vai-se afugentando a época escura.

A Soberana guia o Entroido com os seus atributos positivos e fai que, precisamente, acedamos a uma nova época. Eis a raiz da palavra Entroido (ou Entrudo), uma entrada a um tempo alegre que em muitos lugares começa já pouco depois de passado o Solstício de Inverno, mas nada a ver com o “carnavalesco” grosseiro, completamente alheio à nossa tradição [1][2][3][4]. Brigantia assegura então este trânsito e garante a promessa de renascença feita no solstício. Ela será quem acorde depois o refulgente Deus Bel.

O ano já há tempo que começou, mas agora Brigantia e o ciclo da natureza começam a nos premiar de forma especial pela nossa resiliência. Tudo vira em torno ao Imbolc a partir destes momentos (do velho céltico i mbolg, “no saco” ou “na barriga”), este embigo da vida. Alviscamos a sua luz e ficamos confiantes: há que chegar ainda, mas já estamos quase. É tempo de alçarmos a cabeça e rirmos! 🙂

E na dança do teu mirar
Vejo castros, vejo o mar…
E nos beiços do teu Imbolc
Vejo a arder a lua, vejo gear o sol

Mileth (com grafia adaptada; reproduzido com permissão)

Tripla Deusa Brigantia, Senhora do Entroido (Imbolc). Detentora do fogo pois é protectora (entre outras) das ferreiras que forjam as armas, das poetas que apresentam lumes cerimoniais, e das sanadoras que facilitam o lume do lar. Brigantia fornece também pela criança nascente.

 

As cores

Abre-se o verde, racham as cores. Vai frio, mas também luz. Foto: R. Quintia (Facebook)

 

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